
Abortamento habitual
O
termo abortamento habitual é utilizado para designar
aqueles casos nos quais a paciente é vítima
de três ou mais abortos espontâneos consecutivos,
devendo submeter-se a uma investigação diagnóstica.
O aborto habitual será secundário em caso de
parto anterior, caso contrário, usa-se o termo aborto
habitual primário.
Causas Funcionais
Abortamento
genético
É
um abortamento espontâneo que tem como causa a improdutibilidade
da genética da mãe, na maioria, defeitos na
gametogênese ou na fertilização, o que
impossibilita o desenvolvimento normal do embrião
e suas membranas. Ocorre sem interferir no fenótipo,
bem como ocorre esporadicamente.
O que pode ser feito pelo médico da paciente é
uma investigação de infertilidade, observando
o cariótipo do casal para tentar afastar essa condição
de abortamento.
Fatores
endócrinos
Apesar
dos fatores endócrinos possuírem uma implicação
na infertilidade, seu papel no aborto espontâneo de
repetição não é tão óbvio.
A idéia de que fatores endócrinos estão
envolvidos na perda gestacional vem da observação
de que os hormônios produzidos pelo corpo são
necessários para a reprodução.
Outras anormalidades hormonais têm sido associadas
com o abortamento habitual. Entretanto, a verdadeira contribuição
de uma alteração hormonal específica
na perda reprodutiva de repetição é
difícil de ser estimada, pois uma relação
causa-efeito não está bem estabelecida. Causas
hormonais potenciais para o abortamento espontâneo
incluem a diabetes mellitus, tireoideopatia, e defeito da
fase lútea.
O tratamento para o abortamento endócrino, consiste
na suplementação de progesterona.
Abortamento
imunológico
É
a interrupção precoce de muitas gestações
por presença de auto-anticorpos maternos associados
ou não a doença auto-imune. O tratamento com
aspirina em baixa dose (80 mg / dia) associada à
heparina desde o período pré-embriatório
até o final do segundo
trimestre, embora não seja uma terapêutica
estabelecida,tem revelado razoáveis resultados nas
pacientes que tiveram redução nos níveis
de anticorpos.
A imunoglobulina por via intravenosa também tem sido
uma possível solução.
Abortamento imunológico aloe-imune
A
alo-imunidade tem sido responsável por cerca de cinqüenta
por cento dos abortamentos habituais cuja investigação
não revelou uma causa aparente. A pesquisa do fator
alo-imune pode ser feita por cultura mista de linfócitos,
com identificação de fator inibidor materno
contra linfócitos do parceiro e reação
de prova cruzada por microlinfocitoxicidade. A prova cruzada
entre soro materno e linfócitos do parceiro negativo,
sugere incompatibilidade alo-imune.
Os melhores resultados no tratamento do abortamento de causa
imunológica, em que pese a pouca experiência
ajuntada e a necessidade de estudos mais precisos, tem sido
com a imunização materna com concentrado de
linfócitos do parceiro, através de injeções
intra-dérmicas, realizadas em duas ocasiões,
com intervalo de seis semanas, na vigência de anticoncepção.
Causas Anatômicas
Mioma
uterino
Os
miomas uterinos podem determinar abortamento de repetição,
quando deformam significativamente o útero, ao impedir
a adequada implantação do embrião e
seu conseqüente desenvolvimento. A cirurgia representa
o principal tratamento nos casos bem caracterizados.
Aderência
intra-uterina
Também
conhecida como sinéquia intra-uterina, ocorre, principalmente
após os procedimentos intra-caitórios, como
curetagens uterinas, quase sempre após abortamento
ou parto.O prognóstico é mais reservado, quanto
mais extensa a área aderida e se comprometidos os
óstios tubários. Estes devem consistir na
ruptura histeroscópica, sendo recomendável
a inserção de DIU e estimulação
endometrial com associação de estrogênio
e progestínico por três ciclos.
Malformações
Mullerianas
Algumas
mulheres apresentam, já ao nascimento, malformações
uterinas variadas, como o chamado útero septado e
útero infantil. Os dois casos são de fácil
diagnóstico, sendo que no primeiro, o tratamento
cirúrgico é a opção de escolha.
Já o caso de útero infantil necessita de tratamento
mais complicado e longo, com utilização de
medicamentos variados.
Insuficiência istmo-cervical
Consiste
no comprometimento do sistema de contenção
conjuntivo-muscular existente na transição
do orifício interno do colo para o istmo uterino,
que funciona como um diafragma destinado a manter o saco
embrionário em seu local de implantação.
Quando ocorre a perda dessa capacidade, que pode ser de
natureza congênita ou causada por traumatismos no
orifício interno do colo, como dilatações
e amputações cervicais, a expulsão
do feto é silenciosa, com discreta dor e perda sangüínea
mínima.
A
interrupção ocorre, geralmente, após
a décima oitava semana, havendo a repetição
do abortamento obrigatoriamente em todas as gestações,
na insuficiência istmo-cervical genuína.
O
tratamento é feito, apor meio da circlagem cérvico-uterina,
que consiste no fechamento do orifício interno do
colo, por meio de um fio de sutura. Existem também
outras técnicas alternativas, como as de Aquino Sales,
com pontos paralelos em U e a de Wurm, com pontos em U,
cruzados (um antero-posterior e outro látero-lateral).
As técnicas supra-vaginais são reservadas
para amputações extensas do colo que dificultam
a circlagem intra-vaginal. Recomenda-se repouso nas primeiras
24h e acompanhamento rigoroso até 38a
semana, quando o fio da circlagem será removido.
Importante
Alguns
pontos devem ser considerados pelo médico quando
se defronta com pacientes portadoras de abortamento habitual.
O primeiros é a necessidade de rastrear todas as
possíveis causas, mesmo tendo um diagnóstico
já firmado, antes da liberação para
tentativa de uma nova gravidez. O segundo é a necessidade,
em pacientes inférteis de investigar desde o primeiro
abortamento, tomando, assim, todas as medidas preventivas
nestes casos
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
|