A cultura das drogas
dos anos 60 ruiu. Mas essas substâncias continuam fazendo parte do cotidiano
dos adolescentes.
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Os preços estão baixíssimos
Entre 1 e 2 reais é
o custo de um cigarro de maconha 10 reais é o custo de 1 grama de
cocaína
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Drogas rondam a escola
Esqueça o pipoqueiro. Pequenos traficantes
vendem seu produto nas proximidades dos colégios. Alguns alunos traficam
dentro das escolas em troca de consumo próprio
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Impossível evitar o contato
42% dos jovens testemunharam alguém sob efeito de drogas
24% viram alguém vendendo drogas¹
(1) Fonte: levantamento da MTV de 1999 |
Sabe qual
é a probabilidade hoje de um adolescente ter algum tipo de contato com o mundo
das drogas? Cem por cento. Quarenta e dois por cento deles já viram alguém
sob o efeito de substâncias proibidas. Os que não viram, de três, uma. Ou
têm um amigo viciado, ou já foram a uma festa onde havia consumo de drogas,
ou sabem quem é o traficante do bairro. O acesso aos tóxicos nunca foi tão
fácil. Os preços caíram. Com 10 reais - valor de uma entrada de cinema - é
possível comprar 1 grama de cocaína. A maconha está ainda mais barata. Para
adquirir um cigarro, basta ter 1 ou 2 reais. Soam românticos os tempos em
que se imaginava que o primeiro contato de um adolescente com as drogas poderia
ocorrer por intermédio de um lendário traficante disfarçado de pipoqueiro.
Hoje, sabe-se que os entorpecentes são vendidos dentro do próprio colégio,
por um aluno que trafica em troca de dinheiro para financiar seu vício. Pior:
ele pode ser um colega de classe.
A grande questão para os
pais não é mais evitar que seu filho tenha contato com drogas. Isso é praticamente
impossível. O desafio é que ele não se torne um dependente. Como fazer isso?
Em primeiro lugar, faz-se necessário saber o que leva um adolescente a provar
substâncias proibidas. O senso comum falaria em desajustes familiares, frustrações,
problemas em casa e na escola. Segundo a maior parte dos especialistas, a resposta
é bem mais prosaica e se resume a uma palavra: curiosidade. "Para muitos
adolescentes, provar a droga faz parte do ritual da adolescência. É como 'ficar'
pela primeira vez", acha o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp). A curiosidade leva a garotada a experimentar,
mas apenas uma minoria desenvolve o vício. O jovem pode tornar-se um consumidor
compulsivo, aí sim devido a frustrações e problemas familiares. "Se o adolescente
estiver passando por um momento difícil, fica mais fácil chegar à dependência",
opina o psicólogo Luciano Chati, que dá cursos em escolas sobre prevenção
contra o uso de drogas.
Há outro aspecto interessante.
De acordo com um levantamento feito pelo governo dos Estados Unidos, o caminho
em direção às drogas pesadas começa pelo álcool e pelo tabaco. "Essa migração
nem sempre é obrigatória, mas adolescentes que fumam cigarro e bebem estão predispostos
a experimentar outras drogas", alerta o psiquiatra Sérgio Nicastri,
mestre pela universidade americana Johns Hopkins e especialista vinculado
ao Hospital das Clínicas de São Paulo. A pesquisa do governo americano
diz que o uso, mesmo que esporádico, de cigarros comuns aumenta em 65 vezes
a probabilidade de que o fumante venha a provar maconha. E quem já teve contato
com a erva corre 104 vezes mais risco de experimentar uma carreira de pó. Isso
ocorre, segundo Nicastri, porque depois de tomar alguns copos de cerveja o jovem
se torna mais receptivo se alguém oferecer um baseado. Se o "barato"
está ali disponível, o que custa experimentar? "É próprio do adolescente
buscar o prazer sem se importar com as conseqüências", diz o psiquiatra.
Dessa forma, fica praticamente
inevitável concluir o óbvio: o lar onde existe diálogo tende a ser a melhor
defesa contra os conflitos e frustrações que transformam a curiosidade em vício.
A atitude dos pais também é muito importante. Aqueles que bebem compulsivamente
na frente dos filhos, por exemplo, dando a entender que é um hábito natural,
são um péssimo exemplo. Como se viu, o álcool é, muitas vezes, a porta de entrada
para o mundo das demais drogas.