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Como o cancêr é diagnosticado?

A grande maioria dos cânceres é descoberta por causa dos sintomas que produz ou porque a pessoa (ou seu médico) percebe um caroço ou algo anormal. Uma pequena, porém crescente, parte dos cânceres é descoberta através de testes em pessoas aparentemente saudáveis que não notam nada de anormal. Isso chama-se triagem.

Sintomas do câncer

A maior parte dos sintomas causados pelo câncer geralmente resulta em doenças secundárias em relação ao câncer. Algumas vezes isso significa que o indivíduo não as leva a sério, retardando a busca de aconselhamento médico. Mesmo quando ele ou ela vai ao médico, o clínico-geral pode pensar que não é apropriado considerar seriamete o câncer como uma possibilidade de diagnóstico nessa fase. Não há mesmo como cotornar isso. A investigação exaustiva e imediata de qualquer sintoma que possa ser causado pelo câncer rapidamente levará o sistema de saúde interrompê-la, sem contar que produz muita ansiedade desnecessária.

É mais provável que seu médico suspeite da possibilidade de uma causa potencialmente séria se o sintoma persiste ou se você também tem outros tipos de sintomas. Alguns sintomas são suficiente para indicar algo sério que necessita de mais investigação.

Caroços e saliências

A maioria dos cânceres encontra-se alojado profundamente no corpo e somente uma minoria pode ser sentida no exame médico, e raramente pelo paciente. No entanto, os cânceres mais próximos da superfície, como aqueles envolvendo as glâdulas mamárias e linfáticas no pescoço e axilias são geralmente descobertos pela própria pessoa, que se consientiza do caroço. A maioria dos cânceres de pele são observados pela própria pessoa antes do que o médico.

Na verdade, poucos caroços ou mudanças persistentes da pele são cancerosas. No entanto, se você notar um caroço no seio, testículos ou outro lugar, ou se você têm uma úlcera ou mancha persistente ou piora inesplicável, principalmente qualquer mudança de aparência de uma pinta, deve procurar um médico imediatamente.

Sintomas suspeitos
Qualquer um que tenha os sintomas listados abaixo deve procurar um médico imediatamente. A maioria das pessoas com esses sintomas não têm câncer, mas, é bom descartar a hipótese.
Persistente e inesplicável Sangramento anormal
Tosse
Falta de ar
Rouquidão
Dificuldade para engolir
Dor
Indigestão
Perda de peso
Alteração do hábito intestinalSecreção de qualquer orifício (por exemplo, bico do peito ou vagina)
Febre
Tosse com sangue
Sangramento retal
Sangramento vaginal entre os períodos menstruais
Sangramento vaginal com o coito
Sangramento vaginal após a menopausa
Sangue na urina
Sangramento de uma mancha

Triagem do câncer

O exame para descobrir cânceres em um estágio precoce e mais curável pode ajudar a reduzir o numero de mortes provocadas por alguns tipos importantes câncer. No entanto, o exame tem seus problemas. Se o resultado do teste mostra uma anormalidade que, eventualemente, não é câncer, você devará se submeter a mais investigações e pode passar por muitas preocupações desnecessárias.

Algumas vezes, o exame pode revelar a presença de um câncer de crescimento pré-canceroso que não causaria problemas mais sérios se não tivesse sido descoberto. Assim, algumas pessoas podem receber um tratamento que não é realmente necessário. O exame é caro: normalmente um grande número de pessoas precisa ser examinado para descobrir um câncer cujo o diagnóstico precoce faça diferença entre o sucesso e o fracasso do tratamento.

Exame de câncer de mama

Às mulheres com cerca de 50 anos é oferecida a mamografia a cada três anos até que atinjam a idade de 65 anos ou além, se requisitado. A maioria das anormalidades observadas na radiografia não são cancerosas, mas investigações adicionais de alguns deles são recomendadas, levando, às vezes, a remoção de um pequeno pedaço do tecido (biópsia) para análise microscópica. Descobre-se, então, que algumas dessas anormalidades são cancerosas ou pré-cancerosas. Os cânceres de mama descobertos dessa forma são geralmente pequenos e a mamografia tem melhorado significativamente a probabilidade de cura.

