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Dor de cabeça infantil

Alguns bebês sofrem de enxaquecas dignas de um adulto. Relaxamento, banhos aromáticos e mudança de hábitos podem enfraquecer as crises.
Uma em cada quatro crianças de até 5 anos teve pelo menos um episódio de enxaqueca nos últimos 12 meses

Irritante, a dor de cabeça não poupa nem os dias de infância. "Tenho crises desde 1 ano de idade", conta Natália Romeo, que está com 13 anos e mora em São Paulo. "As dores aparecem no lado direito da cabeça. Meu estômago fica ruim e perco o apetite. Na época em que era mais nova, chegava a vomitar."

Os medicamentos aliviam. Mas existem métodos naturais que contribuem nessa tarefa. Ensinar a criança a relaxar e a mudar seus hábitos é a forma mais saudável de combater o problema, além de diminuir a freqüência das dores.

Remédios podem piorar as crises

Quando a dor vem, os pais entram em pânico. Imaginam logo o pior. Aneurisma. Tumor. Meningite. "Por sorte, na maioria das vezes não é nada grave", tranqüiliza o neurologista Erasmo Casella, do Instituto da Criança de São Paulo.

Tal apreensão costuma trazer problemas. A dor de cabeça é tida como coisa de gente grande - grande demais para uma criança. Na ânsia de curar o filho, os pais vasculham a caixa de remédios. Ufa!, pensam, ainda bem que há um analgésico em casa. "Mas o uso indiscriminado desse tipo de remédio faz o organismo deixar de produzir de forma espontânea a barreira protetora contra a dor", explica a psicóloga Angela Fernandes, de São Paulo. Ou seja, talvez surjam crises piores.

Se os pais conseguem controlar a ansiedade, podem lançar mão de tratamentos naturais. Eles vão ajudar não somente numa crise específica, mas naquelas que ainda estão por vir, diminuindo a freqüência de novas dores de cabeça.

Escreva um diário

O passo mais importante é descobrir o que está provocando o sintoma. Compre uma agenda. Quando a dor chegar, anote naquele dia o que pode estar por trás. "Ponha no papel tudo o que achar importante", ensina o neurologista José Luiz Guerpelli, de São Paulo. O que seu filho comeu no dia? Ficou muito tempo no sol? Dormiu pouco? Brigou com alguém? Todos esses itens podem ser relevantes.

"As emoções são as maiores responsáveis por essas dores nas crianças", afirma Marco Arruda, neurologista do Ambulatório de Cefaléia na Infância do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. As crises costumam aparecer depois de broncas ou de problemas na escola.

Quer dizer que notas vermelhas no boletim desencadeam dor de cabeça? "Pode acontecer, mas, de modo geral, os enxaquecosos são bons alunos", revela Gherpelli. "O problema é que eles exigem demais de si mesmos", completa. Muitas das crianças que têm enxaqueca são perfeccionistas. Estão sempre buscando a nota mais alta e, no entanto, mesmo que tenham um excelente desempenho escolar, nunca se contentam. Uma das formas de ajudar é diminuir o número de cobranças ou ensinar-lhes novas maneiras de lidar com os desafios.

A luminosidade e o calor detêm o segundo lugar na lista dos causadores da enxaqueca. De acordo com o Ambulatório de Cefaléia de Ribeirão Preto, 40% das crianças acusam que o sol é um dos gatilhos da dor.

Dormir demais ou de menos pode desenvolver a enxaqueca. Também é importante que a criança vá para a cama sempre na mesma hora. "Quem não respeita horários fica mais vulnerável ao estresse e à dor de cabeça", observa o clínico geral Alexandre Feldman, especializado no tema.

Alguns médicos consideram que a dieta desbalanceada é uma das grandes vilãs. Muito chocolate, refrigerante, doces e comidas gordurosas costumam resultar em dores de cabeça. A falta de comida também pode ser prejudicial para quem tem tendência ao problema. Por isso, muitos pediatras sugerem que seus pacientes mirins façam seis refeições por dia, evitando períodos de jejum.

A atividade física para algumas crianças está associada ao tormento. Dar o sangue no futebol do recreio ou no jogo de queimada pode provocar dores, mas só nos que já são enxaquecosos. "Certas enxaquecas estão nitidamente relacionadas com o esforço físico além da conta", diz o neurologista Luiz Gherpelli.

Referência: Ambulatório de Cefaléia na Infância do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo

Fonte: Duda Teixeira - Revista Saúde É Vida! - Maio 2001

 


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