Não.
Os estudos mais recentes não aceitam a idéia,
defendida por alguns especialistas no passado, de que recém-nascidos
pré-termo não necessitam de glicemia tão
elevada quanto as crianças nascidas a termo. Essa
teoria era baseada na medida da glicemia de crianças
prematuras aparentemente assintomáticas, mantidas
sem aleitamento materno no primeiro dia de vida, nas quais
se acreditava que valores em torno de 20 mg/dL poderiam
ser considerados normais. Entretanto, novos estudos mostraram
que essas conclusões não eram válidas
e que os valores reduzidos de glicemia estavam relacionados
aos cuidados oferecidos a essas crianças.
Relatos recentes
sugerem que os níveis adequados de glicemia para
as crianças prematuras são semelhantes àqueles
encontrados em recém-nascidos a termo. Em um estudo
retrospectivo, os autores concluíram que 47 mg/dL
é um limite inferior aceitável de glicemia.
As crianças com níveis abaixo desse valor
por um período igual ou maior que 5 dias apresentaram
um maior risco de retardo no desenvolvimento neuropsicomotor
e intelectual após 18 meses de acompanhamento. O
seguimento desses pacientes por períodos mais prolongados
demonstrou que a maioria desses déficits desaparecem,
de modo que por volta dos 7-8 anos observa-se apenas um
desempenho pior nos testes motores e de aritmética.
Por que os
recém-nascidos prematuros têm maior risco de
desenvolver hipoglicemia? Isso ocorre porque essas crianças
apresentam uma menor reserva hepática de glicogênio,
dificultando a manutenção dos níveis
de glicemia através da glicogenólise. Além
disso, embora a quantidade de precursores da glicose seja
normal, as enzimas responsáveis pela neoglicogênese
são induzidas mais lentamente, aumentando o risco
de hipoglicemia principalmente nas primeiras 24-36 horas
após o parto.