O calor
e a umidade tornam esta estação a predileta dos insetos. Para combatê-los existem
inúmeros produtos que, por serem tóxicos, devem ser utilizados com o máximo
de precaução
É tarde da noite. Pssssssss,
o quarto está silencioso, as luzes apagadas e o sono chega. De repente, zzzzzzz...
um zumbido insuportável quebra o clima. Zanzando, um visitante teima em atazanar-lhe
a vida. É o pernilongo. E ele quase nunca está sozinho. No verão os insetos
se acasalam em ritmo frenético. "O calor acelera o seu ciclo de reprodução",
explica a entomologista Vera Machado, da Universidade Estadual Paulista.
Para não virar alvo da bicharada a saída é usar produtos que afastam os intrusos.
Disponíveis em aerossóis, vaporizadores elétricos, espirais e em velas, todos
são eficazes mas, ao mesmo tempo, podem causar danos - e não só aos insetos.
AEROSSOL
- Não tem cheiro, então não faz mal - ledo engano. "Ao aplicar produtos
inodoros, a pessoa perde o controle e exagera na dose", alerta o toxicologista
Igor Vassilief, da Universidade Estadual Paulista. É que o odor
forte alerta quando é hora de parar. E ninguém agüenta ficar muito tempo no
ambiente. Daí todo mundo cai fora e aspira menos substâncias tóxicas.
CUIDADO: Ninguém deve respirar a
névoa. É melhor deixar a área por algum tempo e ficar de olho nas indicações
do rótulo.
VAPORIZADOR
ELÉTRICO - Os aparelhos para tomada podem não ser tão inofensivos quanto
parecem. Ao serem ligados, liberam uma substância chamada piretróide,
extraída de uma flor - o crisântemo - ou sintetizada em laboratório. É ela que
vai afastar o inseto ou, dependendo da dosagem, até matá-lo. O vaporizador deve
ser mantido a uma distância de, no mínimo, 2,5 metros da pessoa.
CUIDADO: Quem tem rinite ou bronquite
deve evitar os vaporizadores de tomada. E eles também não podem ser usados no
quarto de crianças com a menor tendência a alergias.
As vilãs do verão
Entre os insetos voadores,
quem ataca é a fêmea. "Ela precisa do ferro do sangue humano para a maturação
de seus ovos", diz Anthony Guimarães, entomologista da Fundação
Oswaldo Cruz. Ao picar, o bicho injeta uma substância anticoagulante. "É
por causa dela que ocorre coceira e a pele fica vermelha", afirma Ana
Paula Castro, da Sociedade Brasileira de Alergia.
BOMBA
- Feitas para serem enchidas com inseticida líquido, elas já foram mais
populares no passado. Geralmente usam soluções à base de substâncias, como organofosforado
e carbamato, bastante tóxicas. Matam diversos tipos de insetos -- desde moscas
até baratas.
CUIDADO: Ao colocar o líquido dentro
do aparelho, pode haver contato com a pele. É o bastante para uma intoxicação.
Por isso é essencial o uso de luvas. E somente manipule o produto em locais
ventilados.
ESPIRAL
- Estes inseticidas também levam piretróides em sua composição, moléculas
bastante eficientes na missão de afugentar pernilongos e outros voadores. Mas,
por provocar uma fumaceira daquelas, são mais sujeitos a causar reações alérgicas.
CUIDADO:Eles devem ficar longe do
alcance das crianças e dos animais domésticos. É bom deixar o local bem arejado
e não permanecer por lá enquanto estiver queimando. Além disso, é importante
lavar bem as mãos depois do manuseio. er mantido a uma distância de, no mínimo,
2,5 metros da pessoa.
VELA
DE CITRONELA - Quando os bichos sentem o cheiro exalado por esta vela, saem
de perto rapidinho. É que eles não suportam algumas substâncias como citronelal
e geraniol, presentes na sua composição. A citronela, muito parecida com o capim-limão,
é originária da Ilha de Java, na Indonésia.
CUIDADO: "Essa vela não deve ser
acendida em ambientes fechados", aconselha Antony Wong, toxicologista
do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Quando as férias incluem
passeios em áreas próximas de matas, os turistas dividem o terreno com os borrachudos.
Para não ficar se coçando a dica é passar repelente. Segundo o químico Antônio
Celso Sampaio, da Consulcom, empresa de consultoria em cosmética,
os cremes contêm substâncias que afastam os bichos. "Os insetos têm receptores
que localizam a vítima. Os repelentes bloqueiam a ação desses radares e os voadores
ficam desnorteados." Por terem componentes fortes, esses cremes devem ser
aplicados com cautela em crianças. O alergista e pediatra Dirceu Solé,
da Universidade Federal de São Paulo, indica produtos com citronela.
"Em compensação, ela pode reagir com o sol e provocar lesões na pele",
diz Antony Wong. É melhor aplicar tais produtos só no entardecer e, mesmo
assim, ouvir o médico.

Por
Regina Pereira - Revista Saúde É Vida - maio/2001