| Câncer
da próstata
Câncer
é uma palavra alarmante. Muitos homens temem que
seus sintomas prostáticos sejam causados por câncer.
Na maioria dos casos esse medo é infundado, mas a
verdade é que o câncer da próstata é
muito comum.
Como
muitos outros tipos de câncer, o câncer da próstata
pode ser fatal. Entretanto, é uma forma de câncer
para qual há muitas formas de tratamentos. Outro
ponto a destacar é que ele cresce lentamente e pode
não causar grandes danos, especialmente em homens
idosos.
Recentemente os médicos descobriram novas maneiras
de detectar o câncer precocemente na próstata.
Isto significa que um número maior de homens com
câncer na próstata está sendo diagnosticado
nos primeiros estágios. Ainda há muita discussão
entre os especialistas em câncer sobre se esses testes
deveriam ser usados para a investigação da
mesma forma que as mulheres são investigadas para
o câncer de mama e o câncer cervical.
Não se sabe a razão por que o câncer
de próstata é tão comum. Na maioria
dos casos não há uma história familiar
clara, mas há sim umas das formas da doença
que parece acontecer em famílias. Se você teve
anpenas um parente com a doença, não se preocupe.
Entretanto, se dois parentes próximos tiveram a doença,
especialmente se quando ainda jovens, então você
deve avaliar sua próstata de tempos em tempos depois
que fizer 50 anos.
Há difenças em raças e em diferentes
partes do mundo, algumas das quais devem ser devidas à
dieta ou a fatores ambientais. Por exemplo, o câncer
de próstata é pouco comum no Japão,
mas japoneses vivendo nos Estados Unidos têm um alto
risco de desenvolverem. Isto deve ser devido à diferenças
na dieta. Certos tipos de alimentos gordurosos predispõem
ao câncer, mas outros produtos, incluindo os derivados
da soja, protegem contra ele. Ainda é muito cedo
para dar conselhos definitivos, mas, na medida em que vamos
entendendo melhor essas diferenças, pode-se chegar
a conclusões que permitem um aconselhamento sobre
dietas que reduzem o risco de câncer de próstata.
Embora recentemente tenha havido alguma preocupação
de que a vasectomia aumentasse o risco de câncer na
próstata, a maioria dos especialistas agora concorda
que isso não é verdade.
Como ele é diagnosticado?
A
diferença entre o câncer da próstata
e o crescimento benigno (HBP) é que o câncer
pode crescer para fora da próstata nos tecidos vizinhos
e também pode espalhar-se para outras partes do corpo
(mestástases), particularmente para os ossos, causando
dores e mesmo fraturas. Quando o câncer é a
causa dos sintomas prostáticos, estes podem voltar
após o tratamento se o câncer cresce novamente.
Algumas vezes o câncer na próstata não
causa, por si só, nenhum sintoma, e o primeiro sinal
da doença pode aparecer em uma outra parte do corpo.
O seu médico pode suspeitar que há um tumor
em sua próstata se ela parece dura ou irregular ao
toque ou se seu PSA sanguíneo está particularmente
elevado. Quando qualquer uma dessas alterações
é encontrada, o médico frequentemente irá
encaminhá-lo para realizar um rastreamento ultra-sonográfico
transretal. Algumas vezes o paciente vai precisar de uma
RTUP de qualquer forma devido à gravidade de seus
sintomas prostáticos. Como a RTUP remove tecido que
pode ser examinado, isso será feito imediatamente
se houver uma suspeita de câncer – como uma
forma de esclarecer o diagnóstico. Algumas vezes
não há suspeita de câncer e ele só
é diagnosticado quando o tecido removido durante
a operação é analizado por um patologista.
Raio-x ou (mais comumente) um exame chamado ratreamento
(scan) ósseo vai revelar sobre se houve alguma invasão
dos ossos. Isto é realizado injetando-se uma pequena
quantidade de uma substância radioativa. Esta é
tomada pelas partes onde o osso é ativo e detectada
por um rastreador (scanner) especial. Este não é
um exame específico para câncer e a tomada
pode-se dar por outras condições como artrite,
velhas fraturas consolidadas e doenças benignas dos
ossos. Um raio-x das áreas anormais pode ajudar.
Muito ocasionalmente, pode-se pedir a um cirurgião
ortopedista para retirar um pequeno pedaço do osso
para exame microscópico.
