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A
gestão da asma
Gestão
da asma tem como objetivo final o controle da asma pelo
paciente, no caso você, e não o da asma sobre o paciente.
Quando
os pacientes necessitam somente de um jato ocasional do
inalador paliativo, não há problemas. Porém, os pacientes
com asma significativa necessitam que diretrizes ou "planos
de batalha" sejam desenvolvidos em concordância entre médico
e paciente. Embora já tenha sido dito que a asma é uma condição
muito pessoal e aquilo que é apropriado para um paciente
pode não o ser para outro, algumas diretrizes foram desenvolvidas
recentemente para auxiliar enfermeiros e médicos na gestão
de todos pacientes asmáticos. As diretrizes foram desenvolvidas
por um painel de especialistas representando diferentes
grupos envolvidos na gestão da asma.
As
diretrizes, fáceis de serem seguidas, ainda não foram adotadas
por tantos médicos quanto gostaríamos. Elas baseiam-se numa
série de etapas crescentes no tratamento para controle da
asma e numa série de etapas decrescentes quando a asma parece
estar mais controlada, possibilitando a diminuição de doses
no tratamento.
Antes
de descrevê-las, é conveniente recordar a importância de
medidas preventivas, semelhantes àquelas discutidas em Prevenção
e Auto-Ajuda que incluem o controle de alérgenos. É muito
importante evitar certos medicamentos que causam ou agravam
a asma (aspirina e betabloqueadores, por exemplo). Mesmo
que tenha ingerido estes medicamentos por um certo tempo
sem problemas, se você começar a apresentar chiados, pare
de tomá-los. Você também deve suspender o uso de medicamentos
similares à aspirina e procurar alternativas.
Etapas das diretrizes
As
diretrizes abaixo são Diretrizes Britânicas, recentemente
atualizadas e seguem um método gradativo de controle dos
sintomas da asma, usando uma quantidade mínima de medicamento.
Etapa 1. A maior parte dos pacientes se enquadra
neste nível. Aconselha-se que os pacientes usem seus inaladores
paliativos como indicado. Se você usar, em média, menos
que um jato por dia, nenhum outro tratamento com medicamento
se faz necessário; caso o uso do inalador paliativo aumente,
você deve consultar seu clínico geral. Se você está usando
o inalador mais do que uma vez por dia, passe para a Etapa
2.
Etapa 2. Se você está usando mais do que um jato
por dia do inalador paliativo, você necessita de um inalador
profilático, cuja escolha será feita pelo médico, como
regra geral. Isto deve resultar na diminuição do uso de
um inalador paliativo para menos do que um jato por dia
e na melhoria dos sintomas.
Etapa 3. Se os sintomas persistirem, seu médico
iniciará um tratamento com o aumento das doses anteriormente
prescritas de inalador profilático, ou poderá introduzir
um novo medicamento. Ainda uma vez mais as decisões serão
tomadas pelo médico, mas discutindo-as com você após uma
avaliação de suas necessidades.
Etapas
subseqüentes. Se você ainda apresentar problemas,
outros tratamentos devem ser considerados: doses maiores
dos inaladores profiláticos, o uso oral de esteróides
e de nebulizadores, entre outros. Nesta etapa, você provavelmente
será encaminhado a um pneumologista para avaliação, mas
acreditamos que até esta etapa você pode ser atendo pelo
seu médico.
Etapa
descendente. Em medicina, às vezes, é muito fácil
iniciar um novo tratamento quando os sintomas se tornam
incontroláveis, mas não é fácil parar um tratamento porque
os sintomas estão bem controlados ou porque um novo medicamento
não trouxe maiores benefícios.
Planos
gerenciais
Um
modo de você controlar sua asma é providenciar um plano
gerencial particular. Este se constitui em uma série de
instruções quando as providências de cada etapa começam
a não mais surtir efeito ou em situações em que sua asma
parece estar piorando. Há dois tipos de planos gerenciais:
um que se baseia no fluxo máximo e outro em sintomas.
