Saúde de A a Z
     Tudo Sobre Saúde

Alimentos e seus valores

Conheça seus exames

Curiosidades de saúde

DST

Emergências

Especialidades médicas

Farmácia em casa

Genética

Imunização

Medicina alternativa

Medicamentos genéricos

Outras doenças

Por uma vida mais saudável

Prevenção

Problemas comuns

Saúde da criança

Saúde da mulher

Saúde do homem

Saúde mental

Saúde teen

Sexo e drogas

Terceira idade

Vitaminas

Prevenção

Cuidados adicionais

Enfrentar um diagnóstico de câncer não é fácil para ninguém, ainda assim, muitas pessoas não utilizam todas as formas de apoio que são oferecidas. É importante que você fale sobre suas preocupações – quaisquer que sejam – antes, durante e após o tratamento. Receber o tipo certo de apoio também pode ajuda-lo a persistir em um tratamento difícil.

Você pode precisar mais do que somente o tratamento direcionado contra o câncer. Pode exigir atenção aos seus sintomas físicos, que podem variar muito. Alguns serão causados pelo câncer, alguns pelo tratamento e outros, ainda, por algo completamente não relacionado. Geralmente, a melhor maneira de aliviar os sintomas é através do tratamento efetivo da causa primária. Se isso não for possível, os sintomas podem ser abolidos ou melhorados de outras maneiras.

Você não deve sentir vergonha de pedir ajuda psicológica. Ansiedade e depressão são comuns em pessoas com câncer. Freqüentemente, esses sentimentos são transitórios, mas tornam-se mais incômodos, existe uma série de formas diferentes de ajuda efetiva disponível.

Outras formas de tratamento que você possivelmente necessitará:

  • Assistência profissional com reabilitação.
  • Auxílio nas tarefas de casa e outros auxílios práticos.
  • Cuidados de enfermagem especializada no hospital, em casa ou asilo.
  • Ajuda financeira: vários benefícios do Estado e auxílios financeiros beneficentes estão disponíveis para pessoas com câncer e para aquelas que cuidam delas em casa.

A recuperação dos efeitos de alguns tratamentos cirúrgicos, radioterapia ou drogas mais intensivos podem demorar um pouco. Você geralmente pode ajudar sua própria recuperação comendo sensatamente e repousando sempre que se sentir cansado. Peça conselhos a seu médico a respeito do retorno do retorno ao trabalho ou possíveis mudanças no seu estilo de vida. Algumas pessoas necessitam de um longo período de convalescença, enquanto outras se sentirão melhor retornando às atividades normais imediatamente.

A longo prazo, você provavelmente será aconselhado a levar uma vida a mais normal possível. Obviamente, se recebeu um tratamento potencialmente curativo para um câncer causado por fumo, da laringe ou pulmão, por exemplo, você será aconselhado a parar de fumar. Da mesma forma, se você recebeu um tratamento para câncer de pele seria sábio evitar exposição excessiva ao sol e usar bloqueador solar com alto fator de proteção. Se seguir os conselhos dados, você estará fazendo todo o possível para prevenir uma reincidência do câncer.

Para alguns cuja cura não é possível e que estão sob cuidados constantes, o valor do auxílio oferecido por enfermeiras não pode ser menosprezado. Enfermeiras podem fazer visitas regulares à casa dos pacientes e oferecer uma variedade de serviços que incluem banhar, medicar e fornecer apoio para aqueles que cuidam dos pacientes. Eles também podem organizar provisões práticas, como, por exemplo, rampas para cadeira de roda.

Enfermeiras passam por um treinamento especial em controle de sintomas e aconselhamento.

Seguimento

Uma vez que seu tratamento esteja terminado, você pode querer consultas de seguimento na clínica ambulatorial do hospital. Geralmente isso é feito por razões muito boas – para avaliar os resultados do tratamento, lidar com os efeitos colaterais e para obter respostas para dúvidas ou obter informações sobre reabilitação e estilo de vida.