Como ele é tratado?
Remover
ou destruir um crescimento canceroso vai curar a doença,
desde que ela não se tenha espalhado. Até
recentemente isso era tudo que podia ser feito para a maioria
dos cânceres e se já tivesse havido espalhamento
(mestástase) muito pouco mais seria feito. Entretanto,
atualmente há muitos tratamentos disponíveis
que podem ser usados para destruir o câncer que se
espalhou para outras partes do corpo. Como veremos, o câncer
da próstata foi um dos primeiros tipos de câncer
para o qual esses tratamentos foram desenvolvidos.
Cirurgia do câncer
| O
que acontece numa prostatectomia radical? |
Esta
operação consiste na remoção
de toda a glândula prostática e as
vesículas seminais, então a uretra
é reconectada à bexiga. Este procedimento
é realizado apenas em pacientes mais jovens.

|
A
maioria das pessoas espera que o câncer seja tratado
pela remoção cirúrgica de todo ou parte
do orgão no qual ele ocorre, como no câncer
de mama nas mulheres, câncer nos testículos,
câncer do rim e em muitos outros tipos da doença.
Embora um famoso urologista chamado Hugh Hampton Young,
trabalhando no The Johns Hopkins Hospital nos Estados Unidos
tenha descrito a prostatectomia radical em 1905, a operação
que remove toda a glândula prostática é
realizada em apenas alguns homens com câncer de próstata.
A razão pela qual ela não é comum é
que o câncer de próstata pode ser difícil
de ser detectado até que cresça para for a
da glândula prostática. Uma vez que isso tenha
ocorrido, é impossível remover todo o câncer
cirurgicamente e assim uma operação não
vai curar a doença.
Embora atualmente os médicos possam diagnosticar
cânceres em um estágio mais precoce, muitos
pequenos cânceres crescem lentamente e podem levar
uns dez anos para causar algum distúrbio. Obviamente,
para um homem de, digamos, 85 anos, um tumor desses não
vai representar perigo e nessa idade ele não suportaria
muito bem um grande cirurgia. Por essa razão, a remoção
da próstata como um tratamento para o câncer
só é feita em homens mais jovens e quando
há motivo para acreditar que o câncer vai crescer
muito rapidamente. De maneira geral, a operação
só é recomendada para homens de menos de 70
anos, embora a idade exata dependa das condições
gerais de cada paciente
Radioterapia
A
radioterapia pode destruir pequenos tumores e assim curar
o câncer, de modo que é uma alternativa à
prostatectomia radical. Ela é indicada para homens
que não estão em condições de
se submeterm a uma operação e muitos pacientes
preferem-na a uma cirurgia. Embora a completa remoção
de um tumor numa operação possa parecer mais
satisfatório, não há nenhuma prova
definitiva de que um tratamento cure a doença melhor
do que outro.
A radioterapia também pode ser usada quando a cirurgia
não é possível porque o câncer
já se espalhou para for a da próstata. Neste
caso ela não “cura” o câncer, mas,
reduzindo-o, ela vai previnir que ele cause outros distúrbios
e pode diminuir a chance de mais espalhamento.
Esperar
para ver
Como
muitos tumores não são imediatamente perigosos,
alguns pacientes são advertidos de que eles não
necessitam de um pronto tratamento. Isso não significa
que eles estão sendo negligenciados e é importante
que sejam vistos regularmente para realizar exames e certificar-se
de que o câncer não está avançando.
Se estiver, então aconselha-se um tratamento. Algumas
vezes o câncer está crescendo tão lentamente
que o paciente pode ser liberado da clínica hospitalar,
embora deva continuar tendo acompanhamento do clínico-geral.
Prostatectomia
radical
Se
o câncer está nos primeiros estágios
e confinado a glândula prostática e um tratamento
recomendado, este vai ser um objeto de discussão
quanto à escolha a ser feita. Uma vez que não
há concordância quanto ao melhor tratamento
para um câncer precoce, o paciente será informado
das possibilidades e a ele caberá a última
palavra quanto à escolha.
