A febre de
origem indeterminada em adultos é definida como uma
temperatura maior que 38,3°C por um período de
pelo menos três semanas. Após revisão
bibliográfica, os autores apresentaram diretrizes
sobre a melhor maneira para avaliação desses
pacientes.
As causas identificadas
pelo quadro febril incluíram processos infecciosos
(28%), doenças inflamatórias (21%), neoplasias
(17%), arterite temporal (16%) e trombose venosa profunda
(3%). Em 19% dos casos, nenhum diagnóstico definitivo
pôde ser estabelecido. Nesse grupo, entretanto, a
maioria dos pacientes apresentam resolução
espontânea do quadro febril.
Para a avaliação
inicial, os pacientes devem registrar a temperatura corporal
diariamente. Todos os medicamentos devem ser suspensos por
72 horas, quando possível, para descartar a febre
induzida por drogas. A TC de abdome é capaz de estabelecer
o diagnóstico em 19% dos casos e deve ser um dos
primeiros exames realizados. Utilizando os critérios
de Duke, é possível confirmar ou descartar
a possibilidade de endocardite. Os exames de medicina nuclear
com Tecnécio apresentam especificidade elevada mas
sensibilidade reduzida. A biópsia hepática
é capaz de estabelecer o diagnóstico em 14-17%
dos casos, mas trata-se de um exame invasivo. As culturas
ósseas empíricas raramente têm valor
diagnóstico e não devem ser solicitadas.
Após
descartar o diagnóstico de endocardite, realizar
tomografia computadorizada de abdome, exames de medicina
nuclear com Tecnécio e, eventualmente uma biópsia
hepática, os médicos devem estabelecer o diagnóstico
responsável pelo quadro febril. Entretanto, não
será possível identificar o processo responsável
pela febre em cerca de 1 de cada 5 indivíduos, mas
a maioria desses pacientes apresentará resolução
espontânea da febre. (Nível de evidência:
3ª)