Exame de câncer cervical

Mulheres sexualemente ativas deveriam fazer teste de esfregaço cervical a cada três a cinco anos até os 60 a 65 anos. (Mulheres que nunca tiveram relações sexuais, raramente têm esse tipo de câncer.) Quando você faz um esfregaço, um instrumento chamado espéculo é introduzido na vagina para permitir que o cérvix (colo do útero) seja visto. O cérvix é então raspado gentilmente com uma espátula para coletar um número razoável de células. Essas são esfregadas em um pedaço de vidro e examinadas ao microscópio. O procedimento pode ser um pouco desconfortável, mas geralmente é indolor. O teste pode revelar anormalidade pré-cancerosas que podem ser administradas facilmente. Pode também descobrir cânceres em um estágio muito precoce, quando o tratamento tem um alta probabilidade de cura.

Muitas das anormalidades descobertas dessa maneira são somente pequenas mudanças, que não necessitam de mais investigação, ou simplesmente uma repetição ou esfregaços mais frequentes por algum tempo. Entretanto, algumas anormalidades requerem investigação adicional por um procedimento denominado colposcopia, que envolve o exame do cérvix iluminando com um tipo de lente de aumento. Pequenas amostras de biópsia por punição podem ser removidas de qualquer área anormal. É desconfortável por pouco tempo, mas não deve ser doloroso e dura somente uns dez minutos.

Se áreas potencialmente pré-cancerosas são descobertas, recomenda-se tratamento adicional para destruir as células pré-cancerosas. Esse pode incluir evaporação por laser (um feixe de luz concentrada vaporiza as células anormais), crioterapia (as células anormais são destruídas por congelamento) com anestesia local e diatermia (as células anormais são queimadas por uma sonda elétrica) sob anestesia geral.

Em uma pequena porcentagem das mulheres, a colposcopia pode indicar que a anormalidade é mais séria e uma biópsia nuclear (remoção do revestimento central do canal cervical) sob anestesia geral pode ser necessária. Isso pode remover todo o tecido afetado, porém, ocasionalmente, descobre-se um crescimento infiltrado mais profundamente que requer tratamento mais extenso.
Poucas mulheres morrem por câncer de colo de útero, e daquelas que morrem, quase 90% nunca fizeram um esfregaço de rotina.

Exames para outros cânceres

Estudos recentes têm mostrado que exames que detectam tumores intestinais em estágio inicial podem diminuir o número de mortes por câncer no intestino. O exame envolve a investigação de pequenas quantidades de sangue de amostras de fezes que não são normalmente visíveis a olho nu. Embora a causa de tais sangramentos seja outra que não câncer, às vezes a investigação adicional pela colonoscopia ou enema de bário pode revelar a presença de câncer antes que cresça o suficiente para produzir sintomas. É provável que o exame de sangue oculto na fezes torna-se mais disponível.

Exame de câncer de próstata pode ser feito pela dosagem de substâncias químicas produzidas por esse câncer (“antígeno prostático-específico” ou “PSA”) e por exames físicos e ultra-sonografia. O exame pode detectar alguns cânceres de próstata em estágio inicial, mas também pode resultar em tratamento desnessário. As próstatas de homens idosos que morrem por outras causas podem conter pequenos tumores. Muitos cânceres em pessoas idosas têm crescimento lento e, se não tratados, provavelmente não causarão problemas durante a vida do indivíduo. Entretanto, evidências recentes sugerem que o exame pode reduzir as mortes por câncer de próstata.

O exame de câncer de pulmão através de radiografias rotineiras do tórax não é útil. A maioria dos cânceres parece ter um prognóstico desfavorável desde os estágios e atualmente a melhor probabilidade de reduzir sinificativamente o número de mortes é através da redução do fumo.

O câncer nas famílias

Em teoria, faz sentido examinar pessoas que sabiamente (ou provavelmente) tenham herdado uma pré-dissposição para o câncer. No entanto, menos do que 5% dos cânceres têm causa hereditária. O câncer é uma doença comum que, e quando afeta dois ou mais membros da mesma família, a probabilidade maior é que seja por puro acaso. Ocasionalmente, pode ser o resultado de se compartilhar o mesmo fator ambiental, como o fumo. Pode-se suspeitar de câncer hereditário quando dois ou mais parentes próximos – pais, irmãos, irmãs – têm o mesmo câncer ou diferentes que possam ser geneticamente relacionados, tais como os de mama ou ovário. Outros sinais são o desenvolvimento de câncer em idade jovem e uma tendência a ter tumores bilaterais (ambas as mamas, por exemplo) e multiplos.

