A tireóide hiperativa
Uma
tireóide hiperativa resulta da superprodução de hormônios
tireoidianos, T3 e T4, pela glândula tireoidiana. Em três-quartos
dos pacientes este é o resultado da presença de um anticorpo
no sangue que estimula a tireóide a produzir quantidades excessivas
de hormônios tireoidianos e também, em alguns casos, a aumentar
de tamanho, produzindo o bócio.
 |
Hipertireoidismo
Ansiedade e palpitações são freqüentemente, sintomas
prévios de uma tireóide hiperativa, bem como uma sensação
de volume no pescoço. |
Este
tipo de hipertireoidismo é conhecido como doença de Graves,
em homenagem aos médicos que descreveram detalhadamente
esta condição mais de 20 anos atrás.
A
causa da produção deste anticorpo não é conhecida, mas,
como a doença de Graves é hereditária, a genética tem uma
participação. Pensa-se que existem alguns desencadeantes
ambientais que dão início à doença em indivíduos geneticamente
suscetíveis, mas não se sabe quais. O stress, na forma de
acontecimentos importantes como o divórcio ou a morte de
um parente próximo, pode ter alguma participação.
Alguns
pacientes com Graves desenvolvem olhos proeminentes (proptose
ou exoftalmia) e alguns também apresentam irritação e vermelhidão
na pele da frente das pernas ou no peito do pé, o que é
conhecido como mixedema pretibial. Assim como a produção
de anticorpos estimuladores da tireóide, o mixedema pretibial
é produzido por uma anormalidade do sistema imune do paciente,
que os médicos ainda não entendem bem. A maioria dos outros
pacientes com hipertireoidismo apresenta bócio com um ou
mais nódulos ou "caroços". Estes produzem hormônios tireoidianos
independentemente e não estão sob o controle do TSH, como
normalmente ocorre com a tireóide.
| Sintomas
de uma tireóide hiperativa |
| Perda de peso
Intolerância ao calor
Irritabilidade
Palpitações
Falta de ar
Tremor
Fraqueza muscular
Aumento dos movimentos
intestinais
Menstruação irregular
Coceiras na pele; enfraquecimento
do cabelo; unhas quebradiças
Olhos lacrimejantes
Bócio |
A
doença de Graves pode aparecer em qualquer idade, mas ela
afeta com mais freqüência mulheres de 40 a 50 anos de idade.
Entre um terço até a metade dos pacientes apresentam um
único episódio de hipertireoidismo com duração de vários
meses. O restante apresenta vários episódios sucessivos
durante vários anos. Infelizmente, não é possível predizer
o padrão do hipertireoidismo na primeira vez que ele ocorre.
O
hipertireoidismo resultante de um bócio nodular é incomum
antes dos 40 anos e, diferentemente de outros casos de doença
de Graves, ele persiste indefinidamente uma vez que tenha
se desenvolvido.
Como se desenvolve?
Em
retrospecto, a maioria dos pacientes vai apresentar sintomas
por pelo menos seis meses antes de procurar o seu médico,
mas para alguns indivíduos, geralmente adolescentes, o início
pode ser mais rápido com os sintomas estando presentes apenas
por algumas semanas. Nem todos os pacientes com hipertireoidismo
apresentam todos os sintomas listados no quadro acima. Em
idosos, as características predominantes são com freqüência,
além da perda de peso, uma diminuição do apetite, fraqueza
muscular e apatia. Uma jovem mulher, por outro lado, pode
aparentar estar com muita energia e impossibilitada de permanecer
sentada por mais do que alguns segundos.
Quais são os sintomas?
Uma
tireóide hiperativa acelera as reações químicas do corpo,
produzindo sintomas físicos e mentais.
Perda
de peso
Isto
acontece com a maioria dos pacientes em razão do alto gasto
energético causado pelos altos níveis de hormônios tireoidianos
no sangue. Você provavelmente vai descobrir que tem fome
o tempo todo e que chega a se levantar no meio da noite
para comer alguma coisa. A perda de peso pode variar entre
2 e 3 kg e mais de 25 kg, mas algumas pessoas sentem um
tal aumento de apetite que podem ganhar um pouco de peso.