Uma razão importante para o seguimento de rotina é a possibilidade de detectar recorrência do câncer em estágio inicial ou ainda curável. Se o câncer está mais avançado e/ou incurável, você pode passar por consultas de rotina com o objetivo de garantir que seus sintomas estão sendo bem controlados ou que novos sintomas sejam tratados imediatamente. Às vezes o seguimento pode garantir o cuidado apropriado para aqueles que apresentam efeitos colaterais do tratamento. Mas essas razões não tornam o seguimento de rotina no hospital essencial. Em algumas circunstância, seu clínico geral pode compartilhar ou mesmo supervisionar seu seguimento e somente encaminha-lo(a) ao hospital se houver algum problema. Esse esquema pode funcionar bem e poupá-lo de viagens desnecessárias.

Entretanto, para algumas pessoas, o segmento no hospital é essencial. Entre elas incluem-se aquelas que necessitam de exames internos especializados em intervalos regulares, por exemplo aquelas que foram tratadas de cânceres na cabeça e pescoço, intestino ou bexiga. É provável que você precise de um segmento especializado após o tratamento curativo para alguns outros cânceres, incluindo câncer cervical ou dos testículos, leucemia, doença de Hodgkin, linfoma não-Hodgkin, sarcomas e alguns cânceres de pele. Se tiver reincidência de um desses cânceres, o tratamento adicional pode ter maior chance de sucesso se a reincidência for descoberta em estágio inicial. Muitas mulheres que receberam tratamento curativo para câncer de mama precisam fazer mamografia e, portanto, parte de seu seguimento é realizado em hospital.

Outros raios-X e varreduras são, por vezes, necessários como parte do seguimento de rotina. Exames de sangue podem também ser pedidos, tais como contagem sangüínea para pessoas que foram tratadas contra leucemia e concentração de marcadores tumorais para aqueles que foram tratados de câncer de próstata ou testículos.

Entretanto, muitas pessoas na necessitam de exames de seguimentos especiais, embora haja, obviamente, uma grande variedade de exames que podem ser apropriados se há qualquer motivo de preocupação. As consultas de segmento podem gerar ansiedade para alguns pacientes, mas mesmo assim, a maioria dos pacientes acreditam que os check-ups são tranqüilizadores.

Famílias e amigos

Se você tem a sorte de ter ajuda de entes querido e amigos íntimos, saberá que eles são sua principal e mais valiosa fonte se apoio psicológico e prático.

Não é surpreendente que o câncer possa, às vezes, gerar tensão nos relacionamentos. Isso pode acontecer a qualquer um, mas existe uma tendência de relacionamentos com dificuldades prévias serem mais vulneráveis. A maioria das pessoas encontra maneiras de enfrentar e superar novas tensões e stress, especialmente se são capazes de compartilhar seus sentimentos com outros. Para muitos casais, enfrentar juntos uma batalha contra o câncer torna sua relação ainda mais forte.

Parentes e amigos íntimos têm uma importante contribuição em manter seu estado de espírito, mas a maioria das pessoas não gosta de falsa alegria. Se aqueles próximos a você se recusam a considerar a possibilidade de conseqüências desfavoráveis ou de reconhecer seus medos e preocupações, você pode se sentir menos estimulado a conversar abertamente com eles. Familiares e amigos não devem tentar fingir – é melhor dizer e fazer as coisas naturalmente. Nem você deve permitir que o tratem como um inválido se sente que está perfeitamente capacitado a viver uma vida normal ou quase normal.

Você pode precisar de mais descanso do que o normal, particularmente durante e por algum tempo após o tratamento. Entretanto, geralmente não há razão para que você não continue com suas atividades normais se quiser ou se sentir disposto a faze-lo. De fato, algumas pessoas parecem lidar melhor com o tratamento e retornam mais rapidamente à vida normal se continuam a ser ativas e envolvidas com o mundo à sua volta.

