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Câncer de próstata

O câncer de próstata é uma doença maligna que acomete a próstata, uma glândula importante para o funcionamento adequado do aparelho reprodutivo masculino.

É um dos tipos mais comuns de câncer entre os homens brasileiros, afetando um em cada cinco indivíduos do sexo masculino durante a vida. Embora a incidência aumente com a idade, também pode ocorrer em indivíduos jovens. Muitos portadores da doença não apresentam sintomas.

Entendendo o seu organismo

A próstata é uma glândula em forma de noz que está localizada abaixo da bexiga e em frente ao reto. É responsável pela secreção de fluidos e enzimas que correspondem a aproximadamente um terço do líquido espermático eliminado durante a ejaculação. Os espermatozóides são produzidos nos testículos e transportados através do ducto deferente.

Antes de desembocar na uretra, esse ducto atravessa a próstata e recebe o líquido produzido pela glândula. A uretra é um ducto localizado no pênis, através do qual passam a urina e o sêmen. As vesículas seminais são glândulas localizadas logo atrás e acima da próstata. Também produzem fluidos que são eliminados na ejaculação.

Em virtude da proximidade dessas glândulas e a próstata, as vesículas seminais e a cápsula da próstata (uma cápsula fibrosa que envolve a próstata) podem ser acometidas pelo câncer de próstata. Nesse caso, na maioria das vezes, a cirurgia não é capaz de remover o tumor. Tendo em vista que a próstata está localizada em frente ao reto, o médico pode avaliar os contornos dessa glândula através do toque retal. A próstata normal é lisa e firme, embora não seja endurecida.

Quem desenvolve o câncer de próstata?

A causa do câncer de próstata ainda não é conhecida. Entretanto, os especialistas conhecem determinados fatores associados a um maior risco de desenvolver a doença. Um deles é a história familiar de câncer de próstata.

Os pacientes cujo pai ou irmão tiveram a doença apresentam risco 2 vezes maior. Indivíduos idosos também têm risco elevado. 75% dos casos ocorrem em pacientes com 65 anos ou mais. A raça é outro importante fator de risco. Os negros apresentam risco 2 vezes maior de apresentar a doença, além de chance 2 vezes e meia a 3 vezes maior de morrer por câncer de próstata. Algumas evidências sugerem que o câncer de próstata pode estar relacionado aos níveis dos hormônios sexuais masculinos.

Os eunucos (homens castrados) não desenvolvem a doença, sugerindo que os hormônios produzidos pelos testículos favorecem o desenvolvimento do câncer de próstata. Os pacientes com doenças hepáticas graves, e a conseqüente elevação dos níveis circulantes de estrógenos (hormônios sexuais femininos), têm menor risco de apresentar a doença. O câncer de próstata também pode estar relacionado com fatores ambientais. Embora ainda não tenha sido comprovado, muitos acreditam que diferenças ambientais ou alimentares sejam responsáveis por esse achado.

Como é feito o diagnóstico?

Recomenda-se que os pacientes acima de 50 anos de idade realizem a dosagem sérica do PSA (sigla em inglês de antígeno específico da próstata) anualmente. Os negros ou aqueles com história familiar da doença devem iniciar a pesquisa a partir dos 40 anos de idade.

A dosagem sérica do PSA é um exame que mede os níveis de uma proteína (o antígeno específico da próstata) secretada no sangue pela próstata. Esse antígeno é produzido tanto por células normais quanto por células malignas. Embora alguns pacientes com câncer apresentem níveis normais (entre 0 e 4 ng/mL), na maioria dos casos, as células tumorais produzem níveis elevados de PSA.

Níveis normais não descartam o câncer de próstata. Níveis elevados, no entanto, sugerem a possibilidade da doença. No câncer de próstata, os níveis costumam estar elevados. Com valores entre 4 e 10 ng/mL, existe um risco de 25% do paciente apresentar a doença. Acima desses valores, a probabilidade é maior que 50% e aumenta ainda mais com níveis mais elevados. Além disso, recomenda-se a biópsia de próstata em pacientes com alterações no exame de toque retal (ETR), também usado no rastreamento da doença.

Exame de toque retal

Nesse exame, o médico introduz o dedo no reto (estrutura localizada logo atrás da próstata) do paciente. Tendo em vista que, a maioria dos tumores ocorre na região posterior da glândula, é possível detectá-los através desse exame. Embora o exame de toque retal seja menos eficaz que o dosagem sérica do PSA no diagnóstico do câncer de próstata, é capaz de identificar a doença em pacientes com níveis de PSA normais. Por esse motivo, a mais recente recomendação é a associação de ambos os exames para o diagnóstico precoce da doença.

Além disso, em pacientes com diagnóstico de câncer de próstata, o toque retal é empregado para avaliar se existe disseminação da doença para outra estruturas e pesquisar a recidiva da doença após o tratamento. A radiografia convencional e outros métodos de imagem - como a tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM) e ultra-sonografia - também podem ser utilizados para determinar a extensão e o grau de disseminação da doença.

O futuro

Enquanto não surgem outras opções terapêuticas, novas pesquisas continuam sendo realizadas. Deve-se esperar que, em breve:

  • métodos de imagem mais sofisticados permitam um melhor tratamento radioterápico, incluindo a utilização de múltiplos campos ou abordagens tridimensionais, empregando doses maiores em pequenas regiões.
  • sejam desenvolvidos novos tratamentos com a associação de radioterapia e hormonioterapia.
  • desenvolvam-se técnicas cirúrgicas que preservam ainda mais a função nervosa, evitando alterações funcionais da bexiga e disfunção erétil.
  • sejam disponíveis métodos mais precisos para avaliar a agressividade do tumor, ajudando a escolher a melhor intervenção terapêutica para cada paciente levando-se em consideração os riscos e benefícios de cada alternativa.
  • os especialistas compreendam melhor o papel dos hormônios na regulação gênica, além da identificação de marcadores cromossômicos.
  • ocorra o aperfeiçoamento do exame de PSA e dos outos métodos de rastreamento.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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