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Como
o cancêr é diagnosticado?
A grande
maioria dos cânceres é descoberta por causa
dos sintomas que produz ou porque a pessoa (ou seu médico)
percebe um caroço ou algo anormal. Uma pequena, porém
crescente, parte dos cânceres é descoberta
através de testes em pessoas aparentemente saudáveis
que não notam nada de anormal. Isso chama-se triagem.
Sintomas
do câncer
A maior parte
dos sintomas causados pelo câncer geralmente resulta
em doenças secundárias em relação
ao câncer. Algumas vezes isso significa que o indivíduo
não as leva a sério, retardando a busca de
aconselhamento médico. Mesmo quando ele ou ela vai
ao médico, o clínico-geral pode pensar que
não é apropriado considerar seriamete o câncer
como uma possibilidade de diagnóstico nessa fase.
Não há mesmo como cotornar isso. A investigação
exaustiva e imediata de qualquer sintoma que possa ser causado
pelo câncer rapidamente levará o sistema de
saúde interrompê-la, sem contar que produz
muita ansiedade desnecessária.
É mais
provável que seu médico suspeite da possibilidade
de uma causa potencialmente séria se o sintoma persiste
ou se você também tem outros tipos de sintomas.
Alguns sintomas são suficiente para indicar algo
sério que necessita de mais investigação.
Caroços
e saliências
A maioria dos
cânceres encontra-se
alojado profundamente no corpo e somente uma minoria pode
ser sentida no exame médico, e raramente pelo paciente.
No entanto, os cânceres mais próximos da superfície,
como aqueles envolvendo as glâdulas mamárias
e linfáticas no pescoço e axilias são
geralmente descobertos pela própria pessoa, que se
consientiza do caroço. A maioria dos cânceres
de pele são observados pela própria pessoa
antes do que o médico.
Na verdade,
poucos caroços ou mudanças persistentes da
pele são cancerosas. No entanto, se você notar
um caroço no seio, testículos ou outro lugar,
ou se você têm uma úlcera ou mancha persistente
ou piora inesplicável, principalmente qualquer mudança
de aparência de uma pinta, deve procurar um médico
imediatamente.
| Sintomas
suspeitos |
| Qualquer
um que tenha os sintomas listados abaixo deve procurar
um médico imediatamente. A maioria das pessoas
com esses sintomas não têm câncer,
mas, é bom descartar a hipótese. |
| Persistente
e inesplicável |
Sangramento
anormal |
Tosse
Falta de ar
Rouquidão
Dificuldade para engolir
Dor
Indigestão
Perda de peso
Alteração do hábito intestinalSecreção
de qualquer orifício (por exemplo, bico do
peito ou vagina)
Febre |
Tosse
com sangue
Sangramento retal
Sangramento vaginal entre os períodos menstruais
Sangramento vaginal com o coito
Sangramento vaginal após a menopausa
Sangue na urina
Sangramento de uma mancha |
Triagem
do câncer
O exame para
descobrir cânceres em um estágio precoce e
mais curável pode ajudar a reduzir o numero de mortes
provocadas por alguns tipos importantes câncer. No
entanto, o exame tem seus problemas. Se o resultado do teste
mostra uma anormalidade que, eventualemente, não
é câncer, você devará se submeter
a mais investigações e pode passar por muitas
preocupações desnecessárias.
Algumas vezes,
o exame pode revelar a presença de um câncer
de crescimento pré-canceroso que não causaria
problemas mais sérios se não tivesse sido
descoberto. Assim, algumas pessoas podem receber um tratamento
que não é realmente necessário. O exame
é caro: normalmente um grande número de pessoas
precisa ser examinado para descobrir um câncer cujo
o diagnóstico precoce faça diferença
entre o sucesso e o fracasso do tratamento.