Relações fora da família também podem ser alteradas pelo câncer. Alguns amigos irão lidar muito bem com a situação e fornecer compreensão, apoio emocional e ajuda prática, enquanto outros acham difícil enfrentar. Eles podem se tornar mais distantes e alguns até perder o contato completamente. A maioria dos amigos irá ajudar, mas alguns sentem-se desconfortáveis e incertos de como faze-lo.

A percepção de que os amigos estão se distanciando pode ser uma sobrecarga, especialmente se você esperava mais deles. Pode ser útil tomar a iniciativa de telefonar ou pedir ajuda ou convida-los para uma visita, para que o contato seja restabelecido e eles se situam úteis e necessários. Entretanto, desconfie daqueles que estão inclinados a fazer comentários negativos sobre seu tratamento e perspectivas futuras baseados em uma relativa ignorância.

Apoio psicológico

Muitas pessoas não procuram esse tipo de cuidado quando precisam, talvez por que fiquem relutantes em tocar no assunto e talvez por que são questionadas a respeito. Realmente vale a pena conversar com alguém da equipe responsável por seus cuidados se você sentir que não está enfrentando emocionalmente bem a sua doença.

Os médicos nem sempre valorizam a necessidade de algum paciente discutir amplamente os diversos aspectos de sua doença: o tratamento e o impacto em suas e nas relações familiares e sociais. Mesmo assim, é um aspecto importante da responsabilidade deles com você e você não deveria hesitar em levantar as questões que o preocupam, especialmente se não for conversar se não for fácil conversar com a família ou amigos. Muitas pessoas com câncer naturalmente se sentem ansiosa e deprimidas, Muitas tem medo e se sentem sozinhas e isoladas. A negação e a raiva também são comuns. Tudo isso é compreensível e essas podem ser razões totalmente normais em uma situação perturbadora. Essas reações tendem a ser muito mais marcantes no período imediatamente após o diagnóstico e em torno do período de início do tratamento. Aqui, o medo do desconhecido pode ser um aspecto relevante. Com o passar do tempo, esses sentimentos tendem a amenizar.

No entanto, mesmo que sinta que aceita uma doença que pode reincidir ou progredir, você ainda pode se sentir vulnerável toda vez que tiver um sintoma, for a uma consulta de seguimento ouvir sobre alguém que morreu de câncer. A espera de resultados também pode ser estressante. Essas reações também tendem a diminuir com o tempo, às vezes, ser muito profundo mesmo ano após o aparente sucesso do tratamento.

Cirurgias que mudam a aparência ou a maneira como você se vê podem ter um impacto psicológico considerável. Em particular, algumas pessoas que passaram por uma cirurgia como a mastectomia, laringectomia ou colostomia não se sentem mais atraente.
Elas podem perder a libido ou potência. Algumas não querem se ver nuas no espelho ou deixar que seus parceiros as vejam nuas ou compartilhem suas camas.

Cerca de uma em cada quatro pessoas com câncer tornam-se mais seriamente ou persistentemente deprimidas. É mais provável que esse tipo de dificuldade afete as pessoas que recebem tratamentos mais tóxicos, em pessoas mais jovens, naquelas com cânceres mais sérios, aquelas que tem dificuldades sociais e aquelas com história prévia de problemas mentais. Os sintomas podem incluir perda de apetite, distúrbio de sono, falta de concentração, prejuízo de memória, irritabilidade, sentimentos de desamparo e perda de sentido da vida, ataques de pânico, sudorese, palpitação e tremores. Ocasionalmente, os pacientes desenvolvem sentimentos de culpa que geralmente são irracionais. Eles podem acreditar, erroneamente, que causaram a doença a si próprios, como resultado do seu estilo de vida, ou como resultado do seu temperamento. Outros podem se preocupar (completa e erroneamente) que a doença é contagiosa. Algumas pessoas sentem o estigma e retiram-se da vida social.

