| Tratando
o câncer de mama
Após
uma avaliação completa, é possível estimar-se qual seria
o tratamento mais apropriado. Este pode incluir cirurgia,
radioterapia, terapia hormonal, quimioterapia ou uma combinação
de algumas das alternativas, dependendo do câncer em si
e levando-se em conta a vontade do paciente.
Quando as possíveis opções de tratamento tenham sido explicadas,
haverá a possibilidade de você participar das decisões,
embora as mulheres, de modo geral, prefiram deixar que o
médico decida.
Na
maior parte dos casos, o tratamento provavelmente envolverá
somente cirurgia ou cirurgia e radioterapia para tratar
do câncer de mama e das glândulas das axilas, seguido por
um tratamento medicamentoso destinado a destruir todas as
células não detectadas e que possam ter escapado para outras
partes do corpo.
De
todos os cânceres, o câncer de mama é um dos mais tratáveis
e associado a um nível bem alto de cura. Os tratamentos
para o câncer de mama estão evoluindo assim como a sobrevida.
Apesar do fato de muitas mulheres desenvolverem câncer de
mama todos os anos, vem diminuindo o número delas que, na
realidade, morrem desta condição, demonstrando a eficácia
dos tratamentos existentes hoje em dia.
Remoção cirúrgica
Quando o nódulo é relativamente pequeno (menos de 4 cm de
tamanho), geralmente é possível remove-lo juntamente com
uma pequena quantidade do tecido em torno (cirurgia conservadora
da mama). No caso de nódulos maiores, esta operação conservadora
da mama pode não valer a pena porque uma maior porção da
mama precisa ser retirada para que a paciente se livre do
câncer. Nas mulheres com mamas relativamente pequenas, com
nódulos menores do que quatro centímetros de tamanho, após
a remoção do nódulo e do tecido em seu entorno, talvez não
seja possível deixar tecido mamário suficiente para que
a mama possa ser salva.
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Salvando a Mama
É muito importante discutir todas as opções de
tratamento com o seu médico, uma vez que um câncer
de mama tenha sido diagnosticado. |
Na
verdade, cerca de um em cada três cânceres de mama não pode
ser removido desta maneira e o tratamento mais apropriado
é a mastectomia, uma operação que remove toda a mama, incluindo,
também, o mamilo. Felizmente, a técnica cirúrgica evoluiu
sensivelmente desde o tempo em que a chamada mastectomia
radical, ou seja, a remoção total do tecido até a parede
do tórax deixava a mulher com uma deformidade séria no tórax
e no braço, afetando o uso normal de seu braço. Você, possivelmente,
já ouviu falar ou conheceu alguém que tenha passado por
essa experiência desagradável, mas não precisa preocupar-se
com que isto lhe aconteça, caso necessite fazer uma mastectomia.
Hoje em dia, algumas mulheres preferem fazer uma mastectomia
mesmo quando se trata da remoção de um nódulo simples.
| Diferentes
tipos de cirurgias de mamas |
| A extensão de
cirurgia necessária para o câncer de mama depende
do tamanho, da localização, da forma e da natureza
do tumor. O cirurgião vai tentar retirar a quantidade
mínima de tecido para extirpar o câncer.

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Há, também,
algumas situações nas quais uma mulher com um nódulo menor
do que quatro centímetros possa ser aconselhada a fazer
uma mastectomia. Os casos principais são:
- Quando há mais de um nódulo
na mama. As pesquisas mostram que, mesmo que todos esses
nódulos sejam removidos, outros nódulos cancerosos vão
se desenvolver mais tarde, em outros pontos da mesma
mama.
- Quando o nódulo fica diretamente
sob o mamilo de modo que este teria de ser removido
ao mesmo tempo. Em vez de deixar a mama sem mamilo,
é preferível fazer uma remoção total e realizar uma
reconstrução da mama.
