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A tireóide aumentada

O aumento da glândula tireoidiana é conhecido como bócio. Existem muitas causas para o bócio, incluindo a falta de iodo na dieta, medicações como o carbonato de lítio, utilizado para tratar pacientes com psicose maníaco-depressiva, e doenças auto-imunes como a tireoidite de Hashimoto e a doença de Graves.

Examinando a tireóide
Em geral, o médico é capaz de confirmar a presença de bócio ao apalpar o seu pescoço.

A causa de maior parte dos casos de bócio no Brasil é desconhecida. Estes são os casos do que é conhecido como "bócio simples", apesar do fato de que provavelmente devem haver razões complexas para o seu desenvolvimento. Embora a glândula tireoidiana esteja aumentada, ela continua a produzir quantidades normais dos hormônios e o paciente é considerado eutrófico em oposição a hipertrófico ou hipotrófico. No princípio, em adolescentes e adultos jovens, o bócio cresce de maneira uniforme. Nos 15 a 25 anos seguintes, qualquer que tenha sido a causa que levou a tireóide a crescer exageradamente em princípio ainda está presente e a tireóide continua a crescer, mas se torna repleta de nódulos e caroços. Quando este jovem atinge a meia-idade, o bócio vai ter se tornado encaroçado, o que é conhecido medicamente como "bócio multinodular".

Bócio difuso simples

A maioria dos que apresentam bócio simples difuso são mulheres com 15 a 25 anos de idade. Se você é uma delas, (ou os seus familiares) vai notar um inchaço macio e simétrico na parte da frente do pescoço. Você pode ter tido este inchaço por anos, mas pensado que era apenas uma gordurinha de criança. O bócio move-se para cima e para baixo quando você engole. Ele não dói, entretanto, e não causa dificuldades para engolir, mas você pode ter uma sensação de aperto no pescoço. O bócio pode variar ligeiramente de tamanho e chamar mais a atenção na época da menstruação ou durante uma gravidez. Em geral, ele não é um problema para a aparência - quase o contrário, no que diz respeito a algumas pessoas. Por exemplo, os grandes artistas dos séculos XVII e XVIII freqüentemente acrescentavam o bócio às figuras femininas para realçar a sua beleza.

Como é diagnosticado?

Geralmente o seu clínico-geral encaminhará você para um especialista para excluir as causas raras de bócio. O especialista pode fazer isso normalmente apalpando o seu pescoço e pedindo exames de sangue.

Qual é o tratamento?

O bócio simples difuso não requer tratamento algum. No passado, dava-se iodo (freqüentemente adicionado ao leite) ou comprimidos de tiroxina, mas nenhum dos dois é eficaz. Muitos indivíduos descobrem que o bócio se torna menos visível, ou mesmo desaparece, depois de dois ou três anos.

Bócio simples multinodular

Percebendo o bócio
Muitas pessoas percebem pela primeira vez que têm bócio ao olhar no espelho.

Se você está na meia-idade, provavelmente vai notar um inchaço no seu pescoço quando estiver lavando o rosto ou se maquiando em frente a um espelho. Na verdade, o bócio estava presente há muitos anos, mas agora atingiu um tamanho crítico ou o seu pescoço está mais magro. O bócio é freqüentemente mais óbvio de um lado do pescoço do que do outro. Ele pode variar de tamanho e ser quase invisível para os outros ou até tão grande que você sente que tem que escondê-lo com lenços ou malhas de golas altas. Algumas pessoas percebem o alargamento da glândula tireoidiana pela primeira vez porque um sangramento interno causa um inchaço que é acompanhado de desconforto no pescoço, como um hematoma, que dura alguns dias. Se o bócio é grande, pode ser difícil engolir alimentos secos e sólidos, e se a traquéia for espremida em alguma medida, pode haver dificuldade para respirar. Os cantores, particularmente, perceberão uma mudança na sua voz.

Como é diagnosticado?

O seu clínico-geral pode pedir um exame de sangue para verificar os níveis dos hormônios tireoidianos, mas habitualmente ele pedirá orientação a um especialista sobre outras investigações e tratamento.

