No Brasil o câncer de mama acomete cerca de 50.000 mulheres a cada ano, ou seja, em média a cada 11 minutos uma brasileira recebe o diagnóstico da doença.
Devido à alta incidência e o grande impacto sócio-econômico que a enfermidade causa, pesquisadores investem na busca de métodos capazes de diagnosticar a doença em fase precoce. Isto possibilita tratamento conservador com excelente resultado cosmético, além de aumentar o sucesso terapêutico.
Há necessidade de se identificar as mulheres de alto risco a fim de atuarmos de forma profilática com ações que podem ir desde a mudança de hábitos ou até mesmo o uso de medicamentos que diminuem o risco de desenvolver a doença.
Medidas gerais como redução de peso, atividade física regular, evitar tabagismo e ingestão de bebida alcoólica são atitudes que baixam a incidência. A ausência de gravidez ou primeira gravidez tardia (após os 35 anos) eleva o risco.
A terapia hormonal (TH) comumente utilizada na mulher menopausada se associa à maior incidência de câncer de mama. Hoje se recomenda a TH apenas nas pacientes com sintomas importantes e, seu uso criterioso deveria conter a menor dose eficaz no menor tempo possível.
O auto-exame mensal é encorajado a partir dos 20 anos de idade, sempre 4 a 7 dias após o término da menstruação e, mesmo nas jovens que apresentam mamas heterogêneas, este procedimento rotineiro fará com que ela conheça sua própria mama e seja capaz de notar alterações mais precocemente.
Entre os 20 e 40 anos de idade o exame clínico com o mastologista deve ser realizado pelo menos a cada triênio.
A partir dos 40 anos a mamografia de alta definição é o método de escolha para o rastreamento e deve ser realizado anualmente. Nas pacientes que apresentam predomínio do tecido glandular (mamas densas) a ultra-sonografia complementar pode ser de grande valia. A ressonância magnética é indicada nos casos onde há discordância entre os dois exames, ou seja, quando estamos frente a uma mamografia suspeita cuja lesão não é observada na ultra-sonografia. Esse método (RM) é novo e ainda apresenta baixa especificidade (em mulheres normais o exame pode resultar em 30% de achados falsos, ou seja, sugerir uma lesão onde não existe alteração) que gera ansiedade e biópsias desnecessárias.
As mulheres que apresentam maior risco genético para desenvolver a doença, principalmente aquelas que tiveram a mãe ou irmã acometida por câncer de mama (ou de ovário) antes dos 40 anos, devem iniciar o rastreamento mais precocemente, a partir dos 35 anos de idade.
Quando o exame de rastreamento identifica alguma alteração, a mesma deve ser criteriosamente analisada e, caso haja suspeita de um câncer, o mastologista dispõem de uma variedade de procedimentos que permitem avaliar a lesão.
Dentre os procedimentos mais utilizados destacamos a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) que é um método simples onde se utiliza uma agulha de injeção que vai retirar células da lesão. Esta técnica pode ser realizada diretamente nos nódulos palpáveis ou direcionada pelo ultra-som nas lesões não palpáveis. É ideal para diferenciar cistos de nódulos verdadeiros (sólido) e é capaz de confirmar o diagnóstico em mais 90% dos casos.
As biópsias percutâneas {biópsia por agulha grossa (BAG) e mamotomia} são métodos que podem ser guiados pelo ultra-som ou mamografia e vai permitir obter fragmentos da lesão. A BAG é um procedimento rápido, geralmente realizado por orientação ultra-sonográfica e tem como principal indicação o diagnóstico de nódulos maiores de 1,5 cm. Nos nódulos suspeitos menores que 1,5 cm e nos grupos de microcalcificações irregulares a mamotomia é o procedimento de escolha.
Quando um desses métodos confirma o diagnóstico de câncer de mama precoce, o tratamento deve ser individualizado. A cirurgia conservadora freqüentemente leva a excelentes resultados estéticos e o estudo axilar por meio da pesquisa do linfonodo sentinela geralmente não deixa seqüelas como redução de movimentos e inchaço dos braços, favorecendo a rápida recuperação da paciente.
Sintomas como dor mamária e presença de cistos simples, que ocorrem geralmente entre os 35 e 45 anos de idade, freqüentemente não estão associados à doença.
A chave para o sucesso do tratamento conservador é o diagnóstico precoce! Hábitos saudáveis associado ao rastreamento rotineiro são capazes de aumentar as chances de cura em mais de 30%.
Gil Facina
Professor da Disciplina de Mastologia do Departamento de Ginecologia da UNIFESP
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