- Algumas vezes uma operação
para remover um nódulo não é bem bem sucedida porque
uma parte do câncer ou do pré-câncer foi deixado no
local. Uma outra operação para remover mais tecido pode
ser feita, mas, às vezes, tem-se de retirar a mama toda.
- No caso do tecido adjacente
ao nódulo ser anormal ou no processo de se tornar canceroso;
se uma incisão ampla não pode dar conta da remoção,
então opta-se por uma mastectomia.
O cirurgião
normalmente remove alguma ou todas as glândulas linfáticas
de baixo do braço. Há cerca de 20 delas e são o lugar mais
comum para onde o câncer se espalha. Saber se isso aconteceu
e, no caso positivo, quantas glândulas foram afetadas, é
importante para determinar a gravidade do câncer e para
decidir pelo tratamento com drogas. O único jeito de saber-se
quantas glândulas foram afetadas é remover todas elas e
examina-las. Se os exames mostram que elas foram afetadas
pelo câncer e se restaram algumas, estas têm de ser tratadas
com radioterapia. De qualquer forma, a maioria das mulheres,
depois de uma cirurgia conservadora, é submetida a uma série
de radioterapia, mesmo se as glândulas não foram afetadas.
Algumas vezes
a cirurgia na axila pode causar lesão dos nervos do braço,
permanecendo uma sensação de dormência. Isto certamente
é um incômodo, mas, de modo geral, não dura muito tempo.
Cerca de uma em 20 mulheres que tiveram suas glândulas linfáticas
removidas ou tratadas com radioterapia, desenvolveram linfoedema
ou inchaço do braço. Um tratamento geralmente reduz o problema,
mas, quase sempre, ele não se resolve completamente. Massagem
pode ajudar, como também o uso de braçadeiras elásticas
e a manutenção do braço elevado por vários travesseiros
quando permanecer sentada. É importante evitar qualquer
tipo de ferida ou infecção na mão, pois o inchaço pode piorar
mesmo depois da infecção ter-se resolvido.
Reconstrução da mama
Se você e seu médico concordaram em fazer uma mastectomia,
o cirurgião provavelmente vai discutir com você a possibilidade
de fazer uma reconstrução da mama ao mesmo tempo. A operação
tem maior chance de sucesso quando feita imediatamente do
que quando é adiada para meses mais tarde. Não há nenhuma
evidência de que a reconstrução imediata aumente a probabilidade
de uma recorrência do câncer ou que torne sua detecção mais
difícil, no caso disso ocorrer.
Como
é feita a reconstrução?
| Reconstrução
de uma mama usando implante |
Depois da cirurgia
da mama, a paciente pode optar por uma cirurgia
reconstrutiva. Um tipo de cirurgia consiste em
colocar um implante sob a pele. Este é expandido
ao longo de vários meses, injetando-se salina
nele.

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O método mais
simples é o de inserir um implante sob a pele, mas isto
geralmente precisa ser combinado com algum estiramento da
pele restante para compensar a quantidade que foi removida
na mastectomia. Isto pode ser feito em dois estágios, de
modo que a pele pode ser expandida antes da inserção do
implante ou usar-se um implante combinado a um expansor.
A idéia é a de que o expansor seja inflado gradualmente
ao longo de meses por injeções repetidas de líquido para
esticar a pele; funciona de modo semelhante à barriga da
mãe sendo distendida pelo crescimento do bebê. Quando esse
processo se completa, tendo a pele expandido o suficiente,
o dispositivo pode ser removido ou substituído por uma prótese
permanente ou implante. Também pode-se remover um pouco
do líquido deixando o implante, agora menor e do tamanho
da mama, em posição.
A maioria
dos implantes consistem numa concha de plástico (Silastics)
ou um envelope cheio de gel de silicone. Os implantes mais
antigos tinham uma concha muito fina e pequenas quantidades
de silicone podiam vazar para fora. Os implantes mais novos
têm uma concha externa muito mais espessa, com menor chance
do silicone vazar. O corpo produz tecido em torno de um
implante, chamada cápsula, e mesmo que haja vazamento de
silicone, em todas as mulheres,, exceto em algumas, o corpo
seqüestra o silicone dentro da cápsula. Muito ocasionalmente
o silicone pode extravasar para os tecidos adjacentes, causando
inflamação e cicatrizes.