A prostatectomia radical envolve a remoção
de toda a glândula prostática. Isso difere
das operações para a HBP onde, mesmo a realizada
a céu aberto apenas remove a porção
aumentada do interor da glândula. A glândula
prostática tanto pode ser removida por uma incisão
no lado do abdômen, como por baixo, por uma incisão
na frente do ânus. Antes ou ao mesmo tempo (possivelmente
por uma operação laparoscópica) os
nódulos linfáticos ao lado da próstata
serão retirados e examinados para verificar se o
câncer não se espalhou. A remoção
desses nódulos não causa dano. Não
havendo câncer neles, a glândula prostática
é removida cortando-se a uretra abaixo da próstata
e destacando a próstata do gargalo da bexiga,a qual
é suturada de volta a uretra. Durante a cicatrização,
em torno de duas semanas, deixa-se um cateter no local.
Muitos homens recuperam-se dos efeitos imediatos da operação
bastante rapidamente, de modo que podem ir para casa em
alguns dias, com o cateter, e só voltar ao hospital
para a remoção dele.
Quais são as complicações?
O
maior problema durante a operação é
o risco de sangramento pelas grandes veias em frente a próstata
– se isso acontecer vai haver a necessidade de uma
transfução de sangue. Um pouco de urina pode
vazar no ponto de sutura entre a bexiga e uretra, mas isso
pára logo, de maneira geral. Os dois problemas que
vão aparecer posteriormente são dificuldade
no controle da urina e problemas sexuais.
- Dificuldade
no controle da urina – há
estreita relação entre os músculos
do esfíncter da bexiga e a próstata. A
remoção da próstata vai afetar
esses músculos. É muito comum ter-se alguma
dificuldade em controlar a urina por um dia ou dois
depois da remoção do cateter.
O paciente será alertado sobre isso e orientado
a fazer exercícios para fortalecer os músculos.
Embora a maioria dos homens recobre o controle rapidamente,
alguns permanecem com alguma perda involuntária
de tempos em tempos, por exemplo, durante exercícios
ou na cama à noite, o que os leva a ter de usar
uma proteção para não se molharem.
Muito ocasionalmente, a perda de urina é mais grave.
Se for necessário corrigir esses problema, em uma
outra opeção, coloca-se um “esfíncter
artificial” de plástico, mas isto é
pouco comum.
- Problemas
sexuais – os nervos necessários
para que um homem tenha ereção ficam próximos
à próstata. Já se pensou que uma
prostatectomia radical quase que inevitávelmente
causaria perda de ereção porque esses
nervos eram cortados. Atualmente, os cirurgiões
sabem mais precisamente onde esses nervos estão
e evitam lesá-los sempre que possível.
Em todo caso, o cirurgião vai alertar o paciente
que talvez ele tenha de cortar esses nervos para remover
o tumor completamente. A perda de ereção
pode ser tratada, mas, geralmente, são necessárias
injeções dentro do pênis. Infelizmente,
o novo medicamento sildenafil (Viagra) não funciona
após uma prostatectomia radical.
Umas vez que os nervos podem ser machucados facilmente,
mas se recuperam, uma perda inicial da ereção
pode melhorar dentro de alguns meses. É apenas
a ereção que é afetada – o
desejo sexual normal e a possibilidade de chegar ao orgasmo
devem permanecer inalterados, mas, em matéria de
ejaculação, muito pouco será produzido.
Tratamento por radioterapia
A
radioterapia é administrada por uma máquina.
O paciente tem de ser deitado debaixo da máquina
por alguns minutos, em cada tratamento. Um número
de tratamentos diários é aplicado num espaço
de 4 a 6 semanas. Geralmente, os pacientes recebem radioterapia
em regime ambulatório, embora, às vezes, aconselha-se
uma internação hospitalar. O tempo de tratamento
e de recuperação da radioterapia é
mais ou menos o mesmo que um paciente leva para recuperar-se
de uma prostatectomia radical, o que significa uns dois
meses fora do trabalho.
Quais
são as complicações
É
pouco comum que a radioterapia cause incontinência
urinária e, embora a falha na ereção
ocorra comumente, ela tem uma menor incidência do
que no caso da prostectomia radical. Entretanto, uma vez
que é impossível focalizar a radioterapia
exclusivamente na próstata, ela afeta a bexiga e
o reto temporariamente. A maioria dos homens vai ter alguns
sintomas de cistite (queimação e vontade frequente
de urinar) e diarréia durante e depois da radioterapia.
Pode aparecer sangue na urina e nas fezes.
Esses sintomas geralmente desaparecem algumas semanas após
o término do tratamento. Ocasionalmente, os sintomas
podem persistir e muito raramente a radioterapia causa lesões
permanentes na bexiga e no intestino.
