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Febre: vilão ou vítima?

Um dos maiores obstáculos para as mamães tratarem os seus filhos pela Homeopatia é a famigerada febre!
Esse monstro devorador de criancinhas inocentes causa um verdadeiro pânico nas mães que acreditam que a Homeopatia acha que a febre não deve ser combatida com antitérmicos.

Essa questão merece uma análise:
Em 1º lugar há que se entender que a febre não é uma doença, mas sim um sinal que o organismo está reagindo contra algum stress, que pode ser físico, biológico ou até emocional. Quando somos ameaçados, respondemos formando anticorpos, acelerando nosso ritmo cardíaco e nossa respiração e conseqüentemente gerando mais calor. Esse calor gerado na batalha é a febre.

A febre alta representa portanto uma resposta interna de nosso sistema imunológico e não está relacionada à gravidade da doença. É falso o raciocínio de que 38ºC pode ser uma gripe e 39ºC deve ser uma pneumonia. Outra coisa a se considerar, é que uma criança de 10Kg aumentará mais a sua temperatura corpórea mais que um adulto de 60Kg, submetidos à mesma infecção! É mais fácil aquecer uma xícara de água do que uma panela.

Para o homeopata a febre representa um momento muito importante, pois certos sintomas peculiares aparecem ou se tornam mais aparentes, justamente quando a temperatura se eleva, favorecendo a busca do medicamento mais adequado.

Se a febre é alta ou baixa, de início súbito ou gradual, acompanhada ou não de tremores, transpiração ou sede, com extremidades frias ou quentes, com prostração ou inquietude, mostram a diferença entre duas crianças com a mesma doença, por exemplo: amigdalite. Até o horário de aparecimento e a distribuição do calor (pescoço quente ou barriga muito quente) pode contribuir para uma melhor individualização do caso.

Respeitar as defesas orgânicas também favorece uma maior atenção e observação dos filhos e a aproximação resultante é um fator nada desprezível na recuperação da criança enferma.

Há que se deixar claro que o homeopata não quer que a criança e a mãe sofram. Se a febre estiver trazendo muitos incômodos, ela deve ser atenuada com banhos, compressas, muita hidratação, roupas leves, possivelmente medicamentos homeopáticos.

E se no meio da madrugada aparecer uma febre muito alta e a mãe recorrer a velha novalgina, não estará cometendo nenhum pecado. Vale o bom senso!

Mas e a convulsão doutor?
Não é perigoso deixar a criança chegar até os 39ºC ?
A resposta quem dá é a Medicina e não apenas a Homeopatia.

A convulsão febril aparece em 02 a 03% da população, quando a temperatura se eleva de forma brusca em crianças previamente sensíveis a essa alteração. Não está portanto ligada ao grau da temperatura e sim, a sua velocidade de aparecimento e ascensão.

Isto significa que uma criança não sensível (97% da população) pode apresentar febre alta sem qualquer risco para o sistema neurológico.

No caso de uma convulsão, é necessário levar ao hospital e estabelecer se esta foi desencadeada por uma meningite ou uma encefalite e somente após descartadas essas razões é que podemos supor que o fator desencadeante possa ter sido a febre.

Portanto se o médico homeopata examinar bem o seu filho e mostrar-se seguro no encaminhamento do tratamento, pode tranqüilizar-se, e não será por causa da febre que você terá que brigar com a Homeopatia. Procure sempre uma posição de bom senso e equilíbrio para seu filho e sua própria ansiedade.

Editora responsável: Dr. Nicolas Roberto Schor
Médico graduado pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com especialização em Pediatria e Homeopatia, ex-diretor do Departamento de Homeopatia da Associação Paulista de Medicina - APM


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