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Câncer de mama

O câncer de mama afeta mais mulheres do que qualquer outro tipo de câncer: O risco de uma mulher desenvolver um câncer de mama dobra a cada dez anos e é, na verdade, muito raro em mulheres jovens.

A despeito do fato de sua relativa raridade em mulheres jovens, o câncer de mama é a causa mais comum de morte em mulheres entre 35 e 50 anos, embora seja verdade que muitas mulheres, incluindo aquelas abaixo de 50 anos, são diagnosticadas e tratadas com sucesso. Também vale a pena lembrar que de cada dez nódulos de mama encontrados, nove são benignos. Para os que são malignos ou cancerosos, quanto mais precoce o diagnóstico e tratamento, maior será a chance de sobrevivência da mulher.

Por que o câncer é um problema?

Em um dado momento, há um grande número de células no corpo humano que estão crescendo, mas o seu crescimento é cuidadosamente controlado, de forma que o número de células produzidas é igual ao das que estão morrendo. O câncer consiste em células que estão crescendo e se dividindo a um ritmo maior do que as que estão morrendo, assim, o grupo de células que forma o nódulo aumenta desordenadamente, à medida que o nódulo aumenta de tamanho, algumas de suas células adquirem a habilidade de se destacar dele, através da corrente sangüínea, atingir outras partes do corpo. A isso se dá o nome de espalhamento (metástase) do câncer e algumas das células que atingem a corrente sangüínea vão formar novos nódulos em diferentes áreas do corpo. No caso de as células cancerosas crescerem em áreas importantes do corpo, como os pulmões, o fígado ou o cérebro, ou se as células envolveram um grande número de ossos, então elas podem causar problemas muito graves.

Quais são os fatores de risco?

Não é de uma tarefa fácil tentar determinar qual é o nível do seu risco pessoal porque há muitos fatores envolvidos na determinação de quem vai ter câncer de mama. De qualquer maneira, um indivíduo tem pouco ou nenhum controle sobre a maioria dos fatores de risco. Se você tem um risco maior do que a média, o melhor a fazer é aproveitar-se dos programas de exames especiais e consultar um médico assim que note algum problema.

Mesmo que você saiba ser mais suscetível ao câncer de mama do que a sua vizinha, qualquer nódulo que identificar será muito mais provavelmente benigno do que maligno.

Os especialistas organizaram uma lista de fatores que parecem predispor uma mulher ao câncer de mama, mas é bom ter em mente que mesmo que todos eles sejam relevantes para uma determinada mulher, ela pode nunca vir a ter o câncer.

- Envelhecimento. Um maior número de mulheres nas faixas etárias mais avançadas desenvolve câncer de mama, dobrando o risco a cada dez anos de idade.

- Quando os seus períodos começam e terminam. Começando cedo e terminando além dos 55 anos parece estar associado a um maior risco.

- Adiamento da gravidez. Mulheres que não engravidaram senão após os 30 anos ou que nunca tiveram filhos têm um risco maior do que aquelas que engravidaram pela primeira vez durante a adolescência.

- Amamentação. Uma mulher que amamentou um ou dois filhos tem um risco menor do que a que nunca o fez.

- Células anormais da mama. Constatou-se que algumas mulheres que tiveram um problema não canceroso, tinham células anormais na mama que as predispunham a desenvolver câncer posteriormente. Embora isso não seja comum, uma mulher com essa anomalia, chamada hiperplasia atípica, vai ter de fazer exames regulares. Outros tipos de problemas não-cancerosos da mama não aumentam o risco de desenvolver câncer.

- Peso em excesso. Peso em excesso 1,5 vez a média para a sua altura aumenta o risco de câncer de mama. Há também uma relação entre o hábito de seguir dieta rica em gorduras e câncer de mama, mas ninguém sabe por que isso acontece.

- Beber e fumar. Alguns estudos mostraram uma ligação entre o câncer de mama e a ingestão de grandes quantidades de bebidas alcoólicas; mulheres que não bebem ou bebem moderadamente têm um risco menor. O tabagismo não foi diretamente ligado a um aumento do risco de ter câncer de mama, mas os seus efeitos sobre outras doenças e o bem-estar geral não podem ser desprezados.

- A pílula. Há um pequeno aumento do risco para mulheres que estejam tomando anticoncepcionais orais. O risco é passageiro e desaparece dez anos após a interrupção da pílula.

- Terapia de reposição hormonal. Nos dez primeiros anos, os benefícios para a saúde são maiores do que o pequeno aumento do risco para o câncer de mama, mas depois disso os riscos tornam-se mais importantes. Uma mulher de 50 anos, nos próximos 20 anos, terá uma chance em 22 de desenvolver um câncer de mama, que aumenta de uma para 20 se ela faz terapia de reposição hormonal (TRH) por dez anos. O risco aumenta para um para 17-18 com 15 anos de uso.

