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Causas
das doenças do coração - por que eu?
Não
existe uma única causa para a doença coronariana, ou pelo
menos ainda não encontramos uma. A pesquisa médica mostrou,
por outro lado, que uma gama de fatores pode torná-lo mais
suscetível a desenvolver DCC os quais são chamados fatores
de risco.
Fatores
de risco
Assim como uma pessoa alta tem mais chances de bater a cabeça
em um batente de porta do que uma pessoa baixa, as pessoas
com um ou mais fatores de risco para DCC têm maior chance
de ter um ataque do coração do que aquelas sem nenhum fator
de risco. Contudo, nem todas as pessoas altas batem a cabeça
no batente da porta nem todas as pessoas com fatores de
risco para DCC acabam tendo um ataque do coração, mas a
probabilidade de isso acontecer é maior.
Os fatores de risco para as doenças do coração se dividem
entre aqueles sobre os quais podemos fazer alguma coisa
- modificáveis - e aqueles que não podemos mudar - imodificáveis.
O risco de você ou eu desenvolvermos a DCC torna-se maior
quanto mais fatores de risco tivermos, pois os riscos se
multiplicam.
Além disso, os fatores de risco não são todos iguais. Alguns,
como o fumo, podem aumentar muito as suas chances de desenvolver
A DCC. Portanto, um fumante com alto nível de colesterol
e pressão alta tem uma chance maior de ter DCC do que se
tivesse um destes fatores isoladamente.
Contudo, um alto nível de colesterol em alguém que não apresenta
outros fatores de risco significa que o risco de DCC é apenas
levemente mais alto que a média. Talvez você nem precise
se preocupar com isso, mas o seu médico vai saber aconselhá-lo
a respeito.
Fatores
que aumentam o risco de desenvolver DCC
Modificáveis
-
Tabagismo
- Colesterol
elevado CE
- Hipertensão
Arterial HÁ
- Diabetes
- Obesidade
- Stress
-
Falta de exercício
Imodificáveis
- Fatores
genéticos por exemplo, um colesterol elevado herdado
- Sexo
- Mais homens que mulheres desenvolvem DCC
-
Idade
Idade e sexo
As doenças do coração torna-se mais freqüentes à medida
que nos tornamos mais velhos. No Brasil, as doenças cardiovasculares
são as principais causas da mortalidade.
O que é surpreendente sobre a DCC é que, até a idade de
55 anos, ela é muito mais comum em homens do que em mulheres.
Isto se dá porque até a menopausa (a mudança que se dá quando
a mulher pára de menstruar) as mulheres raramente têm ataques
do coração. Depois da menopausa, a DCC torna-se mais comum,
de modo que a freqüência entre mulheres gradualmente se
iguala à dos homens até que, após a idade de 75 anos, os
números são aproximadamente iguais.
A razão exata pela qual as mulheres estão protegidas da
DCC antes da menopausa não é conhecida com certeza, mas
parece estar relacionada aos hormônios que desaparecem uma
vez que a menstruação pára. Agora que tantas mulheres estão
em terapia de reposição hormonal, existem evidências de
que ela pode se proteger contra ataques do coração e muitos
médicos recomendam o tratamento por esta razão (além de,
é claro, muitas outras).
História
familiar
Os médicos falam de uma história familiar positiva quando
um ou mais dos familiares próximos (por exemplo, os pais,
irmãos ou filhos) têm uma DCC. Se seu pai teve um ataque
do coração antes dos 60 anos ou sua mãe antes dos 65, o
risco de você desenvolver uma DCC aumenta. Evidentemente,
se os seus pais viveram até uma idade em que o ataque do
coração se torna comum, isto já não é tão importante.
O mesmo se aplica a irmãos, embora, em grandes famílias,
o fato de um membro ter um ataque do coração pode ser meramente
resultante do acaso.
Como é que a DCC corre na família? Parte da explicação está
nos genes que herdamos de nossos pais, que podem nos tornar
mais suscetíveis a ter um colesterol alto ou desenvolver
hipertensão arterial ou diabetes. Parte é também resultado
do estilo de vida semelhante que membros de uma família
costumam ter: todos comem a mesma coisa e, se os pais fumam
com freqüência, os filhos fumam também.
Se os seus familiares sofrem de doenças do coração os cheeck-ups
periódicos com o seu médico podem ser muito úteis para que
você certifique de que não desenvolveu colesterol alto,
hipertensão arterial ou outros problemas que poderiam ser
tratados para reduzir o seu risco de ter DCC.
