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Como
conviver com a enxaqueca
Muitas pessoas escondem que têm enxaqueca dos amigos, da
família e dos colegas de trabalho, freqüentemente pelo receio
de serem rotuladas de neuróticas. Esse é um mito que os
médicos e agentes da saúde estão tentando desfazer com o
intuito de ajudar tanto as pessoas sadias como os pacientes
a compreender que a enxaqueca é uma condição orgânica que
deve ser tratada com seriedade.
Em
reuniões realizadas em organizações de auto-ajuda, os membros
foram perguntados se consideravam que existia um estigma
social associado à enxaqueca. Aproximadamente três quartos
da platéia responderam sim. Dois terços disseram também
que continuam tendo que se virar durante um ataque porque
não sentem que os outros levam a enxaqueca a sério. Alguns
estavam receosos de perder seus trabalhos se tivessem de
tirar uma licença, pois seus chefes considerariam o motivo
banal. Aqueles que ficam em casa não estão em melhor situação:
tentar lidar com crianças agitadas e tomar conta da casa
nas piores fases de um ataque é muito difícil.
A enxaqueca pode transformar a vida do paciente que parece
completamente normal para aqueles que nunca o viram durante
um ataque, isso faz com que seja mais difícil para as pessoas
sadias compreender a extensão do problema.
A maioria dos pacientes consegue ir se agüentando ao longo
do dia no trabalho ou em casa, mas caem direto na cama assim
que podem. Os compromissos sociais têm de ser cancelados
e a vida familiar fica atrapalhada, o que interfere no relacionamento
com os amigos e familiares próximos. O trabalho pode não
ser afetado seriamente, mas o tempo de lazer é perdido.
A extensão do problema depende obviamente da gravidade dos
sintomas, bem como da freqüência e duração dos ataques.
Felizmente, a maioria dos pacientes com enxaqueca têm ataques
infreqüentes e são capazes de enfrenta-los com ajuda de
analgésicos. Somente quando os ataques pioram ou se tornam
mais freqüentes é que eles procuram ajuda de um médico.
Os estudos atuais mostram que 70% se viram sozinhos e apenas
30% acabam visitando o clínico.
Essa é uma situação desafortunada porque embora não exista
uma cura para a enxaqueca, existem inúmeras maneiras de
controla-la, com ou sem o uso de medicações. Encontrar maneiras
de lidar com a enxaqueca nem sempre é fácil, mas as chances
de conseguir serão muito maiores se você puder contar com
a ajuda da família e amigos e obter aconselhamento do seu
clínico geral ou de um centro especializado.
A enxaqueca é um problema individual e a melhor maneira
de conduzir seu tratamento será provavelmente, diferente
daquela de outras pessoas com enxaqueca que você conhece.
Tente primeiro maneiras simples de resolver seu problema,
uma de cada vez. Se você achar que não está chegando a lugar
algum, fale com seu médico. Você sempre pode ser encaminhado
a uma clínica especializada em enxaqueca.
Prevenção
por conta própria
Você é capaz de diminuir a gravidade as ocorrências de suas
enxaquecas se prestar mais atenção no que está fazendo,
sentindo, comendo ou bebendo antes de um ataque.
Mantenha
um diário dos ataques
É
importante manter um registro acurado dos seus ataques porque
isto o ajudará a identificar um padrão. Felizmente, o corpo
se esquece facilmente a dor. Isto explica o fato de você
ter um ataque e prometer fazer algo a respeito, mas entre
os ataques você esquece... até a próxima vez. Manter um
registro significa que você documentou as evidências de
cada ataque, que podem ser analisadas. Informações a serem
registradas no seu Diário de Desencadeantes
-
A data
-
dia da semana
-
Se o ataque ocorreu durante a menstruação
- horário
que o ataque começou
-
Quais os sintomas presentes e como eles começaram
-
Quanto durou o ataque
- Qual
o tratamento adotado
-
Quando ele foi adotado
-
Se o tratamento foi efetivo
-
Como terminou o ataque
Mantendo um diário dos desencadeantes
Os
diários de desencadeantes podem ajuda-lo a elucidar o mistério
que faz com que você tenha ataques de enxaqueca. Desencadeantes
normalmente agem em conjunto, somando-se até um limiar que
deflagra o ataque. Algumas pessoas identificam pelo menos
alguns dos seus desencadeantes. Outras confundem-se quando
suspeitam de um desencadeante que nem sempre resulta em
um ataque.