Relação da TRH com o câncer de mama
A incidência de câncer de mama em mulheres de mais de 50 anos e sob TRH aumenta com a duração do tratamento
Tempo no TRH Câncer extra nas usuárias de TRH
Nunca
5 anos
10 anos
15 anos
-
2 por 1.000
6 por 1.000
12 por 1.000

A decisão de continuar a TRH além dos dez anos é individual, cabe a cada mulher julgar os prós e contras no seu caso. Para mulheres com uma importante história familiar de câncer de mama, a terapia de reposição hormonal só é indicada se ela está tendo problemas muito graves com sua menopausa.

- História familiar. Uma em cada 10 mulheres que desenvolve câncer de mama herdou algum tipo de anormalidade genética que a tornou mais suscetível. Há várias maneiras de identificar mulheres com esse tipo de risco.

Se você consultou seu médico por causa de um problema com a mama e sabe que muitas pessoas de sua família tiveram câncer de qualquer tipo, é importante obter o máximo de informação sobre o que aconteceu com elas. Seria útil saber o tipo de câncer, em que idade o desenvolveram e, se for o caso, em que idade morreram.

Um gene para o câncer pode ser herdado de qualquer um dos pais, mesmo que nenhum deles tenha desenvolvido a doença. Não se sabe ao certo qual é o número de genes para o câncer de mama, mas até agora já foram identificados cinco. Cerca de um em cada três casos de câncer de mama parece ser devido a uma anormalidade em um gene conhecido como BRCA-1 e a mesma proporção a um outro gene conhecido como BRCA-2, com outros três genes e um número ainda desconhecido de outros, sendo responsáveis pelo resto.

Câncer de mama em famílias
Algumas mulheres têm uma probabilidade maior do que a média de desenvolver câncer de mama devido a alguma anomalia em seu material genético. O risco aumenta nas condições seguintes:
  • Vários membros da família têm ou tiveram câncer de mama.
  • Ela tem parentes que tiveram câncer de mama em idades abaixo de 50 anos: quanto mais cedo a ocorrência, maior é a probabilidade que de deve a um fator herdado.
  • Ela tem parentes que tiveram câncer nas duas mamas ou que tiveram alguns outros tipos de câncer; particularmente dos ovários, do cólon e da próstata, enquanto jovens, os quais podem depender do mesmo gene que causa o câncer de mama.

Atualmente apenas alguns centros estão capacitados a realizar os testes para genes anormais. Para que uma mulher possa fazer o teste, o médico tem de provar que alguma pessoa de sua família teve câncer de mama e uma anormalidade genética.

Mulheres provenientes dessas famílias de alto risco terão a oportunidade de descobrir se estão carregando o gene anormal e com o risco aumentado. A presença do gene anormal significa que há de 60% a 85% de chance de desenvolver um câncer de mama em alguma época de sua vida.

Antes de optar por um teste genético, a mulher deve saber que se um gene anormal for encontrado ela poderá ter dificuldades de fazer um seguro de vida (ou mesmo uma hipoteca). Esta é a razão pela qual se oferece um aconselhamento antes e depois do teste.

História familiar e incidência de câncer de mama

O câncer de mama pode afetar gerações sucessivas na mesma família, sugerindo uma forte influência de um fator hereditário. Diante de sua história familiar, a mulher na base festa árvore familiar decidiu submeter-se a testes genéticos.

Comprovada a existência de um gene anormal a mulher pode querer tomar algumas providências para reduzir o risco do desenvolvimento de um câncer de mama. Isto vai implicar um início em um programa de exames numa idade mais precoce ou, se o risco for muito grande devido à história familiar, ela pode optar uma mastectomia bilateral com cirurgia reparadora ou ainda inscrever-se em grupos experimentais para medicamentos com potencial de prevenir o desenvolvimento de câncer de mama.

Como se pode ver, há muito pouca coisa que se pode fazer para evitar muitos fatores de risco. Em todo caso, é bom perder peso se for necessário e cortar a gordura da dieta o que, além de diminuir o risco de câncer de mama, faz nem ao seu coração.

Como se faz um diagnóstico?

A primeira indicação de que alguma coisa está errada pode ser notada pela própria mulher quando encontra um nódulo ou uma alteração na mama ou pelo clínico ao examinar a mamografia. É muito importante que você aprenda a sentir as suas mamas de modo a poder identificar qualquer alteração nelas. Qualquer mudança encontrada deve ser comunicada imediatamente ao seu médico.

Ao encontrar um nódulo ou qualquer outra alteração na mama, a mulher tem toda a razão de ficar preocupada, mas quanto mais rápido ela fizer um exame adequado, melhor será.

Pontos centrais

  • O câncer de mama afeta 37 entre 100 mil mulheres no Brasil.
  • A probabilidade de uma mulher ter um câncer de mama dobra a cada dez anos de vida.
  • Até 10% das mulheres que têm câncer de mama herdaram um gene que aumenta a probabilidade de desenvolver esta condição.
  • As mulheres com maiores riscos podem se beneficiar de exames periódicos a partir de uma menor idade.
  • Os testes genéticos não estão universalmente disponíveis e não são fáceis de ser realizados.
  • Para os primeiros dez anos de TRH, os benefícios superam o pequeno aumento no risco de vir a ter um câncer de mama.

Fonte: Revista ISTOÉ - Guia da Saúde Familiar - Volume 14 - 02/2002


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