Se você é muito obeso quando a doença se inicia, pode ficar
muito feliz ao descobrir que está perdendo peso e atribuir
o fato à dieta, mas infelizmente você vai ganhar o peso
de volta uma vez que receba tratamento.
Intolerância
ao calor e suor
Na
medida em que o metabolismo aumenta, seu corpo produz calor
excessivo e depois se livra dele através do suor. Você não
vai gostar de climas quentes ou de ambientes aquecidos e
pode se sentir confortável com pouquíssimas roupas em um
dia frio de inverno. Nos casos extremos, a sua impossibilidade
de tolerar o calor pode causar discussões com colegas e
familiares, já que você vai estar constantemente diminuindo
o termostato, abrindo as janelas e tirando as cobertas de
cama.
Irritabilidade
Este
sintoma afeta principalmente mulheres com filhos pequenos.
Você pode se ver cada vez mais impossibilitado de lidar
com as exigências e stress ao cuidar de crianças, pode perder
a paciência com freqüência e descobrir que você está exageradamente
sensível à críticas e chora com facilidade sem motivo aparente.
Você
também pode ter dificuldades em se encontrar, o que pode
afetar o seu desempenho escolar ou profissional.
Palpitações
A maioria dos pacientes sente palpitações, ou o coração
batendo mais rápido que o normal. Nos casos de hipertireoidismo
grave, não-tratado, com longa duração, especialmente em
idosos, pode haver um batimento cardíaco irregular conhecido
como fibrilação atrial e até insuficiência cardíaca.
Falta
de ar
 |
Uma tireóide
hiperativa pode causar falta de ar que se torna mais
evidente quando a pessoa está em atividade física. |
A
falta de ar é mais perceptível quando você faz esforço físico,
como, por exemplo, depois de subir dois ou três lances de
escada. Indivíduos que já apresentavam asma podem notar
uma piora dos seus sintomas.
Tremores
A
maioria dos pacientes se queixa de mãos trêmulas, o que
pode ser tomado, erroneamente, como sinal de alcoolismo
pelos familiares e colegas. Você vai achar cada vez mais
difícil colocar uma chave na fechadura e sua caligrafia
pode ficar ruim.
Fraqueza
muscular
Tipicamente,
os músculos das coxas tornam-se fracos, dificultando o ato
de subir escadas ou de agachar-se e levantar-se ou de sair
de uma cadeira baixa sem usar os braços como apoio.
Mudanças
no funcionamento do intestino
Há
uma tendência a um aumento do funcionamento do intestino,
de modo que você pode ir ao banheiro duas a três vezes por
dia e apresentará fezes mais pastosas que o habitual. A
diarréia pode ser um problema ocasional.
Menstruação
irregular
A menstruação é freqüentemente irregular, menos abundante
ou até mesmo interrompida. Até que o hipertireoidismo seja
tratado, pode ser difícil engravidar.
Problemas
de pele, cabelos e unhas
Você pode ter coceiras no corpo todo, e as pessoas com a
doença de Graves, conforme foi mencionado anteriormente,
podem desenvolver placas vermelhas de irritação na pele
das pernas e pés (mixedema pretibial). As suas unhas vão
ficar quebradiças e feias.
Problemas
nos olhos
Indivíduos com a doença de Graves geralmente apresentam
problemas nos olhos. Estes incluem lacrimejamento excessivo,
que piora com o vento e a luz, sensação de ter areia nos
olhos, visão dupla e turvada. Muitos pacientes ficam também
incomodados porque desenvolvem exoftalmia (olhos protuberantes),
assim como bolsas sob os olhos.
Bócio
Embora
você vá poder ver quando tiver bócio, este geralmente não
causa nenhum sintoma além da sensação de que há alguma coisa
no seu pescoço que não deveria estar lá.
Como é diagnosticado?