Planos
gerenciais baseados no fluxo máximo
Um medidor de fluxo expiratório máximo é de fácil uso e
leitura. Um sopro rápido registra o nível máximo do ar expelido
pelos pulmões. Geralmente são feitas três medidas, registrando-se
a mais alta. É suficiente que se registre os valores máximos
duas vezes ao dia (ao se levantar e ao se deitar), embora
algumas vezes seu médico possa pedir que você faça registros
mais freqüentes.
Com
um plano gerencial utilizando o medidor de fluxo expiratório
máximo, você poderá fazer um gráfico com as leituras e metas
a serem atingidas.
O
primeiro valor é o fluxo expiratório máximo tido como meta,
que é geralmente 70% a 80% do fluxo ideal. Se o seu fluxo
expiratório máximo estiver abaixo deste valor, você precisa
ajustar seu tratamento, mas se seu fluxo máximo cair abaixo
deste valor por um período superior a 24 horas, você deve
dobrar seu tratamento com o inalador profilático até que
seu fluxo expiratório máximo suba acima da meta, ficando
estacionário por dois ou três dias.
O segundo valor é geralmente 50% a 60% do nível ideal. Quando
o nível estiver neste patamar, você deverá se utilizar de
uma série de esteróides orais.
Você pode por se próprio tomar esta decisão, embora alguns
médicos prefiram ver o paciente quando da necessidade de
esteróides orais. Um limiar final é aquele em que você deve
procurar assistência médica o mais rápido possível, seja
do seu médico ou do pronto atendimento de um hospital. Este
nível do fluxo máximo será definido pelo seu médico.
O fluxo expiratório máximo pode ser registrado, geralmente,
duas vezes ao dia, num diagrama de blocos ou num gráfico.
Alguns pacientes preferem a segunda opção para poder visualizar
melhor a variação nos níveis de fluxo máximo.
História
de caso 1: Plano baseado no fluxo máximo
William
sempre foi um garoto difícil inclusive em relação à sua
asma. Ele só usava inaladores quando sentia que os necessitava,
e como conseqüência desta atitude, invariavelmente perdia
aulas. Quando chegou no segundo grau, sem que sua asma tivesse
abrandado, seu médico decidiu tentar estabelecer um plano
gerencial.
Pela
primeira vez, William passou a registrar as leituras
de fluxo expiratório máximo em casa, ao levantar-se ao deitar-se.
Para sua própria surpresa, William verificou que
seus fluxos respiratórios máximos variavam consideravelmente,
caindo a 150 ao despertar, mas atingindo 270 à noite.
Tendo entendido o problema, ele passou a usar seu inalador
profilático com mais regularidade e a variação do fluxo
expiratório máximo diminuiu enquanto as leituras aumentaram
chegando a 300-350. Nessa altura ele estava fazendo dois
jatos de esteróides inalados, um pela manhã e outro à noite
e passou a usar o inalador paliativo bem menos vezes.
O
médico deu-lhe, então, como meta, 275, aconselhando-o a
dobrar o uso do inalador profilático se os valores caíssem,
por um período de 24 horas, abaixo desta medida e manter
a dose mais alta até que o fluxo atingisse a meta estabelecida
por pelo menos três dias.
Um
segundo limiar de 175 foi igualmente proposto, abaixo do
qual William sabia que deveria contatar seu médico
para uma série de esteróides orais. Neste caso narrado,
os esteróides orais não foram necessários. William
começou a notar os benefícios de sua terapia regular profilática
e no ano seguinte teve que aumentar seus esteróides inalados
somente em três ocasiões quando seus esteróides inalados
somente em três ocasiões quando o fluxo expiratório máximo
ficou abaixo de 275.