A
dieta e colestrol
Como já vimos, o ateroma é a principal causa da doença coronariana.
Formam-se depósitos de gordura e, especialmente, de colesterol,
que são conhecidos como placas, nas paredes das artérias.
Isto as torna mais estreitas e reduz o fluxo sangüíneo.
Quando as placas se partem, forma-se um coágulo na área
lesionada, que impede o sangue de chegar até uma região
do músculo cardíaco. Este processo todo tem mais chances
de ocorrer (e de causar mais danos, caso ocorra) em uma
pessoa que tenha um alto nível de colesterol no sangue.
A sua constituição genética é parcialmente responsável por
determinar o seu nível de colesterol. Algumas famílias possuem
genes para altos níveis de vários tipos de gorduras do sangue.
Esta condição clínica é conhecida como hiperlipidemia familiar
ou HF. Entretanto, a dieta também tem um papel importante
na determinação dos níveis de colesterol. Quanto mais gorduras
você comer, especialmente gorduras animais e laticínios,
maior risco corre para contrair DCC. Portanto, realmente
vale a pena reduzir o conteúdo de gordura animal da sua
dieta.
A
pesquisa de framingham
Uma das primeiras pesquisas que relacionaram os altos níveis
de colesterol com a DCC foi conduzida após a Segunda Guerra
Mundial, em uma pequena cidade próxima a Boston, nos Estados
Unidos, chamada Framingham. Todos os moradores passaram
por exames anuais que visavam detectar quem havia sofrido
de DCC. Uma forte relação com alto colesterol foi descoberta
logo no início - quanto mais alto o colesterol, maior o
risco de ter um ataque do coração. A pesquisa de Framingham
também demostrou a importância de outros fatores de risco
como o tabagismo, hipertensão arterial e diabetes. Um seguimento
de aproximadamente 40 anos desde o início do estudo permitiu
que estes fatores de risco fossem confirmados.
Tabagismo
O hábito de fumar está fortemente relacionado com o risco
para DCC. As substâncias químicas na fumaça do cigarro passam
dos pulmões para a corrente sangüínea e circulam pelo corpo,
afetando todas as células.
Estas substâncias fazem os vasos sangüíneos se contraírem
temporariamente. Também aumenta a aderência das células
sangüíneas, chamadas plaquetas, aumentando a probabilidade
de um coágulo se formar.
Os
indivíduos que fumam cachimbo ou charuto não correm o mesmo
risco que os que fumam cigarros, mas ainda assim são mais
suscetíveis a ter DCC do que não-fumantes.
A
quantidade que você fuma também interessa; o risco aumenta
progressivamente entre fumantes leves (menos de dez cigarros
por dia), moderados (10-20 cigarros por dia) ou pesados
(mais de 20 cigarros por dia).
A razão pela qual os médicos insistem para que se pare de
fumar é que este é o único fator de risco que você pode
controlar sozinho. Além do mais, você começa a ter benefícios
a partir do momento em que pára. Embora a chance de você
ter um DCC nunca vir a ser igual à de um não-fumante, ela
chega perto desta após um ano da interrupção do fumo.
Stress
Muitas pessoas que tiveram um ataque do coração indicam
algum stress pessoal como a sua causa, mas tem sido surpreendentemente
difícil provar esta relação cientificamente. Existem fatores
precipitantes bem determinados que podem levar a um ataque
do coração, como o exercício físico repentino e inesperado
e experiências emocionais extremas, mas isto só ocorre raramente.
Também
pensamos com freqüência que certos tipos de personalidade
apresentam maior risco para doenças do coração que outros.
A tecnologia moderna trouxe com ela a capacidade de realização
muito rápida das coisas, cuja realização há uma geração
levaria dias. A pressão para assumir mais compromissos do
que se consegue administrar e para definir objetivos pouco
realistas tem criado a idéia da personalidade do tipo A.
Este indivíduo (geralmente homem) inquieto, que tem dificuldades
para relaxar, torna-se cada vez mais tenso no trabalho à
custa das relações pessoais e, no final, tende a se exaurir.
Diz-se que este indivíduo tem um risco dobrado para DCC,
comparado com a personalidade " relaxada" do tipo B.
A teoria relacionando DCC e a personalidade estressada já
esteve muito em voga. Já se despendeu muito esforço tentando
convencer pessoas que tinham trabalhado duro a vida toda
a relaxar. As pesquisas modernas não confirmam estes achados
anteriores e, embora uma doença grave de qualquer tipo obrigue
a uma revisão das prioridades, as tentativas de mudar radicalmente
o comportamento têm tido poucos benefícios.
