| História
de casos
História do Caso 1. CÂNCER DA PRÓSTATA.
O
sr. Alan James, um homem de 68 anos, teve uma ressecção
transuretral (RTUP) por causa de uma Hiperplasia Benigna
da Próstata (HBP) há alguns anos. Ele desenvolveu
outros sintomas posteriormente. Quando o sr. James foi examinado,
sua próstata era pequena, mas dura, e o tecido dela
revelou a presença de câncer. Foi planejado
aplicar radioterapia na próstata, mas o rastreamento
osséo mostrou algumas pequenas áreas de câncer
na coluna vertebral. Estes não estavam causando nenhum
sintoma e como sua próstata não lhe estava
causando problema, ele preferiu não ser tratado.
Ele sabia que deveria ser acompanhado de perto, e um urologista
o via a cada poucos meses e seu PSA era medido. Nos 15 meses
ue se seguiram, o seu PSA fir subindo gradativamente e seus
sintomas prostáticos voltaram. Embora o rastreamento
ósseo não tenha se alterado, decidiu-se que
ele deveria iniciar um tratamento hormonal. Uma vez que
ele não queria perder a potência, foi tratado
com flutamida. Os sintomas prostáticos do sr. James
melhoraram e, dentro de três meses, o seu PSA normalizou.
Tudo foi bem por 18 meses quando o PSA começou a
subir novamente. Ele iniciou um tratamento com um análogo
de LHRH e a flutamida foi interrompida. Ele permaneceu bem
e seu PSA caui uma vez mais.
Isto
nos ensina muito a respeito do câncer da próstata.
Como ele desenvolve-se na parte externa da próstata,
uma RTUP para a HBP não significa que o câncer
não possa aparecer mais tarde. Se a doença
é detectada em um estágio inicial, um pequeno
atraso no tratamento não vai importar muito. Isso
reduz os riscos de efeitos colaterais e otimiza a escolha
do tratamento adequado – como ele não queria
perder sua potência, a flutamida foi indicada. Embora
o resultado do tratamento hormonal não seja permanente,
mudar o tratamento às vezes ajuda. Embora o sr. James
tenha tido bastante sorte, ele foi mantido em boas condições
por vários anos, mostrando que mesmo não curado
o câncer de próstata pode ser mantido sob controle.
Uma vez que o tratamento é efetivo, é importante
manter um controle ambulatorial, especialmente quando nunhum
tratamento é aceito. Veja quantas oportunidades de
escolha o sr. James teve a respeito do seu tratamento.
História do Caso 2. RETENÇÃO DE URINA.
O
sr. Robert Cohen, 90 anos, procurou um urologista porque
está tendo problemas com a micção.
Sua próstata estava bastante aumentada. O PSA estava
em 40, (dez vezes o nível normal). Usualmente, isso
é considerado uma evidência da presença
de câncer na próstata. Devido a sua idade avançada
e o fato de ele não estar em boas condições
físicas, era difícil decidir-se sobre o melhor
tratamento, mas nesse meio-tempo ele veio ao hospital com
uma retenção urinária e teve de ser
cateterizado. Como o sr. Cohen não coonseguiu urinar
após a retirada do cateter, decidiu-se operá-lo,
e como a próstata era muito grande optou-se por uma
operação a céu aberto. A próstata
pesou 350 g. Como a maioria das próstatas aumentadas
pesa entre 40 e 50 g, essa era realmente grande. O exame
anátomo-patológico mostrou que era uma HBP
sem nunhum sinal de câncer.
Uma
operação a céu aberto, embora um pouco
fora de moda, é a melhor opção quando
se trata de uma próstata muito aumentada. Na HBP
o nível do PSA depende do tamanho da glândula.
Se a glândula for anormalmente grande, como no caso
do sr. Cohen, o PSA também será muito mais
alto do que o esperado para uma HBP. Isto enfatiza o problema
de usar-se o PSA para diagnosticar câncer.
História do Caso 3. TUMOR DE BEXIGA.
O
sr. Ray Phillips foi admitido ao hospital para uma operação
de próstata pela qual estava esperando já
há alguns meses. Dois dias antes da admissão,
ele notou, pela primeira vez, a presença de sangue
na urina. Embora o sangramento tenha parado, o urologista
fez um exame citoscópio cuidadoso da bexiga antes
de realizar a RTUP e encontrou um pequeno tumor na parede
da bexiga que pôde ser removido ao mesmo tempo.
Nunca
é seguro atribuir um sangramento à próstata,
mesmo que ela seja responsável pelos outros sintomas.
Um tumor de bexiga é a causa mais comum. Embora não
haja nenhuma conexão entre a HBP e tumor de bexiga,
a ocorrência simultânea é muito comum.
História do Caso 4. ESTREITAMENTO URETRAL.
O
sr. Sam Goldstein, um homem de 65 anos, queixou-se de dificuldade
para urinar, cerca de seis meses após uma cirurgia
cardíaca nas coronárias por causa de uma angina.
