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Como a radiação UV afeta a sua pele

A pele é o maior órgão do corpo, pesando por volta de quatro quilos e cobrindo uma superfície de cerca de dois metros quadrados. Ela ajuda a manter a temperatura corporal, evita a desidratação e nos dá uma boa dose de proteção (se não completa) contra agentes ambientais danosos, particularmente infecciosos (bactérias e vírus ou "germes"), sujeira, poeira e luz solar.

A pele é também extremamente importante para a nossa aparência ao permitir que recebamos sinais sensoriais do nosso ambiente imediato. Finalmente, ela ajuda a destruir organismos que a penetrem e a combater cânceres.

A pele é composta de várias camadas, cada uma delas tem uma função específica: O estrato córneo: esta camada é a camada protetora mais externa

  • São células mortas queratinizadas da epiderme subjacente que são continuamente descamadas e substituídas de baixo para cima.
  • A epiderme é como se fosse uma camada de tijolos de células vivas, conhecidas como queratócitos, que ao se maturarem formam o estrato córneo.
  • A derme: encontra-se logo abaixo da epiderme e funciona como uma camada de suporte e de suprimento da pele, abrigando nervos e vasos sanguíneos, importante para o aporte de nutrientes e oxigênio.
  • A hipoderme: localizada abaixo da derme funciona essencialmente como uma camada protetora, juntando a pele ao resto do corpo; ela contém tecido conectivo e gordura.

Em maiores detalhes, o estrato córneo superficial é duro e inerte, ajudando a prevenir a desidratação e proteger a epiderme subjacente de agressões leves ou moderadas, incluindo os danos da radiação UV e a penetração de "germes".

A epiderme contém vários tipos celulares, particularmente queratócitos, que são como tijolos desta camada, os quais se diferenciam à medida que migram em direção à superfície para formar o estrato córneo. Na base da epiderme encontram-se os melanocitos, regularmente espalhados, os quais produzem a melanina, que é uma substância ou pigmento que absorve a radiação UV e dá o bronzeamento da pele. Um terceiro tipo de células é chamada de Langerbans, que representa uma parte importante do sistema de defesa imunológico da pele, no combate a infecções e tumores. Da mesma forma que a maioria das células, os queratócitos, os melanocitos e as células de Langerhans têm um núcleo central onde se encontra o material genético programador da célula, ou DNA. A lesão do DNA, em particular, dessas células que se renovam continuamente para formar a camada córnea, é tida como importante no processo do envelhecimento da pele e no desenvolvimento de câncer. De modo geral, essa lesão é causada na pele por efeito da radiação UV, mas ela pode ser aumentada pela exposição a vários agentes químicos, particularmente aqueles contidos na fumaça de cigarro.

A derme, sob a epiderme, é formada por uma rede de fibras de sustentação, vasos sanguíneos e linfáticos, folículos pilosos, terminações nervosas e glândulas sudoríparas. O colágeno e a elastina formam a rede fibrosa que dá estrutura a esta camada, conferindo à pele elasticidade, forma e firmeza. Abaixo da derme está a hipoderme, contendo tecido conectivo frouxo e gordura. Essencialmente ela junta a pele ao resto do corpo, provendo, ainda, um certo grau de proteção.

A radiação UV e a pele

Aproximadamene 5% da radiação UV que atinge a pele é refletida, o restante penetra os tecidos, onde sofre dispersão de modo que uma parte sai para fora e outra é absorvida por moléculas nas várias camadas do estrato córneo, da epiderme e da derme. A radiação UV de ondas curtas (290-320nm), a UVB, é amplamente removida no estrato córneo e na epiderme, particularmente pelo DNA e pela melanina, ao passo que a UVA, de comprimento de ondas mais longo (320-400nm), atinge a derme onde é absorvida principalmente pela hemoglobina do sangue ou refletida para fora do corpo.

A radiação UV tem muitos efeitos sobre a pele como resultado de sua absorção por uma variedade de substâncias chamadas cromóforos, das quais a mais importante é o DNA.

Após a absorção de UV, esta estrutura essencial sofre uma série de possíveis alterações químicas a mais conhecida delas resulta na formação do que se tornou conhecido como dímeros da pirimidina. Se esta produção são é interrompida imediatamente, ela tem um poder altamente destrutivo sobre as células, interrompendo o seu funcionamento normal e dificultando a divisão celular. Além disso, agora se sabe que mesmo pequenas quantidades de luz solar incidindo na pele, menos do que seria necessário para causar uma queimadura, freqüentemente causa lesão do DNA ao longo de toda a espessura da epiderme. Felizmente, entretanto, a maior parte dessas lesões são reparadas dentro de horas ou dias, embora sempre reste uma seqüela de lesões permanentes que contribuem para o envelhecimento da pele e, algumas vezes, para um câncer de pele.

Lesões visíveis da pele

A absorção de radiação UV pelos cromóforos da pele (predominantemente a UVB pelo DNA) e as lesões não restauradas dos cromóforos são as causas principais das subseqüentes lesões visíveis da pele, como a queimadura, o envelhecimento e o câncer. Essas lesões são iniciadas de fato em todas as camadas da pele, mas como a UVB é largamente absorvida nas camadas superficiais, antes de atingir a derme a maior parte da lesão imediata que percebemos é na epiderme, embora tanto a UVB como a UVA possam causar lesões nas camadas mais profundas.

Quando o DNA é lesado pela UVB, uma entre as três seguintes possibilidades deve acontecer. A mais provável é a de que a célula repare completamente a lesão por meio de uma série complexa e sofisticada de enzimas. Ao mesmo tempo, substâncias são liberadas e desempenham um papel importante no processo de reparação de outras estruturas moleculares da pele; como parte desse processo, os vasos sanguíneos incham, deixando extravasar líquidos para os tecidos da pele. Esses eventos são percebidos como queimadura solar e fazem parte do processo geral de reparação tissular, que é a inflamação.

A segunda possibilidade, que raramente tem alguma conseqüência séria para a pessoa em questão, é quando a lesão é extensa a ponto de as células não conseguirem se recuperar e morrerem. Isto acontece particularmente após uma queimadura solar severa, quando a pele se enche de bolhas e descasca.

Finalmente, a situação mais séria acontece quando o DNA lesado é reparado inadequadamente. Isso vai resultar na inserção de uma nova peça de DNA, mais provavelmente uma produtora de erros, que é transmitida para as outras células durante a divisão celular. Esse tipo de alteração é chamado de mutação e é a gradativa acumulação delas, principalmente na camada basal da epiderme, que pode levar ao aparecimento de câncer de pele em pessoas suscetíveis. Uma forma menos severa desse processo de mutação leva ao processo de fotoenvelhecimento, como já foi mencionado anteriormente.

Pontos centrais

  • A radiação UV penetra na pele facilmente e lesa algumas moléculas, especialmente o DNA no núcleo das células, o qual é importante para a função celular;
  • Essa lesão do DNA é reparada prontamente, mas algumas anormalidades persistem.
  • Essas anormalidades podem ir se acumulando gradualmente, levando ao fotoenvelhecimento e mesmo ao câncer de pele

Fonte: Isto É - Guia da Saúde Familiar - volume 12 - cuidados com a pele e sol - dezembro/2001.


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