A
dor de cabeça é um sintoma muito comum - mais de 90% da população tem dor de
cabeça em algum momento de suas vidas, mesmo que seja apenas de uma ressaca
por ter bebido muito álcool. A maioria das dores de cabeça tem curta duração:
uma dor de cabeça de ressaca desaparece após algumas horas; dores de cabeça
associadas a doenças infecciosas melhoram quando a doença é curada. Esses tipos
de dores de cabeça normalmente não causam grandes preocupações para o paciente
uma vez que o motivo que as causa é aparente.
Outras dores
de cabeça não têm uma causa tão evidente, o que pode causar um alto grau de
preocupação e ansiedade. Na maioria dos casos, felizmente, as dores de cabeça
não são resultado de nada mais sinistro como um tumor ou derrame cerebral, mas
são classificadas com o nome de "dores de cabeça benignas recorrentes". Três
quartos das dores de cabeça são deste tipo e este é o tipo de dor de cabeça
que o médico de família encontra com mais freqüência. O diagnóstico destas dores
de cabeça comuns é relativamente simples, porém depende quase exclusivamente
do que você relatar ao médico, pois geralmente não se encontra nada no exame
físico. Então, como
seu médico pode dizer quais são enxaquecas, quais são dores de cabeça tensionais
e quais são aquelas que se devem a dores musculares locais? Os relatos a seguir
de alguns destes tipos diferentes de dor de cabeça podem dar uma idéia das causas
das suas dores de cabeça.
Enxaquecas
História
1:
A Sra. V, é uma dona-de-casa de 35 anos. Ela é casada e tem três filhos. Quando
criança apresentava crises biliosas e ficava sempre enjoada no carro, tanto
que seus pais tinham que deixa-la sentar no banco da frente e levavam um balde
em todas as viagens longas. Quando tinha 5 anos, as crises biliosas estavam
associadas a dores de cabeça leves e ocorriam uma vez a cada dois ou três meses,
geralmente quando ela estava excitada para ir a uma festa ou ao circo. Ela teve
o seu primeiro período menstrual aos 12 anos. Aproximadamente na mesma época,
as dores de cabeça mudaram - embora elas ainda só ocorressem a cada dois ou
três meses, eram muito mais graves, ela sentia-se enjoada, não podia comer e,
ocasionalmente, vomitava. No fim da adolescência as dores melhoraram, ocorrendo
apenas uma ou duas vezes por ano. A Sra. V começou a trabalhar como secretária
e as dores de cabeça se tornaram mais freqüentes. Ela estava tomando pílula
anticoncepcional e percebeu que as crises coincidiam com a sua menstruação.
Aos 23 anos, ela se casou e um ano depois teve o seu primeiro filho. Durante
as gestações, tinha poucas crises, mas elas voltavam quando parava de amamentar.
As crises duravam um ou dois dias, mas sempre pareciam vir do nada - ela podia
ter duas crises em um mês, ou até ficar livre da enxaqueca por vários meses.
Ela tinha 32 anos quando teve o seu terceiro filho, as crises de enxaqueca voltaram,
mas estavam ligeiramente diferentes. Começaram a se associar ao período menstrual,
embora ela não estivesse tomando pílula. Antes da dor de cabeça começar, ela
bocejava muito e sentia-se cansada e apática. Algumas crises eram precedidas
por luzes brilhantes e linhas em zigue e zague atravessando o campo visual por
mais ou menos meia hora. Estas eram seguidas da enxaqueca que ela veio a conhecer
- uma dor de cabeça intensa, do lado direito, enjôos e vômitos. Com freqüência
ela acordava com esta dor, que durava até que conseguisse dormir. A Sra. V.
foi ao seu médico, que a orientou a tomar medicações para enjôo assim que ela
percebesse o início de uma crise. Dez minutos depois, ela deveria tomar três
comprimidos de aspirina ou dois de paracetamol. O médico disse-lhe para sempre
ter uma dose deste tratamento na sua bolsa. Ela descobriu que essas medidas
simples permitiam que ela controlasse suas crises e não ficasse horas deitada
no escuro sofrendo de dor de cabeça. Ela está fazendo um diário de suas crises
para tentar identificar os desencadeantes da sua enxaqueca e, assim, poder impedir
que as crises se iniciem.