Onde procurar ajuda

Felizmente, pode se fazer muita para ajudar as pessoas que estejam ansiosas ou deprimidas que tenham outras dificuldades psicológicas. Então é importante você pedir ajuda quando você precisa dela e não tentar lutar sozinho. Geralmente, o mais útil é simplesmente ser capaz de conversar sobre seus sentimentos com alguém que os compreenda.

Pessoas com depressão mais séria irão beneficiar-se do tratamento breve com antidepressivos. Um tratamento breve com tranqüilizantes pode ajudar aqueles com ansiedade grave. Outros tipos de tratamento também podem ajudar. Por exemplo, alguns pacientes se beneficiam de sessões com um terapeuta que os ensine a desafiar os pensamentos negativos e usar exercícios de relaxamento. Aqueles que tem problemas com sua imagem após a cirurgia podem ser ajudados a ver-se de maneira mais positiva.

Aconselhamento psicossexual especializado pode ser benéfico para pessoas que perderam sua libido como resultado da doença ou do tratamento. Se necessário, seu médico pode encaminha-lo a um psicólogo clínico ou psiquiatra especializado nesse aspecto do cuidado do câncer, se não for sugerido, pergunte se isso é possível. O aconselhamento está, cada vez mais, fazendo parte dos cuidados oferecidos por centros de câncer. É importante, entretanto, que isso seja feito por pessoal médico ou paramédico experiente, ou por conselheiros que tiveram treinamento apropriado, em vez de simplesmente voluntários. Por essa razão, é melhor pedir o conselho do seu médico em vez de encontrar um conselheiro sozinho, uma vez que a pessoa errada pode fazer mais mal do que bem.

Muitos pacientes acham extremamente útil discutir amplamente todos os aspectos do impacto da doença em suas vidas e sentem-se muito melhor por ter tido essa oportunidade. Muitos também se beneficiam do aconselhamento e apoio espiritual fornecidos por capelães do hospital ou por seus próprios padres e ministros.

Ajuda emocional e prática é oferecida por várias organizações. Existe também um grande número de grupos de auto-ajuda que fornece apoio e conselhos a pessoas com câncer e suas famílias. Muitos desses grupos são formados por pessoas que também tiveram câncer. Você pode achar útil discutir assuntos emocionais e práticos com outras pessoas que passaram pela mesma experiência que você, embora obviamente as pessoas e familiares não compartilhem exatamente as mesmas circunstâncias.

Inevitavelmente, sua reação ao câncer dependerá de sua personalidade, que você não pode mudar. Se você sempre foi uma pessoa ansiosa, a probabilidade de você se entregar à doença e a seus medos será maior do que uma pessoas mais capaz de colocar essas preocupações de lado. Entretanto se você é capaz de se concentrar em continuar com sua vida e esquecer do seu câncer o máximo possível, é provável que tenha mais tranqüilidade do que se continuar a colocar seu câncer no centro do mundo. Vale a pena tentar manter uma atitude positiva e fazer valer cada dia.

Não é raro as pessoas dizerem, alguns anos após o tratamento, que o fato de terem tido câncer as fez repensar suas prioridades e que, no geral, a doença foi uma influência positiva em suas vidas. O desafio do câncer permitiu que algumas pessoas se tornassem menos preocupadas com ninharias e valorizassem muito mais e fossem gratas pelas coisas verdadeiramente boas em suas vidas.

Controle dos sintomas físicos

Quando se têm câncer, é fácil atribuir qualquer sintoma que se desenvolva, após o diagnóstico, ao câncer, mas obviamente você está tão suscetível a outras queixas – de gripes e tosses a reumatismo – quanto qualquer outra pessoas. Muitos sintomas não tem absolutamente nada a ver com o câncer ou seu tratamento. No entanto, como regra geral, é sensato esclarecer da melhor maneira possível a causa do sintoma, pois pode direcionar melhor o tratamento.

Controle da dor

Geralmente é possível manter a dor causada pelo câncer sob controle, embora às vezes seja necessário recorrer a uma variedade de medidas diferentes. Alguns tratamentos direcionados ao câncer propriamente dito, tais como radioterapia ou drogas, podem ser muito efetivos no controle da dor. A radioterapia pode ser particularmente útil no alívio da dor óssea localizada, geralmente durante duas a três semanas, e freqüentemente um único tratamento é necessário.