Exame
de câncer de mama
Às mulheres
com cerca de 50 anos é oferecida a mamografia a cada
três anos até que atinjam a idade de 65 anos
ou além, se requisitado. A maioria das anormalidades
observadas na radiografia não são cancerosas,
mas investigações adicionais de alguns deles
são recomendadas, levando, às vezes, a remoção
de um pequeno pedaço do tecido (biópsia) para
análise microscópica. Descobre-se, então,
que algumas dessas anormalidades são cancerosas ou
pré-cancerosas. Os cânceres de mama descobertos
dessa forma são geralmente pequenos e a mamografia
tem melhorado significativamente a probabilidade de cura.
Exame
de câncer cervical
Mulheres sexualemente
ativas deveriam fazer teste de esfregaço cervical
a cada três a cinco anos até os 60 a 65 anos.
(Mulheres que nunca tiveram relações sexuais,
raramente têm esse tipo de câncer.) Quando você
faz um esfregaço, um instrumento chamado espéculo
é introduzido na vagina para permitir que o cérvix
(colo do útero) seja visto. O cérvix é
então raspado gentilmente com uma espátula
para coletar um número razoável de células.
Essas são esfregadas em um pedaço de vidro
e examinadas ao microscópio. O procedimento pode
ser um pouco desconfortável, mas geralmente é
indolor. O teste pode revelar anormalidade pré-cancerosas
que podem ser administradas facilmente. Pode também
descobrir cânceres em um estágio muito precoce,
quando o tratamento tem um alta probabilidade de cura.
Muitas das
anormalidades descobertas dessa maneira são somente
pequenas mudanças, que não necessitam de mais
investigação, ou simplesmente uma repetição
ou esfregaços mais frequentes por algum tempo. Entretanto,
algumas anormalidades requerem investigação
adicional por um procedimento denominado colposcopia, que
envolve o exame do cérvix iluminando com um tipo
de lente de aumento. Pequenas amostras de biópsia
por punição podem ser removidas de qualquer
área anormal. É desconfortável por
pouco tempo, mas não deve ser doloroso e dura somente
uns dez minutos.
Se áreas
potencialmente pré-cancerosas são descobertas,
recomenda-se tratamento adicional para destruir as células
pré-cancerosas. Esse pode incluir evaporação
por laser (um feixe de luz concentrada vaporiza as células
anormais), crioterapia (as células anormais são
destruídas por congelamento) com anestesia local
e diatermia (as células anormais são queimadas
por uma sonda elétrica) sob anestesia geral.
Em uma pequena
porcentagem das mulheres, a colposcopia pode indicar que
a anormalidade é mais séria e uma biópsia
nuclear (remoção do revestimento central do
canal cervical) sob anestesia geral pode ser necessária.
Isso pode remover todo o tecido afetado, porém, ocasionalmente,
descobre-se um crescimento infiltrado mais profundamente
que requer tratamento mais extenso.
Poucas mulheres morrem por câncer de colo de útero,
e daquelas que morrem, quase 90% nunca fizeram um esfregaço
de rotina.
Exames
para outros cânceres
Estudos recentes
têm mostrado que exames que detectam tumores intestinais
em estágio inicial podem diminuir o número
de mortes por câncer no intestino. O exame envolve
a investigação de pequenas quantidades de
sangue de amostras de fezes que não são normalmente
visíveis a olho nu. Embora a causa de tais sangramentos
seja outra que não câncer, às vezes
a investigação adicional pela colonoscopia
ou enema de bário pode revelar a presença
de câncer antes que cresça o suficiente para
produzir sintomas. É provável que o exame
de sangue oculto na fezes torna-se mais disponível.
Exame de câncer
de próstata pode ser feito pela dosagem de substâncias
químicas produzidas por esse câncer (“antígeno
prostático-específico” ou “PSA”)
e por exames físicos e ultra-sonografia. O exame
pode detectar alguns cânceres de próstata em
estágio inicial, mas também pode resultar
em tratamento desnessário. As próstatas de
homens idosos que morrem por outras causas podem conter
pequenos tumores. Muitos cânceres em pessoas idosas
têm crescimento lento e, se não tratados, provavelmente
não causarão problemas durante a vida do indivíduo.
