O
medo nos mantém vivos. Mas, quando é demais, atrapalha.
Saiba o que fazer para que
ele jogue a seu favor Vai passar. Nunca se esqueça disso. O medo é uma preparação
para o desconhecido e evapora quando a situação se torna conhecida. Se você
for falar em público, comece o discurso e tente relaxar - a tensão acaba indo
embora. A dica vale até para pacientes da síndrome do pânico: a crise é horrível,
mas não dura mais que 20 minutos. Os neurônios que a provocam não conseguem
manter-se ativados pôr mais tempo que isso. Quando o medo o incomoda, enfrente-o.
Não adianta fugir todas as vezes que ele aparece. Uma boa dica é ir encarando-o
aos poucos. Pôr exemplo, se seu problema é com alturas, experimente começar
subindo alguns degraus e vá aumentando na medida em que você for ficando mais
seguro.
Não comece pôr um prédio
de 20 andares porque o fracasso só o fará desanimar. Se possível, tente se concentrar
em alguma outra coisa e desvie a atenção do seu cérebro da área primitiva que
controla o medo para a região complexa que rege o raciocínio. Pôr exemplo, comece
a contar os livros na estante ou a pensar em algum problema matemático.
Se o pavor realmente está
atrapalhando sua vida e não melhora de jeito nenhum, então é um transtorno de
ansiedade. Você precisa procurar um psiquiatra e talvez sejam necessários medicamentos.
Arrepio na espinha
O medo não está só na cabeça. O organismo inteiro se modifica ante uma ameaça.
Emoção
Quando um estímulo chega ao cérebro, vai direto à amígdala. Se ela julgar que
se trata de uma ameaça, manda mensagens ao corpo todo, alertando-nos para ficarmos
atentos.
Razão
Só depois que as amígdalas fizeram seu julgamento, o córtex começa a entender
que o estímulo é aquele. Nesse meio tempo, o corpo já está se preparando para
lutar ou fugir.
Panorama
As pupilas se dilatam, o que tira a capacidade de reparar mais detalhes, mas
dá uma visão mais geral, ideal para percebermos os riscos e as rotas de fuga.
Força
O coração acelera para que o sangue se espalhe mais rápido, levando nutrientes.
No pulmão, os bronquíolos se dilatam para nos dar mais oxigênio.
Energia I
O corpo começa a quebrar gorduras, que são eficientes depósitos de energia.
Pode ser útil para ajudar numa fuga ou num enfrentamento.
Energia II
O fígado quebra os açúcares para produzir energia. Os rins produzem adrenalina,
que contrai os vasos sanguíneos, fazendo com que o sangue circule mais rápido.
Diarréia
O sangue deixa o intestino para se concentrar no cérebro e no coração, onde
é mais necessário. O desarranjo que se segue a um susto pode estar ligado a
isso.
Reação
Com mais energia e oxigênio, os músculos ficam prontos para reagir, usando o
máximo de sua capacidade. Ficamos mais fortes.
Nada é de graça
Fobias são medos exagerados que incomodam muito quem sofre com elas. Mas todas
nasceram de medos sem os quais a espécie humana não sobreviveria.
Fobia de lugares abertos
A agorafobia, que, em geral, está associada à síndrome do pânico, pode ser explicada
pela necessidade dos antigos humanos de evitar lugares onde ficassem expostos
a predadores como os grandes felinos, que enxergam melhor do que nós e correm
bem mais rápido.
Fobia de fogo
Bebês temem o fogo, que já queimou muito de nossos ancestrais. Mas enfiam sem
medo o dedo na tomada porque a eletricidade é recente demais para estar gravada
geneticamente na nossa memória evolutiva.
Fobia de altura
Gostamos de lugares altos porque eles nos deixam detectar perigos de longe.
Mas é claro que é útil evitar aproximar-se da beirada de penhascos e precipícios.
Está aí a origem da acrofobia.
Fobia de baratas
Está ligada à aversão à sujeira, que certamente já livrou muitos humanos de
doenças.
Fobia de lugares fechados
Hoje esse medo é quase inútil. No passado, evitava que os homens ficassem acuados,
sem ter como fugir dos inimigos.
Fonte: Revista Super
Interessante - Ano 14 - Nº 10 - Outubro/2000