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Problemas frequentes nas costas

Agora que sabemos como a coluna é constituída, é mais fácil compreender onde e por que surgem os problemas.

Dor nas costas inespecífica

Muitas pessoas com problemas nas costas apresentam períodos breves de dor, dos quais se recuperam completamente. Não é feito nenhum diagnóstico bem determinado e por isso suas dores são consideradas inespecíficas. Investigações detalhadas não são necessárias e, com freqüência, não se pode determinar a causa específica subjacente à dor. Algumas vezes, o indivíduo tem áreas sensíveis ao toque em torno da coluna ou entre o sacro e o osso da pelve, o ilíaco. A dor pode ser causada por distensão dos ligamentos, tendões e outras partes moles.

Embora a causa seja geralmente desconhecida, muitas vezes utiliza-se termos como tensão lombosacar ou sacroilíaca, como se o médico tivesse realmente feito um diagnóstico. O termo "dor nas costas inespecífica" é preferível, já que sugere que nós não sabemos a causa do seu problema específico. Uma investigação aprofundada sobre a causa do problema só é necessária quando a dor não melhora.

Discos deslocados

A maioria das pessoas já ouviu falar sobre discos deslocados, mas este é um nome incorreto porque os discos não podem, de fato, se deslocar. Eles podem se desgastar, se partir ou se romper. O que acontece é que, após um stress na coluna - freqüentemente envolvendo um movimento de inclinação, rotação ou de levantamento de peso - o disco se rompe ou sofre um prolapso e o núcleo central gelatinoso é expelido para fora através de uma fissura no anel fibroso externo. Atualmente acredita-se que a maioria dos discos prolapsados já apresentavam alterações de desgaste anteriores e que o stress na coluna apenas desencadeou o problema. Em outras palavras, o disco já era anormal e se romperia de qualquer modo em algum momento. Aquele stress específico provavelmente funcionou como a "última gota".

A polpa gelatinosa, ao ser expelida para fora, pressiona o nervo mais próximo, causando dor nas costas intensa, que se irradia pela perna, chegando, muitas vezes, até o pé. Você pode sentir dormência e formigamento, especialmente na parte inferior da perna e no pé. Algum de seus músculos podem enfraquecer e o reflexo do tendão de Aquiles, testado com toques de martelo no tendão, pode desaparecer. O local destas alterações permite que o médico identifique exatamente qual o nervo danificado.

A dor causada por um disco que se rompeu pode ser muito intensa. Em geral os sintomas melhoram aos poucos até desaparecerem completamente. Contudo, uma vez que o disco se rompeu, será sempre vulnerável e sempre haverá o risco de uma nova crise de dor nas costas.

Ciática

Na medida em que a região lombar é aquela que suporta o maior peso e a maior pressão para se curvar, os nervos mais freqüentemente danificados são: a Quinta raiz nervosa lombar (que emerge da coluna entre a Quarta e a Quinta vértebras lombares) e a primeira raiz nervosa sacral. Estes dois nervos se juntam a outros formando o nervo ciático, que desce pela parte posterior da perna até o pé. A dor que surge em conseqüência de danos a este nervo é conhecida como ciática. Os nervos ciáticos são os maiores nervos do corpo. Eles partem das regiões lombar e sacral da coluna e seguem para baixo pela parte posterior das pernas.

Espondilose lombar

A espondilose, ou desgaste da coluna, é muito freqüente. Estas alterações se iniciam por volta dos 25 anos e estão presentes na maioria de nós na meia-idade. Esta é uma das principais razões pelas quais os atletas estão no pico da sua performance por volta dos 20 anos de idade.

A coluna lombar carrega o peso de todo o corpo, assim como de qualquer coisa que você esteja carregando, além de ser responsável por torcer e curvar o corpo. É por isso que as alterações causadas pelo desgaste são mais comuns na região lombar e são denominadas espondilose lombar.

A espondilose lombar é mais provável na região inferior especialmente entre a Quarta e a Quinta vértebras lombares (L4/L5), causando a ciática. Ela afeta tanto os discos como as juntas facetadas. Perde-se material do disco e da cartilagem que reveste as juntas facetadas. O osso das margens das juntas facetadas e dos discos se alarga, limitando os movimentos e, portanto, enrijecendo a coluna. Ele pode comprimir os nervos, os ligamentos e outras estruturas, causando dor. Contudo, isto é tão deprimente como parece. O fato de você sofrer estas alterações causadas pelo desgaste não significa que você está destinado a Ter dor nas costas. Muitas pessoas que apresentam desgaste importante t6em poucos ou nenhum problema, enquanto outras sofrem de crises de dor incapacitante. Conclui-se que as alterações causadas pelo desgaste deste tipo têm, geralmente, pouca importância.

Dor lombar (LUMBAGO)

Um dos problemas mais freqüentes nas costas são os períodos de dor aguda que podem se irradiar para as nádegas e para uma das coxas. Durante a crise, suas costas podem ficar rígidas e sensíveis ao toque. Quando os sintomas são muito graves, a condição é denominada lumbago. A dor pode durar um ou dois dias, ou até duas semanas a cada vez. Ela desaparece completamente então, ou pode persistir e se tornar recorrente. Os sintomas podem se agravar devido à postura inadequada ou ao transporte de cargas pesadas.

