Exames para as doenças do coração
Existem muitas
causas possíveis para a dor no peito. Os indicadores mais importantes para sabermos
se o problema é mesmo do coração são o tipo de dor e o momento em que ela ocorre.
Os médicos geralmente sabem distinguir entre os diferentes tipos de dor no peito.
Baseado no que você conta, o médico pode determinar se a dor vem do coração
ou se não há nada com que se preocupar. A dor de um ataque do coração ou da
angina é geralmente inconfundível.
Mas existem
situações em que o diagnóstico é menos óbvio e o médico tem que tomar uma decisão
com base na probabilidade de você ter uma DCC. A dor no peito em uma mulher
jovem tem muito mais chance de estar relacionada à indigestão do que à angina,
enquanto que a dor no peito de um homem de meia-idade, que fuma e tem hipertensão,
tem mais chances de ser causada pela angina. A experiência ajuda, mas infelizmente
os médicos não são infalíveis e muitos deles não conseguem diagnosticar nem
os próprios ataques do coração. Mas como a DCC é muito comum no Brasil, a maioria
dos médicos vai solicitar novos exames se houver alguma dúvida diagnostica.
Exames do coração
Se há uma
suspeita de doença do coração, você provavelmente vai ter que fazer um exame
do coração conhecido como eletrocardiograma. Este teste vai registrar as anormalidades
da atividade elétrica no coração.
ECG em repouso
O exame mais
comum para as doenças do coração é o eletrocardiograma ou ECG (nos Estados Unidos,
é chamado de EKG). Este é um teste simples e indolor, que dura aproximadamente
10 minutos e que pode ser realizado pelo médico ou por uma enfermeira especializada.
Cada vez que
o coração bate, ele causa alterações elétricas normais que são detectadas por
eletrodos colocados em vários pontos do corpo. Estes eletrodos, cobertos com
gel para garantir um bom contato, são colocados nos tornozelos, pulsos e por
todo o peito. O Traçado registra a freqüência e o ritmo do coração e também
mostra se o músculo cardíaco está conduzindo a eletricidade adequadamente. Se
o músculo está prejudicado ou com pouco oxigênio, o resultado será alterado.
O traçado
resultante dá ao médico muitas informação sobre o coração, mas como todos os
testes, o ECG não é infalível. A comparação do traçado com exames normais ou
com um exame anterior geralmente revela uma área problemática. Se você tem angina,
o traçado do seu coração ainda pode ser normal se o exame for feito quando você
está em repouso e sem dor. Neste caso, você pode precisar de um ECG de esforço.
ECG de esforço
Qualquer forma
de exercício pode ser utilizada para provocar angina. Os eletrodos do ECG são
colocados da mesma maneira que o ECG de repouso, com maior atenção para prender
bem aqueles que vão no peito, para que não se soltem enquanto você anda. A esteira
geralmente começa em um ritmo lento sem inclinação.
A cada 2 ou
3 minutos a velocidade e a inclinação aumentam até que você esteja efetivamente
andando em um subida. O teste é interrompido se você começa a ter dor, se ocorrem
alterações importantes do ECG ou, obviamente, se você fica cansado demais ou
sem fôlego. O ECG de esforço é útil porque fornece duas informações para o médico.
A primeira
é que, se o teste produz dor e o ECG está alterado, o diagnóstico de angina
está confirmado. O segundo é que, se você vai bem no teste e consegue andar
uma boa distância antes da dor aparecer, sabe-se que a angina é leve e que não
há necessidade de fazer outros exames. O teste é habitualmente realizado em
um hospital e dura aproximadamente 40 minutos.
Testes de radioisótopos
Estes
testes são feitos com substâncias químicas, os radioisótopos, que liberam pequenas
quantidades de radioatividade registradas por uma câmera especial. Cada tecido
do corpo absorve radioisótopos diferentes. Vários deles são utilizados para
o coração, mas os mais comuns são o tálio e o tecnécio. Ambos são absorvidos
pelo músculo cardíaco quando o suprimento de sangue é normal, mas não quando
há uma deficiência no suprimento de sangue.
Portanto,
quando há um estreitamento ou bloqueio de uma coronária, aquela área do músculo
cardíaco não vai aparecer tão claramente no exame quanto o resto do coração.
Os radioisótopos são, obviamente, radioativos, mas a quantidade de radioatividade
dada nestes testes é pequena e equivale à maioria dos testes padrão de raio-X.
O isótopo é rapidamente metabolizado no organismo e uma parcela é expelida na
urina, mas ele não é perigoso, nem para você nem para ninguém mais. A cintilografia
com radioisótopos pode ser realizada em duas etapas: uma quando o coração está
sob stress e outra quando está em repouso, para que as duas imagens sejam comparadas.