Alguns desses casos com uma história familiar importante podem ter herdado alguns genes anormais identificáveis. Se essa for a situação, não é garantido que irão desenvolver câncer, embora herdar alguns genes possam resultar em uma probabilidade de 80% a 90% de risco de desenvolver câncer em alguma fase. O mesmo tipo de câncer pode, às vezes, ocorrer em dois ou mais membros da família sem qualquer anormalidade genética em particular seja identificável. O risco para os outros membros da família pode, então, crescer, mas geralmente não em nível alto.

A predisposição para uma variedade de cânceres raros pode ser herdada; certos tumores da tireóide e outras glândulas hormonais, por exemplo. No que se refere aos tipos de mais comuns de câncer, os principais, que ocasionalmente são hereditários, são os de intestino grosso (cólon e reto), de mama e ovário.

O câncer de intestino pode ocasionalmente aparecer em famílias pela herança de um gene “adenomatose do cólon poliposo” (APC) mutado. Indivíduos afetados desenvolvem múltiplos pólipos intestinais benignos que se tornam malignos em quase todos os casos.
O câncer de mama é hereditário somente 5% a 10% dos casos. Até agora, dois genes importantes do câncer de mama foram descobertos: “BRCA-1” e “BRCA-2”. Uma mulher que tenha herdado um gene BRCA-1 ou BRCA-2 mutado tem uma chance de 85% de desnvolver câncer de mama em algum momento. O gene BRCA-1 mutado também confere um risco aumentado de câncer de ovário. No entanto, a maioria das mulheres com histórico familiar de câncer de mama não tem uma mutação BRCA-1 ou BRCA-2 herdada. Elas podem apresentar risco aumentado de câncer de mama, mas o nível de risco é geralmente muito mais baixo, por exemplo, abaixo dos 30% para aquelas com um mãe ou irmã com a doença.

Se você está preocupado(a) de ter um risco alto para câncer por causa de sua história familiar, converse com seu médico. Se for apropriado, procure a opinião especializada de um geneticista clínico que astará apto a garantir que você não está em risco significante. Por outro lado, é possível chegar a uma avaliação aproximada do nível de qualquer risco aumentado.

Ocasionalmente é apropriado testar a presença de genes anormais através de análises de sangue sofisticadas. Entretanto, esse teste é feito somente se o indivíduo em questão ainda que fazê-lo após uma conversa detalhada sobre todas as implicações, que podem ser profundas. Isso inclui considerar-se o que fazer se um gene de predisposição para o câncer é descoberto, sentimentos de se viver com o conhecimento de alto risco para desenvolver câncer, o que será dito aos outros membros da família, as consequências para a paternidade ou maternidade e quanto sua elegibilidade para o seguro-saúde pode ser afetada.

Recomendações do que poderia ser feito para esses indivíduos identificados como sendo de alto risco variam muito de acordo com o câncer em questão, circunstâncias e preferências individuais. Alguém que está encarando um alto risco de desenvolver câncer intestinal pode ser aconselhado a remover cirurgicamente o cólon ou reto na adolescência, antes que a doença possa se desenvolver. Quando isso acontece, o intestino deslgado pode ser ligado ao ânus, evitando um “estoma”.

Para mulheres com alto risco para o câncer de mama, a escolha do melhor tratamento preventivo é menos direto. Algumas mulheres irão optar por uma remoção profilática (ou seja, preventiva) de ambas as mamas (mastectomia bilateral). No entanto, embora esse tratamento pareça reduzir significativamente a probabilidade de a mulher desenvolver câncer de mama, não há garantias. Poucas mulheres desenvolvem câncer na pequena quantidade de tecido mamário que permanece após a mastectomia. Algumas mulheres optam por um programa de controle intenso envolvendo exames físicos regulares orientados por um especialista e com mamografia.
Mulheres com alto risco de câncer de ovário podem optar pela remoção cirurgica dos ovários como medida preventiva (ovariectomia bilateral). Mas isso também não garante a prevenção da doença. O exame para detectar o câncer de ovário em estágio inicial usando ultra-som e análise sanguínea do “marcador tumoral” CA-125 produzido por esse câncer é uma alternativa.