Uma maneira alternativa de aplicar a radioterapia é
por uma operação que implanta “sementes”
de material radioativo dentro da próstata. Esta técnica
tornou-se pouco comum, mas com aperfeiçoamentos recentes,
ela (chamada “branquiterapia”) tem novamente
despertado interesse – embora os pacientes tenham
de ser cuidadosamente selecionados para a sua indicação.
Escolha do tratamento?
Ambos
a prostatectomia radical e a radioterapia são tratamentosmaiores
com possíveis efeitos colaterais. É importante
ter em mente que em termos de riscos, desconforto geral
e tempo fora das atividades normais os dois são equivalentes.
Também porque sua eficiência como tratamento
seja semelhante, um homem com câncer na próstata
deve ser informado sobre as alternativas e envolvido ativamente
na escolha do seu tratamento.
Alguns homens ficam mais felizes se o tumor for removido
de seus corpos e preferem a cirurgia. Outros não
gostam da idéia de serem operados e optam pela radioterapia.
A cirurgia pode não ser segura para alguém
com bronquite ou doença cardíaca e deve ser
aconselhado a fazer radioterapia ou, em um primeiro momento,
um simples observação.
Tratamento
hormonal preliminar
Algumas
vezes, antes da prostatectomia radical ou da radioterapia,
administra-se, temporariamente, um tratamento com hormônios
com a finalidade de reduzir o tamanho da próstata.
Pensa-se que isso aumenta a eficiência do tratamento
e é mais usado antes da radioterapia do que da prostatectomia
radical. Durante os três meses ou um pouco mais desse
tratamento, aparecem os efeitos colaterais da hormonioterapia;
mas uma vez completada a radioterapia (ou a operação),
e o tratamento hormonal interrompido, os efeitos revertem-se.
Algumas vezes, quando o tumor da próstata é
particularmente grande, pode-se recomendar a continuação
do tratamento hormonal mesmo depois de terminada a radioterapia.
Câncer prostático avançado
infelizmente,
os exames realizados após o câncer ter sido
diagnosticado geralmente revelam que ele já está
muito adiantado para ser curado por cirurgia ou radioterapia.
Também, algumas vezes, após um tratamento
inicialmente bem-sucedido, com radioterapia ou cirurgia
os exames voltam a mostrar que o câncer reapareceu.
Entretanto, isto está longe de ser uma situação
sem saída. Em primeiro lugar, porque o tumor pode
estar crescendo muito lentamente e, se o paciente for idoso,
sua expectativa de vida não vai ser diminuída
por isso. Entretanto, quando o câncer prostático
é mais ativo, há muito que se pode fazer para
aliviar os sintomas e frear o seu crescimento.
Além dos sintomas prostáticos usuais, o câncer
prostático avançado pode causar dores nas
costas (provavelmente o efeito mais comum) ou dores em outros
ossos, saúde debilitada com perda de peso, anemia
e outros problemas. O enfraquecimento dos ossos podem resultar
em fraturas, mas isso não é comum. Ocasionalmente
o câncer na próstata pode bloquear a drenagem
dos rins. Todos esses problemas podem melhorar, quase que
completamente, depois do tratamento.
Tratamento hormonal
Há
pouco mais de 50 anos, uma urologista americano chamado
Charles Huggins descobriu que se ele remove-se os testículos
de cães com c6ancer de próstata, o câncer
diminuia (regredia). Ele então tratou alguns homens
com a mesma operação e outros dando hormônio
feminino. Ele verificou que suas doenças respondiam
da mesma maneira. Este foi um dos primeiros tratamentos
efetivos contra o câncer que generalizou além
da cirurgia. Isso foi tão importante que Huggins
recebeu o Prêmio Nobel de Medicina. O tratamento hormonal
ainda é o meio mais eficaz para tratar o câncer
avançado da próstata, embora, atualmente,
haja novas maneiras de ministrá-lo.
A próstata só vai crescer e funcionar se receber
hormônio sexual masculino (andrógenos). Há
um número de diferentes andrógenos, mas o
mais importante é a testosterona. O câncer
da próstata não pode crescer sem os andrógenos,
de forma que privando-o desses hormônios, ele diminuirá
ou mesmo desaparecerá. A testosterona é produzida
pelos testículos em respostas a um hormônio
que vem de uma pequena glândula na base do cérebro
(a pituitária). Quandos os médicos e os cientistas
entenderam isso, foram desenvolvidos novos métodos
de tratamento hormonal. Nós agora temos muito mais
escolhas do que tinha o dr. Huggins nos idos de 1940. Os
testículos podem ser impedidos de produzir o hormônio
tanto por uma operação que remove a sua parte
funcional (ou todo o testículo) ou por medicamentos.