Você
provavelmente vai fazer exames de sangue. O es-pecialista
pode também solicitar um scan da tireóide para obter mais
informações sobre a causa do hipotireoidismo já que isto
pode determinar o tipo de tratamento de que você precisa.
O scan de tireóide requer que você tome uma dose muito pequena
de iodo radioativo ou tecnécio, administrados geralmente
por via oral ou com uma injeção na veia. A dose é tão pequena
que pode até ser dada a um indivíduo alérgico ao iodo. A
grande parte dos especialis-tas, entretanto, procura evitar
um scan radioativo em mulheres grávidas ou que estejam amamentando.
Depois
que seu clínico fizer o diagnóstico inicial, você provavelmente
deverá esperar antes que possa ver o especialista. No meio
tempo, os seus sintomas podem ser aliviados por um betabloqueador,
como o propranolol, que neutraliza em certa medida a ação
dos hormônios tireoidianos. Provavelmente você deverá tomar
40 mg três a quatro vezes por dia de propranolol ou uma
dose única de 160 mg de propranolol (Inderal-LA). Os betabloquea-dores
não devem ser usados por indivíduos que tenham asma.
Qual é o tratamento?
Existem três formas de tratamento para o hipertireoidismo
causado pela doença de Graves: as medicações, a ci-rurgia
e o iodo radioativo.
Medicações
As
drogas antitireoidianas são dadas, geralmente, a pacien-tes
jovens que consultam o médico no primeiro episódio de hipertireoidismo.
A medicação mais comumente utilizada no Brasil é o metimazol,
que reduz a quantidade de hormônios produzidos pela glândula
tireoidiana. Ele está disponível em comprimidos de 5 mg.
Usa-se uma dose alta (40-45 mg) inicialmente. Seus sintomas
devem começar a melhorar depois de dez a 14 dias. O tratamento
geralmente dura 6-18 meses e cerca de metade dos pacientes
se recupera e fica bem. No início, o especialista vai reavaliar
o seu tratamento a cada quatro ou cinco semanas e a dose
de metimazol será diminuída aos poucos até chegar em 5-15
mg diários, dependendo dos níveis de T3, T4 e TSH. Alguns
especialistas podem preferir dar uma dose alta de metimazol
durante todo o tratamento, geralmente receitando 40 mg por
dia. Se esta dose alta permanecesse por muitas semanas,
você acabaria desenvolvendo uma glândula tireoidiana hipoativa,
portanto a tiroxina é acrescentada ao metimazol uma vez
que os níveis de hormônios tireoidianos voltem ao normal.
A vantagem deste tipo de tratamento é que ele não precisa
ser reavaliado com tanta freqüência. Ele pode também ser
especialmente benéfico para pacientes com problemas graves
nos olhos, mas não é mais eficaz no controle dos sintomas
do hipertireoidismo que o metimazol isolado.
O
que você deveria saber sobre as medicações - Poucas
pessoas vão ter efeitos colaterais do metimazol mas quando
eles ocorrerem geralmente aparecerão nas primeiras três
ou quatro semanas de tratamento. Irritações na pele afetam
2% dos pacientes, mas uma reação mais séria é a diminuição
do número de glóbulos brancos do sangue, o que causa feridas
na boca e uma infecção com febre alta. O seu médico deve
precavê-lo sobre estes possíveis efeitos colaterais quando
você iniciar o tratamento. Se for afetado, você deve interromper
o trata-mento e entrar em contato com o seu médico imediata-mente.
Você pode receber, então, uma medicação alterna-tiva chamada
propiltiuracil, que age de modo semelhante ao metimazol.
Cirurgia
Infelizmente, apesar de tomar metimazol ou propiltiura-cil
isoladamente ou combinados com a tiroxina, cerca de metade
dos pacientes desenvolve hipertireoidismo de no-vo, geralmente
nos primeiros dois anos depois do tratamento. Se você tiver
menos de 45 anos no segundo episódio de hipertireoidismo,
ele pode ser tratado cirurgicamente através da remoção de
três-quartos da glândula tireoidiana.
