Um
bate-papo sobre o medo da violência e como ele altera a rotina do jovem.
A violência é a maior preocupação dos jovens: 64%
deles morrem de medo de ser assaltados. Para discutir até que ponto esse pavor
altera a rotina dos teens, VEJA reuniu garotos e garotas de classe média de
São Paulo, entre 14 e 18 anos. Dos onze que participaram do bate-papo, seis
já haviam sido roubados. Os outros cinco tinham histórias ocorridas com os pais
para contar. Leia trechos do debate.
"A violência muda nossa rotina. A gente evita
sair à noite. Quando saio, prefiro ir a um shopping, pois sei que é um lugar
seguro. Em um bar, na rua, a gente fica muito exposta. Entra qualquer um."
Camila, 15, Colégio Objetivo
"A gente também não anda mais sozinha, só acompanhada.
E a segurança de um lugar pesa bastante na hora de escolher um programa."
Luciana, 17, Colégio Maria Imaculada
"Sempre que saio, meus pais me levam e me buscam.
Só ando de táxi e, ainda assim, em grupo. Meu maior medo é ser seqüestrada ou
estuprada."
Juliana, 17, Colégio Maria Imaculada
"Eu também nunca ando sozinha. Meus pais sempre
me levam e me buscam. E só freqüento lugares que têm segurança, como shoppings
e discotecas."
Beatriz, 18, Colégio Maria Imaculada
"Já fui assaltado três vezes. Ando na rua sempre
prestando atenção em quem está por perto. Se desconfio de algo, saio do lugar
na hora. E divido o dinheiro em vários bolsos."
Fábio, 17, Colégio Radial
"O celular é uma coisa que ajuda, dá segurança.
Se estou em um lugar e acho que o clima não está legal, uso o celular para pedir
aos meus pais que me busquem."
Nádia, 14, Colégio Radial
"Tenho medo não apenas quando estou longe de
casa mas também perto. Há uma rua próxima de minha casa que é bem escura. Não
passo mais sozinha à noite por lá. Prefiro dar uma volta maior para chegar a
correr o risco de sofrer algum tipo de violência."
Lígia, 16, Colégio Radial
"Depois que meu pai sofreu um seqüestro relâmpago,
ele ficou bem neurótico. No carro, só andamos com os vidros fechados. Agora
lá em casa fica tudo trancado."
Raquel, 18, Colégio Maria Imaculada
"Eu até saio e freqüento bares na rua, mas sempre
com mais gente, nunca sozinho. Fico também bastante atento para não ter nenhuma
surpresa desagradável".
Juliano, 14, Colégio Santa Rita de Cássia