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Dispepsia não-ulcerosa

Raio-x mostrando cáculos da vesícula

Seu médico pode chegar a esse diagnóstico se você tem sintomas do tipo de indigestão, mas os exames mostram que o seu estômago e duodeno são normais, isto é, não há nenhuma evidência de ulcerações ou refluxo gastroesofágico. Não há nenhum teste diagnóstico para a dispepsia não ulcerosa, assim, para se chegar ao seu diagnóstico, tem-se de excluir outros distúrbio com sintomas semelhantes, seja por um exame físico, seja por meio de outros exames.

Os sintomas principais da dispepsia não-ulcerosa são queimação e dor profunda no abdômen superior, as quais estão sempre relacionadas com o comer (a ingestão de alimento pode tanto melhorar como piorar) e, ocasionalmente, náusea. Além disso, muitas pessoas sofrem do que freqüentemente se chama de "estômago nervoso": os sintomas são geralmente piores em períodos de tensão. Não se sabe qual é a causa da dispepsia não-ulcerosa, mas é bem provável que existam várias.

Uma teoria é a que, por alguma razão, o estômago da pessoa com esta afecção é muito mais sensível a estímulos a quantidade normal de ácido do estômago e certos alimentos. Uma outra teoria sugere que, particularmente nas pessoas com "estômago nervoso", a musculatura da parede do estômago se contrai mais fortemente em períodos de tensão, piorando os sintomas.

Do ponto de vista estritamente médico, a dispepsia não-ulcerosa nunca é uma doença séria, mas pode ser extremamente desagradável. É muito importante estar seguro de que ela é realmente a causa dos sintomas da pessoa. Em particular. ela raramente causa perda de peso, portanto, se você tem indigestão e esta perdendo peso, o melhor é consultar seu médico para ele pesquisar outras causa mais sérias para os seus sintomas. Se você está tomando drogas antiinflamatórias não-esteróides, seu médico tem de excluir a presença de uma úlcera péptica, antes de chegar ao diagnóstico de dispepsia não-ulcerosa.

Condições a serem excluídas

Não há um teste específico para a dispepsia não ulcerosa, assim, antes de confirmar o diagnóstico, seu médico precisa excluir algumas outras condições com sintomas semelhantes.

  • Calculo biliar:
    as pedras podem variar de tamanho, desde pequeníssimas até 2 ou 3 centímetros de diâmetro e consistem de colesterol e produtos de degradação das hemácias. Elas se formam na vesícula biliar e irritam a sua mucosa, principalmente após uma refeição gordurosa que estimula a vesícula a se contrair e provoca dor. Às vezes, as pedras podem obstruir o duto biliar e causar icterícia.

  • Síndrome do colon irratável:
    esta é uma condição muito comum e que esta associada a espasmos musculares das paredes do intestino. A causa é desconhecida, mas em muitas pessoas, os sintomas parecem estar relacionados ao stress. A dor também pode ter origem nos músculos da parede abdominal ou das últimas costelas.

Auto tratamento

O mais importante é entender a doença e saber que os seus sintomas não resultam de nada mais sério. A segunda etapa é a de modificar alguns aspectos do seu estilo de vida que estejam piorando os sintomas. Para falar de maneira geral, as mudanças mais importantes no seu estilo de vida no sentido de alcançar uma existência mais saudável é parar de fumar, perder peso se for necessário e fazer uma dieta adequada.

Os maiores culpados de fazer piorar esse tipo de indigestão são alimentos gordurosos e frituras, comida apimentada ou muito condimentada, alguns vegetais como cebola e tomate e, ocasionalmente, cafeína na forma de chás, cafés e bebidas do tipo coca-cola. Se algumas dessas coisas o incomodam, corte-as de sua dieta e não deixe de ingerir alimentos com alto teor de fibras. Estas não apenas ajudam a aliviar os sintomas da dispepsia não-ulcerosa, mas também contribuem para protegê-lo de muitos outros males como doença do coração, pressão alta e câncer de cólon. Boas fibras são encontradas em frutas e vegetais, cereais de desjejum com alto teor de fibras e em pão integral.

Tratamento médico

Na verdade, não há nenhuma panacéia para a dispepsia não-ulcerosa. Algumas drogas são eficientes, mas, de modo geral, elas só são prescritas para pessoas cujas mudanças no estilo de vida recomendadas acima não conseguiram tornar os sintomas mais toleráveis. Diferentemente do distúrbio relacionados ao ácido gástrico, como a úlcera péptica e o refluxo gastroesofágico, a dispepsia não-ulcerosa, de modo geral não responde ao tratamento com antiácidos.

As drogas mais eficientes são aquelas que alteram a maneira pela qual o estômago se esvazia. Exemplos de drogas "procinéticas", que são adquiridas apenas mediante receita médica, são a domperidona, a metoclopramida e a cisapride. Os comprimidos são tomados meia hora antes das refeições para ajudar na coordenação correta da musculatura do estômago, reduzindo assim os sintomas da tensão na parede do estômago e a náusea. O tratamento com essas drogas pode se prolongar por vários meses, de forma que é bom tomar conhecimento de seus efeitos colaterais.

Como essas drogas afetam o movimento não só do estômago mas também dos intestinos, elas às vezes podem causar dores em cólica no baixo abdômen e diarréia. De modo geral elas são seguras, mas podem ocorrer efeitos colaterais mais graves - em particular, a metoclopramida não é prescrita para as mulheres jovens e crianças porque pode causar espasmos musculares na face e no pescoço, conhecidos como reação distônica (este efeito colateral é muito menos freqüente em homens e mulheres mais velhos).

Conclusões

A dispepsia não-ulcerosa é muito comum e embora freqüentemente desconfortável, não é perigosa. Os sintomas de desconforto do abdômen superior e a náusea podem ser de modo geral, facilmente controlados por mudanças no estilo de vida como redução do stress, parar de fumar, perder peso e comer de forma mais saudável.

Uma minoria de pessoas que ainda continua com sintomas a despeito das mudanças no estilo de vida, precisam de tratamento com drogas procinéticas. A dispepsia não-ulcerosa não deve ser confundida com outras doenças que requerem outros tipos de tratamento. Se você está perdendo peso (e isso acontece sem que você tenha se esforçado para tal) ou se está tomando drogas antiinflamatórias não-esteróides e aparecem novos sintomas, você deve consultar um médico.

Pontos centrais

  • A dispepsia na ausência de úlcera é uma causa mais comum da indigestão e nunca é muito séria.
  • O tratamento é baseado no entendimento da condição e algumas mudanças no estilo de vida, como evitar certos alimentos que fazem piorar.

Fonte: ISTOÉ - GUIA DA SAÚDE FAMILIAR - volume 5 - "INDIGESTÃO E ÚLCERA"
             páginas 74 A 78


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