Raios-X freqüentemente indicam a presença de espondilose lombar, mas as pesquisas têm revelado que estas alterações também são muitas vezes encontradas em indivíduos que não apresentam nenhum sintoma. É difícil, portanto, avaliar qual o seu papel no aparecimento da dor. Como resultado, o termo "dor nas costas inespecífica" é usado com freqüência para descrever a dor lombar.

Problemas nos nervos

Os nervos podem ser facilmente prensados, dentro do canal vertebral e quando emergem das laterais da coluna vertebral, por discos, juntas facetadas ou vértebras danificadas. Quando um nervo é prensado, sua capacidade de transmitir mensagens é prejudicada. Quando isto acontece, você pode sentir dor ou uma sensação de dormência ou formigamento na área inervada pelo nervo e os músculos que ele controla na sua perna ou pé podem enfraquecer. A medula espinhal transmite estas sensações para o cérebro - é um pouco parecido com a interferência em um fio de telefone, que produz ruídos desagradáveis e baixa qualidade de som. Na verdade, as pesquisas atuais indicam que a situação é bem mais complicada que isso. Alterações na própria medula espinhal podem afetar a mensagem de dor. Isto pode explicar por que alguns pacientes continuam a apresentar sintomas generalizados e prolongados quando a lesão original no nervo já foi sanada e não há evidência suficiente de algo de errado nas costas.

Coccidínia

Este é o nome dado à dor na extremidade inferior da coluna vertebral, ou o cóccix. Geralmente não se encontra nenhuma causa para ela. Uma almofada em forma de anel pode ser utilizada para aumentar o conforto na hora de sentar, embora a condição geralmente se resolva por si mesma com o tempo.

Problemas no pescoço

Vamos abordar rapidamente os problemas mais freqüentes no pescoço. O pescoço possui a mesma estrutura básica de toda a coluna e está, portanto vulnerável a problemas dos discos e a alterações causadas pelo desgaste. Enquanto a dor na região lombar geralmente se irradia para as pernas, a dor no pescoço pode envolver os ombros e os braços. Para os problemas de pescoço sem complicação o tratamento com repouso, analgésicos e talvez a fisioterapia é geralmente suficiente. Um colete para pescoço pode ser útil para garantir o devido apoio e descanso ao pescoço.

Torcicolo

Muitas pessoas já tiveram a experiência de acordar com pescoço rígido e dolorido sem causa aparente. O pescoço só se mexe em uma única direção e os músculos da parte inferior podem estar sensíveis ao toque. Não há nenhum outro problema no resto das costas, braços ou pernas. A dor está associada a um espasmo muscular e se resolve com um colete e analgésicos, em três ou quatro dias. Ocasionalmente, uma leve tração do pescoço pode ajudar.

Traumatismo em chicotada

Este é um problema comum após um acidente de carro, quando o impacto repentino não permite que os músculos se preparem, levando a cabeça a se mover como um pêndulo sobre o pescoço. Nos casos mais simples, apenas os ligamentos do pescoço sofrem uma distensão e a dor e rigidez resultantes são causadas por um espasmo muscular, que funciona como um mecanismo de proteção. Se não houver nenhum outro problema, tudo o que se precisa é de um colete, de analgésicos e, eventualmente, de fisioterapia. Para a maioria dos pacientes, o retorno às atividades normais tem os melhores resultados. Em alguns casos, a dor persiste por mais de seis semanas, possivelmente porque a lesão inicial era mais séria e causou danos aos discos ou outras estruturas e danificou ou pinçou os nervos. O tratamento pode envolver uma cirurgia. Quando a dor permanece grave por vários meses, é mais provável que se estabeleça uma incapacidade permanente.

Problemas de disco no pescoço

Os discos do pescoço também podem sofrer um prolapso, embora isso seja menos freqüente que na região lombar. O pescoço torna-se extremamente rígido e pode haver dor que se irradia pelo braço. Pode-se perder a força, as sensações e os reflexos do braço. Na maioria dos casos, a dor se resolve com repouso, analgésicos, tração quando necessário e um período de retorno gradual às atividades, usando-se um colete. A fisioterapia para fortalecer os músculos do pescoço também pode ser útil.

Problemas de desgaste

Alterações deste tipo são extremamente comuns no pescoço e são conhecidas como espondilose cervical. Elas podem não causar problemas, ou provocar dor associada à dor de cabeça e/ou à dor no braço. Os movimentos do pescoço diminuem e alguns pacientes apresentam um ponto sensível no músculo trapézio, que se localiza entre o pescoço e os ombros. Mais uma vez, os braços podem perder a força e os reflexos. Pode haver formigamento e comichão nos braços. Nos casos mais sérios, os ossos e ligamentos alterados podem comprimir a medula espinhal, afetando o controle dos braços e pernas, ou uma artéria local, denominada artéria vertebral, resultando em tontura, ruído no ouvido e dor atrás dos olhos. Muitas pessoas que apresentam espondilose do pescoço também apresentam dor na região lombar. Os princípios do tratamento são os mesmos: colete, fisioterapia, medicações anti-inflamatórias, analgésicos e mobilização precoce. Um pequeno número de pacientes pode necessitar de cirurgia.


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