Síndrome do Cólon
Irritável (SCI)
Este é
o nome dado pelos médicos a uma situação
em que o intestino grosso comporta-se mal e apresenta distúrbios
funcionais a despeito de não se encontrar nenhuma doença
que possa explicar essas alterações.
Como tudo acontece?
Episódios
curtos de mau funcionamento intestinal que se resolvem por
si mesmos são tão comuns que fazem parte de
uma vida normal (ver tabela à pág. 60). Entretanto,
em algumas pessoas, o intestino continua a funcionar mal,
mesmo depois de ter desaparecida a causa original do distúrbio.
Se essas pessoas procuram um médico, é provável
que o diagnóstico seja de uma SCI.
O que aconteceu
é que seus intestinos ficaram hipersensibilizados,
isto é, tornaram-se mais sensíveis. Eles foram
hipersensibilizados pelo distúrbio original ou pelas
reações psicológicas ao distúrbio.
O intestino grosso, incluindo o reto, torna-se mais facilmente
estimulável a entrar em atividade do que deveria.
Essa atividade pode ser excessiva, isto é, os músculos
contraem-se mais fortemente do que deveriam.
Entretanto,
o problema principal é que os sinais do intestino
atingem o sistema nervoso no cérebro (e daí
à mente) consciente mais freqüentemente do que
deveriam. Esses sinais são registrados como sensações
desagradáveis como dor, empachamento, urgência
de eliminar gases ou urgência de evacuar. Infelizmente,
quase sempre se estabelece um círculo vicioso. Focalizando-se
a atenção em uma determinada parte do corpo,
torna-se mais fácil para que sinais daquela parte
alcancem a mente consciente.
Se você
tiver uma pequena coceira em suas costas e focalizar sua
mente nela, vai se tornar uma coceira mais forte. Se você
sente uma pontada em algum lugar e focaliza nela, pode tornar-se
uma dor. Todas as sensações do corpo podem
ser amplificadas quando se dá atenção
a elas e, por outro lado, podem ser atenuadas ou mesmo abolidas
quando se desvia a atenção para alguma outra
coisa.
As sensações
vindas dos intestinos são mais difíceis de
serem ignoradas do que coceiras ou pontadas porque têm
um componente alarmante ou vexatório. Infelizmente,
o alarme ou o constrangimento são, com muita freqüência,
os primeiros passos que levam a uma focalização
da mente nos intestinos e, dessa maneira, mesmo sem ter
a intenção, pode-se torná-los hipersensíveis.
Mais adiante neste livro há uma seção
onde falamos mais sobre essa importante relação
entre a mente e os intestinos (ver pág. 63-73).
Pode ser uma coisa séria?
Muitas pessoas
com SCI procuram o médico com medo de ter alguma
coisa séria como câncer, colite, úlceras
ou AIDS. Esse temor não é justificável.
Os sintomas da SCI apresentam muitas características,
mostrando tratar-se de um problema funcional e não
de alguma doença séria.
1.
De maneira geral os sintomas aparecem e desaparecem em horas
ou dias. Por exemplo, empachamento ou estufamento do abdômen
tendem a piorar à medida que o dia passa, mas desaparecem
à noite. Em doenças graves, os sintomas são
persistentes. Há algumas exceções como
a dor devida a cálculos biliares, mas mesmo estas
não representam nenhuma ameaça séria
à vida.
2.
As características dos sintomas da SCI variam com
o tempo. A dor, por exemplo, pode ser sentida sem diferentes
lugares ou a aparência das fezes pode variar de um
dia para o outro. Em doenças graves, os sintomas
tendem a ser mais estereotipados.
3.
As dores da SCI possuem características indicando
que suas origens estão no intestino. Por exemplo,
elas podem diminuir quando o intestino é esvaziado.
É comum, para alguém com SCI, mudar seu hábito
intestinal quando ocorrem as dores tipicamente, as fezes
tornam-se mais moles e mais freqüentes. Paradoxalmente,
às vezes, essa mudança é bem-vinda
- isto é, em pessoas com tendência à
constipação. Embora existam doenças
graves que causem dor e mudança de hábito
intestinal, elas são muito mais raras do que a SCI,
e têm outros sinais óbvios como sangramento
e vômito.
4.
Na SCI há freqüentemente sintomas de um reto
irritável; idas improdutivas ao toalete ("quero,
mas não posso"), fortes sinais de urgência
para defecar e sensação de ainda haver alguma
coisa no reto após uma defecação produtiva.
Com esta sensação, há uma tendência
natural de manter o esforço para defecar, o que,
como já vimos, deve ser evitado porque só
piora a situação. Doenças graves raramente
causam esses sintomas, mas quando isso acontece, são
sempre acompanhados de sangramento anal.
5.
Você pode notar catarro (muco) nas fezes ou mesmo
ter ocasiões em que evacua apenas catarro. Não
há com o que se preocupar, a não ser que seja
copioso e tenha sangue, pois é apenas uma reação
do reto irritado.