Sua próstata estava aumentada e ele foi encaminhado
a um urologista para ver se seria necessário uma
operação de próstata. O urologista
fez uma citoscopia e encontrou um estreitamento da uretra.
Esta foi aberta por meio de uma pequena cirurgia chamada
uretrotomia, a qual é realizada com um instrumento
semelhante ao da RTUP. Isso curou completamente os sintomas
do sr. Goldstein, mesmo estando sua próstata aumentada.
Outras
coisas podem causar sintomas semelhantes aos da próstata,
mesmo que ela seja aumentada, pode não ser a causa
do distúrbio. Durante uma cirurgia cardíaca
usa-se caracterizar a bexiga para garantir o fluxo da urina.
O urologista sabia que isso poderia ter causado um estreitamento
uretral e por isso fez o exame citoscópico.
História do Caso 5. ESTREITAMENTO SUBMEATAL.
Dois
meses após uma RTUP o sr. Andrew Roberts sentiu que
seus sintomas estavam retornando e que sua urina estava
se espalhando quando deixava a ponta de seu pênis.
Ele voltou ao urologista que diagnosticou um estreitamento
imediatamente atrás da abertura urinária externa.
Esta foi trabalhada gentilmente com um dilatador de metal
e depois de algumas sessões o sr. Roberts não
tinha mais nenhum distúrbio.
Chamada
de estreitamento submeatal esta condição não
é incomum após uma RTUP e é facilmente
tratada. Não se desespere se tudo não parecer
completamente perfeito após uma operação
de próstata. Muitos dos problemas são corrigidos
com simplicidade.
História do Caso 6. PSA ELEVADO.
Tendo
tido sintomas prostáticos leves por vários
anos, o sr. John Pearson, de 70 anos, procurou o seu clínico
porque sentiu uma piora. Feito um exame de sangue, o PSA
era dez – significativamente elevado, mas não
alto demais. Isso sugeria a possibilidade de câncer.
Ele consultou um urologista duas semanas mais tarde, que
examinou sua próstata achando benigna e repetiu o
PSA que deu 7. Isso foi animador e, dois meses mais tarde,
o PSA tinha voltado ao normal e os sintomas do paciente
também tinham-se resolvido, de forma que nada mais
precisava ser feito.
O
sr. Pearson claramente teve um epsódio repentino
afetando a sua próstata, talvez uma infecção
leve ou um pequeno sangramento interno suficiente para causar
uma ferida ou edema sem evidência externa de sangue.
Algumas vezes uma próstata grande pode perder parte
de seu suprimento sanguíneo e a área “morta”
causa um edema temporário. Alguns urologistas acreditam
que é isso que causa retenção quando
nenhum outro sintoma é notado. Quando isso acontece,
o PSA é liberado no sangue e aumenta a quantidade
medida. É errado saltar para conclusões sobre
câncer só porque uma simples medida do PSA
estava aumentada. Na realidade, uma HBP poderia ser a responsável
única da elevação do PSA verificada
à primeira vez no sr. Pearson.
História do Caso 7. PROSTATITE AGUDA.
O
sr. William Hadley, um homem de 58 anos, retornava de um
jantar. Quando ele foi urinar, sentiu uma queimação
intensa e notou que seu fluxo de urina era fraco. Ele teve
um ataque repentino de tremores. Algumas horas depois a
temperatura dele era 39º C. Chamou o seu médico
que instituiu um tratamento com antibiótico. Sentiu-se
melhor, mas continuou com dificuldades de urinar. Quando
parou completamente de urinar, ele consultou um urologista
que o aconselhou a ir imediatamente para o hospital. Sua
próstata era dura, mas também dolorida. Seu
PSA era 25 (seis vezes o normal). Ele foi cateterizado e
continuoucom o antibiótico. Alguns dias mais tarde,
foi capaz de urinar após a remoção
do cateter, mas ainda tinha alguma dificuldade. Continuou
a tomar antibióticos. Seus sintomas melhoraram gradualmente
e seu PSA caiu, embora tenha levado dois meses para se normalizar.
Quando se recuperou totalmente, sua próstata estava
elástica e benigna novamente, mas o seu fluxo urinário
continuava bem abaixo do normal.
O
sr. Hadley teve uma prostatite aguda grave. A despeito do
fato de nunca ter notado, o seu fluxo urinário já
devia ver diminuindo de modo que uma pequena obstrução
subjacente somada ao edema da prostatite levou a retenção.
A prostatite aguda pode endurecer a próstata e elevar
muito o nível de PSA – na realidade é
até melhor não medi-lo nesta situação.
Uma vez elevado, ele leva muito tempo para se normalizar.
O sr. Hadley tomou antibióticos por seis semanas
– parar o tratamento da prostatite muito cedo pode
provocar recidiva. Parece que algumas vezes a prostatite
é precipitada pela ingestão de bebidas alcoólicas.
Fonte:
Revista ISTOÉ - Guia da Saúde Familiar
- Volume 17 - 06/2002
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