São tantas emoções...
Aprenda a se livrar dos rótulos e a conhecer melhor suas emoções. Isso é fundamental para viver com mais qualidade, administrando o estresse no trabalho e entrando em contato com essa pessoa maravilhosa que você é.

Rótulos, adeus
Imagine que suas emoções ou sentimentos são potes ou vidros numa prateleira. Ao longo da vida você aprende a colocar rótulos nessas embalagens: alegria, bom humor e calma recebem etiquetas "positivas". Raiva, irritação e tristeza são classificadas de "negativas". O mesmo se dá com os comportamentos: são positivos aqueles que indicam serenidade, estabilidade, prudência, falar baixo, falar pouco, sorrir muito, não brigar. E são vistas como negativas situações como o estresse, o conflito, a instabilidade.
De tudo um pouco
Não há emoções só boas ou só más, acredite. Nem estresse ou conflito que sejam apenas negativos. Em vez de rótulos, o que esses sentimentos e condições precisam é de medidas. Alegria constante e em excesso pode ser entendida como um problema, capaz de privar a pessoa de senso crítico. Calma demais leva ao marasmo, à estagnação - e tampouco é saudável. Quem nunca se permite sentir raiva pode, segundo os psicólogos, ficar doente ou acabar com depressão.
Tudo muda, o tempo todo
Outro conceito que pode confundir você é a noção de equilíbrio emocional. Ser equilibrado não é sinônimo de alguém estável, que não muda. Equilíbrio, quando se trata de emoções, é flexibilidade, capacidade de se adaptar a situações. Flexibilidade, ensinam os especialistas, é fundamental para poder ver a mesma situação sob diversos ângulos e assim alterar modos de pensar - e de sentir!
Malabarismo com as emoções
Já viu malabaristas, aqueles artistas que equilibram no ar cinco, seis malabares, pratinhos ou argolas, ao mesmo tempo? Você faz isso várias vezes ao longo do dia, com diversas atividades e muitas preocupações... e emoções. Quando se consegue atingir o objetivo - no caso, realizar as várias tarefas na medida do possível e passar por situações diversas durante um mesmo dia de trabalho - pode-se dizer que se está mantendo um equilíbrio. Pelo menos externamente.

Quando os pratinhos caem
Se o equilíbrio desanda, você começa a sentir os efeitos do estresse. Enquanto os pratinhos estavam todos girando no ar, seu organismo estava a todo vapor, dando a energia para você desempenhar suas funções. Quando se interrompe esse ciclo, o organismo não percebe - e continua a funcionar no ritmo acelerado, na maior pressão.
Adrenalina e cortisol
Os geneticistas foram buscar a explicação para esse processo do estresse há centenas de milhares de anos, quando o ser humano vivia nas cavernas, precisava caçar para comer - e também tomar cuidado para não ser a caça.
O mecanismo do estresse disparava quando havia algum perigo iminente e era preciso ter uma reação extremamente rápida e eficiente: lutar ou fugir. Para atender a esse tipo de situação, o cérebro humano é feito para liberar descargas de adrenalina. Esse hormônio aumenta a circulação sanguínea, a pressão arterial, a capacidade de raciocínio, a força muscular e bloqueia a digestão. Outro hormônio liberado pelo estresse é o cortisol. Ele funciona, entre outras coisas, como antiinflamatório: era uma prevenção extra para o caso de o homem ou mulher das cavernas se ferir.
Para o bem e para o mal
O problema é que o estresse aciona dispositivos muito adequados para alguém do tempo das cavernas, mas um pouco excessivos para quem já não resolve diferenças pessoais usando o tacape e nem precisa sair para caçar o almoço.
A vida moderna em sociedade faz sobrar cortisol na corrente sanguínea, o que pode causar insônia, irritabilidade, pensamentos negativos repetitivos, perda de massa muscular, aumento da gordura corporal e inchaço. Com adrenalina demais, o batimento cardíaco se acelera, a pressão arterial tende a subir, os músculos ficam mais tensos, mãos e pés podem ficar suados e frios.
Mas o estresse tem, sim, seu lado positivo. É o mecanismo químico que ele desencadeia que motiva a pessoa a lidar com a situação e ajuda a ter ânimo para ir em frente, pesquisar saídas e novas soluções. Sem esse estímulo, talvez ainda morássemos numa caverna.
Sem estresse, nada feito
Os cientistas avisam: sem estresse não há vida. O ideal é reduzir os efeitos nocivos do estresse, isto é, quando ele é contínuo e o organismo não tem tempo para se recuperar.
Uma das maiores causas de estresse nos dias atuais é o trabalho, quando as exigências do ambiente excedem nossa capacidade de adaptação. Essas exigências costumam estar ligadas, na maioria das vezes, à urgência exigida para cumprir as tarefas, ao excesso de responsabilidade e à falta de apoio.
Mas, talvez, o mais importante fator seja o alto grau de expectativa que temos a nosso respeito. Isso pode ser uma faca de dois gumes: enquanto nos cobramos em demasia e esperamos demais de nós mesmos, estamos nos estressando. E quem sofre de estresse ocupacional não dá conta do trabalho e, geralmente, fica irritável e deprimido.
Insegurança, um veneno
Uma nova chefia, a orientação geral da empresa muda, o colaborador ganha novas atribuições ou seu cargo é redesenhado. Em geral, esse tipo de mudança pode gerar muita insegurança, no início, que leva a momentos de ansiedade e estresse. O que fazer? Mude também: troque o "filtro" por onde você passa esses acontecimentos e comece a vê-los de forma diferente. Valorize o profissional que você é. Nessa situação, o mais importante é não deixar que considerações emocionais (mágoa, orgulho, inveja, rancor etc.) dominem o lado racional. Lembre-se: emoção é uma coisa boa, mas tem medida.
O que está acontecendo comigo?
Exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos. Você sai de férias, mas não descansa. A sensação de angústia, de estar em perigo, desperta todos os dias junto com você, que sente um nó no peito assim que se levanta da cama. Passa o dia agressivo e irritadiço, consumindo-se física e emocionalmente. A mínima faísca, como uma demora em ser atendido numa loja ou restaurante, já se torna um incêndio de grandes proporções.

Pérola: Cuidado com o Burnout! Leia sobre este tema na matéria Burnout: queimando os circuitos.