O especialista pode solicitar um ou mais dos seguintes testes:

  • Raios-X e testes respiratórios. Estes revelam se o bócio está comprimindo ou esmagando a traquéia.
  • Ultra-sonografia. Passa-se uma sonda, do tamanho de uma lanterna manual pequena, na pele do pescoço e forma-se uma imagem do bócio na tela. Além de mostrar o tamanho e extensão do bócio, este exame também vai realçar quaisquer cistos e nódulos que o especialista pode não ter notado ao examinar o pescoço.
  • Cintilografia de Radioisótopo. Esta técnica fornece um tipo diferente de imagem, que mostra se os nódulos do bócio podem estar produzindo hormônios tireoidianos, o que torna o desenvolvimento de uma tireóide hiperativa mais provável no futuro. Ela é obtida ao se injetar uma pequena quantidade de uma substância radioativa chamada tecnéciio-99 em uma veia. Cerca de meia hora depois da injeção, você se deita sob uma câmera sofisticada por alguns minutos.
  • Punção com agulha fina (PAF). Coloca-se uma agulha do tamanho da agulha utilizada para um exame de sangue em uma seringa e, enquanto você permanece deitado, insere-se a agulha na glândula tireoidiana aumentada, através da pele do pescoço, sem anestesia local. O desconforto não é mais do que aquele sentido em um exame de sangue simples. Ao se puxar o êmbolo e mover a agulha para cima e para baixo de uma pequena distância dentro do bócio, o médico pode obter células da tireóide para análise. Estas são colocadas em uma lâmina e, depois de serem processadas pelo laboratório de patologia, são examinadas com um microscópio. A aparência das células vai ajudar a determinar se o aumento da tireóide é resultado de um tumor maligno.
Punção com agulha fina
Neste teste, uma agulha é inserida na glândula tireoidiana para extrair uma amostra de células da tireóide para análise.

Geralmente não se faz a punção com agulha fina conhecida como PAF em pacientes com bócio multinodular a menos que a glândula seja muito maior em um lado do que no outro, ou que o bócio esteja crescendo muito rapidamente.

Qual é o tratamento?

Se o seu bócio é relativamente pequeno, você provavel-mente não vai precisar de nenhum tratamento. O seu clínico vai checar os níveis de hormônios tireoidianos a cada um ou dois anos, já que existe a possibilidade da glândula se tornar hiperativa e causar hipertireoidismo em algum momento nos próximos 20 anos. Embora a tiroxina seja prescrita em algumas partes do mundo como uma tentativa de diminuir o bócio, ela traz pouca ou nenhuma melhora e pode causar o hipertireoidismo.

Se o bócio se torna tão grande que parece realmente pou-co atraente, ou comprime a traquéia, o tratamento mais eficaz é uma operação para remover a maior parte da glândula da tireóide.

Não é necessário fazer nenhum tratamento antes da cirurgia e você vai ficar no hospital por apenas três dias. As complicações são as mesmas da cirurgia para a doença de Graves. Você pode precisar de tratamento com a tiroxina depois, já que pode ter restado pouco tecido da tireóide para produzir quantidades adequadas dos hormônios.

Nos pacientes que não estão suficientemente em forma para uma cirurgia, ou que não querem se submeter a uma cirurgia, pode ser possível reduzir até 50% do tamanho do bócio através do iodo radioativo. Uma dose alta é necessária, e você pode ter que ficar internado por 24-48 horas. Se fizer isso, você deve ficar em um quarto individual para evitar a contaminação de outros pacientes ou visitantes pela radioatividade. O bócio pode levar vários meses para diminuir. Há pouca probabilidade de que a tireóide se torne pouco ativa. Isso porque o iodo radioativo se concentra especialmente nos nódulos e, à medida que eles se tornam menores, o tecido da tireóide que os circunda e que esteve dormente e não foi afetado pela radiação, se torna ativo e passa a produzir os hormônios tireoidianos.

História de Caso: Glândula tireoidiana hiperativa

Jenny Morris era uma mulher solteira com 70 anos que tinha sido uma atriz talentosa. Ela sempre usava uma echarpe de seda no seu pescoço, dia e noite, inverno e verão. Seus amigos e vizinhos pensavam que fazia parte da sua personalidade levemente excêntrica, mas quando Jenny foi internada de emergência em um hospital, com dores abdominais devidas a pedras nas vesículas, a echarpe foi removida e revelou o bócio e uma cicatriz de uma operação prévia.

Jenny explicou que tinha operado o bócio quando era bastante jovem. Por volta dos 45 anos o bócio apareceu de novo, mas ela foi informada de que uma nova cirurgia estava fora de questão porque seria tecnicamente mais difícil e qualquer dano ao nervo da caixa vocal (laringe) acabaria com sua carreira no palco. Com o passar do tempo, o bócio foi aumentando e ela começou a usar as echarpes para não se sentir mal.

Exames de sangue no hospital mostraram que ela tinha uma tireóide ligeiramente hiperativa e, depois de três meses de tratamento com iodo radioativo, seu exame de sangue já estava normal. Igualmente importante, um ano depois, o tamanho do bócio tinha diminuído no mínimo pela metade e ela abandonou, aliviada, as echarpes.

Nódulos tireoidianos

Caroços ou nódulos na tireóide são comuns e podem ocorrer em qualquer idade. As mulheres têm mais chance de serem afetadas do que os homens.

