Publicitários
e bancos estão de olho na mesada dos adolescentes.
Pais e filhos,
quando vão discutir dinheiro, acabam diante de um dilema. O que é melhor:
estabelecer uma mesada fixa ou soltar o dinheiro aos poucos, conforme a necessidade?
Esse segundo estilo, que vem crescendo nos dias de hoje, é apelidado de "mesada
pinga-pinga". Ambos os sistemas têm vantagens e desvantagens. Segundo
os especialistas, a principal virtude da mesada fixa é que ela ensina
o adolescente a lidar com as próprias finanças desde cedo. Ela serve como
um ensaio para a vida adulta, porque o jovem entende o valor do dinheiro e
aprende a administrá-lo.
Já a mesada
pinga-pinga, por outro lado, estimularia no adolescente a iniciativa e
a capacidade de argumentar como forma de obter o que quer.
Independentemente
do estilo, é ponto pacífico que os jovens brasileiros de classe média nunca
tiveram tanto dinheiro na mão. E eles consomem mesmo. Principalmente roupas.
Pesquisa da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo
(Procon-SP) mostra que eles estão mais preocupados com a estampa que em se
divertir. Mesmo os mais pobres gastam muito mais comprando roupas para sair
à noite do que na noite em si. Outro dado é que cada vez mais os adolescentes
dão palpites nos produtos comuns da casa, principalmente na área tecnológica.
"Há dez ou vinte anos, o publicitário visava à dona-de-casa", lembra
Daniel Barbará, diretor da agência DPZ. "Hoje, ele deixou
de se preocupar tanto com a mãe e se concentrou de uma vez no filho. É ele
quem apita nas marcas da maior parte dos eletroeletrônicos."
De olho
nessa nova demanda, cada vez mais instituições financeiras oferecem produtos
específicos aos adolescentes. O Banco do Brasil lançou o programa BBTeen,
um esforço para aumentar o número de contas bancárias tendo como titulares
jovens de 12 a 19 anos. Foi um sucesso. Em 1997, ano do lançamento do programa,
o banco tinha 37.000 correntistas nessa faixa etária. Hoje, o número está
em 230.000. A Visa lançou os cartões de mesada pré-pagos. O pai deposita
um valor e o adolescente vai gastando. Através de uma linha telefônica, o
pai pode acompanhar o ritmo dos gastos. "Esse cartão tenta agregar a idéia
de um treinamento para o jovem lidar com seu dinheiro", explica Fernando
Castejon, vice-presidente de produtos da Visa no Brasil. Os jovens
gostam de consumir e sabem o que querem em termos de marcas e produtos. Nada
há de errado nisso. Os pais, no entanto, ganharam um problema extra. Além
de conversar sobre sexo, namoro, drogas e escola, cada vez mais terão de falar
com os filhos sobre dinheiro.
Percebendo
essa demanda, a consultora econômica Cássia D'Aquino criou e coordena
um programa de educação financeira em várias escolas espalhadas pelo Brasil.
A disciplina inclui diversas atividades, desde conversas descontraídas durante
o recreio até exercícios mais formais em sala de aula. "Os alunos aprendem
a estabelecer metas financeiras e a pensar numa estratégia para atingi-las",
diz Cássia. Para ela, a partir dos 3 anos a criança já deve ter contato com
dinheiro e, principalmente, aprender a ouvir "não". "Quem cresce acreditando
que se pode comprar tudo, sem limites, com certeza vai ter problemas financeiros
quando adulto", avisa.
Dez grandes tentações
Em que os adolescentes gastam dinheiro |
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1º Roupas e acessórios
2º Lanches fora de casa
3º Calçados e tênis
4º Guloseimas
5º Barzinhos e danceterias
6º Cds
7º Condução
8º Passeios
9º Material escolar
10º Cinema, teatro e shows
Fonte: Pesquisa "O adolescente
e a sociedade de consumo na cidade de São Paulo", realizado pelo
Procon-SP e pela UniFMU
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