Melatonina e saúde
Introdução
A melatonina
é uma substância natural semelhante a um hormônio
que é produzida na glândula pineal (localizada
profundamente no cérebro) e por outros tecidos, como
o aparelho gastrointestinal. Ela está relacionada,
de várias formas, com o ritmo circadiano e a regulação
fisiológica do organismo, ajustando e mantendo o
relógio biológico que administra o ritmo de
funcionamento do corpo. Do ponto de vista experimental,
a melatonina modifica a imunidade, a resposta ao estresse
e algumas características do processo de envelhecimento.
No contexto
clínico, tem sido utilizada nos distúrbios
do ritmo biológico, alterações relacionadas
ao sono e o câncer. Ela possui vários e significativos
efeitos biológicos. Foi lançada no mercado
em 1993. Na área de distúrbios do sono, a
melatonina tem se mostrado eficaz no tratamento de uma condição
denominada síndrome da fase do sono retardada e na
correção de alterações do ritmo
circadiano ligados a mudanças de fuso horário
e pelo trabalho. Os pesquisadores estudaram os efeitos anti-câncer
da melatonina, que parece funcionar em conjunto com a vitamina
B6 e o zinco, opondo-se à degradação
do sistema imunológico proporcionada pelo envelhecimento.
Um trabalho
recente descreve a utilização da melatonina
no tratamento dos distúrbios do sono em crianças
hiperativas e com comprometimento neurológico: pequenas
doses noturnas corrigem as alterações do sono,
e os investigadores observaram uma melhora no humor e um
posicionamento social favorável e mais estável
em crianças que receberam melatonina. A melatonina
também pareceu promissora no tratamento de problemas
femininos, como a osteoporose, a síndrome pré-menstrual,
e até mesmo o controle da natalidade. Por se tratar
de um dos principais hormônios anti-estresse, participa
ainda das funções adaptativas e estimulantes.
Bioquímica da
melatonina
A melatonina
estabiliza e sincroniza a atividade elétrica do sistema
nervoso central. Por outro lado, a ausência da glândula
pineal predispõe os animais a crises convulsivas.
Muitos defendem que a pineal, atuando não apenas
através da melatonina, é uma "estrutura
tranqüilizadora que suporta o equilíbrio do
organismo", agindo como um órgão sincronizador,
estabilizador e moderador. Isso sugere que a melatonina
pode ter muitas aplicações em condições
onde é importante estabilizar e harmonizar a atividade
cerebral.
Contra-indicações
Ainda existem
poucos dados sobre as influências indiretas da melatonina
a longo prazo sobre o organismo. As pessoas devem descobrir
qual é a melhor dose individual, iniciando-se com
cerca de 3mg por dia. A melatonina tem de ser tomada à
noite, de preferência algumas horas antes de dormir
(17-20h). A dose ideal pode variar bastante entre pessoas
diferentes, aparentemente devido a variações
no metabolismo hepático dessa substância. A
velocidade do metabolismo é fundamental para o incremento
nas doses com o decorrer do tempo.
Alguns trabalhos
recentes relatam alguns distúrbios do sono, principalmente
pesadelos, com a utilização de altas doses
de melatonina. Esses estudos foram publicados principalmente
sob a forma de relatos de caso, mas devem ser levados em
consideração por pessoas que acreditam não
existirem efeitos colaterais. Deve-se lembrar que todas
as drogas, particularmente quando utilizadas com doses inadequadas,
apresentam efeitos colaterais.
Desempenho esportivo
Um dos aspectos
mais importantes para o desempenho adequado (e um dos menos
praticados) é o conceito de padrão de sono
regular. Acredita-se que os atletas exigem muito do seu
corpo e não dormem adequadamente, limitando a sua
performance e a longevidade.
A melatonina e a saúde
em geral
Hoje em dia,
as pessoas têm uma vida cheia de estresse. Estima-se
que cerca de um quarto da população apresenta
distúrbios do sono. Além disso, a melatonina
parece ser promissora para indivíduos portadores
de doenças crônicas e os aspectos psicológicos
negativos do estresse. Conseguir uma boa noite de sono ajuda
bastante no processo de melhora. Os profissionais da área
de saúde devem estar familiarizados com os benefícios
e os efeitos colaterais do uso da melatonina, além
das doses iniciais recomendadas. A ingestão durante
o dia pode exacerbar as lesões provocadas pela luz
em receptores dos olhos. Para a maior segurança,
a melatonina deve ser tomada à noite.
Aumentando a produção
de melatonina
A lista a seguir apresenta
algumas observações relacionadas à
produção de melatonina. Observando essas recomendações,
é possível aumentar a produção
de melatonina natural durante o transcorrer do dia.
- Aproveite mais a luz do dia
pela manhã. Dormir excessivamente pode dificultar
a distinção entre a noite e o dia, reduzindo
a amplitude dos ciclos sono-vigília.
- Permaneça ativo durante
o dia, restringindo os cochilos durante o dia a não
mais que 30 minutos. A atividade física diminui a
produção de melatonina durante o dia e atua
também elevando a temperatura corporal.
- Tente exercitar-se pela manhã,
e não à tarde. A glândula pineal funciona
como um relógio que precisa ser ajustado todos os
dias. O melhor modo de fazê-lo é a combinação
de luz e atividade física.
- Evite a ingestão de
cafeína e bebidas alcóolicas durante a noite.
Dê preferência a refeições maiores
e ricas em proteínas durante o dia, comendo em menor
quantidade uma dieta rica em carboidratos à noite.
Os carboidratos promovem a produção e oferta
de triptofano ao cérebro, aminoácido a partir
do qual são produzidas a melatonina e a serotonina.
- O jantar deve ser servido
bem antes da hora de dormir. A digestão aumenta a
temperatura do corpo, dificultando o sono.
- Evite atividade física
ou mental excessiva após as 18 horas. A liberação
de hormônios ligados ao estresse provocado por essas
atividades interfere com a produção de serotonina
e melatonina.
Referências
1. Barnett, ER. (pub). Physician's Desk Reference
for non-prescription drugs. Medical Economics Co. 1990.
2. Herbert, J. The age of dehyroepiandrosterone.
Lancet. 345:1193-94, 1995.
3. Lewis, A.E., Cloutre, D. Melatonin and
the biological clock. Keats Good Health Guide. Keats Publishing,
New Canoon, CT. 1996.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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