Jovens das classes média
e alta começam a deixar a maconha, cocaína e heroína de lado. O consumo de droga,
no entanto, não está em queda. Um outro entorpecente, mais caro e de efeito
bem maior, tem feito a cabeça de muitos adolescentes brasileiros. É o ecstasy,
conhecido como a "pílula do amor".
Quem toma o comprimido ganha
mais força para dançar, pular, paquerar e, até mesmo, manter relações sexuais.
No entanto, correm sérios riscos de morrer, repentinamente, por convulsão, parada
cardíaca ou desidratação.
Homens e mulheres ficam
distantes do cansaço por, aproximadamente, 12 horas, tempo que dura o efeito
da droga. "Depois, começam a sonolência, a fadiga e o mau humor", afirma Sheila
Barbosa, psiquiatra do Hospital São Caetano. As pessoas ainda podem ficar com
a visão embaçada, tensão muscular, entre outros sintomas.
O ecstasy é um derivado
da anfetamina, pílula usada para o emagrecimento. Provoca a aceleração dos batimentos
cardíacos e o aumento da pressão arterial. Muitos acreditam que a droga só não
se tornou popular nas classes baixas por causa de seu alto custo.
Cada comprimido é encontrado por cerca de R$ 50,00. Antes era só comercializado
em bailes raves. Hoje, o entorpecente já chegou a danceterias e show de rock.
"Acabou aquele lance de
que só era possível comprar o ecstasy na periferia e em lugares restritos",
confirma Belo, de 22 anos, ex-usuário da droga. Belo, como quer ser identificado,
está em tratamento na Instituição Cláudio Amâncio, de São Caetano.
Segundo Cláudio Amâncio,
presidente da associação, quem toma ecstasy tem o costume de usar outro tipo
de droga. Apesar de sua instituição abrigar poucos usuários da "pílula do amor",
ele se preocupa com o crescimento do seu consumo entre os brasileiros.
"O comprimido produz um
efeito bastante forte", destaca.