História
2:
Dores de cabeça tensionais A Sra. J. tem 36 anos e trabalha como secretária
para um corretor de imóveis. Ela já havia tido dores de cabeça ocasionais e
dois analgésicos sempre foram suficientes para alivia-las. Sua saúde geral é
excelente e ela foi ao médico apenas uma vez no ano passado por causa de uma
infecção pulmonar. Recentemente, ela começou a se preocupar cada vez mais com
o seu trabalho. Muitos dos seus amigos perderam o emprego e ela teve medo de
ser a próxima. As dores de cabeça vinham, inicialmente, uma ou duas vezes por
semana, mas depois ela começou a acordar com dor toda a manhã. Era mais uma
pressão em volta de sua cabeça do que uma dor de fato. A dor melhorava com alguns
analgésicos, o suficiente para que ela conseguisse ir trabalhar, mas a dor voltava
logo em algumas horas. Agüentar o dia passou a ser um martírio, uma vez que
era difícil concentrar-se e ela sentia-se muito cansada. Um desapontamento insignificante
que fosse era suficiente para que ela tivesse uma crise de choro. Não era fácil
dormir e, freqüentemente, ela acordava muito cedo, preocupada com tudo. Seu
marido está desempregado e eles têm tido dificuldades em pagar o aluguel contando
apenas com o seu salário. Ela foi ver seu médico que lhe prescreveu um tratamento
com antidepressivos. Um mês após ter iniciado o tratamento, as dores de cabeça
da Sra. J. tinham melhorado. Ela teve uma longa conversa com seu chefe e se
acha mais confiante no seu trabalho. Seu marido encontrou um trabalho temporário
para ajudar nas despesas, mas as perspectivas a longo prazo ainda são incertas.
Contudo, a Sra. J. está aprendendo a enfrentar um dia de cada vez ao invés de
preocupar-se com as coisas que talvez nunca venham a acontecer.
História
3:
Dores de cabeça e no pescoço O Sr. P. tem 62 anos e é o diretor administrativo
de uma companhia de eletrônicos. Quando tinha 30 anos, ele sofreu um acidente
de moto, mas, excetuando um machucado no seu ombro direito, não sofreu nenhum
problema a longo prazo. Durante os últimos 10 anos ele notou que tem tido mais
dores de cabeça - no último mês ele contou 20 dias de dor. Tipicamente, a dor
era pior quando ele acordava ou depois que ele dirigia por muito tempo. Às vezes,
carregar uma bolsa pesada podia desencadear a dor. Ela era sempre no mesmo lugar
- bem atrás da sua orelha direita. Às vezes, ela podia senti-la se espalhando
por trás do pescoço por sobre seu olho direito. Normalmente ele se reclinava
na sua cadeira e, lentamente, movia sua cabeça em círculos, uma vez que alongar
os músculos do pescoço parecia aliviar a dor. Em casa, ele se deitava numa banheira
de água quente, o que acalmava a dor. Duas aspirinas dariam o mesmo resultado,
mas ele não gostava de usar analgésicos. Finalmente, ele se encheu tanto desta
dor constante que procurou seu clínico geral. O médico achou que as dores de
cabeça eram resultado de dores localizadas nos músculos do ombro direito e do
pescoço. Agora o Sr. P. iniciou fisioterapia e um tratamento com drogas antiinflamatórias.
Seu médico disse que pode manda-lo a um reumatologista se a dor de cabeça não
passar com este tratamento simples.
Como você
pode ver, cada uma destas diferentes dores de cabeça tem características específicas.
Embora elas representem o grosso das dores de cabeça vistas pelo médico de família,
há provavelmente pelo menos uma centena de diferentes causas de dores de cabeça.
Médicos especialistas, membros da Sociedade Internacional de Dores de Cabeça,
tentaram classificar estas dores de cabeça em diferentes grupos. Além da enxaqueca
e da dor de cabeça tensional, outros grupos incluem: dores de cabeça associadas
a traumatismos cranianos, dores de cabeça associadas a doenças vasculares e
dores de cabeça associada ao uso de substâncias ou a sua retirada.
O diagnóstico
destas dores de cabeça depende da combinação do relato do paciente, qualquer
sinal físico e dos resultados de qualquer dos testes que sejam indicados. Algumas
destas condições são vistas nas paginas seguintes, mas é impossível e impraticável
entrar em detalhe de toda a causa de dor de cabeça num site. Nós esperamos que
você encontre aqui algo que lhe forneça algum esclarecimento sobre suas dores
de cabeça e como lidar com elas. Se você tiver qualquer dúvida a respeito da
sua dor de cabeça, marque uma consulta com seu médico. É muito melhor esclarecer
os motivos da dor do que ficar se preocupando sem sentido - especialmente porque
a preocupação pode piorar as dores de cabeça.