Hipocondria
Quando
a fixação por remédios se torna uma disfunção
Em qualquer
lugar que você vá, leva junto algum remédio?
É só sentir uma dorzinha ou um pequeno mal-estar,
para marcar logo uma consulta com o médico? Tem mania
de comprar remédios na farmácia, para o caso
de algum dia precisar? Esses são alguns sinais que
denotam um hipocondríaco.
Como regra
geral, quem tem hipocondria se sente mais à vontade
quando está às voltas com o mundo das doenças,
em vez de se concentrar no próprio bem-estar. É
um comportamento muito diferente daquela preocupação
ou cisma passageira, que muitas pessoas têm com algum
sintoma ou dor e decide procurar um especialista para tirar
a dúvida.
Principais
sintomas do hipocondríaco:
- Grande sensibilidade
para identificar movimentos, barulhos e outros sinais do
corpo que passariam despercebidos para a maioria das pessoas.
- Dar importância
demais a qualquer sinal físico ou dor.
- Impressão
de que qualquer dorzinha ou desconforto é sinal de
doença grave.
- Tomar remédios
com freqüência, sem prescrição
médica.
- Ter necessidade
de consultar vários médicos, apesar de vários
deles terem feito o mesmo diagnóstico com base nos
resultados dos exames.
- Viver com
a suspeita constante de ser portador de alguma enfermidade
grave.
A vista do perigo da hipocondria
A maioria
das pessoas que sofre de hipocondria são pessoas
de personalidade carente e com tendência à
depressão e ansiedade. A tendência de se automedicar
tende a agravar ainda mais o quadro da doença. Um
dos riscos é misturar substâncias que não
combinam e, com isso, desencadear vários efeitos
colaterais.
O excesso de
remédios também pode provocar intoxicações
e até matar. A insônia, a enxaqueca e a labirintite,
por exemplo, estão entre as queixas mais comuns das
pessoas com hipocondria. Por isso, muitos hipocondríacos
freqüentemente acostumam tomar comprimidos para dormir
e antidepressivos. O problema, nesse caso, é criar
dependência: dificilmente essas pessoas conseguem
se livrar dos medicamentos depois. A hipocondria não
é considerada uma doença pela Organização
Mundial de Saúde, porque não apresenta um
conjunto claro de sintomas. Classificada como uma disfunção,
atinge mais de 1% da população mundial.
A hipocondria
e os médicos
Em geral,
o hipocondríaco chega no consultório com uma
pasta enorme onde guarda seus exames. Ele não sabe
o que procura. Busca uma doença. E neste momento
o médico pode cometer negligência, a qual se
deve às atuais condições de atendimento.
Por ter pouco tempo para a consulta, o médico mal
ouve o paciente, optando por fazer uma bateria de exames
para diagnosticar a “doença”. Sem encontrar
nada de errado, ele prefere encaminhar o caso para outro
especialista. E assim o hipocondríaco inicia a peregrinação
por consultórios. Felizmente, há esperança
de que isso mude. Pouco a pouco, os médicos estão
modificando sua atenção ao paciente, procurando
entender toda a dimensão psíquica. A hipocondria
vai além do transtorno.
Cada vez mais
o corpo se presta a uma forma de representação,
um modo de comunicação. Muitas dificuldades
na vida se manifestam por via corporal. Quando a pessoa
passa a se sentir doente, sem razão para tal, é
possível entender o problema como um pedido de atenção.
O ideal seria que o médico perguntasse a história
de vida desse paciente. Desse modo, o profissional pode
descobrir que as queixas nasceram de uma experiência
marcante e mal resolvida. Ou seja, se a pessoa evita lidar
com o problema, talvez o corpo seja obrigado a se expressar.
E na forma de dor.
Tratamentos
e a Cura
Dependendo
da gravidade do caso é aplicado um determinado tratamento,
por isso a urgência em procurar um especialista. Quando
o psiquiatra ou psicólogo descobre que a disfunção
está associada a algum tipo de depressão,
pode combinar a psicoterapia com o uso de medicamentos antidepressivos.
Os resultados podem vir a médio prazo (1 ano) ou
demorar bastante (mais de 2 anos). Tudo vai depender do
diagnóstico preciso e da vontade da pessoa de se
tratar.
Mesmo quem
não sofre de hipocondria pode ficar mais sensível
às alterações que ocorrem no organismo
e se impressiona com elas em algum momento da vida. São
episódios breves, que provavelmente estão
relacionados com oscilações de humor ou dos
níveis hormonais. As mulheres estão mais sujeitas
a esse tipo de comportamento durante a menstruação
ou no período que a antecede, quando ficam supersensíveis.
Atitudes e
emoções podem influenciar na manifestação
da hipocondria.
- Desconfiança
permanente em relação às condições
gerais da saúde.
- Medo constante
de morrer.
- Estados
freqüentes de profunda ansiedade, tristeza ou depressão.
- Compulsão
por conversar com pessoas doentes para comparar sintomas
e mal-estares.
- Sensação
de segurança ao tomar remédios, mesmo sem
a presença de sintomas.
- Sensação
permanente de insatisfação, carência
e desatenção.
- Negativismo
e queixas constantes em relação à
vida.
- Não
deixe momentos de fragilidade e maior sensibilidade do
seu dia-a-dia atingirem seu equilíbrio mental e/ou
espiritual.
Se detectar que está fazendo pouco pelo seu bem-estar,
refaça seu cronograma diário e reserve mais
tempo às atividades que lhe fazem bem. E não
se esqueça que o melhor remédio contra a hipocondria
é saber desfrutar o prazer de viver.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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