Doenças
relacionas com DCC
Duas doenças comuns e importantes estão associadas a um
maior risco de doenças do coração: hipertensão arterial
(HÁ) e diabetes.
- Hipertensão
Arterial
O termo pressão arterial se refere, na verdade, à pressão
nas artérias que levam o sangue do coração para o resto
do corpo. A hipertensão arterial causa stress no coração
e na circulação e a maioria das pessoas sabe que também
causa derrames. O tratamento da hipertensão deve reduzir
o risco tanto para ataques do coração como para derrames.
A pressão arterial é usualmente medida na parte superior
do braço. A cada batimento cardíaco, a pressão arterial
atinge um pico (pressão sistólica) e depois cai a um
nível baixo entre batimentos (pressão diastólica). A
pressão é medida em milímetros de mercúrio (mmHg). A
pressão média de uma pessoa saudável em repouso é 120/70
(diz-se 120 sobre 70). Uma pressão em repouso de 140/90
está no limite, enquanto 150/100 é claramente alta.
A hipertensão é encontrada no mundo todo e é especialmente
comum nos países afro-caribenhos e entre americanos
negros. É bastante comum também no Brasil, atingindo
aproximadamente de 45% da população masculina com mais
de 50 anos. A causa da hipertensão arterial da maioria
das pessoas é desconhecida. Ela atinge vários membros
de uma família e também indivíduos com doenças do rim.
Infelizmente, na maioria dos casos, a hipotensão arterial
não tem sintomas, e é por esta razão que você deve checar
a sua pressão arterial de tempos, no caso de ela estar
alta e você não saber disso. A pressão alta danifica
o revestimento das artérias e acelera o desenvolvimento
de ateroma. O coração também tem que trabalhar mais
para mandar sangue em pressão alta, mas para fazer isso
necessita de um suprimento adequado de oxigênio. Com
isso aumenta a chance de o indivíduo ter angina ou um
ataque do coração. A hipertensão arterial também aumenta
o risco de um derrame por causa dos danos causados aos
vasos sangüíneos do cérebro.
-
Diabetes
Esta é uma doença comum que afeta aproximadamente oito
em cada cem pessoas no Brasil. É causada por uma deficiência
do hormônio chamado insulina, ou por uma resistência
a ele. Este hormônio é essencial no controle do movimento
da glicose para dentro das células do corpo através
da corrente sangüíneo. A diabetes pode afetar pessoas
de qualquer idade, inclusive crianças. Pessoas jovens
têm chances maiores de precisar de injeções de insulina
para controlar a doença. Muitas pessoas, por outro lado,
desenvolvem a diabetes já em idade avançada e, quando
isto acontece, os sintomas são poucos e a doença pode
ser controlada com dieta e comprimidos. O objetivo do
tratamento é manter o nível de glicose no sangue o mais
próximo do normal. Entretanto apesar do tratamento,
a diabetes pode aumentar o risco para várias doenças
circulatórias, incluindo as doenças coronarianas, Isto
é particularmente importante para as mulheres porque
parece neutralizar o efeito protetor dos hormônios femininos,
fazendo com que praticamente a mesma proporção de mulheres
e homens com diabetes desenvolvam as DCC. Um bom controle
da diabetes com dieta, comprimidos e insulina, torna
os problemas cardíacos e circulatórios menos comuns.
Um controle ruim freqüentemente resulta em níveis muito
anormais de gordura no sangue, incluindo colesterol
alto, fazendo com que as pessoas com diabetes necessitem
de medicações adicionais para controlar este problema.
Uma
doença bem compreendida
Mas nem tudo é ruim. Existem características de estilo de
vida que podemos controlar e que podem reduzir o risco de
DCC e que examinaremos mais à frente. As pessoas geralmente
se sentem culpados por terem doenças do coração, como se
isso fosse, de algum modo, culpa delas, mas isso não é justo.
O fato é que nós simplesmente sabemos muito mais sobre fatores
que levam à DCC do que sabemos sobre quase todas as outras
doenças importantes.
Pontos
centrais
-
DCC é muito mais freqüente em homens do que em mulheres,
e nos mais velhos do que nos mais jovens.
- Os
fatores de risco importantes para DCC são o tabagismo,
o colesterol alto, a hipertensão arterial e a diabetes.
- Parar
de fumar e diminuir o colesterol e a pressão arterial
reduzem o risco de DCC
Fonte: ISTOÉ - GUIA DA SAÚDE FAMILIAR
- volume 6 - "DOENÇAS DO CORAÇÃO"
paginas
26 a 36
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