O
que você deveria saber sobre a cirurgia - A principal
desvantagem é que você terá uma cicatriz, mas ela se tornará
pouco perceptível entre as dobras do pes-coço. Alternativamente,
você pode usar jóias ou lenços para escondê-la. Em casos
raros (menos de 1%), as glândulas paratireóides, que se
localizam junto à tireóide e controlam o nível de cálcio
no sangue, podem ser danificadas e pode ser necessário
fazer um tratamento de longo prazo com cápsulas de vitamina
D. Igualmente raro é o dano a um dos nervos da caixa vocal,
o que pode causar mudanças significativas na voz. Embora
isso não faça muita diferença para a maioria das pessoas,
pode tornar a cirurgia menos aceitável para alguém que
depende da voz para sobreviver; um cantor de ópera, por
exemplo.
Em mãos experientes, os resultados iniciais da cirurgia
são bons. Oitenta por cento dos pacientes são imedia-tamente
curados. Contudo, 15% desenvolvem hipotireoi-dismo porque
uma quantidade muito grande de tecido da tireóide é retirada.
Por outro lado, 5% permanecem com hipertireoidismo porque
uma quantidade insuficiente de tecido é retirada. Estes
problemas não são resultado de incompetência cirúrgica,
e sim relacionados à natureza da doença tireoidiana subjacente.
Além do mais, com o tempo, uma proporção crescente dos pacientes
cujo hiperti-reoidismo foi inicialmente curado vai desenvolver
uma glândula tireoidiana hipoativa. Á recorrência do hipertireoidismo
pode ocorrer 20-40 anos após uma cirurgia aparentemente
bem-sucedida. Geralmente não se pensa em uma segunda cirurgia
quando a doença reaparece, pois ela seria tecnicamente difícil
e haveria maior risco de danos às estru-turas circundantes.
Iodo
radioativo (IODO-131)
Esta
forma de tratamento é tradicionalmen-te reservada aos pacientes
com mais de 40 ou 45 anos que já não possam mais ter filhos
ou para indivíduos mais jovens que tenham sido esterilizados.
Esta abordagem conservadora foi adotada ori-ginalmente,
em razão do receio de que o iodo radioativo pudesse causar
alguma anormalidade a crianças concebidas após o tratamento.
Na verdade não existem evidências disso e, em alguns hospitais,
há uma tendência a se usar o iodo radioativo em pacientes
mais jovens já que ele é mais barato e simples de administrar.
| Considerando
qual o melhor tratamento para você |
| Uma tireóide hiperativa
pode ser tratada com medicamentos, iodo radioativo ou
cirurgia. A escolha do tratamento depende de cada pessoa
e todas as opções devem ser discutidas com um especialista. |
- Nenhum tratamento
é perfeito e você necessita discutir as opções com
seu especialista. Alguns pacientes não se entusiasmam
muito com a cirurgia, mesmo quando uma série de
medicamentos antitireoidianos já foram usados sem
resultado positivo.
- Não há nenhuma razão
para que você não tente uma segunda ou mesmo uma
terceira série de medicamentos, na esperança de
que a doença, por fim, "desapareça". Na verdade,
antes de existir qualquer tipo de tratamento para
a doença de Graves, uma proporção dos pacientes
melhoram espontaneamente dentro de alguns meses
ou anos e depois ficam com hipotireoidismo.
- Alguns pacientes ficam
temerosos com a perspectivado tratamento com iodo,
e alguns especialistas consideram que a cirurgia
é o melhor tratamento para um paciente jovem com
hipertireoidismo grave.
- Qualquer que seja
o tratamento para seu hipertireoidismo, você necessita
de um acompanhamento regular, geralmente um exame
de sangue feito num centro de saúde ou no consultório
de seu clínico-geral.
|
O
iodo radioativo age destruindo algumas células da tireóide
e impedindo outras de se dividir que e a maneira como elas
são normalmente substituídas no fim de sua vida útil. O
tratamento leva de seis a oito semanas para fun-cionar e,
nesse meio tempo, dependendo da gravidade do hipertireoidismo,
você pode receber propranolol ou metimazol para alívio dos
sintomas. Você vai ser solicitado a retornar ao médico para
um check-up em dois ou três meses e, se fizer parte do pequeno
grupo de indivíduos cujo hipertireoidismo ainda está presente,
receberá uma segunda dose de iodo radioativo.
