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Colesterol dos brasileiros

Cerca de 10% dos brasileiros têm colesterol alto. Outros 30% estão quase lá, no limite do perigo. Entenda de uma vez por que é tão importante ficar de olho nisso

Esta é a foto de uma artéria bem no meio do coração. Mas o que você está vendo em amarelo é uma placa de colesterol. Resultado: sobrou só este pequeno espaço para a circulação sangüínea.
Infográficos: Paulo Nilson
Foto: Boehringer Ingelheim

O certo seria todo mundo respeitar a seguinte medida: 169 miligramas de colesterol por decilitro de sangue, nada além. Mas nem as crianças estão conseguindo respeitá-la. Segundo um estudo em andamento na cidade de Itapetininga, em São Paulo, assinado pelo Instituto do Coração (Incor), de 500 garotos entre 2 e 19 anos de idade, 20% têm taxa de colesterol de 170 a 199 miligramas por decilitro sangüíneo. A dosagem é considerada limítrofe. Acima de 200 já soariam sirenes. "Mesmo abaixo disso, nesse caso o índice é alto porque estamos falando de meninos e adolescentes", assusta-se o cardiologista Abel Pereira, que acompanha a pesquisa de campo.

A princípio, o colesterol só faria bem à saúde. Mas...

Menos de um terço de todo o colesterol encontrado no sangue vem da comida - o próprio organismo é sua maior fonte. Ainda bem, porque essa é a garantia da natureza de que a substância nunca irá faltar. Afinal, a grande função do colesterol não é atazanar as pessoas, entupindo-lhe as artérias. Ele serve de matéria-prima para as membranas celulares. E, como se não bastasse, é o ingrediente principal dos hormônios sexuais e da bile - o suco produzido pelo fígado, essencial para a digestão dos alimentos. "Também participa da composição da vitamina D, sendo importante para os ossos", lembra o cardiologista e clínico geral Jayme Diament, da Universidade de São Paulo.

Tudo isso posto, rotular o colesterol de inimigo é ser simplista demais. Os vilões são os hábitos pouco saudáveis. "Se houvesse uma redução de apenas 2% no teor de gordura saturada na dieta dos americanos, seriam evitados cerca de 100 mil infartos por ano nos Estados Unidos", comenta Francisco Fonseca, coordenador do Setor de Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular da Universidade Federal de São Paulo. Dieta errada, sedentarismo e estresse acabam levando às temidas obstruções no peito.

A dosagem total pode não significar muito

Podem existir dois indivíduos com o mesmíssimo nível de colesterol e um deles viver mais perigosamente que o outro. "Tem gente com tendência genética a acumular LDL na circulação", exemplifica Francisco Fonseca, da Unifesp. "Então, é preciso um tratamento médico." Mesmo assim, rever a dieta ajuda bastante nos resultados obtidos com as drogas. No outro extremo existem sujeitos com muito HDL, ou seja, com bastante colesterol bom correndo nas veias. Daí o aparecimento de problemas se torna menos provável.

No entanto, a maioria dos brasileiros não se encaixa nesses dois casos - não tem HDL alto demais nem pode responsabilizar os genes pelo excesso de LDL. A maior parte precisa, sim, ficar de olho naquilo que come e praticar atividade física no seu dia-a-dia. E isso desde cedo. Pois eis a má notícia: aquela placa formada, mesmo na tenra infância, nunca mais se dissolverá. Só é possível estacioná-la. Faça isso já!

Fonte: revista Saúde É Vida - maio/2001


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