Como regra geral, drogas analgésicas precisam ser tomadas regularmente. Muitas pessoas são suas piores inimigas e esperam que a dor volte ou torne-se muito intensa para tomar os analgésicos. Geralmente é muito mais fácil prevenir a dor que está começando do que faze-la sumir quando já está instalada. Portanto, se você tem dores decorrentes, deve tomar seu(s) analgésico(s) em horários regulares, mesmo que não esteja sentindo dor naquele horário.

Existem três amplas categorias de analgésicos: não-opióides, os opióides (fraco ou forte) e drogas adicionais ou auxiliares de vários tipos. Algumas vezes dois tipos são combinados. O uso correto da droga ou combinação é aquele necessário para controlar a dor. Os não-opióides incluem o paracetamol, aspirinas e drogas antiinflamatórias não-esteróides ou o tipo freqüentemente usado para artrite, como o diclofenaco. Essas drogas antiinflamatórias são tomadas além de outros analgésicos e a combinação pode funcionar muito bem para alguns pacientes.

O principal opinóide forte é a morfina administrada por via oral, diamorfina administrada por injeção e o fentanil administrada por emplastro. O tramadol, dado oralmente ou por injeção é uma alternativa que pode ser melhor tolerada por alguns pacientes. Morfina oral pode ser dada a cada 4 horas em forma de comprimido ou líquido, ou a cada 12 horas, usando comprimidos ou cápsulas de liberação lenta.

Pessoas para quem a morfina é prescrita, geralmente têm reservas em tomá-la. Às vezes pensam que não terá efeito se tomada muito cedo, ou que se tornarão dependentes dela. Nenhuma dessas crenças é correta. Outra crença é que a prescrição da morfina deve indicar que a situação é muito séria. Esse também é um engano, a morfina é simplesmente um analgésico muito bom, usado quando a dor é grave. Algumas pessoas precisam usá-la por muitos anos.

As drogas opióides têm efeitos colaterais. Algumas vezes as pessoas ficam sedadas ou sentem náuseas ou vômitos quando começam a usá-las ou quando a dose é aumentada, mas ambos efeitos tendem a diminuir muito rápido. Se necessário, drogas antieméticas podem ser administradas. A constipação é um problema mais persistente e a maioria das pessoas que usa morfina precisa tomar um laxante regularmente. Boca seca também é bastante comum, beber água freqüentemente e gargarejos podem ajudar.

Se necessário, algumas outras medidas estão disponíveis. Essas incluem o uso de outras drogas como os esteróides, ou do antidepressivo amitriptilina, que é sempre útil no alívio de dores causadas por pressão nos nervos ou dano nervoso. Para pacientes com dor óssea causada por metástase de câncer de mama ou mieloma, o tratamento com a droga fortalecedora de ossos – bifosfonato – pode ser útil. Pode reduzir tanto a necessidade de radioterapia para alívio da dor como risco de fraturas pelas áreas de fraqueza.

A recomendação de um especialista em controle da dor ou em cuidado paliativo pode ser muito útil para alguns pacientes. Técnicas especiais de controle da dor estão disponíveis em clínicas de dor. Bloqueio nervoso envolve a injeção de anestésico local ou outros agentes perto do nervo para que transmissão dos impulsos de dor ao cérebro cessem. Máquinas de estimulação elétrica transcutânea do nervo (EETN) produzem baixa corrente elétrica que pode ser usada para estimular a pele perto das áreas doloridas e isso também pode ser efetivo no alívio da dor para alguns pacientes. Ninguém deve aceitar a dor incontrolável como inevitável.

Controlando outros sintomas

A maioria dos sintomas pode ser controlada ou pelo menos reduzida, algumas vezes lidando com as causas básicas, às vezes tratando diretamente o sintoma e às vezes uma mistura dos dois.

