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Escola
- Difícil decisão
Com
várias alternativas diferentes, o que pais e mães precisam
saber escolher onde querem matricular seu filho.
Quais
são os primeiros sinais de que a criança se integrou aos colegas
na escola?
Não chorar ao ser deixada na porta da escola e, ao chegar
em casa, contar para os pais o que fez e lembrar o nome
de alguns dos novos amiguinhos.
Para quem duvida que pais e mães são todos produzidos num
único forno, uma sugestão. Dirija-se à porta de uma pré-escola
num início de semestre ou ano letivo, quando começam as
novas turmas, e observe o movimento. Enquanto as crianças
em geral estão animadas com a novidade, os pais mostram
o que pensam quando o portão se fecha separando-os de seus
pingos de gente com suas lancheiras. As expressões variam,
naturalmente, mas pais e mães costumam ficar tristes e absolutamente
inseguros com a opção que fizeram de mandar para a escola
uma criança com apenas 2 anos, um quase bebê. E, mais precisamente,
para aquela escola da qual poucos ouviram falar, tinham
uma ou outra referência, mas nada que desse a eles, digamos,
a certeza da opção. Nas grandes cidades, há centenas de
escolas, todas custando mais ou menos a mesma coisa e com
aparência semelhante. O que essa escola tem assim de tão
especial? Decidir onde matricular seu filho é tarefa tão
complicada que nem os especialistas têm uma resposta pronta
sobre como fazer isso, uma espécie de guia. Mas há alguns
cuidados básicos a ser seguidos, como forma de tornar a
missão menos impossível.
Antes de tomar a decisão, os pais precisam ter dois pontos
bem claros. O primeiro, são as razões da sua insegurança.
Há pais mandando um filho para a escola porque nasceu outro
bebê. Outros, porque a mulher vai voltar a trabalhar ou
quer algumas horas a mais para si própria. Há ainda quem
apenas queira que seu filho conviva com outros de sua idade.
Como muitas mães até então não tinham estado tanto tempo
longe dos filhos quanto as três ou quatro horas que eles
vão ficar na escola, é normal que elas se sintam culpadas.
E isso faz aumentar a insegurança quanto à escolha. "Quando
os pais se sentem assim culpados, é bom que pensem que,
graças à escola, seus filhos vão ficar mais independentes,
experientes e maduros", diz a coordenadora pedagógica Ana
Isabel Lima Ramos, do Rio Grande do Sul. O outro ponto que
precisa ficar claro é o que se deve esperar de uma pré-escola.
Embora seja tida como o começo dos estudos, a escolinha
do seu filho não existe para alfabetizá-lo precocemente.
Nesse momento, ela vai ajudar seu filho a começar a compreender
o que é sair de casa todo dia e a conhecer os rudimentos
do que significa conviver em grupo.
Para escolher a escola do filho, os pais não podem fazer
outra coisa a não ser visitar os estabelecimentos. Recebeu
uma boa dica de um amigo? Ótimo, considere qualquer sugestão
de escola, mas não deixe de visitar o lugar. Quer colocar
a criança na mesma escola onde o pai ou a mãe estudaram?
Excelente, já que tradição sempre conta pontos. Mas visite
antes, até para ver se o estabelecimento mantém a mesma
qualidade. Não há escola que resista a um olhar criterioso.
O espaço é amplo? Muito bom. As pias dos banheiros estão
colocadas na altura das crianças? Ótimo. Há muitas escadas?
Mau começo. São detalhes, mas é aí que mora a diferença
entre as escolas boas e ruins. A médica carioca Rosa Helena
de Carvalho Zarur, de 35 anos, que contatou ou visitou nove
escolas antes de decidir onde matricular Letícia, de 1 ano
e 7 meses, chegou a descartar uma delas porque as funcionárias
responsáveis pela cozinha tinham as unhas sujas e não limpavam
direito a geladeira. Em outras, o que incomodou Rosa foi
o "clima" do lugar. "As crianças estavam superquietinhas,
apáticas, pareciam meio tristinhas. Decidi cair fora", conta
Rosa Helena.
Idealmente, as escolinhas deveriam oferecer às crianças
um ambiente seguro e estimulante, supervisionado por adultos
atentos e preparados e nada mais. Tendo isso em mente, os
pais podem se preparar para fugir de algumas ciladas. Uma
delas é querer resolver a parada discutindo com a escola
sua linha pedagógica. A maioria delas diz seguir o construtivismo,
teoria surgida a partir do pesquisador suíço Jean Piaget,
que considera as crianças prontas para aprender a partir
de sua própria realidade, sem o auxílio de cartilhas especiais.
"Na prática, mesmo escolas que dizem ter linhas diferentes
são parecidas. O que as diferencia realmente são o espaço,
a disciplina e a infra-estrutura que oferecem", diz Gisela
Wajskop, especialista em educação infantil do Ministério
da Educação. Cuidado também com as escolas que se propõem
a acelerar o desenvolvimento intelectual do seu filho. A
esmagadora maioria das crianças pequenas não está pronta
para a educação formal e pressioná-las pode ser extremamente
prejudicial. Outro cuidado redobrado deve ser com a taxa
de renovação dos professores. Se são substituídos com freqüência
e o mais velho deles tem dois anos no estabelecimento, quem
poderá recomendá-los?