O
que você precisa saber sobre o iodo radioativo -
O maior problema com este tratamento, contudo, é o desenvolvimento
do hipotireoidismo. Esta condição tem mais chances de
aparecer no primeiro ano de tratamento, afetando cerca
de 50% dos indivíduos em alguns centros. A cada ano, cerca
de 2 a 4% dos indivíduos são afetados. Percebe-se que
a grande maioria do indivíduos eventualmente desenvolve
hipotireoidismo e por isso é fundamental que você faça
check-ups regulares no hospital ou com o seu médico.
Uma
vez que o hipotireoidismo tenha se desenvolvido, ele é tratado
com tiroxina, com uma dose de 100 a 150 microgramas por
dia. A tiroxina não tem efeitos colaterais quando é tomada
na dose certa e com regularidade.
História
do Caso 1: Sintomas cardíacos
Embora John Parry, com 70 anos de idade, se considerasse,
de modo geral, bastante saudável, ele tinha notado recentemente
que os seus tornozelos estavam inchando. No começo, isso
só ocorria à noite, mas depois passou a acontecer o tempo
todo e suas pernas pareciam muito pesadas. Em uma noite,
à 1h da madrugada, ele acordou arfando, tossindo e espumando
pela boca. A sua mulher chamou uma ambulância e John foi
internado no hospital local em 20 minutos. O médico de plantão,
dr. Mackenzie, diagnosticou corretamente uma insuficiência
cardíaca como a causa do acúmulo de líquido nas pernas e
pulmões de John. Ele também notou que o pulso de John estava
muito rápido e irregular e um eletrocardiograma revelou
que isso era causado por uma fibrilação atrial. O sr. Parry
recebeu oxigênio através de uma máscara, uma injeção de
um remédio chamado furosemida (Lasix), para eliminar o excesso
de fluidos, e comprimidos de digoxina para diminuir a velocidade
do batimento cardíaco. Como os pacientes com fibrilação
atrial também correm o risco de formarem coágulos a partir
do coração, resultando num derrame ou no bloqueio de uma
artéria da perna, ele também recebeu warfarina para afinar
o sangue.
O
dr. Mackenzie tinha trabalhado no passado com um eminente
endocrinologista e sabia que a fibrilação atrial poderia
algumas vezes ocorrer como uma complicação de uma tireóide
hiperativa, especialmente em pacientes idosos.
O
sr. Parry de fato apresentava hipertireoidismo, que se revelou
conseqüência da doença de Graves e foi tratado com o iodo
radioativo. Ele também recebeu uma medicação antitiroidiana,
o metimazol, por seis semanas até que o iodo radioativo
fizesse efeito.
Embora,
no princípio, o sr. Parry estivesse preocupado com o número
de comprimidos que ele estava tomando quando saiu do hospital,
estes foram todos suspensos em seis meses, à medida que
sua tireóide ficou controlada. Até o coração do Sr. Parry
está agora batendo regularmente e ele está em forma como
sempre. O seu médico solicita exames de sangue regularmente
para se certificar que o sr. Parry não está desenvolvendo
uma tireóide hipoativa como resultado do tratamento com
iodo radioativo.
História
do Caso 2: Sintomas recorrentes
Anna
Robinson já tinha apresentado um episódio prévio de hipertireoidismo
causado pela doença de Graves quan-do tinha vinte e poucos
anos, para o qual recebeu metima-zol por 18 meses. Aos 45
anos, ela percebeu que estava tendo problemas com o calor,
mas atribuiu este sintoma a mudanças na vida. Contudo, quando
começou a perder peso e suas mãos ficaram trêmulas, ela
percebeu que sua tireóide estava hiperativa novamente. No
hospital local, o especialista sugeriu o tratamento com
o iodo radioativo. Apesar de asseguramentos e das evidências
de que esta forma de tratamento não estava associada a quaisquer
ou-tros riscos além do eventual desenvolvimento de hipoti-reoidismo,
a sra. Robinson não estava tranqüila. Ela tinha conhecimento
de vários artigos de jornal sugerindo uma possível relação
entre radiação e leucemia nos moradores de regiões próximas
à estações nucleares e não gostava da idéia de ter que evitar
o contato com a sua neta, mesmo que por apenas alguns dias
após o tratamento.
