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A importância dos ovários e do útero para a mulher

Jovens ou maduras, com ou sem filhos, muitas mulheres deparam com o drama de perder os órgãos que são palco de algumas das funções mais importantes na vida de uma mulher, a maternidade e a produção dos hormônios da feminilidade. Muitas vezes essas cirurgias são realmente necessárias, mas os médicos estão cada vez mais criteriosos na indicação. A cirurgia de retirada do útero deve ser a última saída. Estima-se que 200 mil brasileiras percam o útero anualmente. Nos Estados Unidos, há um exagero ainda maior de indicações. São mais de 700 mil cirurgias, a maioria delas desnecessária.

A mulher já vem ao mundo equipada com milhares de folículos responsáveis por liberar os óvulos durante a sua vida fértil. Nesse período, uma afinada orquestra hormonal prepara o corpo para a fecundação, em um ritual que se repete a cada mês. Tudo sob a responsabilidade dos ovários. São eles que fabricam os hormônios sexuais reguladores do ciclo (o estrogênio e a progesterona). Mas o papel dessas substâncias vai além de garantir as condições para a maternidade.

O estrogênio, por exemplo, é o hormônio feminino por excelência. Entre outras funções, define um corpo com curvas, mantém a massa óssea e dá sustentação à pele, além de reduzir o colesterol. Sua ausência compromete bem mais do que o sonho de ser mãe. Crescem os riscos de doenças cardíacas e de osteoporose. A vagina fica seca e a libido diminui, prejudicando a vida sexual. A retirada dos ovários leva a uma menopausa precoce com todos seus efeitos.

Já a missão do útero não se limita à nobre tarefa de abrigar uma nova vida nem termina com o nascimento do bebê. O órgão ajuda a manter o assoalho pélvico que dá sustentação à bexiga. Sem esse suporte, há risco de surgir uma incontinência urinária, por exemplo. É do útero, também, que partem importantes artérias que alimentam os ovários. Mal nutridos, eles começam a entrar em falência e sua vida útil diminui, em média, seis anos. Por fim, o órgão também serve de passagem para muitos nervos. Quando esse caminho é cortado, podem surgir alterações neurológicas nos genitais.

A idade e o fato de ter ou não filhos – e, claro, o tipo de problema – fazem toda a diferença na escolha do tratamento. E também no dilema enfrentado por médico e paciente. Embora costumem ter caráter benigno, miomas uterinos e cistos no ovário sempre foram os campeões de indicação cirúrgica. Agora, só quando crescem demais ou mudam de aspecto é que se pensa em intervenção. Ainda assim é preciso certeza de que não há outra solução.

Mesmo em casos extremos como câncer, em estágio inicial, pode ocorrer a conservação dos órgãos, se o câncer não for invasivo e a paciente não correr risco de vida. Quando a única saída é cortar o mal pela raiz, vale um acompanhamento psicológico para garantir que a cabeça saia intacta da sala de cirurgia.


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