Alternadamente, há medicamentos que agem como uma
barreira entre o tumor e o hormônio masculino. Esse
medicamentos impedem que os andrógenos estimulem
as células do turmor sem reduzir a quantidade de
andrógenos no sangue.
Qual é o melhor tratamento?
De
modo geral, o efeito desses diferentes tratamentos sobre
o tumor é o mesmo. A escolha entre os diferentes
tratamentos é feita na base do método de administração
e dos efeitos colaterais. Também, se um tipo de tratamento
não vai bem com o paciente, ele pode ser mudado.
Como quando a decisão entre a cirurgia e radioterapia
para o câncer precoce, pode-se perguntar a opnião
do paciente e, dessa maneira, será útil dar
um pouco mais de informação sobre as possibilidades.
No que diz respeito ao paciente, ele pode ter:
-
Uma operação que tira tudo de modo que
ele não vai precisar se preocupar com o tratamento.
-
Uma injeção ema vez por mês ou uma
vez a cada três meses.
-
Comprimidos
Uma vez que os tratamentos com hormônios ou com medicamentos
só funcionam enquanto estão sendo dados, as
injeções ou os comprimidos têm de ser
tomados indefinidamente.
Cirurgia e injeções
A
operação usual para reduzir o nível
de hormônios sexual masculino é a chamada orquidectomia
subcapsular e consiste em fazer um corte em cada um dos
testículos para remover a parte ativa dos mesmos
de forma que eles não mais produzam testosterona.
Ocasionalmente recomenda-se a remoção de todo
testículo. As injeções são de
uma substância chamada hormônio liberador do
hormônio luteinizante (LHRH) – por exemplo,
goserelin (Zoladex), leuprorelin (Lupron) ou triptoretlin
(Neo-Decapeptyl). Estas injeções interromperam
a produção de testosterona pelos testículos
e o efeito é semelhante ao da operação.
O goserelin e o leuprorelin podem ser dados em uma injeção
a cada três meses. Outro medicamente de uma injeção
a cada três meses estão sendo desenvolvidos.
Seja por uma operação ou por uma injeção
mensal, o nível do hormônio sexual masculino
é diminuído, e com isso, para a maioria dos
homens, a atividade sexual – tanto o desejo sexual
como a habilidade de ter uma ereção –
é perdida. Ocasionalmente isto não acontece,
por razões que não estão esclarecidas;
esse fato deve ser tomado como um bônus e não
como se o tratamento não tivesse sido eficaz.
Calores muito semelhante aos experimentados pelas mulheres
depois da menopausa, são outro problema. Estes consistem
em sentir-se quente ou em surtos de suor. Embora muito comum,
a maioria dos homens é apenas levemente afetada e
tende a melhorar com o tempo. Se os calores forem mais graves,
há tratamento disponível. É importante
ter em mente que eles são um efeito colateral do
tratamento – muitos homens ficam preocupados porque
acham que os calores são um sinal de que o câncer
está avançando.
O efeito da operação sobre os testículos
é a redução dos seus respectivos tamanhos,
mas injeções também provocam uma redução
deles. Como os testículos estão associados
com a idéia de masculinidade, é natural que
esse tipo de tratamento envolva um sentimento de “castração”.
Entretanto, a maioria dos homens com câncer avançado
da próstata sente-se melhor à medida que o
tratamento começa a funcionar que, de maneira geral,
esse problema não os preocupa muito.
Prós
e contras de ambos tratamentos
Embora,
a longo prazo, os efeitos dos dois tratamentos, operação
e injeção sejam semelhantes, há diferenças
entre eles quando o tratamento se inicia. A orquidectomia
é uma pequena cirurgia, mas o paciente tem de ir
a um hospital, tomar anestesia geral e é dolorosa
por vários dias. Pequenas comlicações
tais como feridas, edema ou infecção do corte
não são incomuns. A operação
funciona de ponte e não raro os sintomas melhoram
já quando o paciente acorda da anestesia. As injeções
funcionam lentamente e, na realidade, nas primeiras semanas
de tratamento há um aumento da testosterona. Isso
pode fazer com que o câncer cresça um pouco,
razão pela qual, frequentemente, são dados
comprimidos de um outro tipo de tratamento hormonal, começando
algumas semanas antes da primeira injeção.