Como
ela era uma cantora assídua do coral da igreja local, a
cirurgia da tireóide não era considerada apropriada devido
à possibilidade de alterações na qualidade de sua voz.
A
sra. Robinson ficou aliviada ao saber que não havia uma
razão pela qual ela não pudesse ser tratada novamen-te com
o metimazol.
A doença de Graves e os olhos
Se
o médico examina bem, encontra os sinais da doença de Graves
(oftalmopatia ou orbitopatia) na maioria dos pacientes.
Algumas vezes eles ocorrem antes do início do hipertireoidismo,
ou aparecem pela primeira vez mesmo depois de um tratamento
bem-sucedido de hipertireoi-dismo. Um olho é geralmente
mais afetado que o outro.
Um
sinal precoce é a retração da pálpebra superior; que aparece
como se ela estivesse toda levantada, expondo uma área maior
do branco do olho e dando a impressão de olhar arregalado.
Isto pode melhorar quando os níveis elevados de hormônio
tiverem retornado ao normal com o tratamento. Alguns pacientes
se queixam de olhos secos, da sensação de que há alguma
coisa dentro do olho e de estarem sempre piscando, outros
se queixam da lacrimejação excessiva. Os outros aspectos
da doença tireoidiana dos olhos resultam de um aumento da
pressão atrás do globo ocular, o qual se situa em uma cavidade
óssea co-nhecida como órbita. O espaço entre o globo ocular
e a parte de trás da órbita contém músculos, que movimentam
os olhos, o nervo óptico, que envia mensagens para o cé-rebro,
e gordura.
Nos
pacientes com doença tireoidiana dos olhos, há, en-tre outras
mudanças, um acúmulo excessivo de água atrás do globo ocular
levando os músculos e gordura a incha-rem e se tornarem
esponjosos. O volume dos músculos aumenta duas ou três vezes
e eles deixam de funcionar efi-cientemente.
Como
resultado, o movimento normal dos olhos pode ficar restrito
e desconfortável, com visão dupla (diplopia) e, inclusive,
com o desenvolvimento de estrabismo. O aumento da pressão
atrás do globo ocular pressiona os olhos para a frente,
produzindo a aparência de "olhos saltados" conhecida como
exoftalmia ou proptose. A exposição aumentada dos globos
oculares os deixam mais suscetíveis à irritação pela poeira,
areia, vento e sol, o que pode danificar a córnea. Além
disso, parte da gordura que fica na parte de trás dos olhos
pode ser forçada para dentro das pálpebras, contribuindo
para a aparência de inchaço e para o surgimento de "bolsas
sob os olhos". Muito raramente, em pacientes graves, o aumento
da pressão po-de danificar o nervo óptico e causar uma perda
parcial ou total da visão.
 |
Olhos salientes
A maior parte dos pacientes com a doença de Graves sofre
algum tipo de distúrbio na vista. O globo ocular saliente,
que faz com que a pessoa aparente estar assustada, é
um sintoma freqüente. |
O tratamento das doenças dos olhos não é tão satisfa-tório
como o da tireóide hiperativa. Pensa-se que o fumo piora
o quadro, assim como o controle insuficiente do hi-pertireoidismo.
É muito importante, portanto, que você pare de fumar completamente
e siga à risca as orientações do seu médico quanto à dosagem
dos remédios, tais como o carbimazol e a tiroxina. Se você
tem olhos secos, as gotas umidificantes podem trazer alívio,
assim como também melhoram, paradoxalmente, o excesso de
lacrimejamento. O uso de óculos escuros também pode ajudar.