Muitas próteses
médicas colocadas no corpo contêm silicone - articulações
artificiais e válvulas cardíacas. Quando o silicone cai
na corrente sanguines pode ir se alojar em outras partes
do corpo, mas, mesmo nessa situação, não parece causar problemas
significativos. Por exemplo, até agora não há nenhuma evidência
de que quando o silicone vaza ele cause problemas articulares
ou qualquer outra doença. Existem implantes alternativos
que usam água salgada ou óleo de soja. Cerca de uma em 10
mulheres experimentam problemas com o implante porque a
cápsula ao redor do implante deforma-se ou endurece, causando
dor.
Os implantes
antigos tinham uma superfície lisa, mas os mais novos têm
uma superfície irregular e rugosa, o que faz com que a prótese
provoque muito menos endurecimento da cápsula.
Infecções podem
aparecer, mas isto é evitado dando-se antibióticos durante
e depois da operação.
Uma alternativa
aos implantes artificiais é utilizar pele e músculos de
outras partes do corpo para substituir a mama perdida. Esses
podem ser tirados das costas ou do abdômen. Quando o método
de "retalho cirúrgico das costas" é o escolhido, usando-se
um músculo chamado latissimus dorsi, é necessário um implante
além do músculo para se atingir um tamanho apropriado da
mama.
Algumas vezes
também é possível transferir gordura juntamente com o músculo
do abdômen; sendo assim, o implante não se faz necessário.
As grandes
desvantagens de se usar esta abordagem é que o tecido transplantado
nem sempre sobrevive. Este é o motivo pelo qual cerca de
um em cada 100 retalhos das costas e uma em 20 operações
de retalhos cirúrgicos do abdômen são mal sucedidos.
Se o cirurgião
usa músculo ou implante para reconstruir a mama, é possível
reconstruir o mamilo em um tempo posterior. Isto se consegue
pelo transplante de alguma pele mais escura da parte superior
interna da coxa ou fazendo-se uma tatuagem para criar uma
aréola. Alternativamente, uma solução mais simples é o uso
de adesivos de mamilo com aspecto bastante natural.
Radioterapia
As evidências indicam que as mulheres que sofreram uma cirurgia
conservadora de mama beneficiaram-se, posteriormente, do
tratamento radioterápico, mas este só é necessário para
um quarto das pacientes após uma mastectomia.
A radioterapia mata as células em crescimento. Numa mama
normal, somente poucas células crescem simultaneamente,
mas o câncer consiste de células que estão crescendo continuamente.
A radioterapia, portanto, tem o maior efeito sobre o câncer,
embora inevitavelmente produza danos superficiais a outros
tecidos.
Como é feita a radioterapia?
Você provavelmente terá de ir ao ambulatório de um hospital,
diariamente, por quatro a cinco semanas para fazer a radioterapia;
a sessão dura poucos minutos e é indolor. Parece um pouco
como passar por um raio-X e você não precisa preocupar-se
pois ela não a torna radioativa de jeito algum! Antes da
primeira dose, é feita uma marca em sua pele com um corante
semipermanente para que qualquer pessoa que, cada vez, vá
aplicar a radioterapia certifique-se da posição exata. Você
terá de ficar completamente imóvel durante a aplicação.
Depois
de alguns dias de radioterapia, sua pele fica avermelhada
e um pouco lesada, como se você tivesse tomado banho de
sol por muito tempo. Até o fim da série pode ser que apareçam,
também, algumas bolhas na pele. Alguns radioterapeutas preferem
que as pacientes mantenham secas as áreas tratadas, aplicando
somente creme, pelo mesmo motivo que ao colocar água na
pele queimada do sol você pode estar provocando machucados.