Comprimidos
Os
comprimidos podem ser prescritos porque o paciente prefere
este tipo de medicamento. Se ele realmente deseja evita
a perda da função sexual, há um tipo
de medicamento chamado antiandrógeno, o qual evita
a ação da testosterona no tumor sem alterar
o seu nível no sangue e isso pode previnir a perda
da função sexual. No momento estão
disponíveis a flutanida (Eulexin) e a nilutamida
(Anandron). Infelizmente eles tendem a ter mais efeitos
colaterais, incluindo distúrbios gastrointestinais.
Um medicamento recentemente introduzido, a bicalutamida
(Casodex) pode ter menos efeitos colaterais, mas só
pode ser usado em associação com outros medicamentos
(ver abaixo).
Um outro medicamento, o acetato de ciproterona (Androcur)
é prescrito muito frerquentemente. Ao mesmo tempo
que bloqueia os efeitos da testosterona na próstata,
porque é semelhante a um tipo de hormônio feminino,
o acetato de ciproterona, também reduz os níveis
de testosterona. Até recentemente tinha-se de tomar
seis comprimidos por dia, mas já há comprimidos
maiores disponíveis.
Muito raramente ele pode causar lesão hepática
e, assim como acontece com todos esses tratamentos, deve
ser cuidadosamente supervisionado.
Há algum tempo os hormônios femininos estrgênicos
como o estilbestrol eram muito usados para tratar o câncer
da próstata. Entretanto essas substância causam
o crescimento das mamas e, talvez mais importantemente,
podem ter efeitos graves sobre o coração.
Embora os hormônios femininos possam ser usados com
segurança em doses muito pequenas, a maioria dos
homens tratada com comprimidos recebe um dos outros tipos
de medicamentos.
Recentemente descobriu-se que se pode conseguir uma maior
redução do hormônio masculino usando-se
uma combinação de medicamentos. Isso acontece
porque as glândulas adrenais também fabricam
hormônios masculinos e não são afetadas
nem pela orquidectomia e nem pelos análogos do LHRH.
Se esse tratamento mais intenso relata melhora, os resultados
ainda são matéria de intenso debate entre
os especialistas. Há algumas evidências de
que ele seja melhor, pelo menos em algumas circunstâncias,
e alguns pacientes o recebem. Infelizmente, ele é
mais complicado e pode causar mais efeitos colaterais.
Outros tratamentos
Se
o câncer espalhou-se para os ossos e está causando
dor, a radioterapia pode ser muito eficaz e, de modo geral,
age rapidamente. Algumas vezes uma série de aplicações
– usualmente dez – é ministrada num regime
ambulatorial. Outra vezes uma única aplicação
é suficiente. Os problemas são poucos, mas
dependendo de onde esteja a área dolorosa, podem
ocorrer distúrbios leves do estômago e dos
intestinos.
Um novo método de aplicar a radioterapia é
o de usar uma substância radioativa chamada estrôncio-89.
Este seleciona as partes do osso onde o câncer está
localizado e dá uma radiações intensa,
mas é localizada e segura. É ministrado num
regime ambulatorial por uma simples injeção,
de forma que é muito fácil, embora sejam necessárias
ajgumas precauções simples sobre a radiação
por um ou dois dias. Lembrem-se que foi o estrôncio
90 que causou toda a preocupação sobre contaminação
radioativa – o estrôncio-89 é um outro
tipo completamente diferente no que se refere à sua
radiação e não tem os mesmos efeitos
maléficos.
Pontos centrais
-
O câncer da próstata pode ser tratado por
cirurgia, radioterapia ou com hormônios.
-
A remoção total da próstata (prostatectomia
radical) é possível quando o câncer
está apenas dentro da próstata.
-
A radioterapia é uma alternativa à prostatectomia
radical e pode tratar um tumor muito adiantado para
cirurgia.
-
O tratamento hormonal tem-se mostrado útil para
os casos avançados da doença prostática.
Fonte:
Guia da Saúde Familiar - revista ISTOÉ
- Volume 17 - 06/2002
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