Os
pacientes em um estágio avançado da doença, que ameaça a
visão, podem precisar de tratamento com uma medicação esteróide,
como a prednisolona, que bloqueia os processos pouco compreendidos
de acúmulo de água atrás da córnea. Alternativamente, uma
operação pode ser necessária para remover parte da parede
da órbita e, deste modo, reduzir a pressão atrás do globo
ocular. Tal empreendimento é raramente necessário, contudo,
e só seria levado adiante após uma colaboração intensa entre
especialistas em tireóide e olhos. A maioria dos indivíduos
com a doença de Graves descobre que o seu problema nos olhos
melhora consideravelmente em um ou dois anos.
| Tipos
raros de hipertireoidismo |
| Uma
tireóide hiperativa, ocasionalmente, pode ter sido causada
por uma infecção virótica ou pelo tratamento com algum
tipo especial de medicamento. |
- hipertireoidismo leve,
que dura algumas semanas, pode ocorrer após uma
infecção virótica da tireóide, o que é conhecido
como tireoidite virótica ou tireoidite de Quervain
e sua caraterística mais marcante é uma dor aguda
e sensibilidade da glândula tireoidiana associada
com sintomas de uma doença do tipo da gripe. O hipertireoidismo
raramente necessita de algum tipo de tratamento,
a não ser de betabloqueadores, como o propranolol
que é seguido de um período curto de um hipertireoidismo
leve e depois a recuperação total.
- Um medicamento contendo
iodo, a amiodarona, que é usado cada vez mais pelos
cardiologistas no tratamento de certas irregularidades
do ritmo cardíaco, pode causar hipertireoidismo.
- Seus níveis de tireóide
sangüínea devem ser verificados antes que você comece
a tomar o medicamento e a cada seis meses depois
de iniciado o tratamento.
|
Neste estágio,
uma cirurgia menor pode corrigir a visão dupla, reduzir
o olhar arregalado e as bolsas sob os olhos. Há alguma evidência
de que os problemas nos olhos podem piorar após tratamento
com o iodo radioativo, por isso, alguns especialistas não
prescrevem esta forma de terapia para aqueles com olhos
muito afetados. Em alguns centros, a radioterapia foi utilizada
com sucesso para o tratamento da doença tireoidiana dos
olhos.
Bócio nodular
 |
Problemas nos olhos
Você pode encontrar algum conforto com lágrimas artificiáis
se estiverem de olhos secos ou excessivamente lacrimejantes,
uma queixa freqüente nos distúrbios da tireóide |
Esta doença
é tratada como cirurgia como com iodo radioativo. Diferentemente
de um indivíduo com a doença de Graves, você tem pouca chance
de desenvolver hipotireoidismo. Costumava-se prescrever
tiroxina para impedir o reaparecimento do bócio, o que é
comum em um período de aproximadamente 20 anos, mas ela
só é realmente útil se você tiver desenvolvido hipotireoidismo.
Pontos centrais
-
Cerca de três quartos dos casos de hipertireoidismo
são causados pela doença de Graves.
-
Muitos
indivíduos com a doença de Graves podem ter herdado
uma tendência para o problema, mas outros fatores também
estão envolvidos no seu desencadeamento.
-
As
pessoas mais suscetíveis à doença de Graves são as mulheres
com idade de 40 a 50 anos.
-
As
medicações, cirurgia e o iodo radioativo são todos possíveis
tratamentos para a doença de Graves, mas não existe
um único tratamento que seja melhor para todos.
-
Os
especialistas podem querer discutir as opções de tratamento
com você antes de chegarem à decisão final sobre a melhor
abordagem para o seu caso.
-
Depois
do tratamento, você vai necessitar de check-ups regulares
para ter certeza de que está bem.
-
A
maioria das pessoas com a doença de Graves vai ter algum
grau de problema nos olhos, embora possam ser apenas
irritações leves. Sintomas mais graves podem ser tratados
e geralmente melhoram com o tempo.
Fonte: Revista ISTOÉ
- Guia da Saúde Familiar - Volume 15 - 02/2002
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