Outros médicos acham que a área deve ser mantida úmida.
Siga a orientação de seu próprio radioterapeuta porque ele
ou ela decidirão o que é melhor para você. Mas você deve
proteger do sol a área tratada. Atualmente, há poucos efeitos
colaterais decorrentes da radioterapia; por exemplo, ela
não faz cair o cabelo nem faz com que você se sinta indisposta,
embora até o fim do tratamento talvez possa sentir um pouco
de cansaço. Algumas pacientes que passaram por radioterapia
na mama podem tossir um pouco, devido ao fato de a radioterapia
ter atingido uma parte do pulmão exatamente sob a mama.
Isto pode ocasionar uma leve lesão do pulmão provocando
uma irritação que resulta na tosse. Ocasionalmente você
pode sentir um pouco de falta de ar. Como há tratamentos
específicos para estes problemas, se os tiver, avise seu
médico.
Consultas para acompanhamento
Se você fez uma cirurgia conservadora de mama, terá de fazer
um exame médico completo a cada seis meses, por um ou dois
anos e, após este período, anualmente, devendo fazer também
uma mamografia anual ou a cada dois anos, de ambas as mamas.
Se você passou por uma mastectomia, o exame médico completo
deve ser feito a cada seis meses no primeiro ano após a
cirurgia e depois anualmente, fazendo uma mamografia anual
da mama restante, a cada um ou dois anos.
Tratamentos medicamentosos
Uma das vantagens que os medicamentos têm sobre os outros
tratamentos como a cirurgia e a radioterapia é que atingem
todas as partes do corpo. Isto significa que eles podem
agir sobre as células cancerosas que se espalham em tão
pequenas porções que não podem ser detectadas. Como resultado
disto, os medicamentos podem prevenir a recidiva do câncer
por meses ou mesmo por vários anos após o tratamento.
Se,
ao ser diagnosticado o câncer já tiver se disseminado, os
medicamentos podem ser o único meio prático de trata-lo.
O tratamento medicamentoso geralmente usado no câncer da
mama tem duas categorias principais: hormônios e quimioterapia.
Hormônios
A
maior parte dos cânceres de mama é afetado pelos hormônios,
principalmente pelo estrógeno. Os outros hormônios naturais
que afetam o câncer de mama são os progestogênios. Em doses
baixas parecem não ter muita influência, mas em doses altas
os progestogênios podem fazer com que o câncer diminua tão
eficazmente como o fazem outras manipulações hormonais,
tais como a remoção do estrógeno ou o uso de antiestrógenos.
É possível determinar se um tumor é sensível a hormônios
através de um exame químico em amostras do mesmo, recolhidas
numa biópsia. Na verdade, a maior parte dos cânceres de
mama é sensível ao estrógeno. Há, entretanto, uma tendência
entre as pacientes jovens a apresentarem uma maior incidência
de cânceres de mama insensíveis ao hormônio e uma tendência
entre as pacientes mais velhas (mulheres na pós-menopausa)
a terem uma incidência maior de cânceres sensíveis ao hormônio.
Tumores
sensíveis ao estrógeno - Em mulheres na pós-menopausa,
cerca de duas entre três cânceres sensíveis ao estrógeno,
mas a proporção cai para uma entre três mulheres jovens
na pré-menopausa. As células do câncer sensível ao hormônio
têm receptores na superfície que reagem ao estrógeno, fazendo
com que as células se multipliquem mais rapidamente.
O tamoxifeno é um medicamento que atua bloqueando os efeitos
do estrógeno no tumor, o que resulta na sua destruição em
algumas pacientes, enquanto que em outras na prevenção de
crescimento posterior do tumor. Ambos os efeitos são de
grande benefício para controlar a doença e remover os sintomas
de câncer. O efeito do tamoxifeno pode durar por vários
meses ou anos em algumas pacientes, embora seja impossível
predizer quanto o efeito irá durar.