Entretanto, evidências recentes sugerem que o exame
pode reduzir as mortes por câncer de próstata.
O exame de
câncer de pulmão através de radiografias
rotineiras do tórax não é útil.
A maioria dos cânceres parece ter um prognóstico
desfavorável desde os estágios e atualmente
a melhor probabilidade de reduzir sinificativamente o número
de mortes é através da redução
do fumo.
O câncer
nas famílias
Em teoria,
faz sentido examinar pessoas que sabiamente (ou provavelmente)
tenham herdado uma pré-dissposição
para o câncer. No entanto, menos do que 5% dos cânceres
têm causa hereditária. O câncer é
uma doença comum que, e quando afeta dois ou mais
membros da mesma família, a probabilidade maior é
que seja por puro acaso. Ocasionalmente, pode ser o resultado
de se compartilhar o mesmo fator ambiental, como o fumo.
Pode-se suspeitar de câncer hereditário quando
dois ou mais parentes próximos – pais, irmãos,
irmãs – têm o mesmo câncer ou diferentes
que possam ser geneticamente relacionados, tais como os
de mama ou ovário. Outros sinais são o desenvolvimento
de câncer em idade jovem e uma tendência a ter
tumores bilaterais (ambas as mamas, por exemplo) e multiplos.
Alguns desses
casos com uma história familiar importante podem
ter herdado alguns genes anormais identificáveis.
Se essa for a situação, não é
garantido que irão desenvolver câncer, embora
herdar alguns genes possam resultar em uma probabilidade
de 80% a 90% de risco de desenvolver câncer em alguma
fase. O mesmo tipo de câncer pode, às vezes,
ocorrer em dois ou mais membros da família sem qualquer
anormalidade genética em particular seja identificável.
O risco para os outros membros da família pode, então,
crescer, mas geralmente não em nível alto.
A predisposição
para uma variedade de cânceres raros pode ser herdada;
certos tumores da tireóide e outras glândulas
hormonais, por exemplo. No que se refere aos tipos de mais
comuns de câncer, os principais, que ocasionalmente
são hereditários, são os de intestino
grosso (cólon e reto), de mama e ovário.
O câncer
de intestino pode ocasionalmente aparecer em famílias
pela herança de um gene “adenomatose do cólon
poliposo” (APC) mutado. Indivíduos afetados
desenvolvem múltiplos pólipos intestinais
benignos que se tornam malignos em quase todos os casos.
O câncer de mama é hereditário somente
5% a 10% dos casos. Até agora, dois genes importantes
do câncer de mama foram descobertos: “BRCA-1”
e “BRCA-2”. Uma mulher que tenha herdado um
gene BRCA-1 ou BRCA-2 mutado tem uma chance de 85% de desnvolver
câncer de mama em algum momento. O gene BRCA-1 mutado
também confere um risco aumentado de câncer
de ovário. No entanto, a maioria das mulheres com
histórico familiar de câncer de mama não
tem uma mutação BRCA-1 ou BRCA-2 herdada.
Elas podem apresentar risco aumentado de câncer de
mama, mas o nível de risco é geralmente muito
mais baixo, por exemplo, abaixo dos 30% para aquelas com
um mãe ou irmã com a doença.
Se você
está preocupado(a) de ter um risco alto para câncer
por causa de sua história familiar, converse com
seu médico. Se for apropriado, procure a opinião
especializada de um geneticista clínico que astará
apto a garantir que você não está em
risco significante. Por outro lado, é possível
chegar a uma avaliação aproximada do nível
de qualquer risco aumentado.
Ocasionalmente
é apropriado testar a presença de genes anormais
através de análises de sangue sofisticadas.