Plano
gerencial baseado em sintomatologia
O mesmo conceito do plano baseado no fluxo expiratório máximo
é aqui empregado, exceto que certos níveis de sintomas são
usados como sinal de alerta para mudanças no tratamento,
em contraposição às mudanças no fluxo expiratório máximo.
História
caso 2: Plano baseado em sintomatologia
Júlia
não ia bem com suas medidas de fluxo expiratório máximo.
Elas não tinham um significado maior em relação à asma do
que seus próprios sintomas e o processo de medição começou
a incomodá-la, pois ela o fazia "só por causa do médico"
, como costumava dizer. Felizmente, o médico tomou conhecimento
do fato e sugeriu uma mudança para o plano baseado em sintomatologia.
Se ela fizesse mais do que três jatos por dia, por três
dias consecutivos com o inalador paliativo se tivesse iniciando
um processo gripal ou ainda se começasse a acordar à noite
com sintomas, teria de dobrar sua inalação profilática.
Assim o fazendo, ela passou a controlar sua asma com eficácia.
Se ao dobrar o uso do inalador profilático os sintomas não
melhorassem, Júlia sabia que teria de ir ao médico
para uma avaliação e, antes que isto ocorresse, ela media
seu fluxo expiratório máximo algumas vezes antes da consulta,
"só para ter uma idéia", o que levou o médico a acreditar
que ela estava gerenciando sua asma sensatamente.
A escolha de um plano
Alguns
pacientes parecem se adaptar melhor ao plano baseado em
fluxo expiratório máximo do que aos planos baseados em sintomatologia
e a escolha se baseia em inúmeros fatores. Algumas vezes
uma combinação de sintomas e fluxo expiratório máximo pode
ser usada para algumas pessoas. Ambos os planos incluem
aconselhamento para antecipar problemas tais como resfriados
e exposição a alérgenos já identificados. Se você sentir
o início de um resfriado, deve dobrar seu tratamento com
o inalador profilático, pelo menos por uma semana, até os
sintomas terem passado, quando então você pode voltar à
dose inicial. Alguns pacientes necessitam somente esteróides
inalados para resfriados e eles devem iniciar seu uso ao
menor indício do começo de um resfriado e continuar por
duas semanas, a menos que sua asma continue a causar problemas.
Neste caso, devem utilizar o tratamento profilático e contatar
seu médico.
Enfermeiras
clínicas
Clínicas
de asma foram montadas em muitos consultórios de médico,
dirigidos geralmente pelo médico ou por um profissional
da enfermagem. Muitos são dirigidos por enfermeiros que
foram especialmente treinados para gerenciar a asma em centros
de treinamento reconhecidos. Sua função na gestão da asma
É muito importante e elas ajudaram a fornecer um serviço
muito melhor para o paciente asmático, com menos e mais
pertinente encaminhamentos a hospitais dos pacientes tratados
nessas clínicas.
Muitas
vezes, o profissional de enfermagem especializado em asma
vê mais os pacientes do que o próprio médico, liberando
este para outros pacientes, mas o profissional sabe muito
bem quando o médico precisa ver o paciente se as coisas
não vão indo muito bem. Todos os médicos deveriam ter como
objetivo o estabelecimento de uma clínica para asmáticos,
dirigida por um profissional da enfermagem bem treinado
em asma.
Pontos
centrais
-
Diretrizes foram desenvolvidas para auxiliar enfermeiras
e médicos a fornecerem uma ótima gestão de pacientes
asmáticos, usando uma série de etapas de tratamento.
- Para
que os pacientes tenham um bom controle de sua asma
é necessário que tenham planos gerenciais, ou de gestão
da mesma.
- Os
planos de gestão podem ser baseados no fluxo expiratório
máximo ou na sintomatologia.
- Muitos
consultórios médicos já possuem clínicas de asma, muitas
vezes dirigidas por um profissional da enfermagem bem
treinado em asma.
Fonte:
ISTOÉ - GUIA DA SAÚDE FAMILIAR - volume 4 "ASMA"
páginas 48 a 55
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