Avaliação médica

Se seus sintomas sugerem a possibilidade de câncer, ou se seu médico encontra algo incomum durante o exame ou no resultado de um teste de triagem, você provavelmente irá necessitar de exames e testes adicionais, dependendo das circunstâncias. Alguma investigação adicional pode ser solicitada por seu clínico-geral, mas em algum momento você poderá ser encaminhado a um consultor hospitalar para uma opinião do que deveria ser feito em sguida. O que é adequado pode variar muito de um indivíduo para outro. Esperar por consultas, investigações adicionais e seus resultados são inevitavelmente preocupantes, mas várias pessoas e organizações fornecem apoio.

Avaliação clínica

Se for necessária uma avaliação adicional, o primeiro passo deve ser uma consulta com um especialista em uma clínica onde serão feitas perguntas mais detalhadas sobre quaisquer sintomas que você possa ter, tais como sua gravidade e duração. Também podem lhe pergutar sobre sua saúde geral e outros aspectos que possam ser relevantes, tais como doenças prévias, medicações que esteja tomando, ocupações passadas e presentes e condições de sua casa. Essa entrevista será geralmente seguida por um exame físico que tenderá a se concentrar na parte de seu corpo que está gerando preocupação, embora você possa receber um exame mais geral.

Essa avaliação nem sempre ajuda a fazer o diagnóstico, mas, às vezes, o médico poderá suspeitar de câncer porque ele ou ela encontra, por exemplo um caroço com caracteristicas sugestivas.

O exame realizado pode incluir a observação interna de qualquer parte do corpo. Uma variedade de instrumentos pode ser usada no exame, por exemplo, o reto (proctoscópio), caixa vocal (pequenos espelhos) ou no cérvix (inserindo um espéculo na vagina).

Investigações adicionais

Se há suspeita de uma doença séria, testes adicionais serão provavelmente marcados. Esses podem incluir biópsia, testes sanguíneos, raio-x e varreduras.

Biópsias

Embora um caroço possa parecer canceroso ao toque ou ao olho, o diagnóstico definitivo de câncer só pode ser feito, geralmente, por um patologista – médico especializado em avaliar células e tecidos estudando-os através do microscópio. Ele ou ela irá reconhecer as mudanças caracteristicas de aparência que confirmam a presença de câncer.

A remoção de um pedaço do tecido para finalidades diagnósticas é conhecida como biópsia. Parte do caroço ou, sefactível, todo caroço (biópsia de remoção) pode ser removida durante uma operação realizada sob anestesia local ou geral. Às vezes uma porção central do tecido pode ser removida por um tipo especial de agulha que evita o corte do tecido com bisturi.

Também pode-se aspirar as células com uma agulha fina conectada a uma seringa. Esse processo é chamado biópsia por aspiração com agulha fina e, na maioria dos casos, é desconfortável por um breve tempo. As células podem, então, ser esfregadas em uma lâmina. Células para exame microscópico podem ser obtidas por raspagem do tecido em questão, como no exame de esfregaço cervical, ou de líquidos teciduais, como o catarro, líquido em volta dos pulmões (efusão pleural) ou urina.

O exame microscópico de cortes muito finos retirados de um caroço também conhecido como histologia, enquanto que o exame de esfregaço celular é conhecido como citologia. A histologia pode fornecer informações mais detalhada porque o patologista é capaz de não somente de avaliar a aparência individual das células (ou seja, os tijolos), mas também a relação entre as células e a maneira como o tecido é construído (ou seja, a arquitetura).

A citologia é baseada na aparência individual das células. É capaz de estabelecer a presença de processo canceroso, mas fornece menos informação qualitativa. Também apresenta um problema potencial onde as células do tecido anormal removidas por aspiração com agulha fina podem não ser representativas – a agulha pode não aspirar qualquer célula cancerosa, muito embora algumas estejam de fato presentes. O risco de resultado “falso-negativo” geralmente não é um problema com a histologia. No entanto, um resultado de citologia positivo é geralmente sufuciente para justificar tratamento adicional. Para muitos cânceres, esse tratamento envolverá remoção cirurgica, quando o tecido estará disponível para exame histológico. Além do exame microscópico do tecido para estabelecer o diagnóstico, as biópsias são, algumas vezes, realizadas na tentativa de estabelecer a extensão da doença. Por exemplo, alguém que tenha uma glândula do pescoço inchada diagnosticada como linfoma pode ser submetido a uma biópsia da medula óssea para investigar se há células do linfoma na medula, pois isso poderia influenciar significativamente na escolha do tratamento.

