Quando
as crianças começam a ter dificuldades para falar, logo
apresenta-se um exército de auxiliares,com frases do tipo
: pense antes de falar ; fale devagar ; respire fundo; repita
comigo… Todos amorosamente empenhados em fornecer à criança
algum tipo de ajuda.
O
que os "ajudantes" não sabem é que num nível de percepção
interno,o que a criança está recebendo são informações muito
negativas quanto à capacidade que ela tem de expressar-se.
Assim o que inicialmente era um problema de disfluência
normal de fala, ou seja, uma inabilidade temporária, que
desapareceria com a maturidade do sistema neurológico e
fonoarticulatório, torna-se a temida gagueira.
Uma
das possibilidades do surgimento da gagueira acontece quando
o indivíduo por não acreditar na sua competência para falar
(num processo não consciente) cria uma série de manobras
e artifícios para tenta "encaixar" sua fala naquilo que
os outros esperam.
Este
"ajuste de performance" gera uma tensão que impede o harmonioso
funcionamento entre os sistemas neurológico, respiratório,
fonatório e articulatório, criando então uma fala ruim,
cheia de repetições e hesitações,chamada popularmente de
gagueira, que só tende a piorar quanto mais a criança se
esforça para livrar-se dela.
Cria-se então um círculo vicioso de comprometimento emocional
e físico, e a fala disfluente acaba sendo registrada no
cérebro como a fala correta daquela pessoa,ou seja,forma-se
uma espécie de mapa cerebral (os engramas) de uma
fala que o organismo aceita como correta,mas que os outros
e o próprio individuo não.
O que era um problema passageiro,torna-se então um distúrbio
emocional,físico e neurológico,que poderá acompanhar o indivíduo
por toda a vida.
O
papel do fonoaudiólogo,é identificar em que nível está o
problema e orientar as pessoas que convivem com a criança
sobre como realmente auxiliá-la.
Caso a disfluência normal de fala tenha efetivamente se
transformado em "gagueira",a indicação será a terapia fonoaudiológica.
Na terapia serão trabalhados desde os fatores físicos e
emocionais relacionados com a fala, até a formação de um
novo "mapa neurológico",com informações sobre um novo padrão
de fala, correto agora em todos os sentidos.
Nem
todo o "gaguejar" é gagueira!
Pais,professores,pediatras
devem ficar atentos e procurar a orientação do fonoaudiólogo,antes
de alarmarem a criança e fazê-la perceber que sua fala não
está dentro dos padrões.
Tudo o que a criança quer é comunicar-se,é fazer parte do
maravilhoso mundo de idéias dos adultos.
A mensagem,o conteúdo da linguagem ,é o que tem que ser
valorizado antes de tudo.
Quando a idéia é esquecida e somente a forma da expressão
é valorizada,a criança não sente apenas que sua fala é rejeitada,ela
sente que suas idéias não tem valor…