Ensaios clínicos
Grandes progressos nos cuidados
do câncer foram feitos nos últimos anos. Existem muitas razões
para isso, incluindo desenvolvimento tecnológicos (tais como varreduras
e melhorias nas máquinas de radioterapia), novas drogas anticâncer
e a utilização diversificada de tratamentos estabelecidos, por
exemplo, administração de drogas ou radioterapia em conjunto com
a cirurgia.
Outros fatores importantes incluem
o desenvolvimento de drogas que podem melhorar o controle dos sintomas e reduzir
os efeitos colaterais de alguns tratamentos, e uma compreensão muito
maior da natureza fundamental da doença.
Esses desenvolvimentos têm
resultado num grande número de novas abordagens promissoras ou aprovadas,
muitas das quais são agora parte da rotina de cuidados. A velocidade
de mudanças está aumentando: existe um número crescente
de novas drogas, tecnologias e conceitos aparecendo em cena. Infelizmente, alguns
novos tratamentos não sobrevivem à sua promessa inicial. O que
pode funcionar e laboratórios, às vezes, tem uma frustrante tendência
a não funcionar nas pessoas. Algumas vezes um novo tratamento parece
ser um aperfeiçoamento, ma eventualmente não é melhor do
que o que existia anteriormente.
Por que os ensaios
são realizados
Obviamente só há uma maneira de avaliar
um novo tratamento, que é experimentando-o em voluntários. Hoje
nos encontramos onde estamos somente por que tratamentos novos e experimentais
foram usados em pacientes no passado, mas toda essa pesquisa deve ser conduzida
e planejada meticulosamente.
Um tratamento totalmente novo é primeiramente
avaliado em um número pequeno de pacientes que são cuidadosamente
observados, sendo dada atenção especial a quaisquer efeito colateral
detectados. É nessa fase que a droga pode ser testada em várias
doses, com o objetivo de descobrir a dosagem ideal. Essa etapa é chamada,
às vezes, de “fase I”.
Se o tratamento apresenta um efeito positivamente
útil, em uma etapa posterior será testado em um número
maior de pacientes com tipos específicos de câncer. Eles são
monitorados cuidadosamente para detectar tanto as vantagens quanto as desvantagens
do tratamento na “fase II”.
Em uma etapa ainda mais avançada, o valor
de um novo tratamento promissor em um câncer específico pode ser
avaliado no que é conhecido como ensaio aleatório controlado ou
“fase III”. Geralmente, esse ensaio envolve a comparação
do novo tratamento com o que tem sido o tratamento padrão até
o momento.
Em um ensaio aleatório, geralmente metade
dos pacientes recebem o tratamento padrão e metade, o tratamento experimental,
quem recebe o que, é decidido aleatoriamente. Às vezes, as proporções
são ligeiramente diferentes e, às vezes, mais do que dois tratamentos
são comparados nos quais os pacientes são divididos em três
ou quatro grupos. Todos os envolvidos nos ensaios recebem tratamentos potencialmente
efetivos para a sua doença, mas nessa fase não estará claro
se o novo tratamento é melhor do que a abordagem padrão. É
importante que nem o paciente nem médico decidam qual tratamento será
dado. Se houvesse a possibilidade de escolha, alguns tipos de pacientes poderiam
optar – ou serem aconselhados receber – por um tratamento ao invés
de outro. O resultado é que os dois grupos poderiam não ser exatamente
comparáveis. E não seria possível dizer se as diferenças
de resposta ao tratamento nos diferentes grupos foram causados pelo tratamento
recebido ou por diferenças entre os pacientes ou pela mistura dos dois
fatores.
O princípio subjacente do ensaio aleatório
é que diferentes tratamentos são dados a grupos muito semelhante
de pacientes para que quaisquer diferenças na maneira de dois grupos
responderem possam ser atribuídos ao tratamento recebido.
A semelhança entre os grupos é parcialmente
garantida pela distribuição aleatória dos pacientes aos
diversos tratamentos e parcialmente pelo grande número de pacientes,
pelo menos centenas, nos ensaios. Ao trabalhar com um grande número,
quaisquer diferença ao acaso na construção dos grupos de
pacientes tenderão a ser eliminadas.
Por analogia, não seria surpreendente encontrar
uma pequena variação de centímetros na altura de crianças
da primeira série colegial. Entretanto, seria surpreendente se a altura
média das crianças da primeira série de uma cidade fosse
8 cm a menos do que em outra cidade a alguns quilômetros de distância.
Atualmente só uma pequena porcentagem de
pacientes ingressam nos ensaios. É uma pena, porque o progresso no tratamento
seria mais rápido se mais pessoas fossem incluídas. Entretanto,
o ingresso e monitoramento de pacientes em ensaios consomem muito tempo e freqüentemente
os recursos disponíveis são insuficientes.
Considerações
éticas
Um ensaio clínico pode ser conduzido somente
com a aprovação do comitê de ética local, compreendendo
não-médicos e médicos que não estejam diretamente
envolvidos no tratamento de pessoas administradas no ensaio. O comitê
deve se convencer de que não existe evidência de que os pacientes
terão qualquer desvantagem se ingressarem no estudo.
Não é ético os médicos
convidarem os pacientes para entrar no ensaio se esses acreditam que um dos
tratamentos avaliados é superior. É muito comum que novos tratamentos
não sejam considerados melhores ou não tão bons quanto
aqueles já existentes, quando comparados em um ensaio aleatório.
É um erro assumir que todo novo tratamento é melhor. O progresso
dos ensaios é mantido sob revisão cuidados e você pode estar
certo de que o ensaio será interrompido se um dos tratamentos for claramente
melhor do que outro.
Participando de
um ensaio
Pacientes que participam de ensaios clínicos
devem comparecer nas clínicas mais freqüentemente do que se não
estivessem no ensaio. Isso se dá porque avaliações muito
intensas são feitas tanto na eficácia do tratamento como quaisquer
efeitos colaterais que, de outra forma, não seriam necessárias
ou talvez factíveis fora do ensaio.
Existem, no entanto, algumas evidências
de que, em geral, os pacientes tratados nos ensaios (qualquer que seja o tratamento
recebido) tendem a se sair melhor do que aqueles tratados fora dos ensaios.
Isso pode dever-se, em parte, ao monitoramento cuidadoso do progresso. Também
pode refletir a tendência dos centros ou unidades de tratamento de estar
mais entusiasmados em tratar pacientes em ensaios.
A escolha é
sua
Se você é convidado a participar de
um ensaio, não tem qualquer obrigação de aceitar e sua
recusa não afetará o padrão de seu cuidado: você
receberá o melhor tratamento convencional disponível. Você
não deveria se sentir sob pressão para participar de teste e deve
ter tempo suficiente para tomar a melhor decisão. Algumas pessoas ficam
felizes por decidir imediatamente, mas outros preferem levar a informação
escrita a respeito do teste e pensar a respeito por alguns dias.
Você pode ser incluído em um teste
clínico somente com um consentimento escrito, tendo recebido toda informação
necessária previamente, e pode abandonar o teste a qualquer momento que
desejar.
Pontos centrais
O progresso na luta contra o câncer depende
dos pacientes tratados em testes clínicos.
Todos os ensaios clínicos são
cuidadosamente elaborados.
Pacientes em um ensaio clínico não
podem receber qualquer tratamento reconhecidamente inferior.
Pacientes em testes tendem a se dar melhor;
seja qual for o tratamento recebido.
O paciente pode entrar no teste somente após
seu consentimento.
Fonte:
Guia da Saúde Familiar - revista ISTOÉ - Volume 11 - 02/2002
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