6.
Algumas pessoas com SCI notam que passam a urinar com maior
freqüência. Isto é um sinal de que a bexiga
tornou-se hipersensível, como o intestino. Nas mulheres,
o útero e as áreas adjacentes podem tornar-se
igualmente hipersensíveis, o que torna doloroso o
ato sexual.
7.
Em algumas pessoas com SCI, o esôfago e o estômago
também ficam mais sensíveis, de modo que elas
têm uma sensação de empachamento, mesmo
após comer uma refeição de tamanho
normal ou sentir queimação no estômago
depois de comer alimentos que antes não lhes faziam
mal. Outras têm uma fome compulsiva e tendem a comer
demasiadamente.
8.
Durante ataques de SCI, muitas pessoas sentem-se cansadas
e desmotivadas. Na realidade elas sentem um mal-estar geral,
com dores de cabeça e dores nas costas também.
Assim, pode-se
ver que as pessoas com SCI têm muito do que se queixar.
Numa consulta médica, essa multiplicidade de queixas
tem um lado bom e um lado mau. O lado bom é que o
mero número e a variedade dos sintomas são
uma ajuda para que o médico possa deduzir tratar-se
de um problema funcional e não de uma doença
grave. O lado insatisfatório é que alguns
médicos têm dificuldades em interagir com pacientes
com distúrbios funcionais, como é o caso da
SCI. Numa tentativa de restaurar a confiança do paciente,
eles podem deixar escapar uma observação infeliz
como "não há nada errado com você".
Isto é incorreto. Há sim alguma coisa errada,
mas é um comportamento desastrado do intestino e
não uma doença no sentido convencional. A
SCI é uma condição sutil e variada
que mesmo os especialistas não entendem completamente.
Mas isto não significa que não haja nada que
se possa fazer a respeito.
O que se pode fazer
para a SCI?
Como acontece
com todas as doenças e distúrbios do corpo
e da mente humana, o tratamento varia de acordo com severidade
e as circunstâncias do caso. Para muitas pessoas com
SCI, principalmente aquelas com sintomas recentes, tudo
o que o médico tem a fazer é dizer exatamente
o que está errado e por quê. Isto quebra o
círculo vicioso "reação do cólon-reação
emocional" e o intestino acalma-se.
Algumas pessoas
precisam mudar as suas dietas. No caso de algum alimento
ou bebida em particular ter desencadeado um ataque ou piorado
os sintomas, ele deve ser evitado ou limitado até
que o ataque tenha passado. Se há uma tendência
à constipação, o que freqüentemente
ajuda é adotar uma dieta rica em fibras (ver pág.
30-31), a menos que isso cause empachamento. Algumas pessoas
precisam abandonar o café, pois este estimula o sistema
nervoso, incluindo a região que controla o intestino.
As pessoas que têm diarréia não alternada
com constipação, podem estar reagindo a um
item comum de suas dietas, como o trigo ou laticínios.
Essa identificação é muito complicada,
de modo que qualquer pessoa que ache ter um problema dessa
ordem deve procurar os conselhos de um nutricionista.
Drogas podem
ser uma solução a curto prazo, mas não
são uma solução permanente. As mais
comumente prescritas são fibras hidrófilas
e drogas que causam o relaxamento dos músculos do
intestino e preparações derivadas do óleo
de hortelã. Freqüentemente, as pessoas com SCI
se beneficiam de mudanças em seus estilos de vida,
o que as ajuda a relaxar e enfrentar melhor as situações
estressantes. Exercícios físicos regulares
ajudam, da mesma forma que a ioga, o t'ai chi e a meditação.
Para algumas pessoas, a coisa mais importante a fazer é
livrar-se de um relacionamento que as mantêm tensas,
enraivecidas ou deprimidas.
Outras pessoas
já precisam dedicar mais tempo ao relaxamento e ao
desenvolvimento pessoal. Cada pessoa tem suas próprias
necessidades, mas podem ter dificuldade em olhar objetivamente
para si mesmas e identificar a área do problema.
Deve-se sempre buscar a ajuda de um conselheiro sábio.
É cada vez mais comum o fato de clínicas gerais
empregarem conselheiros treinados. Se você quiser
paz com seus intestinos, precisa ter paz em sua mente.
Pontos centrais
- A síndrome de cólon
irritável (SCI) ocorre quando os intestinos continuam
a se comportar mal, mesmo não havendo uma doença
subjacente.
- A atitude mental do sofredor
tem uma grande influência na severidade e na duração
da SCI.
- O tratamento pode envolver
mudanças no estilo de vida e na dieta; remédios
podem ajudar por períodos curtos. Cada
sintoma da SCI pode, individualmente, ser causado por uma
doença mais grave, portanto, em caso de dúvida
consulte o seu médico.
Fonte: Isto
É - Guia da Saúde Familiar - Intestinos
nº 9.
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