O
único efeito colateral realmente sério do tamoxifeno é duplicar
a incidência de câncer do endométrio na parede do útero.
Indubitavelmente, esse efeito foi enfatizado em excesso
pela mídia sendo que o risco, na verdade, é bem pequeno.
Desde que se interrompa o tratamento dentro de cinco anos,
os riscos do desenvolvimento de câncer endometrial são extremamente
baixos. Há evidências que sugerem que o tempo ideal de se
tomar tamoxifeno como proteção contra o câncer é, provavelmente,
de cinco anos.
Outros
medicamentos
| Efeitos
colaterais do tratamento medicamentoso |
| Infelizmente
muitos dos medicamentos anti-câncer possuem efeitos
colaterais desagradáveis, os mais freqüentes são
relacionados abaixo. Entretanto, um paciente não
precisa, necessariamente, sofre de um ou de todos
os efeitos colaterais. |
| Terapia
Hormonal |
Toxicidade |
| Extração
dos Ovários |
Ondas de
calor da menopausa e suores, rigidez das articulações,
diminuição do libido e ressecamento vaginal. |
| Tamoxifeno
|
Os efeitos
acima, mais ganho de peso, náuseas, efeitos nos olhos,
risco de câncer endometrial, complicações tromboembólicas.
|
| Inibidores
Específicos |
Os mesmo
da extração dos ovários, mais náuseas da aromatase.
|
|
Progesterona |
Aumento
de apetite, ganho de peso, sangramento vaginal, tromboembolismo.
|
| Anti-Estrogênicos
|
Não há
ondas de calor e nem suores, etc. |
Uma
nova classe de medicamentos para o tratamento do câncer
de mama, os chamados inibidores de aromatase, estão disponíveis
há alguns anos e vêm provando ser bem eficazes.
Basicamente são usados em mulheres na pós-menopausa e com
sua ação bloqueiam a produção de estrógenos, ainda intensa
neste período da vida das mulheres. Ao bloquear a produção
do estrógeno, eles privam as células cancerosas da mama
do estrógeno, o qual age como um estimulante. Esta é sua
única ação semelhante a dos tamoxifeno, mas os inibidores
de aromatase ainda agem depois que o tamoxifeno fracassou
no controle do tumor. Por serem tão bem tolerados, os inibidores
de aromatase atualmente estão sendo considerados como uma
alternativa ao tamoxifeno para o tratamento da doença precoce.
Os
Ipg também estão sendo usados para o tratamento de câncer
de mama num grande número de pacientes, sendo utilizados
quando a terapia inicial com o tamoxifeno ou um dos novos
inibidores de aromatase falharam. O mecanismo da ação da
progesterona é complexo e pouco dele se entende, mas este
medicamento vem tendo um bom desempenho por vários anos
para o controle da doença.
Os principais motivos pelos quais se opta pelo tamoxifeno
e pelos inibidores de aromatase e não pelos progestogênios
são seus efeitos colaterais. Estes são mínimos ou leves
no caso dos dois primeiros medicamentos, mas os progestogênios
podem causar complicações como ganho de peso, sendo que
o problema aumenta quando a dose é muito alta. Uma análise
do quadro dos efeitos colaterais do tratamento medicamentoso
mostra alguns destes efeitos mais comuns decorrentes da
terapia hormonal e quais os medicamentos que estão especificamente
a eles associados.
Quimioterapia
Este
tratamento envolve a administração de uma combinação de
medicamentos anti cancerosos, geralmente três de uma só
vez. O objetivo principal de cada medicamento é identificar
e matar as células que estão crescendo e se dividindo ativamente.
Infelizmente, os medicamentos anti cancerosos não conseguem
reconhecer especificamente as células cancerosas e podem
matar outras células ativas que estão se dividindo, como
as células da medula óssea (e cabelo). A medula é um tecido
extremamente importante para o corpo porque produz as células
do sangue e as células do sistema imunológico que atacam
as infecções.
