|
Gravidez na adolescência
Sexualidade
precoce
As
meninas brasileiras estão menstruando e iniciando sua vida
sexual cada vez mais cedo. Vários fatores, desde o clima
tropical e a alimentação do mundo industrializado até a
erotização provocada pela permissividade dos programas de
televisão levam a mudanças hormonais que promovem o amadurecimento
antecipado dos elementos ligados ao desejo sexual e ao aparelho
reprodutivo dos púberes. Em uma sociedade moderna, em que
os pais trabalham fora e a escola é insuficiente para acompanhar
o desenvolvimento da sexualidade dos adolescentes, o problema
torna-se preocupante, pois, por falta de informações, suas
relações sexuais, sem proteção, podem resultar em gravidez
indesejada, além de doenças sexualmente transmissíveis.
A gravidez
na adolescência
Dados
estatísticos estão preocupando pais, educadores e médicos,
pois o índice de gravidez de adolescentes cresceu 150% em
relação às duas últimas décadas. No Brasil, uma entre cada
cinco jovens de 15 a 19 anos já tiveram filho, descontadas
aquelas que praticaram aborto. No ano de 1999, segundo o
Ministério da Saúde, foram realizados 700.000 (setecentos
mil) partos, De cada cinco, um era de adolescente com menos
de 19 anos.
Conseqüências
de uma gravidez precoce
- Ansiedade
da menina no período que antecede a confirmação da gravidez,
pois começa a se dar conta de que vai enfrentar sérios
problemas.
- Medo de contar aos pais,
o que leva, muitas vezes, a um período longo de mentiras
e estresse.
- Turbulências na relação
com o namorado, que, pego de surpresa, não sabe como agir.
- Interrupção dos estudos
e adiamento dos projetos de vida.
- Instabilidade psicológica
e insegurança.
- Afastamento de algumas amizades.
- Adiamento da oportunidade
de arrumar um emprego.
- Insegurança financeira e
temor do futuro.
- Modificação do quadro familiar,
pelo acréscimo de novas responsabilidades.
Além das
conseqüências psicológicas e sociais, a gravidez precoce,
traz um risco tanto para a vida da mãe quanto para a do
bebê. O parto é mais complicado e, em geral, o recém-nascido
de uma adolescente tem peso abaixo do normal, requerendo
cuidados médicos especiais.
O aborto
A
conseqüência mais grave da gravidez precoce, especialmente
entre meninas pobres, é a prática do aborto clandestino.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, dos 4 milhões de
abortos praticados no Brasil, anualmente, 1 milhão ocorre
entre adolescentes, das quais 20% morrem. O primitivismo
com que são realizados é responsável por infecções graves
e esterilidade de muitas mulheres.
Causas da
gravidez na adolescência
-
Ausência de diálogo com os pais sobre vida sexual.
- Início precoce das atividades
sexuais, por influência da mídia e do grupo de amigos.
- Confusão entre amor e sexualidade
por parte de ambos os parceiros.
- Falta de informações sobre
reprodução.
- Falta de informações sobre
métodos anticoncepcionais.
- Resistência ao uso de preservativos.
- Necessidade de auto-afirmação.
- Rebeldia contra a família.
- Falta de perspectivas pessoais
e profissionais.
- Ilusão de que por ser muito
jovem ainda (imagem não perdida do "corpo de criança")
não é possível a gravidez.
Métodos anticoncepcionais
Métodos
anticoncepcionais são aqueles que impedem o encontro do
espermatozóide com o óvulo, evitando, desse modo, a gravidez.
Existem os que impedem a ovulação e os que evitam a penetração
dos espermatozóides no útero.
- Pílula anticoncepcional
- É um comprimido de hormônio sintético, que deve ser
ingerido durante 21 dias no mês, a fim de inibir a ovulação.
O método é quase cem por cento seguro, para evitar a gravidez,
mas requer disciplina, pois respeita o ciclo feminino
e deve ser seguido de acordo com a orientação médica.
Camisinha
- É o preservativo masculino, invólucro de fina borracha
que deve ser colocado no pênis, antes do seu primeiro
contato com a vagina. Além de impedir que o espermatozóide
fecunde o óvulo, funciona, também como uma barreira de
proteção contra doenças sexualmente transmissíveis (AIDS,
sífilis, gonorréia e outras).
- Diafragma - Trata-se
de um preservativo feminino, uma capinha de borracha que
deve ser introduzida, antes da relação sexual, na parte
mais profunda da vagina, a fim de cobrir a entrada do
colo do útero e impedir a entrada dos espermatozóides.
Só deve ser retirado oito horas depois.
- Espermicida - Tipo
de creme ou espuma, contendo substâncias químicas capazes
de destruir os espermatozóides. É colocado no fundo da
vagina, antes da relação sexual. Só se torna, realmente,
eficaz, quando combinado com outros métodos, como o diafragma,
por exemplo.
- DIU - É um dispositivo
intra-uterino, uma pequena haste de cobre ou silicone,
que, introduzida pelo médico dentro do útero, impede que
o espermatozóide fecunde o óvulo. É eficaz, mas só pode
ser colocado em mulheres que já tiveram filhos.
- Método natural -
Este método, o único aceito pela Igreja Católica, consiste
em abster-se de relações sexuais durante o período fértil
da mulher, isto é, quando o óvulo maduro está pronto para
ser fecundado. Como o ciclo é de, aproximadamente, 28
dias, esse período localiza-se bem no meio do mês entre
as menstruações. Os médicos não recomendam às adolescentes,
cujo ciclo ainda é irregular.
- Coito interrompido
- Consiste em interromper o ato sexual antes da ejaculação
masculina. Não é garantido para evitar a gravidez nem
o contágio de doenças sexuais.
Estudos
mostram que os adolescentes conhecem métodos anticoncepcionais,
mas, como sua relações sexuais são esporádicas, não têm
prática do seu uso correto. Mais do que nunca, é importante
o diálogo de pais, educadores e médicos com os jovens.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
|