Entretanto, esse teste é feito somente se o indivíduo
em questão ainda que fazê-lo após uma
conversa detalhada sobre todas as implicações,
que podem ser profundas. Isso inclui considerar-se o que
fazer se um gene de predisposição para o câncer
é descoberto, sentimentos de se viver com o conhecimento
de alto risco para desenvolver câncer, o que será
dito aos outros membros da família, as consequências
para a paternidade ou maternidade e quanto sua elegibilidade
para o seguro-saúde pode ser afetada.
Recomendações
do que poderia ser feito para esses indivíduos identificados
como sendo de alto risco variam muito de acordo com o câncer
em questão, circunstâncias e preferências
individuais. Alguém que está encarando um
alto risco de desenvolver câncer intestinal pode ser
aconselhado a remover cirurgicamente o cólon ou reto
na adolescência, antes que a doença possa se
desenvolver. Quando isso acontece, o intestino deslgado
pode ser ligado ao ânus, evitando um “estoma”.
Para mulheres
com alto risco para o câncer de mama, a escolha do
melhor tratamento preventivo é menos direto. Algumas
mulheres irão optar por uma remoção
profilática (ou seja, preventiva) de ambas as mamas
(mastectomia bilateral). No entanto, embora esse tratamento
pareça reduzir significativamente a probabilidade
de a mulher desenvolver câncer de mama, não
há garantias. Poucas mulheres desenvolvem câncer
na pequena quantidade de tecido mamário que permanece
após a mastectomia. Algumas mulheres optam por um
programa de controle intenso envolvendo exames físicos
regulares orientados por um especialista e com mamografia.
Mulheres com alto risco de câncer de ovário
podem optar pela remoção cirurgica dos ovários
como medida preventiva (ovariectomia bilateral). Mas isso
também não garante a prevenção
da doença. O exame para detectar o câncer de
ovário em estágio inicial usando ultra-som
e análise sanguínea do “marcador tumoral”
CA-125 produzido por esse câncer é uma alternativa.
Avaliação
médica
Se seus sintomas
sugerem a possibilidade de câncer, ou se seu médico
encontra algo incomum durante o exame ou no resultado de
um teste de triagem, você provavelmente irá
necessitar de exames e testes adicionais, dependendo das
circunstâncias. Alguma investigação
adicional pode ser solicitada por seu clínico-geral,
mas em algum momento você poderá ser encaminhado
a um consultor hospitalar para uma opinião do que
deveria ser feito em sguida. O que é adequado pode
variar muito de um indivíduo para outro. Esperar
por consultas, investigações adicionais e
seus resultados são inevitavelmente preocupantes,
mas várias pessoas e organizações fornecem
apoio.
Avaliação
clínica
Se for necessária
uma avaliação adicional, o primeiro passo
deve ser uma consulta com um especialista em uma clínica
onde serão feitas perguntas mais detalhadas sobre
quaisquer sintomas que você possa ter, tais como sua
gravidade e duração. Também podem lhe
pergutar sobre sua saúde geral e outros aspectos
que possam ser relevantes, tais como doenças prévias,
medicações que esteja tomando, ocupações
passadas e presentes e condições de sua casa.
Essa entrevista será geralmente seguida por um exame
físico que tenderá a se concentrar na parte
de seu corpo que está gerando preocupação,
embora você possa receber um exame mais geral.
Essa avaliação
nem sempre ajuda a fazer o diagnóstico, mas, às
vezes, o médico poderá suspeitar de câncer
porque ele ou ela encontra, por exemplo um caroço
com caracteristicas sugestivas.
O exame realizado
pode incluir a observação interna de qualquer
parte do corpo. Uma variedade de instrumentos pode ser usada
no exame, por exemplo, o reto (proctoscópio), caixa
vocal (pequenos espelhos) ou no cérvix (inserindo
um espéculo na vagina).
Investigações
adicionais
Se há
suspeita de uma doença séria, testes adicionais
serão provavelmente marcados. Esses podem incluir
biópsia, testes sanguíneos, raio-x e varreduras.
