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A menopausa - O que acontece com seu corpo

Calando estritamente, apalavra "menopausa" refere-se ao último período menstrual da mulher, que ocorre tipicamente em torno de 51 anos. Entretanto, a menopausa é comumente descrita como a mudança de vida - todas as alterações hormonais e sintomas resultantes que acontecem nos anos que preparam o caminho para e além do último período menstrual.

A maioria das mulheres se ajusta a essas mudanças sem problemas e algumas festejam sua nova liberdade - livres do fardo da "maldição" mensal e do medo de uma gravidez indesejada. Para outras não é tão fácil e, independente dos benefícios dos tratamentos de auto-ajuda, algumas podem precisar de ajuda médica.

Mudanças hormonais

A partir da puberdade até a menopausa, o corpo da mulher segue ciclos hormonais regulares - as menstruações mensais. Os níveis do hormônio feminino, estrógeno, aumentam durante a parte inicial do ciclo, estimulando o crescimento do óvulo que é liberado de um dos dois ovários no meio do ciclo. Após a ovulação, o estrógeno, junto com outro hormônio, a progesterona, estimula o espessamento do revestimento uterino em preparação para uma possível gravidez. A não ser que o óvulo fertilizado pelo esperma, este morrerá e um "período" menstrual se seguirá e o óvulo e o revestimento uterino se desprendão.

Sistema reprodutor feminino

Com a aproximação da menopausa, a produção de óvulos pelo ovário e dos hormônios que cordenam o ciclo menstrual tornam-se cada vez mais irregulares.

Nos anos que precedem a menopausa, os ovários funcionam com menos eficiência, resultando em menstruações irregulares e intensas. Eventualmente, os ovários param de funcionar e a menstruação pára. Além disso, o padrão previamente regular do ciclo hormonal mensal torna-se errático. Em particular, os níveis de estrógeno flutuam, produzindo fogachos, suores noturnos e vários outros sintomas.

Sintomas da menopausa

A maioria, mas não todos os sintomas da menopausa está diretamente relacionada à flutuação dos níveis de estrógeno.

O ciclo menstrual

Todo mês, entre a puberdade e a menopausa, um óvulo maduro é liberado e o revestimento uterino torna-se mais espesso, pronto para o implante do ovo fertilizado. se o óvulo não for fertilizado, é eliminado durante a mestruação.

  • Níveis hormonais
    1. o hormônio folículo estimulante (HFE), inicia o desenvolvimento do óvulo no ovário.
    2. O desenvolvimento do óvulo produz estrógeno. Os níveis atingem o pico imediatamente antes da ovulação.
    3. Uma onda de hormônios luteinizantes desencadeia a ovulação por volta do 14º dia em um ciclo de 28 dias.
    4. O folículo vazio produaz progesterona que prepara o endométrio para a gravidez.
     
  • Dentro do ovário
    1.
    estimulado pelo FHS, o óvulo começa a crescer no folículo.
    2. Óvulo em desenvolvimento.
    3. Óvulo maduro.
    4. Na ovulação o óvulo maduro é liberado.
    5. O óvulo liberado vai ao útero.
    6. O corpo lúteo, formado pelo fóculo vazio, produz progesterona.
    7. Corpo lúteo encolhido
    8. O folículo vazio morre ao final do ciclo menstrual.
     
  • Revestimento uterino
    1. O sangue menstrual contém células do revestimento do endométrio
    2. Óvulo não-fertilizado abandona o útero durante a menstruação
    3. Em resposta ao aumento dos níveis de estrógeno, os vasos sanguíneos aumentam.
    4. As glândulas dilatam e produzem nutrientes
    5. O revestimento espessa.
    6. Óvulo não-fertilizado.