Instrumentos diagnósticos

O termo “scopia” significa simplesmente “olhar” (skopein é “ver” em grego). Muitos cânceres originam-se do revestimento interno de tubos ou recipientes, tais como a laringe, passagens aéreas no pulmão (os brônquios), o tubo de deglutição ou garganta (esôfago), estômago (para qual o adjetivo médico é “gástrico”), intestino grosso (o colón ou reto) e a bexiga (algumas vezes chamadas de “cisto”). É possivel inspecionar todas essas estruturas utilizando uma variedade de instrumentos e fazer biópsias de qualquer área suspeita.

Muitas inspeções envolvem o uso de tecnologia de fibra óptica, que capacita o médico a olhar através de um cabo flexível inserido, gentilmente, em uma bertura do corpo ou através de uma pequena incisão. Algumas vezes é mais fácil para o médico ver, sentir e avaliar a extensão do crescimento e fazer uma biópsia se você estiver sob efeito de anestesia geral. É por isso que o exame sob anestesia é um procedimento bastante comum.

Teste de sangue

É improvavel que esses testes forneçam muitas informações úteis ao médico que ajudem a fazer um diagnóstico, a não ser que o câncer seja nos glóbulos brancos (leucemia) ou que seja um dos poucos tipos de câncer que produzem uma substância caracteristica ou “marcador tumoral”, que possa ser medido no sangue. Estes incluem alguns cânceres de próstata, testículos e mieloma.

Ainda assim, testes de sangue podem ser úteis para fornecer informação sobre o estado de saúde geral. Algumas vezes podem também indicar se o câncer se espalhou em outros orgãos, tais como ossos e fígado. É aí que a concentração de certas substâncias, conhecidas como enzimas, normalmente lançadas na corrente sanguínea por esses órgãos, está acima do normal como resultado do dano causado pelo câncer. No entanto, esses testes não são garantidos. Normalmente existem várias causas possíveis para tais anormalidades, além do câncer espalhado.

Radiografia e varreduras

Frequentemente, a primeira indicação clara da presença de câncer é uma imagem anormal na radiografia, por exemplo, uma sombra anormal na radiografia do torax causada por um câncer de pulmão ocupando um espaço que normalmente seria ocupado por ar. Os tumores também podem produzir um raio-x de mama anormal (mamografia) ou aparecer em um raio-x de intestino por enema de bário.

Uma mamografia é uma imagem de raio-x de mama obtida com a mama comprimida gentilmente entre duas placas achatadas. Cânceres de mama podem produzir sinais reconhecíveis na imagem de raio-x, particularmente manchas brancas muito pequenas causadas por depósitos de cálcio dentro do tecido canceroso.

Tipos de investigação
Os nomes dos órgãos envolvidos em algumas investigações estão listados abaixo. Algumas delas acontecem na clínica ambulatorial, enquanto outras requerem sedação ou anestesia geral.
Laringoscopia Laringe
Broncospia Pulmões
Gastroscopia Estômago
Colonoscopia Cólon
Sigmoidoscopia A terminação em forma de S do cólon e reto
Cistoscopia Bexiga
Outros tipos de investigação incluem:
Nasoendoscopia A passagem aérea das narinas até a laringe
Mediastinoscopia Os tecidos atrás do esterno para avaliar se o câncer de pulmão se espalhou para as glândulas linfáticas
Colposcopia O cervix (“colo do útero” )
Laparoscopia A cavidade abdominal

Quando o bário é ingerido ou inserido no intestino através do reto (enema de bário) aparece densamente branco no raio-x, delineando a superfície interna do esôfago, estômago ou intestino. Normalmente o revestimento aparece liso, mas a presença de câncer pode produzir uma imagem irregular ou arquear para dentro, indicando estreitamento.

Algumas vezes outros tipos de “corante” ou “contraste”, que aparecem brancos no raio-x ou varredura, são injetados na corrente sanguínea através de uma veia. Por exemplo, o sangue pode levar o corante ao rim, que então o excreta na urina. Raio-x do rim e bexiga (urugrama [UIV] ou pielograma [PIV] intravenoso) podem mostrar esses orgãos claramente, e a aparência anormal pode indicar a presença de câncer.

