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O que os homens devem saber

A próstata é uma glândula do tamanho de uma ameixa, encontrada apenas no homem, situa-se abaixo da bexiga onde a urina é armazenada, imediatamente à frente do reto e envolvendo a uretra, por onde a urina é expelida.

É parte do sistema reprodutivo no homem, produzindo parte do esperma, líquido que ajuda a conduzir e manter os espermatozóides.
Três principais condições / problemas podem ocorrer na próstata:

1. Prostatites, que são inflamações ou infecções
2. Hiperplasia prostática benigna, que é o aumento que ocorre em maior ou menor grau com a idade.
3. Câncer

Prostatites

Temos basicamente três tipos de prostatites: aguda bacteriana, crônica bacteriana e crônica não bacteriana (também conhecida como síndrome da dor pélvica).

-A prostatite bacteriana aguda é uma infecção súbita da próstata, acompanhada de variados graus de dificuldade para urinar (pela compressão da uretra), dor para urinar, febre, calafrios e dor perineal.

-As prostatites crônicas também são causadas por bactérias porém tem quadro mais insidioso, muitas vezes caracterizado por infecções urinárias de repetição.

-As síndromes de dores pélvicas (prostatites crônicas não bacterianas) são frequentes e pouco compreendidas, podem aparecer em qualquer idade, os sintomas podem ser recorrentes e não se identificam bactérias que causem essa infecção porém o organismo reage como se a tivesse.

As prostatites não são contagiosas e não são doenças transmitidas sexualmente. Exigem diagnóstico e tratamento específicos

Hiperplasia prostática benigna

Hiperplasia significa aumento e benigno significa que não se trata de câncer. É o aumento no volume da glândula que ocorre naturalmente com a idade (geralmente a partir dos 45 / 50 anos).

Dependendo da forma como ocorre este crescimento ocorre compressão da uretra, por onde a urina passa na micção (figura), o que pode causar problemas conhecidos como “prostatismo”.

O “prostatismo” caracteriza-se pela necessidade de se levantar à noite para urinar, urgência em chegar ao banheiro quando do desejo miccional, episódios de dificuldade em se iniciar a micção (especialmente com a bexiga mais cheia), aumento do número de micções durante o dia, diminuição do fluxo (jato) urinário e aumento do conhecido gotejamento final (perda da força do jato no final da micção).

A hiperplasia pode até comprometer o funcionamento da bexiga (especialmente a complacência que é a capacidade de acomodar volumes de urina com baixa pressão) e também a função renal, podendo inclusive chegar a retenção urinária (não conseguir urinar).

O tratamento inicial freqüentemente é medicamentoso, hoje temos disponíveis drogas muito efetivas. Pode ser necessária desobstrução cirúrgica, quando geralmente por via endoscópica é aberto um túnel através da próstata até a bexiga de modo a permitir micção com fluxo adequado e baixa pressão.

Câncer

O câncer de próstata em sua fase inicial, quando passível de tratamento curativo, não tem quaisquer sintomas. Estes aparecem quando a doença já está disseminada.
Hoje temos o exame de PSA, uma proteína produzida somente pela próstata mas não por células com câncer e sim por células prostáticas normais. Ocorre que as alterações na próstata, decorrentes do câncer, permitem um maior “vazamento” desta proteína para a corrente sanguínea.

Consideram-se “suspeitos” PSA com valores acima de 2,5 e aqueles pacientes com alterações no exame físico da próstata, o toque retal (presença de nódulos ou irregularidades na palpação). Importante ressaltar que cerca de 12 a 25% dos portadores de tumores malignos na próstata não apresentam alteração do PSA e o diagnóstico de câncer é dado pelo exame de toque retal.

Estes pacientes devem ser submetidos à biópsia da próstata (sob sedação) e utilizando-se imagens de ultra-som retiram-se em média 12 a 14 fragmentos para análise.

O rastreamento (exame físico e PSA) deve ser iniciado entre 45 e 50 anos de idade e entre 40 e 45 anos para aqueles com parentes diretos com diagnóstico de tumor, de modo a permitir diagnóstico em fase curativa da doença. Indivíduos que possuem parentes diretos com câncer de próstata tem maior chance de desenvolver a doença.
Para o tratamento do câncer existem várias opções, as quais devem ser discutidas com o seu médico urologista. Em pacientes mais idosos podemos ter apenas observação controlada se tumor com características pouco agressivas.

O tratamento padrão para tumores localizados é a cirurgia, prostatectomia radical, a radioterapia conformal (radioterapia externa) ou a braquiterapia (colocação de sementes radioativas na próstata).

Cada forma de tratamento tem suas vantagens e desvantagens, o médico deve estar familiarizado com todas as técnicas de modo a orientar adequadamente o paciente. As principais complicações são a disfunção erétil e a incontinência, minimizadas com o refinamento das técnicas de tratamento e a precocidade do diagnóstico. Para o câncer avançado também existem formas de tratamento de maneira a retardar a evolução da doença e minimizar seus efeitos deletérios.

Um estudo realizado pelo Hospital Sírio Libanês, durante fórum empresarial com mais de 900 executivos, mostrou que apenas 52% fazem exames periódicos da próstata e apenas 46% destes fazem rotineiramente o toque retal, embora 93% considerem importante a realização dos exames.

Resumindo

A saúde da próstata envolve basicamente dois aspectos: a qualidade da micção e o rastreamento para o câncer.

O tamanho da próstata não é fator importante. O aumento do volume da próstata com a idade não tem nenhuma relação com o aparecimento do câncer.

O exame da próstata (PSA e toque retal) deve ser iniciado entre 40 e 45 anos para aqueles com parentes com problemas de próstata ou entre 45 e 50 anos na população em geral.

O exame de toque retal e PSA são complementares e não excludentes

Wladimir Alfer Jr
Doutor em Urologia FMUSP
Fellow em Urologia Harvard Medical School


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