Há, no entanto, um ponto central a ser observado: o preço.
Na hora de escolher onde vai colocar seu filho, saiba que
educar é um negócio em que gastar dinheiro é positivo -
diferentemente dos supermercados, que vivem fazendo promoções.
Em outras palavras, preço baixo definitivamente não é uma
virtude pedagógica. Em Salvador, uma pré-escola custa por
volta de 300 reais por mês. Em Brasília, sai por cerca de
400, em Porto Alegre, 450, e em São Paulo e no Rio de Janeiro,
entre 400 e 800 reais. O preço se justifica, entre outras
razões, porque as boas escolas têm professores ganhando
bons salários e mantêm uma média alta de "tios" e "tias"
por sala de aula. "Os seis primeiros anos da vida escolar
são os mais produtivos e importantes na aprendizagem do
ser humano", diz a pedagoga paulista Regina Scarpa Leite.
"Estar numa boa escola nessa fase é fundamental."
Houve um tempo em que as crianças iam para a escola com
6 ou 7 anos de idade, para começar a alfabetização. Numa
fase seguinte, as crianças passaram a ser matriculadas aos
3 ou 4 anos. De dez anos para cá, a idade despencou no Brasil
e as crianças estão indo com 2 anos, ainda de fralda. O
maior motivo dessa antecipação, sabe-se, é o aumento do
número de mulheres no mercado de trabalho. Se antes as crianças
ficavam em casa sendo cuidadas por elas, hoje têm de ir
para a escola enquanto a mãe está no trabalho. "Antes se
achava que a creche era um mal necessário, e hoje se sabe
que é um bem necessário", diz Aristeo Leite Filho, professor
de pedagogia da Pontifícia Universidade Católica do Rio
de Janeiro.
Ter a capacidade de ler mais cedo do que as demais crianças
quer dizer alguma coisa?
Não. Quando a criança começa a ler cedo, apenas demonstra
eventual interesse por livros.
A maior parte do tempo que a criança fica na escola ela
gasta brincando. Para isso, têm materiais os mais variados,
como canetas coloridas, lápis de cera e toda sorte de tintas.
Uma das grandes diversões desse período é voltar para casa
com algum desenho ou colagem feito por ela própria. Quando
a escola é boa, a criança se diverte a ponto de querer voltar
no próximo dia, e pelos anos seguintes. Além do lado lúdico,
ir à escola cedo pode ser muito útil para o aprendizado
de matemática e a alfabetização. Foi o que constatou uma
pesquisa da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo,
feita com 3.600 alunos das primeiras séries do primário
da rede pública estadual. Entre os que fizeram a pré-escola,
a média em português e matemática foi quase 10% mais alta
do que entre os que não freqüentaram. Segundo os especialistas,
quem passa pela pré-escola também está acostumado a esperar
a vez na sala de aula, dividir o brinquedo com o colega,
sentar-se na hora que pedem, evitar o que é proibido, falar
em grupo, contar uma história quando pedido, expressar o
que pensa com confiança, se sentir mais seguro no ambiente
fora de casa. Mesmo pais muito presentes não conseguiriam
suprir todos esses benefícios. "Quando vão para a escola,
as crianças dão o primeiro passo rumo ao mundo exterior.
Daí por que é preciso escolher um lugar de alta qualidade",
diz Leite Filho.
O que saber do colégio
Escolher a escola do filho é mais complicado do que apenas
verificar se a mensalidade se encaixa no orçamento doméstico.
Abaixo, seis itens importantes aos quais prestar atenção
quando estiver visitando um colégio:
Agenda: A boa escola mescla as atividades. Depois
de um trabalho que exige concentração, a criança precisa
de relaxamento ou de uma atividade motora.
Apoio: A escola precisa estimular a autonomia da
criança, incentivá-la a lavar as mãos, vestir a roupa, cuidar
da mochila e guardar os brinquedos. O cardápio das refeições
deve ser elaborado com a orientação de nutricionista.
Espaço: O ideal é que a escola tenha alguma área
verde e parquinho com brinquedos. Atenção para as salas.
Devem ser ventiladas e bem iluminadas e ter boa acústica.
Olho nos móveis. Não devem ter quinas.
Passeios: Para tornar o convívio mais agradável,
é conveniente que a escola promova viagens curtas e passeios.
Alguns colégios distribuem uma agenda com os telefones dos
colegas para viabilizar encontros nos finais de semana.
Professores: Além de qualidade, quantidade é item
importante no corpo docente. Um professor pode cuidar de
doze crianças, desde que tenha um ajudante para auxiliar
nas refeições e na higiene.
Reuniões: Além de poder contar com comunicados freqüentes
e reuniões, os pais devem ser bem-vindos a toda hora, desde
que não atrapalhem a rotina das crianças.
Fonte:
Revista Veja - Especial Bebês 2000
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