| Entendendo
a Infertilidade
Introdução
A procriação, talvez, seja o instinto mais
forte que existe entre os animais. Para procriar, os animais
atravessam continentes e as mais diversas adversidades.
Lembrando que também somos animais, fica mais fácil
compreender por que homens e mulheres enfrentam dificuldades
que parecem irracionais aos olhos de outros que não
as experimentaram. Assim, torna-se interessante entender
um pouco os mecanismos que permitem a concretização
do sonho de se ter um filho.
O Trajeto do Espermatozóide
Para ocorrer a gestação há necessidade
do encontro entre gametas masculino e feminino, formando
o pré-embrião e este deve se implantar no
útero. O homem deve contribuir com boa quantidade
e qualidade de espermatozóides para a concepção
natural. Eles são depositados no fundo da vagina
após a ejaculação e devem se mover
rapidamente para o interior do útero; caso contrário,
morrem rapidamente no meio hostil vaginal. A presença
de muco no canal cervical é que permite essa migração
dos espermatozóides. Portanto, o muco deve existir
em quantidade e qualidade favoráveis.
O
útero tem o formato de uma pêra pequena, da
qual foram retirados todo o talo (canal cervical) e a semente
(cavidade uterina), com dois pequenos orifícios ligeiramente
laterais do lado oposto ao talo, em que foram colocados
dois canudos de refrigerante. Tais canudos seriam as tubas,
que têm 7 a 8 cm e chegam muito próximo dos
ovários direito e esquerdo. O ovário tem o
tamanho de uma azeitona. Então, existe um trajeto
único que se inicia na vagina passa pelo interior
da "pêra", onde se duplica, podendo ir para
um ou outro ovário: É o caminho do espermatozóide,
que deve se encontrar com o óvulo produzido pelo
ovário. Fatores que interfiram nesse percurso podem
impedir a gestação.
Fatores
que interferem no trajeto dos espermatozóides

Na ejaculação, os espermatozóides microscópicos
(mais de 20 milhões/ml) são eliminados em
meio à grande quantidade de líquido seminal
(1,5 a 5ml). Obstáculos no trajeto da vagina até
os ovários podem impedir o encontro de ume deles
com o óvulo. Assim, podem enumerar alguns deles:
muco hostil ou em pequena quantidade, pólipos ou
miomas, laqueadura tubária. A laqueadura impede a
passagem dos espermatozóides através das tubas.
Pólipos e miomas são tumores benignos que
podem se localizar no canal cervical, funcionado como "rolha"
ou no interior do útero, dificultando a passagem
dos espermatozóides ou a implantação
embrionária. Os espermatozóides devem encontrar
o muco cervical e subir útero adentro. O muco fica
propício 2 a 3 dias antes da ovulação
e deixa de o ser um dia depois dela. Tal variação
cíclica mensal é dependente do hormônio
feminino que age no canal cervical. Portanto, alterações
hormonais podem interferir na migração espermática.
Hormônios,
Substâncias Essenciais à Reprodução
Hormônios
são substâncias produzidas por glândulas,
transportadas diluídas no sangue para atuar em órgãos
distantes. Assim, o hormônio feminino (estrogênio),
produzido pelo ovário, age no útero fazendo
aumentar o muco cervical, que pode até a sair pela
vagina (aspecto semelhante ao da clara de ovo). O estrogênio
vai aumentado desde o início da menstruação
até a ovulação (14 ° dia do ciclo),
que é o período fértil e depois diminui.
Ele age na camada interna do útero (endométrio),
tornando-a mais espessa para que, após a ovulação
a progesterona (produzida pelo ovário) deixe o endométrio
receptivo ao embrião. Para haver produção
de estrogênio pelo ovário é necessário
o hormônio folículo estimulante - FSH, produzido
pela glândula hipófise, que se localiza próximo
ao cérebro, que depende do homônio liberador
de gonadotrofina - GnRH, outro hormônio, produzido
por outra glândula, o hipotálamo, próximo
da hipófise. O GnRH libera o FSH, fazendo com que
o ovário produza estrogênio, que age no útero
até a ovulação, no 14° dia. A ovulação
é deflagrada graças a outro hormônio,
o luteinizante LH.
Com
estas explicações fica mais fácil entender
que alterações destes hormônios podem
impedir a gestação e, também, que sua
administração controlada pode promover a fertilidade.
Dessa maneira, quando se administra FSH (Gonalâ, Puregonâ,
dentre outros hormônios disponíveis comercialmente),
o ovário responde desenvolvendo os folículos,
dentro dos quais estão os óvulos. O médico
faz o seguimento do desenvolvimento folicular por meio da
dosagem de estradiol (um tipo de estrogênio) e/ou
de medida dos folículos.
Quando estes atingem 17 a 19 mm, administra-se a gonadotrofina
coriônica humana - hCG, substância semelhante
ao LH, que promove a maturação final dos óvulos,
provocando a ovulação 40 horas após.
Para realização do "bebê de proveta",
retiram-se os óvulos 4 a 6 horas antes da ovulação,
por punção ultra-sonográfica dos ovários.
Fatores que Comprometem a Fertilidade e Seus Tratamentoss
Qualquer
defeito no funcionamento do sistema reprodutor pode causar
a infertilidade. O mau funcionamento pode decorrer do envelhecimento
ou de alterações hormonais ou anatômicas.
É óbvio que o mais difícil de ser resolvido
é o envelhecimento, como o que pode ocorrer com qualquer
máquina. As alterações hormonais geralmente
são solucionadas com
tratamento clínico e as anatômicas, por intermédio
de cirurgias.
As cirurgias visam facilitar o encontro do espermatozóide
com o óvulo ou possibilitar a implantação
embrionária no útero, bem como o seu desenvolvimento.
Portanto, elas objetivam a recuperação funcional
e anatômica de órgãos genitais e estruturas
próximas. Outra forma de tratamento consiste em uma
série de técnicas segundo as quais se trabalha
os espermatozóides e/ou óvulos para melhorar
as chances de gravidez, denominadas técnicas de reprodução
assistida: não há relação sexual
e o sêmen é obtido de masturbação.
Na
inseminação intra-uterina, os espermatozóides
são introduzidos no útero com ajuda de uma
sonda que transpassa o canal cervical. Portanto, está
indicada para problemas no trajeto do espermatozóide
para o interior do útero. No caso do "bebê
de proveta" (fertilização in vitro -
FIV), os espermatozóides são colocados junto
com os óvulos numa incubadora, para que ocorra a
fertilização, sendo que o produto (pré-embrião)
colocado no útero, também com a ajuda de uma
sonda. Esta técnica é indicada principalmente
quando existe problema nas tubas.
Quando os espermatozóides estão "fracos",
introduzidos nos óvulos graças a um moderno
microscópico (micromanipulador), provocando a fertilização
(injeção intracitoplasmática de espematozóides
- ICSI). Na execução de técnicas de
reprodução assistida, faz-se a hiperestimulação
ovariana controlada com medicamentos (gonadotrofinas), para
aumentar o número de óvulos obtidos, aumentando
a chance de transferir pré-embriões de qualidade.
A mulher que menstrua normalmente tem um indicativo de que
seu sistema reprodutor está funcionando, possibilitando
a concepção. As alterações nos
mecanismos reprodutivos podem ser diagnosticadas e corrigidas
pela medicina reprodutiva.
Fonte:
Dr. Joji Ueno - 2003 - GERA –
Equipe de Apoio ao Ginecologista
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