Os medicamentos que destroem estas células acabam por ocasionar
complicações tais como a anemia, tendência a infecções e
problemas com a coagulação sangüínea, resultando numa tendência
a sangramentos mesmo depois de traumas bem comuns.
Os
maiores problemas com o sangue, entretanto, dizem respeito
às células brancas que fazem parte de nossa defesa contra
a infecção - há uma renovação tão grande no número de células
brancas do sangue que elas são particularmente sensíveis
aos danos causados pelos medicamentos quimioterápicos tóxicos.
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Medicamentos que
Destroem o Câncer
Esta bomba de quimioterapia usada pela o paciente
permite a infusão contínua e precisa de doses de medicamentos
anti-cancerígeno numa veia próxima ao ombro.
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Os
segredo dos bons resultados da quimioterapia contra o câncer
encontra-se na combinação dos medicamentos usados que são
escolhidos para minimizar os danos causados ao sangue e
ao mesmo tempo maximizando o dano às células cancerosas.
Algumas
vezes a quimioterapia é administrada antes da cirurgia para
diminuir o tamanho do tumor para que o cirurgião, ao operar
o paciente, possa causar menores danos à mama.
A quimioterapia contra o câncer é geralmente administrada
através de uma injeção endovenosa no braço. Pode ser feita
num ambulatório de hospital, mas algumas pessoas preferem
passar a noite após a terapia. Os tratamentos variam, mas
cada sessão geralmente dura uma hora e meia e é repetida
a cada três semanas. Algumas pessoas preferem permanecer
no hospital depois de uma sessão de tratamento, especialmente
se forem muito ansiosas. Elas podem ficar amedrontadas pelo
fato de necessitarem da quimioterapia porque ouviram falar
de seus efeitos colaterais desagradáveis, dos enjôos e da
perda de cabelo. De maneira alguma todas as pessoas passam
por um ou por todos estes problemas. Alguns dos medicamentos
anti cancerosos, atualmente, causam um pouco ou nenhum enfraquecimento
do cabelo e os remédios contra náuseas dados juntamente
com a quimioterapia funcionam muito bem. Os sedativos e/ou
medicamentos contra náuseas podem ser dados endovenosamente,
caso necessário.
Um
dos efeitos colaterais menos conhecidos da quimioterapia
é provocar a menopausa precoce em mulheres que ainda estão
menstruando. Possivelmente isto ocorre, em particular, nas
mulheres que se encontram perto dos 40 anos e até os 50,
mas mesmo algumas pacientes mais jovens podem ter uma interrupção
temporária de suas menstruações como resultado dos efeitos
da quimioterapia na produção de hormônios pelos ovários.
Geralmente, as pacientes jovens voltam a ter menstruação
após a quimioterapia, e a menopausa natural que venham a
ter posteriormente é adiada por vários anos.
O que isto indica é que, exceto em pacientes jovens, a quimioterapia
possivelmente afeta a fertilidade e algumas mulheres que
adiaram a gravidez tomam providências efetivas na tentativa
de armazenar óvulos antes da quimioterapia para que tenham
a possibilidade de formar uma família depois que o câncer
de mama for tratado. O método mais confiável para conseguir
este objetivo é ser tratada por um médico especialista em
fertilidade e fazer a estocagem "in vitro" dos óvulos fecundados,
(fertilização "in vitro" FIV). Experimentalmente, alguns
laboratórios estão verificando a possibilidade de estocar
óvulos não-fertilizados, mas no momento esta técnica não
está aprovada e não é confiável.
Nem
todas as mulheres que passam pela quimioterapia terão a
sua fertilidade afetada, assim é aconselhável que elas evitem
a gravidez pelo uso de métodos anti-concepcionais, tais
como o uso de preservativos, porque as pílulas anticoncepcionais
podem causar um efeito adverso no câncer de mama.
