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45 anos, colesterol e pressão normais, há tempos parei de fumar, mas... tive infarto, porquê?

Esse personagem do título da matéria existe e não é rara essa ocorrência. Uma obstrução de um vaso sanguíneo, a artéria coronária, que irriga e leva oxigênio para o coração, é o que provocou o infarto. Para isso acontecer, as causas, chamadas de fatores de risco, deverão agir por anos seguidos numa pessoa. A Medicina conseguiu descobrir alguns desses fatores, e considerou quatro como principais: o colesterol ruim (LDL) acima do normal de 130mg/dl; pressão arterial acima de 130x85, não controlada por meses, o tabagismo (de cigarro ou charuto ou cachimbo) há pelo menos 15 anos e vida sedentária a maior parte do dia. Ao lado desses, existem outras causas possíveis que chamaremos de fatores de risco cúmplices para infarto do miocárdio: o diabetes não controlado; personalidade estressada que reage com agressividade no dia a dia: o tal que quando você lhe dá bom dia, lhe responde: bom dia porquê?; o gordinho com circunferência abdominal maior que 102 cm no homem e 88 cm na mulher, a automedicação de pílulas anticoncepcionais e finalmente a herança genética familiar, isto é, as doenças cardiovasculares que ocorreram nos seus parentes diretos, com menos de 65 anos.

Nosso personagem aparentemente está bem cuidado, mas é possível que, sem saber, ele pode ter um dos cúmplices já citados, como causa do seu infarto ou então, uma novidade: ser portador de um dos novos fatores de risco, a pouco descobertos, como o PCR, a homocisteína e uma gordura chamada de Lpa.

Vários pesquisadores estão tentando descobrir o que é melhor para se tratar essa novas causas de infarto e por enquanto o caminho foi o de incentivar o consumo dos chamados alimentos funcionais, principalmente os que contêm o ácido fólico e vitamina B6, como os grãos, cereais, vegetais de cor verde escura e até mesmo as carnes magras, segundo a nutricionista pós-graduanda da UNIFESP, Miriam Topein Ghorayeb.
Infelizmente as aparências podem nos enganar quanto aos riscos, hoje em dia a avaliação clínica cardiovascular é simples e nos ajuda a descobrir indícios de quem está somando problemas para o futuro.

Esse exemplo, mostra que nada acontece por acaso! A medicina tenta descobrir as causas e corrigi-las. Ter um estilo de vida saudável é trabalhoso, mas possível. Desde a criança até os gurus com mais de 70 anos, todos devem abandonar hábitos não saudáveis e procurar conhecer seu organismo com mais detalhes.

Ter tido um infarto não significa o fim, hoje com medidas modernas de tratamento, consegue-se recuperar para vida normal a maioria dos casos. Quando se é disciplinado no tratamento, a vida é longa e com qualidade. Até os anos 70, o tratamento de um infarto exigia repouso na cama por 7 a 10 dias e em ficar casa por mais 30 dias. Determinava-se que era proibido fazer exercícios durante a hospitalização, que chegava no mínimo há 15 dias. Hoje, a ordem é caminhar no quarto e corredor a partir do segundo dia. Tudo mudou e ganhamos qualidade de vida na recuperação das doenças.


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