Sintomas da menopausa
Existem vários sintomas associados à menopausa, principalmente devido às alterações nos níveis de estrógeno. Felizmente, a maioria das mulheres não sofre de todos os sintomas
  • Ansiedade
  • Mudanças na pele e cabelo
  • Depressão
  • Dificuldade para dormir
  • Vagina ressecada
  • Fadiga
  • Dores de cabeça
  • Fogachos e suores noturnos
  • Menstruações irregulares
  • Irritabilidade
  • Dores articulares e musculares
  • Perda de interesse no sexo
  • Dor na relação sexual
  • Palpitações
  • Dificuldade de concentração
  • Prejuízo de memória
  • Problemas urinários
  • Menstruações irregulares

    Esse é geralmente o primeiro sinal da menopausa. À medida que os ovários tornam-se erráticos na produção de estrógeno e progesterona, o ciclo menstrual torna-se irregular. Tipicamente, o ciclo inicialmente reduz os 28 dias para 21 - 25 dias. Em seguida, o ciclo se estende, com ocasionais menstruações ausentes. O próprio período muda, ás vezes curto e minguado. Poucos ciclos resultam em liberação de um óvulo e, portanto, a fertilidade declina. No entanto, ainda é possível engravidar, por isso, você deve continuar usando contraceptivos adequados por um ano ou mais após a última menstruação.

    Fogachos e suores noturnos

    Os fogachos geralmente começam por volta dos 47 ou 48 anos e, para a maioria das mulheres, duram mais ou menos dois a três anos. Em alguns casos, os fogachos começam mais cedo, algumas vezes ao final dos 30 e começo dos 40 anos, e podem continuar por cinco ou dez anos; 25% das mulheres ainda tem fogachos ocasionais após mais de cinco anos.

    Os fogachos e suores são os sintomas mais comuns da menopausa e afetam 75% das mulheres. Nos estágios iniciais da menopausa, os fogachos e suores podem ocorrer somente na semana anterior à menstruação, quando os níveis de estrógeno naturalmente caem. Eventualmente, os níveis de estrógeno flutuam ao longo do ciclo e os fogachos acontecem a qualquer momento.

    Algumas mulheres sentem quando o fogacho está prestes a começar, geralmente com uma sensação de aumento de pressão na cabeça. Em poucos minutos o rubor sobe rapidamente para cabeça e pescoço, espalhando-se pelos ombros e peito, geralmente causando um grande desconforto e constrangimento.

    Os rubores geralmente duram alguns segundos, mas podem persistir por cerca de 15 minutos, repetindo-se várias vezes durante o dia. Você pode perceber o suor ou palpitação e sentir-se fraca ou desmaiar. Os suores noturnos podem ser particularmente graves, atrapalhando o sono; algumas mulheres têm de trocar a camisola ou mesmo os lençóis quando acordam encharcadas de suor.

    Prejuízo do sono

    A interrupção do sono é freqüentemente causada pelos suores noturnos, mas também pode ser um sintoma da ansiedade e depressão subjacentes. Dificuldade em iniciar o sono geralmente é um sinal de ansiedade - você se sente extremamente cansada, mas sua mente continua a pensar nos eventos do dia, ou você se preocupa com planos futuros. O despertar no início da manhã pode significar depressão - você não têm muito problema para adormecer, mas acorda às 2h00 ou às 3h00 da manhã, revirando-se no resto da noite. A menopausa agrava a ansiedade e depressão subjacentes, mas o tratamento médico específico para essas condições pode ser necessário; portanto, você precisa procurar ajuda médica antes de responsabilizar suas noites maldormidas pela "mudança".

    Sintomas emocionais

    O sono pobre tem um efeito devastador, resultando em cansaço diurno, letargia, dificuldade de concentração e depressão. Esses sintomas são geralmente muito incômodos e tornam ainda mais difícil lidar com as demandas diárias. Encontrar maneiras para melhorar seu sono, controlando os fogachos ou tratando a depressão, restaura o equilíbrio.

    Dores de cabeça

    A flutuação dos níveis hormonais agrava a enxaqueca e outras dores de cabeça em mulheres suscetíveis. Muitas mulheres notam uma relação entre dor de cabeça e o ciclo mensal, especialmente cinco a dez anos antes da menopausa. Sintomas pré-menstruais ficam mais proeminentes nessa época e as dores de cabeça enxaquecosas podem piorar durante a semana pré-menstruais. As dores de cabeça geralmente melhoram quando as flutuações hormonais acalmam, mas seu médico ou especialista em cefaléia pode oferecer um tratamento específico se necessário.

    Dor articular ou muscular

    Pulsos, joelhos e calcanhares doloridos e dor lombar são outras queixas comuns-sintomas que podem ser confundidos com artrite.

