Apesar do alto risco de fraturas subseqüentes após
uma fratura osteoporótica inicial, a maioria das
pessoas com fraturas traumáticas mínimas não
recebem tratamento para a osteoporose. Interessados na assunto,
pesquisadores da University of New South Wales
(Sidney) buscaram determinar se uma intervenção
baseada em informes poderia mudar o manejo para a osteoporose
após fratura.
De acordo com o artigo publicado na edição
de setembro da “Osteoporosis International”,
os resultados indicam que as intervenções
levaram a um modesto crescimento na proporção
de pessoas investigadas com osteoporose, sem, entretanto,
levarem a um aumento significativo nas taxas de tratamento.
Os pesquisadores realizaram entrevistas com 254 pacientes
do ambulatório de fraturas do St. Vincent’s
Hospital ao longo de 15 meses e tiveram como objetivo secundário
definir quais seriam os obstáculos em relação
ao manejo da osteoporose.
Segundo o artigo, foram coletados, no início da pesquisa,
os fatores de risco para fraturas, além de dados
sobre a investigação e o tratamento prévios
para a osteoporose. Os participantes foram então
contatados após três meses para verificar o
acompanhamento. Todos aqueles que não foram investigados
ou tratados por seus médicos de atendimento primário
receberam, aleatoriamente, uma carta personalizada ou a
mesma carta somada a uma oferta de teste gratuito da densidade
mineral óssea. Os participantes foram contatados
novamente após nove meses para registrar investigações
ou tratamentos para a osteoporose.
A pesquisa mostrou que menos de 20% dos participantes receberam
atendimento médico primário no acompanhamento
após 3 meses da ocorrência da fratura. Por
outro lado, “houve um aumento significativo no
numero de pessoas investigadas para osteoporose no grupo
que recebeu a carta mais a oferta do teste de densidade
mineral óssea (38% contra 7% entre aqueles que receberam
apenas a carta)”, afirmam os pesquisadores no
artigo. Entre os testados, uma alta proporção
apresentava baixa densidade mineral óssea (49% deles
com osteopenia e 17% com osteoporose). ”Entretanto,
as taxas de tratamento em ambos os grupos foi muito baixa,
de apenas 6%. Além disso, mesmo entre os poucos indivíduos
(23%) que entraram em contato com seus médicos, apenas
25% receberam recomendação de tratamento”,
diz o texto.
De qualquer forma, a crença de que se tratava de
uma fratura osteoporótica foi um preditor independente
para a realização de teste de densidade mineral
óssea, de follow-up por médico de atendimento
primário ou do tratamento. Outros preditores independentes
foram: idade acima de 50 anos para o follow-up por médico
de atendimento primário; sexo feminino para o fato
de ter feito um teste de densidade mineral óssea;
e ter feito um teste de BMD para tratamento.
Segundo o texto, a baixa adesão ao teste de densidade
mineral ou a realizar uma visita ao médico de atendimento
primário junto com baixas taxas de recomendação
de tratamento mesmo entre aqueles que contataram seus médicos
reflete uma significativa barreira relacionada ao participante
e ao medico em relação ao manejo de osteoporose.
De qualquer forma, “o estudo demonstra que uma intervenção
baseada em informes leva a um modesto crescimento na proporção
de pessoas investigadas para osteoporose; entretanto não
houve um significativo efeito nas taxas de tratamento. A
avaliação da oferta de um teste gratuito de
densidade mineral óssea foi associada a uma taxa
significativamente mais alta de investigação
se comparada à carta personalizada sozinha, mas esta
investigação não afetou as taxas de
tratamento”, concluem os autores no artigo.