Quimioterapia
intensiva - Em alguns casos, a quimioterapia comum pode
ser inadequada porque o tumor é particularmente agressivo
e um tratamento muito intenso passa a ser necessário para
eliminar todas as células do tumor. A dose do medicamento
tem de ser tão alta que destrói, também, as células da medula
da pessoa e, para se contrapor a isto, células sadias devem
ser retiradas da medula antes da quimioterapia e devolvidas
depois.
Embora
a quimioterapia intensiva envolva elementos de risco, é
ainda a melhor opção para alguém que tenha um tumor muito
agressivo e, no momento, estão sendo feitas na Europa experiências
clínicas controladas desta técnica.
TRH
A
quimioterapia e a terapia hormonal podem produzir sintomas
de menopausa e podem, na verdade, induzir artificialmente
uma menopausa permanente. Muitas pacientes perguntam se
é possível fazer a TRH para aliviar os sintomas desagradáveis
da menopausa. A orientação da maioria dos centros é para
que não se faça a TRH até que outras alternativas tenham
sido tentadas, embora ninguém saiba se a TRH afeta adversamente
ou não o câncer de mama. O problema é que a TRH é feita
com a administração de doses baixas de estrógeno, que, na
teoria, pode estimular um novo crescimento de algumas formas
de câncer de mama. Experiências clínicas vêm sendo feitas
para se verificar se a TRH pode ser usada com segurança,
mas as respostas ainda vão demorar alguns anos. Há outras
maneiras de se aliviar os sintomas da menopausa causados
por tratamentos anticancerosos, algumas vezes com o envolvimento
de medicamentos tais como baixas doses de pregesterona e
algumas vezes modificando-se o estilo de vida, com o uso
de roupas que tendem a reduzir o calor (soltas e feitas
de material natural e não de fibras sintéticas).
Medicina complementar
Muitos
médicos se preocupam com a idéia de que algumas pessoas
com câncer de mama optem exclusivamente pelo uso de medicina
alternativa quando sua doença é sensível ao tratamento convencional.
Mesmo assim, muitas pessoas encontram um grande consolo
para o controle de suas condições com fititerápicos ou outras
práticas da assim chamada medicina natural.
A
abordagem mais sensata é discutir o fato aberta e honestamente
com seu clínico-geral. Ele ou ela provavelmente não farão
quaisquer objeções, desde que você não opte pela medicina
complementar no lugar do tratamento médico convencional.
Quando a cura não é possível
Apesar
dos maiores esforços das equipes médicas e cirúrgicas, algumas
mulheres com câncer de mama podem atingir um desenvolvimento
tal da doença que impeça a sua cura. Mesmo quando isto acontece,
ainda há muito a ser feito para ajudar a mulher em si e
sua família.
Quase
sempre é possível controlar sintomas tais como a dor e a
náusea e as equipes de cuidados paliativos serão compostas
de todos os especialistas necessários. Assim, a equipe pode
orientar tanto o clínico-geral como o departamento de oncologia
do hospital quanto ao uso ideal de medicamentos tais como
os analgésicos, medicamentos que combatem a náusea e a diarréia
e os que maximizam o apetite das pacientes, muitas vezes
insuficiente, como resultado da doença ou do tratamento.
Deve ser lembrado aqui que objetivo único da intervenção
da equipe de paliativos é dar 'a paciente a melhor qualidade
de vida possível, com o mínimo de sintomas da doença e o
menor número de efeitos colaterais decorrentes do tratamento.
Pontos centrais
-
Hormônios sintéticos são medicamentos muito eficazes
para tratar os cânceres de mama sensíveis a hromônios.
- As
doses e os esquemas quimioterápicos são planejados de
tal forma a otimizar o efeito anto-canceroso e minimizar
os efeitos lesivos sobre os tecidos normais.
- Os
tratamentos paliativos do câncer de mama são freqüentemente
ministrados em conjunto com a equipe especializada em
câncer de mama, a fim de melhorar a qualidade de vida
da paciente.
Fonte:
Revista ISTOÉ - Guia da Saúde Familiar -
Volume 14 - 02/2002
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