Mais
do que "O que desencadeia um ataque" uma pergunta mais útil
"Quantos desencadeantes eu preciso para iniciar um ataque?
Mesmo sua rotina diária pode incluir desencadeantes que
você não identifica porque permanece abaixo do limiar de
um ataque até que alguns desencadeantes extras apareçam.
É importante manter um registro de desencadeantes potenciais
todos os dias, uma vez que será impossível lembrar-se deles
quando você estiver tendo um ataque.
Dê uma olhada na lista de desencadeantes comuns todos os
dias, um pouco antes de dormir. Marque aqueles que você
suspeita que estiveram presentes naquele dia, tais como
fazer compras ou o atraso de uma refeição, etc. As mulheres
devem manter um registro das menstruações e todo sintoma
pré-menstrual. Se você toma alguma medicação regularmente,
incluindo vitaminas ou produtos naturais, tome nota. Da
mesma maneira, anote se você toma pílula anticoncepcional
ou terapia de reposição hormonal (TRH).
Identificando
os desencadeadores
Você deve completar o diário de desencadeantes e o diário
de ataques até que tenha tido pelo menos cinco ataques.
Compare as informações em cada um deles e veja se houve
uma soma de desencadeantes coincidindo com os ataques. Revendo
os ataques, havia algum sinal de alerta? Reveja a lista
de desencadeantes e você será capaz de dividi-los em dois
grupos - aqueles que você pode fazer algo a respeito (por
exemplo, perder uma refeição, beber vinho tinto) e aqueles
que estão fora do seu controle (por exemplo, ciclo menstrual,
viagens). Primeiramente, tente lidar com os desencadeantes
sobre os quais você tem alguma influência. Elimine os desencadeantes
suspeitos um de cada vez - se você tentar lidar com eles
ao mesmo tempo não saberá quais são os mais relevantes.
Procure ser razoável, assim, se estiver passando por um
período estressante, procure comer regularmente e encontre
maneiras de relaxar antes de dormir.
Se
seus ataques começam regularmente no fim da manhã ou da
tarde, preste atenção na hora das refeições. Um lanche no
meio da manhã ou da tarde pode ser o suficiente para prevenir
os ataques. Da mesma maneira, se você janta cedo e acorda
com um ataque, tente um lanche antes de dormir.
Certos alimentos, em particular chocolate, álcool, frutas
cítricas, laticínios e muitos outros tem sido implicados
como desencadeantes da enxaqueca. Uma vez que são muitos
os fatores necessários para desencadear um ataque, pode-se
dizer que se outros fatores forem identificados e minimizados,
os alimentos desencadeantes serão menos importantes. Se
você suspeita que alguns alimentos desencadeiam o ataque,
tire-os da sua dieta por algumas semanas antes de reintroduzi-los.
Você talvez tenha que fazer isso com o mesmo alimento mais
de uma vez para checar. Se você acredita que um grande número
de alimentos esteja envolvidos, visite seu médico, uma vez
que dietas de eliminação correm o risco de causar desnutrição
se não forem adequadamente supervisionadas por um profissional.
Tratamento
de auto-ajuda
Se você é capaz de reconhecer os sinais iniciais de alerta
de um ataque a caminho, pode tomar decisões para reduzir
os sintomas do ataque, incluindo tomar sua medicação de
preferências.
Identifique os sintomas prodrômicos
Os
pródromos são os sinais de alerta que precedem a dor de
cabeça em várias horas, algumas vezes à noite ou no dia
anterior. Essas mudanças sutis no humor ou comportamento
podem estar presentes antes dos ataques de enxaqueca despercebidas
até que a atenção se volte para eles e são freqüentemente
mais evidentes para amigos e parentes do que para o próprio
paciente. Ficar atrapalhado, bocejar, demonstrar cansaço
e irritabilidade são pródromos comuns. Outros incluem rigidez
de nuca, sede e sensibilidade a luz e som.
Alguns dos sintomas prodrômicos são incorretamente creditados
como desencadeantes do ataque. Uma fissura por doces pode
resultar num desejo de comer chocolate e outros alimentos
doces. Algumas poucas pessoas sentem-se por cima de tudo
antes de um ataque e não param, acreditando mais tarde que
o ataque foi causado por excesso de atividade. Esses são
sinais que o ataque já começou.
