Câncer: Ainda é
possível ter filhos?
Muitas
vezes, quando uma pessoa descobre que tem câncer,
o questionamento é imediato, tanto sobre a própria
doença como sobre o seu futuro. Dúvidas freqüentes
como: Será que tenho chance de recuperação?
Meu tratamento dará certo? vêm à tona.
Porém, existe uma questão que ainda não
é lembrada: a preservação da fertilidade
futura. As reações adversas provocadas pelo
efeito da quimio e/ou radioterapia podem ter caráter
reversível e temporário, listando-se entre
elas, vômitos e enjôos, queda de cabelo, diarréia
etc.
Estes sintomas
aparecem durante o período de tratamento, e variam
de acordo com o medicamento e o paciente. Por outro lado,
a infertilidade, muitas vezes de caráter permanente,
parece ser o preço para o tratamento curativo contra
o câncer. Mais de 90% dos pacientes do sexo masculino
apresentam um quadro de azoospermia (ausência de espermatozóides
no sêmen) poucas semanas após o início
da quimioterapia. Dependendo do tipo de tumor e do tipo
de quimioterapia, as chances de voltar a produzir espermatozóides
variam de 20 a 67%. No caso de câncer de testículo,
por exemplo, 2/3 dos pacientes voltarão a ser férteis
após 2-3 anos do término do tratamento. Todavia,
1/3 dos pacientes permanecerão com esterilidade permanente.
Em mulheres, a esterilidade, quase sempre definitiva, vem
adquirindo grande importância como efeito secundário
da quimioterapia e irradiação abdominal.
Os efeitos
esterilizantes dos tratamentos oncológicos podem
resultar tanto em perda da função uterina
normal como na destruição total ou parcial
da reserva de óvulos existentes no ovário.
Além da infertilidade, existe também um grande
risco destas pacientes, principalmente com idade superior
a 30 anos, apresentarem um quadro de menopausa precoce.
O que a maioria
das pessoas ignora é que existe a possibilidade de
preservar a capacidade reprodutiva antes dos tratamentos
quimioterápicos e/ou radioterápicos, através
do congelamento de gametas: a Criopreservação
Terapêutica de Gametas.
A pouca informação sobre os resultados alcançados
em Medicina Reprodutiva limita os oncologistas sobre o aconselhamento
de seus pacientes e de suas chances de recuperação
da fertilidade por meio das técnicas de Reprodução
Assistida.
É importante que esta questão seja apresentada
aos pais, para que estes possam tomar suas decisões.
Infertilidade
masculina
Câncer
de testículo é o tumor maligno mais freqüente
entre homens com idade variando entre 15 e 35 anos. Como
a predominância deste tipo de tumor é em pacientes
jovens que ainda não têm família constituída,
a infertilidade que pode ser conseqüente da quimio
e/ ou radioterapia, deve ser discutida anteriormente ao
início do tratamento e a criopreservação
terapêutica de sêmen deve ser levada em consideração.
Caso o paciente
decida pela preservação de sua capacidade
de procriar, antes do início do tratamento oncológico,
será feita uma avaliação médica,
com exames físicos e esclarecimento de suas possíveis
dúvidas. A partir de uma coleta seminal, é
realizada uma análise para verificar a concentração
e a mobilidade dos espermatozóides. Logo após,
uma parte do material é congelada e descongelada
após 24 horas, a fim de conhecer o comportamento
do sêmen frente ao processo de congelamento e determinar
o número de coletas necessárias para cada
paciente.
Outra possibilidade
é a criopreservação de material extraído
cirurgicamente do testículo através de técnicas
apropriadas. Este procedimento é mais complexo, realizado
em ambiente cirúrgico, com anestesia (local ou geral)
e a presença de profissionais especializados.
Infertilidade
feminina
O
congelamento e o armazenamento de tecido ovariano representa
uma promissora alternativa para a preservação
da fertilidade feminina, podendo ser aplicada em pacientes
de qualquer faixa etária.
Esta tecnologia
consiste em congelar pequenos fragmentos do ovário,
que contêm os óvulos no estágio mais
primitivo e indiferenciado. Os fragmentos são retirados
através de uma cirurgia chamada vídeolaparoscopia,
realizada por pequenas incisões no abdômen.
Assim, como a recuperação cirúrgica
de espermatozóides, este procedimento também
exige a presença de profissionais qualificados.
A utilização
futura deste material está sendo amplamente discutida
e analisada.
O tecido, quando descongelado, tanto pode ser transplantado
novamente para a paciente, como pode ser submetido a uma
técnica laboratorial de amadurecimento in vitro.
Para Maiores
Informações, sempre consulte seu médico.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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