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que é câncer de próstata?

O
câncer de próstata representa um sério problema de saúde
pública no Brasil, em função de suas altas taxas de incidência
e mortalidade. Ele é o segundo mais comum em homens - só
sendo superado pelo de pele - e o terceiro em óbitos. Segundo
as Estimativas de Incidência e Mortalidade Por Câncer
no Brasil, do Instituto Nacional de Câncer, deverão
ocorrer 14.830 novos casos de câncer de próstata e 6.850
mortes causadas pela doença no país, em 2000.
Enquanto
a incidência está ligada às características demográficas
da população, a mortalidade alta é causada pelo retardo
do diagnóstico, que favorece a ocorrência de tumores com
alta capacidade biológica de invasão local e de disseminação
para outros órgãos. Tais tumores são incuráveis quando tratados
em fase metastásica.
O
câncer de próstata atinge principalmente os homens acima
de 50 anos de idade. O aumento de sua incidência na população
é também uma decorrência do aumento da expectativa de vida
do brasileiro verificada ao longo deste século, cuja tendência
é ultrapassar os 70 anos no ano 2020.
Etiologia
A
etiologia do carcinoma próstatico permanece desconhecidas.
Um estudo de sua distribuição geográfica proporciona certos
dados. A baixa incidência observada em homens japoneses
aumenta e aproxima-se daquela observada em brancos americanos
quando migram para os Estados Unidos, sugerindo um importante
papel dos fatores ambientais.
Os
androgênios estão envolvidos no crescimento dos carcinomas
próstaticos e talvez sua própria etiologia. A maioria dos
carcinomas próstaticos surge na região periférica subcapsular
do lobo superior da próstata, uma região da glândula extremamente
sensível a alterações no nível de androgênio. A queda dos
níveis de androgênios numa fase avançada encontra-se associada
a alterações involutivas na parede externa da glândula;
nesta região afetada por tais alterações regressivas é que
surge o câncer.
Manifestações Clínicas
Os
sintomas urinários, como alteração do fluxo, hematúria e
freqüência, ocorrem tardiamente, em virtude da localização
posterior periférica habitual do tumor. A dor nas costas,
causada por metástases vertebrais, constitui uma manifestação
inicial comum. As células do câncer prostático produzem
fosfatase ácida, os níveis séricos desta tornam-se elevados
quando o tumor se estende fora da cápsula, não sendo de
grande valia no diagnóstico no carcinoma de estado inicial.
Diagnóstico

A
detecção do câncer de próstata é feita pelo exame clínico
(toque retal) e da dosagem de substâncias produzidas pela
próstata: a fração prostática da fosfatase ácida
(FAP) e o antígeno prostático específico (PSA, sigla
em inglês), que podem sugerir a existência da doença e indicarem
a realização de ultra-sonografia pélvica (ou prostática
trans-retal se disponível). Esta ultra-sonografia, por sua
vez, poderá mostrar a necessidade de se realizar a biopsia
prostática transretal. O toque retal permite detectar nódulos
pequenos, menores que 1,5 cm3, e avaliar a extensão local
da doença. Sua realização periódica é a melhor forma de
se reduzir a mortalidade por câncer de próstata.
Tratamento
A cirurgia é o tratamento indicado para tumores localizados;
ela apresenta risco de causar impotência ou incontinência
urinária. A hormonioterapia e a radioterapia reduzem o câncer,
mas ele geralmente volta em alguns anos, verificando-se
também o risco de impotência com estes tratamentos.
Profilaxia
Estudos epidemiológicos que compararam hábitos alimentares
de diferentes populações, apresentando taxas de câncer de
próstata altas e baixas, indicam que uma alimentação gordurosa,
sobretudo uma caracterizada por consumo elevado de carne
vermelha, favorece o crescimento de tumores prostáticos.
O consumo elevado de gordura já é mal afamado por promover
câncer de mama e de cólon, mas esses estudos indicam que
o efeito da carne vermelha é ainda mais forte no câncer
da próstata.
Um
achado igualmente sugestivo foi obtido colocando os países
numa grade com base na taxa de mortalidade por câncer de
próstata e no consumo médio de gordura por pessoa. Os EUA
e os países da Europa Ocidental, que são os que ingerem
mais gordura, apresentam também as mais altas taxas de mortalidade
por câncer de próstata. Inversamente, as nações na bacia
do Pacífico que consomem os níveis mais baixos de gordura
têm taxas muito baixas de morte por câncer da próstata.
Outro
componente alimentar que parece influenciar o câncer da
próstata - desta vez como um inibidor do crescimento - é
a proteína de soja, uma substância consumida no Japão em
abundância. A soja reduz o nível de testosterona circulante
no sangue e inibe também uma enzima que transforma a testosterona
em sua mais potente forma nas células prostáticas. Certas
evidências indicam que produtos derivados do tomate, a vitamina
E e o mineral selênio também podem inibir o crescimento
do tumor. Outros componentes de diversos alimentos também
estão sendo pesquisados como possíveis promotores do câncer
de próstata ou, ao contrário, como escudos contra essa doença.
A necessidade atual é de mais estudos em humanos que avaliem
o valor protetor de certas mudanças na alimentação e dos
complementos alimentares em homens que correm risco de câncer
de próstata ou de recorrência.
É interessante ver que os estudos com animais indicam que
os fatores alimentares podem aumentar ou diminuir a tendência
de o câncer microscópico crescer e converter-se numa massa
perigosa. Porém, esses fatores não afetam os processos que
originalmente fazem com que uma célula normal se torne maligna.
Esse achado pode ajudar a explicar porque a incidência de
câncer microscópico silencioso (calculada com base nas autópsias
de homens que morreram de causas não relacionadas com o
câncer de próstata) é essencialmente igual no mundo inteiro,
enquanto a de câncer prostático palpável (os casos de câncer
microscópico que de fato se desenvolvem) varia com a geografia.
Prognóstico
O
prognóstico depende do estágio clinico patológico, em menor
extensão, do grau histológico. Na presença de doença inicial,
80% dos pacientes apresentam sobrevida de 5 anos e 60%,
uma sobrevida de 10 anos após cirurgia agressiva com radioterapia
adjuvante e quimioterapia. Infelizmente, menos de 20% dos
pacientes são diagnosticados neste estágio inicial.
Fonte:
Gustavo Amorim da Costa Neto.
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