O
reconhecimento destes sintomas prodrômicos pode ter um benefício
enorme porque evitando fatores desencadeantes conhecidos
neste momento pode-se identificar o que é necessário para
deter o avanço do ataque.
Sempre carregue pelo menos uma dose de sua medicação preferida
para que você possa toma-la assim que achar que um ataque
está a caminho. É importante que a medicação seja tomada
de imediato para uma ação mais efetiva. O estômago é menos
ativo durante a enxaqueca, logo, as medicações dadas via
oral não são tão bem absorvidas pela corrente sanguinea
como aconteceria normalmente.
O que fazer durante um ataque
Procure comer alguma coisa se você puder. Alimentos inócuos,
tais como uma torrada ou um biscoito podem aliviar a náusea.
Se você vomitar, é bem menos doloroso ter comido algo do
que vomitar com estômago vazio. Algumas pessoas preferem
comer algo doce, outras preferem beber algo com gás ou uma
xícara de chá com açúcar. Idealmente, você deve se entregar
ao ataque e procurar descansar. O sono é a maneira natural
de ajudar a recuperação; brigar com a enxaqueca normalmente
só prolonga o ataque. É claro que nem todos podem parar
o que estão fazendo e ir para a cama, mas ao menos tente
levar as coisas mais calmamente.
Aproveite para por em dia as tarefas menos sofisticadas
ao invés de fazer algo que requeira concentração. Coma lanches
pequenos e freqüentes e tome analgésicos para manter o ataque
sob controle.
Procure
por algo aquecido ou uma bolsa de gelo atrás do seu pescoço
ou no ponto mais dolorido. Cubra seus olhos com uma máscara
- você pode comprar uma na farmácia. Embora muitos prefiram
deitar-se, alguns poucos acham que é mais confortável sentar-se
corretamente numa cadeira. Faça o que parecer mais natural
para minimizar a dor.
Quando consultar um médico
Se você acha que pode administrar sua enxaqueca por si só,
não há necessidade de procurar um médico. Mas se existe
alguma dúvida a respeito da causa da sua dor de cabeça ou
se o padrão dela muda, é importante consultar um médico
para se assegurar do diagnóstico correto. Raramente as dores
de cabeça se devem a algo sério, mas algumas vezes podem
ser um sintoma de um problema médico de base. Não pense
que você está perdendo tempo do seu médico. É muito melhor
ir a uma consulta do que ficar preocupado achando que algo
está errado.
Muita
coisa pode ser feita para minimizar as dores de cabeça sem
o auxílio de medicações. Por outro lado, seu médico pode
aconselhá-lo a respeito do uso de medicações com e sem prescrição
que podem ser usadas na enxaqueca. Mesmo que você tenha
visto seu médico no passado sem muito sucesso, vale a pena
ir outra vez porque talvez você precise tentar mais de um
tipo de tratamento antes de achar aquele mais adequado para
o seu caso.
Leve o seu diário de desencadeantes e de ataques com você.
Faça uma lista dos vários tratamentos que já tentou, como
foram tomados e quais seus efeitos. Lembre-se de quando
suas dores de cabeça começaram e como elas mudaram ao longo
dos anos. Essa informação ajudará seu médico a avaliar o
problema mais rapidamente e facilitará o ajuste de um tratamento
adequado às suas necessidades individuais. Uma vez que não
existem testes para a enxaqueca, seu médico não poderá dizer
de antemão se o tratamento que ele sugere primeiro será
o mais efetivo. Assim sendo, prepare-se para muitos retornos.
Não existe cura para a enxaqueca, mas o tratamento vai ajudá-lo
a restabelecer o controle dos ataques.
Pontos
centrais
-
Para conseguir estabelecer algum padrão, mantenha um
registro acurado dos seus ataques e o que parece desencadeá-los.
-
Elimine desencadeantes suspeitos um de cada vez
- Não
elimine um grande número de alimentos sem antes consultar
seu médico.
- Procure
descansar durante um ataque.
- Não
fique com medo de visitar seu médico se você estiver
preocupado.
Fonte:
ISTOÉ - GUIA DA SAÚDE FAMILIAR - volume 2 - "ENXAQUECA
E DORES DE CABEÇA"
paginas 37 a 45
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