Um nódulo da tireóide individual varia desde o tamanho de uma ervilha até o de uma bola de golfe, ou até maior. Como o bócio, o nódulo é geralmente descoberto por acidente quando você está lavando o rosto ou se olhando no espelho. Sangramento no nódulo pode causar dor, o que alerta quanto a sua presença. Alternativamente, o nódulo pode ser descoberto durante um exame médico por algum outro problema, embora nem você, nem sua família tivessem notado sua presença anteriormente.

Por isso, o seu clínico-geral provavelmente encaminhará você para um especialista. Na verdade, a maioria dos nódulos da tireóide não são câncer da tireóide.

Como é diagnosticado?

Se você tem um único nódulo da tireóide, o exame de sangue indicará níveis normais de T3, T4 e TSH, o que significa que você será classificado clinicamente como eutrófico. A exceção disso é o "adenoma tóxico", no qual os exames de sangue indicarão uma tireóide hiperativa. O especialista em tireóide vai querer examinar o seu pescoço com cuidado, pois cerca de metade dos pacientes que aparenta ter apenas um nódulo apresenta um alargamento nodular generalizado da tireóide conhecido como bócio multinodular. Neste caso, você pode ficar seguro de que o seu problema não é grave.

Os indivíduos que requeiram novas investigações podem fazer um raio-X, um ultra-som e uma cintilografia com radioisótopo, mas o teste mais importante é a punção do ca-roço A técnica é simples, rápida e, se necessário, pode ser fei-ta duas ou três vezes, pois não causa dor ou grande desconfor-to. A punção é um dos avanços mais importantes para o cuidado de pessoas com doenças tireoidianas. No passado, a maioria daqueles com um único nódulo da tireóide tinha que fazer cirurgia, mas agora pode-se evitar muitas operações pelo simples exame de uma pequena amostra de células da tireóide, obtida por aspiração na própria clínica ambulatorial. O resultado da punção vai ser um dos indicados no quadro abaixo.

Nódulos benignos (não-cancerosos) podem continuar a crescer por muitos anos e eventualmente ficam tão grandes que é necessária uma operação para removê-los em função da aparência. Se você está com receio de que o nódulo possa ter um câncer, seu especialista pode sugerir uma operação para poder removê-lo e examiná-lo microscopicamente e, assim, tirar a dúvida de uma vez por todas.

O que a punção com agulha fina revela
A punção com agulha fina, na qual algumas células são removidas para serem examinadas, é utilizada para investigar nódulos da tireóide. O resultado pode ser um dos seguintes:
  • A agulha vai remover o fluído e o nódulo vai desaparecer. Isso significa que o nódulo era provavelmente um cisto da tireóide e que não é necessário nenhum tratamento. Caso o cisto retorne, você pode fazer nova punção, mas, vai precisar de uma operação remover a metade da tireóide contendo o cisto caso ele reapareça ainda outra vez.
  • As células removidas do nódulo revelam que ele é um caroço benigno e que, portanto, você não tem câncer. A não ser que o inchaço traga problemas para a sua aparência, quando a cirurgia seria necessária, você pode ficar tranqüilo pois não precisa de tratamento.
  • As células removidas são malignas, o que mostra que o nódulo é um câncer da tireóide e que você vai precisar operá-lo imediatamente.
  • Algumas vezes, por causa do número pequeno de células removidas, não é possível determinar se o nódulo é benigno ou maligno. Você vai precisar de uma operação para retirar todo o nódulo de modo que ele possa ser examinado cuidadosamente com um microscópio.

Pontos centrais

  • Em países sem deficiência de iodo, a causa do bócio é um mistério.
  • Pessoas jovens com bócio simples difuso raramente necessitam de tratamento.
  • Você provavelmente vai ser encaminhado a um especialista para o exame de um bócio multinodular e terá que se submeter a vários testes.
  • Bócio pequeno pode ser deixado de lado, mas o seu clínico vai solicitar exames de sangue regulares, pois há uma chance de você desenvolver hipertireoidismo.
  • Uma operação ou tratamento com iodo radioativo podem ser necessários se o bócio está causando problemas.
  • Comprimidos de tiroxina não ajudam a diminuir o bócio, embora ainda sejam prescritos em alguns países.
  • Embora as pessoas que desenvolvem nódulos da tireóide freqüentemente tenham receio de que o nódulo seja um câncer; isso raramente se confirma.
  • Um exame simples e indolor; conhecido como punção com agulha fina, permite que menos pessoas precisem de cirurgia atualmente.
  • Se você está preocupado com a sua aparência ou não consegue parar de pensar em câncer, pode fazer uma operação para remover o nódulo.

Fonte: Revista ISTOÉ - Guia da Saúde Familiar - Volume 15 - 02/2002


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