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Para o dependente, a história é a mesma

50% dos acidentes com vítimas fatais são causados pelo álcool. Fonte associação brasileira de acidentes e medicina de tráfego 70% dos indivíduos que não usam camisinha nas relações sexuais alegam que estavam alcoolizados. Fonte: Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Unifesp

A linha que divide o beber sociável do vício não é nítida. O bebedor só descobre que ultrapassou a fronteira a quilômetros dela. "Quando abri os olhos, estava atolado até as sobrancelhas", relata o paulistano Paulo Bastos, 66 anos, policial aposentado que atualmente se encontra em recuperação. "Os amigos já não me convidavam para as festas."

Para quem quer dar meia-volta existem terapias, substâncias que provocam mal-estar em contato com o álcool e homeopatia. E, a partir deste ano, o dependente passa a contar com dois novos medicamentos - um para tirar a vontade e outro para eliminar o prazer de um drinque.

Fabrício Gulmini Cano começou a beber aos 12 anos. "Eu olhava meu pai tomando cerveja em casa e queria ser como ele", conta. Há dois anos, o hábito precoce começou a deixar feridas. As mãos formigavam, as lembranças do dia anterior evaporavam e a bronquite voltava. Hoje Fabrício tem 21 anos e está internado no Centro de Tratamento Bezerra de Menezes, em São Bernardo do Campo, São Paulo.

A partir deste ano, os médicos brasileiros poderão receitar dois novos remédios capazes de aumentar as chances de sucesso de gente como Fabrício. Um deles, o naltrexone, começou a ser vendido no país em janeiro. Ele bloqueia a sensação de prazer provocada pelo álcool. Sem ela, beber perde completamentea graça. "Foi o primeiro remédio para a dependência alcoólica lançado em 50 anos", comemora o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo.

Sem vontade

O segundo medicamento chegará ao Brasil no segundo semestre. Chamado acamprosato, ele já é conhecido na Europa há mais de cinco anos. Sua ação também se desenrola no cérebro, onde elimina a vontade de beber. Em um estudo conduzido na Universidade da Califórnia, Estados Unidos, receitou-se o remédio para 250 pacientes freqüentadores dos Alcoólicos Anônimos. "Após seis meses, 70% dos voluntários largaram decididamente a bebida", relata João Chequer, psiquiatra brasileiro que foi um dos coordenadores da pesquisa. "A droga tem a vantagem de não ser tão tóxica quanto os aversivos." O médico se refere a um grupo de medicamentos que provoca mal-estar toda vez que seus consumidores pedem uísque ou algo semelhante no lugar de água ou suco.

Convivência pacífica

Durante décadas, os aversivos, os antidepressivos e os remédios homeopáticos foram as únicas saídas nas farmácias. Os tiros dos aversivos às vezes escapam pela culatra: "Poucas pessoas topam ingerir algo que vai fazê-las sentir náuseas no caso de uma recaída", afirma o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, de São Paulo, especialista em dependência. Já os antidepressivos servem para quem procura um consolo na bebida. "Dos casos de alcoolismo, 44% são causados pela depressão", diz Silveira.

A homeopatia tem o seu arsenal próprio. "Ela ajuda a equilibrar o paciente", afirma Fátima Mendes, médica que trata de viciados em álcool em Belo Horizonte, Minas Gerais, em um projeto de combate à dependência batizado de Girassol.

Fonte: Revista Saúde é Vida! Maio 2001


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