Biópsias
Embora um caroço
possa parecer canceroso ao toque ou ao olho, o diagnóstico
definitivo de câncer só pode ser feito, geralmente,
por um patologista – médico especializado em
avaliar células e tecidos estudando-os através
do microscópio. Ele ou ela irá reconhecer
as mudanças caracteristicas de aparência que
confirmam a presença de câncer.
A remoção
de um pedaço do tecido para finalidades diagnósticas
é conhecida como biópsia. Parte do caroço
ou, sefactível, todo caroço (biópsia
de remoção) pode ser removida durante uma
operação realizada sob anestesia local ou
geral. Às vezes uma porção central
do tecido pode ser removida por um tipo especial de agulha
que evita o corte do tecido com bisturi.
Também
pode-se aspirar as células com uma agulha fina conectada
a uma seringa. Esse processo é chamado biópsia
por aspiração com agulha fina e, na maioria
dos casos, é desconfortável por um breve tempo.
As células podem, então, ser esfregadas em
uma lâmina. Células para exame microscópico
podem ser obtidas por raspagem do tecido em questão,
como no exame de esfregaço cervical, ou de líquidos
teciduais, como o catarro, líquido em volta dos pulmões
(efusão pleural) ou urina.
O exame microscópico
de cortes muito finos retirados de um caroço também
conhecido como histologia, enquanto que o exame de esfregaço
celular é conhecido como citologia. A histologia
pode fornecer informações mais detalhada porque
o patologista é capaz de não somente de avaliar
a aparência individual das células (ou seja,
os tijolos), mas também a relação entre
as células e a maneira como o tecido é construído
(ou seja, a arquitetura).
A citologia
é baseada na aparência individual das células.
É capaz de estabelecer a presença de processo
canceroso, mas fornece menos informação qualitativa.
Também apresenta um problema potencial onde as células
do tecido anormal removidas por aspiração
com agulha fina podem não ser representativas –
a agulha pode não aspirar qualquer célula
cancerosa, muito embora algumas estejam de fato presentes.
O risco de resultado “falso-negativo” geralmente
não é um problema com a histologia. No entanto,
um resultado de citologia positivo é geralmente sufuciente
para justificar tratamento adicional. Para muitos cânceres,
esse tratamento envolverá remoção cirurgica,
quando o tecido estará disponível para exame
histológico. Além do exame microscópico
do tecido para estabelecer o diagnóstico, as biópsias
são, algumas vezes, realizadas na tentativa de estabelecer
a extensão da doença. Por exemplo, alguém
que tenha uma glândula do pescoço inchada diagnosticada
como linfoma pode ser submetido a uma biópsia da
medula óssea para investigar se há células
do linfoma na medula, pois isso poderia influenciar significativamente
na escolha do tratamento.
Instrumentos
diagnósticos
O termo “scopia”
significa simplesmente “olhar” (skopein é
“ver” em grego). Muitos cânceres originam-se
do revestimento interno de tubos ou recipientes, tais como
a laringe, passagens aéreas no pulmão (os
brônquios), o tubo de deglutição ou
garganta (esôfago), estômago (para qual o adjetivo
médico é “gástrico”), intestino
grosso (o colón ou reto) e a bexiga (algumas vezes
chamadas de “cisto”). É possivel inspecionar
todas essas estruturas utilizando uma variedade de instrumentos
e fazer biópsias de qualquer área suspeita.
Muitas inspeções
envolvem o uso de tecnologia de fibra óptica, que
capacita o médico a olhar através de um cabo
flexível inserido, gentilmente, em uma bertura do
corpo ou através de uma pequena incisão. Algumas
vezes é mais fácil para o médico ver,
sentir e avaliar a extensão do crescimento e fazer
uma biópsia se você estiver sob efeito de anestesia
geral. É por isso que o exame sob anestesia é
um procedimento bastante comum.