Geralmente,
faz-se as imagens da etapa de esforço após um teste na esteira, mas, para aqueles
que não podem se exercitar, o coração pode ser estimulado por drogas como o
dipiridamol ou a dobutamina. Ao fim do teste de exercício, ou após a medicação,
você recebe uma injeção com um radioisótopo e fica deitado sob a câmera por
10 a 15 minutos, enquanto são tiradas fotografias do coração. Às vezes, a cintilografia
com radioisótopos é melhor que o ECG de esforço para detectar anormalidades
do coração.
Ele também
é útil após uma cirurgia de revascularização quando o suprimento arterial para
o coração pode estar complicado. Também é o único modo de se estudar o coração
de uma pessoa que não tem condições de se exercitar, por causa de uma artrite
ou infecção de pulmão, por exemplo.
Ecocardiograma de esforço
Esta é uma
técnica nova, utilizada em alguns centros, semelhante ao teste com radioisótopo,
mas que não envolve radioatividade. Ecocardiografia é o nome dado ao scaner
que utiliza feixes de ondas sonoras para fotografar o coração, que é o mesmo
aparelho utilizado para ultra-sonografias de um feto no ventre materno.
Com este tipo
de scaner, pode-se ver o músculo cardíaco se contraindo e detectar as partes
que não contraem bem porque o suprimento de sangue está reduzido. Assim como
no teste de radioisótopo, o coração pode ser estimulado tanto por exercício
físico como por medicações. O coração é então examinado antes, durante e depois
do esforço. As imagens são analisadas em detalhe e podem fornecer informações
importantes sobre quais as artérias bloqueadas e sobre a gravidade do quadro.
Tomografia
Uma recente
tecnologia desenvolvida para o diagnóstico precoce da DCC é a detecção de cálcio
nas artérias coronárias através de tomografia ultra-rápida. Altos índices de
cálcio têm identificado pacientes em risco intermediário de DCC. A unidade avançada
do Einstein-Jardins dispõe do único equipamento desse tipo no Brasil.
Angiografia da coronária
A maneira
mais direta de se descobrir o que está errado no coração é através de raios-X
especiais das coronárias, chamados angiogramas. Estes são raios-X que detectam
um corante que é injetado diretamente nas coronárias. Com o coração se move
o tempo todo, os raios-X têm que ser feitos em filmes ou vídeo, o que requer
equipamentos caros, antes só disponíveis em grandes hospitais. Com a tecnologia
moderna, estas facilidades se tornaram mais disponíveis e, agora, outros hospitais
também oferecem este recurso.
Para que possa
se obter uma imagem destas pequenas artérias, o corante deve ser injetado diretamente
nelas. Para isto, é preciso levar um pequeno tubo, chamado cateter, até o coração,
o que geralmente se faz por uma artéria na virilha, pulso ou cotovelo. Injeta-se
um pouco de anestésico local para entorpecer a área. Passa-se, então, o cateter
através da artéria até o coração. Você não vai perceber isso acontecendo, embora
possa ter palpitações quando o tubo chegar ao coração, o que é normal. Uma vez
que o tubo esteja na artéria coronária, injeta-se um corante e fotografa-se
o coração de vários ângulos.
Enquanto isso
é feito, você vai ser solicitado a prender a respiração por 5 a 10 segundos.
O corante por si só pode causar uma onda de calor que desaparece rapidamente.
A angiografia da coronária é um procedimento seguro e rotineiro. Complicações
graves são raras - menos de uma em 1.000. O risco mais importante, felizmente
muito raro, é o da investigação provocar um ataque do coração. Se isto acontecer,
pode ser necessário fazer uma cirurgia de emergência. Uma reação alérgica ao
corante e lesões à artéria da virilha ou do pulso estão entre as possíveis complicações
menos graves do exame.
Apesar da
angiografia das coronárias ser o melhor método para se examinar estas artérias,
ela não é necessária para todos que têm
angina ou DCC. A maioria dos médico só vai utilizá-lo quando houver uma real
possibilidade de você se beneficiar de uma cirurgia do coração ou de uma angioplastia
(ver pág...). A angiografia da coronárias é freqüentemente realizada em regime
ambulatorial e não demora mais do que 40 minutos. Você provavelmente não precisará
dormir no hospital, mas deverá permanecer deitado por 3 a 4 horas após o exame,
para reduzir o risco de sangramento. O local onde se insere o cateter costuma
ficar roxo e sensível por alguns dias.
Pontos centrais
O teste mais comum para
a doença coronariana é o ECG, mas ele não é infalível.
Se o ECG de repouso
está normal, o teste de exercício na esteira é um bom modo de verificar a
presença de angina e saber quão grave ela é.
O teste de radioisótopo
ou a Ecocardiografia podem ser utilizados para aqueles que não podem se exercitar.
A angiografia coronariana
é a melhor maneira de identificar quais artérias estão afetadas, mas não é
necessária para todos que tenham DCC.
Fonte: ISTOÉ - GUIA DA SAÚDE FAMILIAR - volume 6 "DOENÇAS DO
CORAÇÃO" paginas 44 a 50
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