Você pode precisar de uma ou mais formas de varredura como parte do processo de diagnóstico do câncer ou de avaliação de sua extensão. Para se fazer a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) você precisa deitar-se em uma estrutura em forma de rosca. Tudo será explicado com antecedência. A TC é muito rápida. A RM é mais demorada, talvez durando entre 15 ou 20 minutos. Essas varreduras podem produzir imagens muito impressionantes de seções ou fatias da parte de seu corpo que está sendo investigada e geralmente mostram crescimento muito mais claramente do que os raios-X. Um contraste poderá ser ingerido ou injetado para mostrar o tumor e tecidos adjacentes mais claramente.

A ultra-sonografia é um processo no qual uma sonda é movida sobre a pele que cobre parte a parte relevante do corpo. Ocasionalmente envolve a inserção da sonda no reto ou vagina. As imagens são produzidas em uma tela para detectar ondas “sonoras” de alta-freqüência, inaudíveis, que são refletidas pelos tecidos internos.

Varredura isotópica cria a imagem por uma “câmara gama” que detecta os raios gama emitidos pelo corpo após uma substância radioativa, denominada isótopo, ter sido injetada ou ingerida. O tipo mais frequente de varredura isotípica realizada em pacientes com câncer é a varredura óssea. O isótopo injetado é levado pelo corpo através da circulação, mas tente a abrigar-se ou concentrar-se em algumas áreas ósseas onde ocrrem tentativas de cicatrização de qualquer dano que possa ter sido causado por um tumor que se espalhou para outra parte do corpo. A alta concentrção do isótopo em tais locais resulta na aparência de “manchas” no esqueleto. Entretanto, a interpretação pode ser difícil e as manchas podem ser produzidas por outras causas além de câncer, tais como doenças degenerativas (desgastes).

Assim como são usados para avaliação inicial de pessoas com suspeita ou diagnóstico de câncer, os raios-x e varreduras são também usados para investigar sintomas que possam ser causados pela recorrência em pessoas previamente tratadas de câncer. No entanto, é importante perceber que as varreduras não são garantidas: mesmos as mais sensíveis podem não detectar um câncer muito pequeno e frequentemente mostram anormalidades suspeitas que são completamente benignas.

Estadiamento do tumor

uma vez que a presença do câncer tenha sido confirmada pela biópsia, é comum alocá-lo em um certo estágio. Este descreve o tamanho do câncer e indica se há evidência ou não de invasão dos tecidos adjacentes ou de que tenha se espalhado pelos vazos linfáticos às glândulas linfáticas, ou através da circulação para locais mais distantes.

Vários sistemas de estadiamento estão em uso, porém o sistema “TNM” é o mais usado. “T” refere-se ao tumor primário, “N” aos nódulos linfáticos e “M” à dispersão distante (metástase). Um número é colocado para cada letra. Por exemplo, uma mulher com câncer de mama com 3 centímetros de diâmetro que tenha afetado alguns nódulos linfáticos das axilas, mas sem qualquer evidência de dispersão, poderia ser chamado de “T2N1M0”. Aqui, “T2” indica tumor primário entre 2 e 5 centímetros de diâmetro; “N1” denota nódulos linfáticos envolvidos, mas removíveis, restritos à axila; e “M0” indica que não há dispersão detectável.

O estadiamento pode ser útil na avaliação do prognóstico, para fazer recomendações de tratamento e para avaliar e comparar resultados do tratamento.

Pontos centrais

  • Você deve sempre procurar seu médico imediatamente se tiver qualquer sangramento anormal ou caroço inexplicável.
  • Mulheres acima dos 50 anos devem aproveitar o exame de mama gratuíto e regular do Sistema Único de Saúde.
  • A maioria dos cânceres cervicais pode ser curado, mas quase 90% das poucas pessoas que morreram dessa doença nunca fizeram um esfregaço de rotina.
  • Uma análise da amostra de tecido no microscópio é fundamental para a confirmação do diagnóstico de câncer.
  • As varreduras não são infláveis

Fonte: Guia da Saúde Familiar - revista ISTOÉ - Volume 11 - 02/2002


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