    Mudanças sexuais

    O estrógeno mantém a vagina e os órgãos sexuais umedecidos, portanto a secura torna-se um problema quando os níveis de estrógeno caem. O ato sexual torna-se doloroso e o risco de infecção urinária aumenta. Já que o ato sexual estimula a produção de líquido lubrificante, o sexo regular protege contra essas mudanças.

    Sintomas urinários

    Um desejo constante de ir ao banheiro, mesmo quando você acabou de ir, especialmente se queima ou pinica, é um sintoma comum de cistite. Pode piorar após a menopausa. Algumas vezes, a urina torna-se infectada, o que requer tratamento com antibióticos; portanto, se não melhorar após dois dias de uso de antibiótico procure seu médico.

    A incontinência, causada pelo enfraquecimento dos músculos que impedem a bexiga de vazar é um legado do parto, mas fica mais grave com a queda dos níveis de estrógeno. Tossir e correr normalmente provocam vazamento da urina, e o mesmo pode acontecer durante o ato sexual.

    Pele e cabelos

    O estrógeno mantém a pele hidratada e estimula o crescimento do cabelo. Portanto, o apogeu ocorre na gravidez, quando o estrógeno chega aos níveis mais altos. Sem estrógeno, a pele torna-se seca, perdendo a elasticidade, tornando as rugas mais proeminentes. O cabelo cresce mais devagar e fica mais fino e menos maleável.

    Sintomas não-hormonais

    A depressão e os problemas sexuais que ocorrem próximo à menopausa não são causados somente pela queda dos níveis de estrógeno. A menopausa marca um momento na vida da mulher que pode ser difícil por vários motivos - os filhos vão embora de casa, aposentadoria, dificuldades conjugais, doença ou morte de parentes. Essas mudanças têm seu próprio custo, mas a maioria das mulheres consegue encontrar o caminho para lidar com elas. Se você sentir que as coisas estão ficando for a de controle, peça ajuda ao seu companheiro ou a amigos, ou procure ajuda profissional.

    Ganho de peso

    Redução de atividade, geralmente resultante de uma mudança de estilo de vida, mas também por problemas nas articulações, combinado a uma redução do metabolismo que ocorre com a idade, são fatores que levam ao ganho de peso. Alterações hormonais também participam, uma vez que o estrógeno é responsável pelo formato do corpo da mulher; sendo assim, o peso se acumula mais em torno do estômago após a menopausa.

    Fazendo o diagnóstico

    Em geral, os sintomas da menopausa são suficientemente evidentes para se fazer o diagnóstico, especialmente se você estiver no final dos 40 ou início dos 50 anos. Se houver qualquer dúvida, o diagnóstico pode ser confirmado por um simples teste para conferir os níveis hormonais. Este pode precisar ser refeito, especialmente em mulheres mais jovens, quando ainda ocorre a liberação hormonal normal, podendo haver confusão nos resultados.

    Risco pós-menopausa

    A menopausa tornou-se muito importante nos últimos anos, especialmente nas sociedades ocidentais, uma vez que com uma expectativa de vida acima dos 80 anos, muitas mulheres podem viver na pós-menopausa por quase 1/3 de suas vidas.

    As pesquisas têm mostrado que o estrógeno mantém a força e a saúde dos ossos, e protege contra infartos e derrames. Com a perda do efeito protetor do estrógeno após a menopausa, o risco de fraturas, infarto e derrame aumenta. Apesar de essas condições raramente resultarem em morte, levam uma redução significativa da qualidade de vida.

    Pontos centrais

    • Os sintomas da menopausa são numerosos e variam de leve a grave.
    • Os sintomas mais típicos são as menstruações irregulares, fogachos e suores noturnos.
    • Sintomas podem ser muito mais sutis, com a mudança de humor, dificuldade para dormir e depressão.
    • O diagnóstico é feito geralmente com base nos sintomas, mas se há qualquer dúvida, um simples exame de sangue pode ser feito para observar os níveis hormonais.
    • A maioria desses sintomas acomoda em poucos anos após o término das menstruações.
    • À medida que as mulheres vivem mais, os efeitos prolongados das deficiência de estrógeno tornam-se mais aparentes; o risco de fraturas, derrames e doenças cardíacas aumenta a cada ano após a menopausa.

    Fonte: Revista ISTOÉ - Guia da Saúde Familiar - Volume 18 - 02/2002


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