Teste
de sangue
É improvavel
que esses testes forneçam muitas informações
úteis ao médico que ajudem a fazer um diagnóstico,
a não ser que o câncer seja nos glóbulos
brancos (leucemia) ou que seja um dos poucos tipos de câncer
que produzem uma substância caracteristica ou “marcador
tumoral”, que possa ser medido no sangue. Estes incluem
alguns cânceres de próstata, testículos
e mieloma.
Ainda assim,
testes de sangue podem ser úteis para fornecer informação
sobre o estado de saúde geral. Algumas vezes podem
também indicar se o câncer se espalhou em outros
orgãos, tais como ossos e fígado. É
aí que a concentração de certas substâncias,
conhecidas como enzimas, normalmente lançadas na
corrente sanguínea por esses órgãos,
está acima do normal como resultado do dano causado
pelo câncer. No entanto, esses testes não são
garantidos. Normalmente existem várias causas possíveis
para tais anormalidades, além do câncer espalhado.
Radiografia
e varreduras
Frequentemente,
a primeira indicação clara da presença
de câncer é uma imagem anormal na radiografia,
por exemplo, uma sombra anormal na radiografia do torax
causada por um câncer de pulmão ocupando um
espaço que normalmente seria ocupado por ar. Os tumores
também podem produzir um raio-x de mama anormal (mamografia)
ou aparecer em um raio-x de intestino por enema de bário.
Uma mamografia
é uma imagem de raio-x de mama obtida com a mama
comprimida gentilmente entre duas placas achatadas. Cânceres
de mama podem produzir sinais reconhecíveis na imagem
de raio-x, particularmente manchas brancas muito pequenas
causadas por depósitos de cálcio dentro do
tecido canceroso.
| Tipos
de investigação |
| Os nomes
dos órgãos envolvidos em algumas investigações
estão listados abaixo. Algumas delas acontecem
na clínica ambulatorial, enquanto outras requerem
sedação ou anestesia geral. |
| Laringoscopia |
Laringe |
| Broncospia |
Pulmões |
| Gastroscopia |
Estômago |
| Colonoscopia |
Cólon |
| Sigmoidoscopia
|
A terminação
em forma de S do cólon e reto |
|
Cistoscopia |
Bexiga |
| Outros tipos
de investigação incluem: |
| Nasoendoscopia |
A
passagem aérea das narinas até a laringe |
| Mediastinoscopia |
Os tecidos
atrás do esterno para avaliar se o câncer
de pulmão se espalhou para as glândulas
linfáticas |
| Colposcopia |
O cervix
(“colo do útero” ) |
| Laparoscopia |
A cavidade
abdominal |
Quando o bário
é ingerido ou inserido no intestino através
do reto (enema de bário) aparece densamente branco
no raio-x, delineando a superfície interna do esôfago,
estômago ou intestino. Normalmente o revestimento
aparece liso, mas a presença de câncer pode
produzir uma imagem irregular ou arquear para dentro, indicando
estreitamento.
Algumas vezes
outros tipos de “corante” ou “contraste”,
que aparecem brancos no raio-x ou varredura, são
injetados na corrente sanguínea através de
uma veia. Por exemplo, o sangue pode levar o corante ao
rim, que então o excreta na urina. Raio-x do rim
e bexiga (urugrama [UIV] ou pielograma [PIV] intravenoso)
podem mostrar esses orgãos claramente, e a aparência
anormal pode indicar a presença de câncer.
Você
pode precisar de uma ou mais formas de varredura como parte
do processo de diagnóstico do câncer ou de
avaliação de sua extensão. Para se
fazer a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância
magnética (RM) você precisa deitar-se em uma
estrutura em forma de rosca. Tudo será explicado
com antecedência. A TC é muito rápida.
