Formas especiais de asma
Em muitos
casos, a causa da asma é desconhecida. Em outros, a crise pode ser desencadeada
por um alérgeno. Outras formas especiais de asma são lábil, a asma sensível
à aspirina e a asma noturno.
Asma alérgica
Se uma ou
mais alergias foram identificadas como potencialmente importantes baseadas em
sua história clínica, é necessário, muitas vezes, que se façam testes adicionais
para confirmar a sensibilidade e identificar o alérgico. O teste é simples e
geralmente leva 30 minutos. Um série de gotas de várias soluções de substâncias
que reconhecidamente causam reações alérgicas (por exemplo, ácaros, pólen de
grama, pólen de árvores, descamação de gato, etc.) é colocada no antebraço.
A pele é então
gentilmente perfurada por agulhas bem pequenas nos locais das gotículas para
permitir que as substâncias penetrem na pele. Depois de cerca de cinco minutos
podem ocorrer reações locais, que se parecem com pequenas áreas de urticárias
e que geralmente coçam. As picadas de agulha em si não doem, somente uma pequena
arranhadura, mas a coceira pode ser enlouquecedora, durante cerca de uma hora
e meia.
O tamanho da
reação (ou vergão) correspondente a cada alérgeno é então medido para dar uma
idéia não somente da alegria da qual você sofre, como também do grau de alergia
para cada tipo de alérgeno. Muitas vezes isto é importante para a gestão da
asma, pois informa quais desencadeadores devem ser evitados e identifica coisas
irrelevantes. O perigo está no fato de o paciente tomar medidas desnecessárias
em razão de pequenas reações. Vi paciente ocasional seguirem dietas extremamente
rígidas e que nada serviram para sua asma. Este não é sempre o caso: cada pessoa
é um indivíduo e suas necessidades devem ser individualmente entendidas.
Dessensibilização
Se você é
comprovadamente alérgico a um determinado alérgeno (por exemplo descamação de
gato ou coelho), e não pode evitar o contato com estes animais, e se sua asma
continua a ser mal controlada pelos regimes comuns de tratamento, uma dessensibilização
deve ser considera. Esta só pode ser feita em centros especializados, para um
só alérgico por vez. Para pacientes com asma ela só deve ser feita em hospitais
porque já houve muitos casos de reações severas a dessensibilização, com crises
de asma que levam à admissão em hospitais e até mesmo mortes.
Para a febre
do feno, os perigos são menores, mas deve-se tomar muito cuidado quando se trata
de asma. O processo envolve uma série de injeções de pequenas quantidades da
substância que causa alergia, geralmente sob a pele do braço. Doses mínimas
são injetadas no início, sendo que a concentração vai aumentando semanalmente
para se evitar reações alérgicas graves. Há diferentes escalas de tempo para
a série de injeções até que a série total se complete, dependendo do centro
especializado envolvido e de suas próprias necessidades. Pequenas reações locais
(uma vermelhidão na pele, no local da injeção) são freqüentes, mas desaparecem
rapidamente no decorrer do dia em que foram dadas as injeções.
Ao se completar
série, as vacinas podem se dadas em intervalos variados, caso a dessensibilização
em si tenha sido bem sucedida. No Brasil, raramente se faz a dessensibilização
para a asma, principalmente pelo receio das más reações e também porque os médicos
não acreditam que esse tratamento possa ser bem sucedido. Se você quiser discutir
mais sobre este processo, se faz efeito ou não, peça a seu médico uma referência
para um centro especializado nesta área.
Asma lábio
A asma lábil
é uma forma rara de asma. O paciente sofre de crises agudas repentinas, muitas
vezes até mesmo quando a asma está bem controlada. Outros desenvolvem crise
como segundo plano da asma, o que os médicos têm grande dificuldade em controlar
no dia-a-dia. Estes pacientes vivem sendo admitidos aos hospitais e correm risco
crescente de morrer devido à sua asma.
As alergias
são mais comuns nestes pacientes e algumas vezes a crise aguda segue-se à inalação
ou ingestão de algo a que são alérgicos. Este tipo de asma exerce uma pressão
constante no paciente e sua família e os fatores psicológicos são de grande
importância, sendo um pouco controverso se a asma provoca distúrbio psicológicos
ou vice-versa. O tratamento é extremamente difícil e os pacientes devem ser
gerenciados por um pneumologista com interesse especial nesta forma de asma,
a mais severa conhecida.
Asma sensível à aspirina
A sensibilidade
à aspirina ocorre em cerca de 5% dos pacientes adultos com asma, mas é muito
rara em criança. Nestas pacientes, que podem ter pólipos nasais recorrentes,
os testes de alergia são geralmente negativos para alérgenos. Se você é um destes
pacientes deve evitar todos os medicamentos que contêm aspirina, incluindo-se
aqui um largo espectro de drogas contra a artrite, tais como ibuprofeno, ciclofenaco
e indometacina.
Se você não
está seguro que um determinado medicamento pode interferir na sua asma, consulte
o seu médico ou um farmacêutico. Os pacientes asmáticos sensíveis à aspirina
podem morrer ao desavisadamente engolirem um preparado que contenha esta droga.
Embora o tratamento geralmente envolva um simples evitar do produto, a dessensibilização
pode ser feita com sucesso, mas só se realizada em centros especializados.
A dessensibilização
para esta forma de asma é feita com a administração de pequenas doses orais
de aspirina em hospitais, onde, após cada dose, e por algumas horas, é feita
a monitoração cuidadosa do paciente através de testes freqüentes de respiração.
O processo é lento, mas vale a pena para algumas pessoas.
Asma noturna
A asma noturna
é freqüentemente considerada um a forma especial de asma. Na realidade, o despertar
à noite com asma indica, e um modo geral, que ela está sendo insatisfatoriamente
controlada. Na maioria dos casos, o tratamento apropriado supera o problema,
mas em alguns pacientes ela é mais difícil de ser controlada.
Nestes pacientes,
alguns fatores, como o refluxo ácido (ácido do estômago) voltando ao pulmão
à noite e causando irritação), podem ser a causa e necessitam ser tratados.
Alguns medicamentos, como a teofilina e os broncodilatadores inaláveis de largo
espectro, são muitas vezes proveitosos no controle sintomas de asma noturna.
Pontos centrais
Uma história clínica
de alergia pode levar à necessidade de testes confirmatórios para a identificação
de alérgenos.
A dessensibilização
em pacientes asmáticos pode ser perigosa e só pode ser feita em hospital.
Pacientes com asma lábil
devem ser gerenciados por pneumologistas com especialidade nesta forma severa
de asma.
Pessoas asmáticas sensíveis
à aspirina devem evitar todos os medicamentos contendo a droga. Consulte seu
médico ou um farmacêutico quando em dúvida.
A asma noturna sugere
que ela está sendo mal controlada.
Fonte:
ISTOÉ - GUIA DA SAÚDE FAMILIAR - volume 4 "ASMA" pagina 61.
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