A RM é mais demorada, talvez durando entre 15 ou
20 minutos. Essas varreduras podem produzir imagens muito
impressionantes de seções ou fatias da parte
de seu corpo que está sendo investigada e geralmente
mostram crescimento muito mais claramente do que os raios-X.
Um contraste poderá ser ingerido ou injetado para
mostrar o tumor e tecidos adjacentes mais claramente.
A ultra-sonografia
é um processo no qual uma sonda é movida sobre
a pele que cobre parte a parte relevante do corpo. Ocasionalmente
envolve a inserção da sonda no reto ou vagina.
As imagens são produzidas em uma tela para detectar
ondas “sonoras” de alta-freqüência,
inaudíveis, que são refletidas pelos tecidos
internos.
Varredura
isotópica cria a imagem por uma “câmara
gama” que detecta os raios gama emitidos pelo corpo
após uma substância radioativa, denominada
isótopo, ter sido injetada ou ingerida. O tipo mais
frequente de varredura isotípica realizada em pacientes
com câncer é a varredura óssea. O isótopo
injetado é levado pelo corpo através da circulação,
mas tente a abrigar-se ou concentrar-se em algumas áreas
ósseas onde ocrrem tentativas de cicatrização
de qualquer dano que possa ter sido causado por um tumor
que se espalhou para outra parte do corpo. A alta concentrção
do isótopo em tais locais resulta na aparência
de “manchas” no esqueleto. Entretanto, a interpretação
pode ser difícil e as manchas podem ser produzidas
por outras causas além de câncer, tais como
doenças degenerativas (desgastes).
Assim como
são usados para avaliação inicial de
pessoas com suspeita ou diagnóstico de câncer,
os raios-x e varreduras são também usados
para investigar sintomas que possam ser causados pela recorrência
em pessoas previamente tratadas de câncer. No entanto,
é importante perceber que as varreduras não
são garantidas: mesmos as mais sensíveis podem
não detectar um câncer muito pequeno e frequentemente
mostram anormalidades suspeitas que são completamente
benignas.
Estadiamento
do tumor
uma vez que
a presença do câncer tenha sido confirmada
pela biópsia, é comum alocá-lo em um
certo estágio. Este descreve o tamanho do câncer
e indica se há evidência ou não de invasão
dos tecidos adjacentes ou de que tenha se espalhado pelos
vazos linfáticos às glândulas linfáticas,
ou através da circulação para locais
mais distantes.
Vários
sistemas de estadiamento estão em uso, porém
o sistema “TNM” é o mais usado. “T”
refere-se ao tumor primário, “N” aos
nódulos linfáticos e “M” à
dispersão distante (metástase). Um número
é colocado para cada letra. Por exemplo, uma mulher
com câncer de mama com 3 centímetros de diâmetro
que tenha afetado alguns nódulos linfáticos
das axilas, mas sem qualquer evidência de dispersão,
poderia ser chamado de “T2N1M0”. Aqui, “T2”
indica tumor primário entre 2 e 5 centímetros
de diâmetro; “N1” denota nódulos
linfáticos envolvidos, mas removíveis, restritos
à axila; e “M0” indica que não
há dispersão detectável.
O estadiamento
pode ser útil na avaliação do prognóstico,
para fazer recomendações de tratamento e para
avaliar e comparar resultados do tratamento.
Pontos centrais
- Você deve sempre
procurar seu médico imediatamente se tiver qualquer
sangramento anormal ou caroço inexplicável.
- Mulheres acima dos 50
anos devem aproveitar o exame de mama gratuíto
e regular do Sistema Único de Saúde.
- A maioria dos cânceres
cervicais pode ser curado, mas quase 90% das poucas
pessoas que morreram dessa doença nunca fizeram
um esfregaço de rotina.
- Uma análise da
amostra de tecido no microscópio é fundamental
para a confirmação do diagnóstico
de câncer.
- As varreduras não
são infláveis
Fonte:
Guia da Saúde Familiar - revista ISTOÉ - Volume
11 - 02/2002
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