Perda de apetite (anorexia)

Esse é um sintoma comum que pode ser causado diretamente pelo câncer, tratamento com drogas ou radiação (especialmente quando causam náusea), constipação e distúrbio psicológico. As alterações de paladar são comum em pacientes com câncer, resultando em perda de interesse por comida.

Muitas pessoas com anorexia acreditam que refeições pequenas e freqüentes são mais aceitáveis do que as completas em horários convencionais, especialmente se têm uma aparência atraente. Um copo de licor antes da refeição pode estimular o apetite, mas infelizmente algumas pessoas deixam de apreciar bebidas alcoólicas. Às vezes o tratamento com progestágenos ou esteróides é usado para estimular o apetite.

Falta de ar (dispnéia)

Existem várias causas possíveis. Algumas envolvem o rompimento do funcionamento normal dos pulmões pelo câncer. Uma das causas mais comuns é o acúmulo de fluídos (efusão pleural) entre as superfície externa do pulmão e a superfície interna da parede do tórax. O fluido pressiona o pulmão prevenindo a inspiração adequada de ar. Felizmente pode ser removido fácil e confortavelmente pela sucção (aspiração) através de uma agulha fina inserida gentilmente através da parede torácica. Outras causas incluem crescimentos primários ou secundários envolvendo o próprio tecido pulmonar, infecções torácica, anemia e coágulos (embolia pulmonar) nos vasos sangüíneos dos pulmões. A maioria pode ser tratada efetivamente, mas se a causa é de difícil tratamento, o sofrimento pode ser aliviado pela morfina, tranqüilizantes e oxigênio.

Constipação

Este é um problema comum. Geralmente resulta de dieta pobre, analgésicos, imobilidade ou da combinação desses fatores. Outras possíveis causas incluem a obstrução intestinal e o aumento dos níveis sangüíneos de cálcio. Para alguns pacientes, a prevenção é a melhor do que a cura. Certifique-se de que sua dieta inclui alimentos com fibras tais como cereais, e pães, frutas frescas, leguminosas e vegetais e que há ingestão de muito líquido, isso pode ser suficiente para impedir que você fique constipado. Algumas pessoas precisam tomar laxantes regularmente, especialmente se estiver usando analgésicos opióides. Enemas ou supositórios podem ser necessários para resolver o problema em algumas situações.

Diarréia

Infelizmente,a diarréia é um efeito colateral muito comum à radioterapia no abdômen ou pélvis, e de algumas drogas citotóxicas. Geralmente respondem bem a uma série de medicamentos, incluindo fosfato de codeína e loperamide. Entretanto, algumas vezes é necessário para o tratamento anti câncer por algum tempo para permitir que a diarréia retroceda. É importante beber muito líquido para repor o que você está perdendo, e normalmente é útil eliminar ou diminuir alimentos com muitas fibras ou frutas. Pacientes que recebem radioterapia capaz de causar diarréia são aconselhados a alterar sua dieta preventivamente.

Normalmente a água é progressivamente removida do conteúdo intestinal conforme se movimenta para baixo. O conteúdo do intestino delgado e da primeira parte do cólon é, portanto, meio líquida. Isso explica por que o intestino solto é bastante comum em pessoas com estomas. Tomar metilcelulose pode ajudar a firmar os movimentos.

Dificuldade em engolir

Dificuldade em engolir (disfagia) pode resultar de um crescimento tumoral no esôfago, ou da pressão externa do esôfago, tal como aumento de glândulas na parte central do tórax. Com esse tipo de disfagia, os sólidos geralmente causam mais problemas do que os líquidos. Além do tratamento direcionado contra o próprio câncer, pode-se obter alívio rápido inserindo um tubo ou sonda no esôfago sob sedação ou anestesia geral. A dor para engolir pode ser causada por inflamação resultante de azia, que é o refluxo do ácido gástrico no esôfago, e pela radioterapia do tórax e infecção com afta (candidíase). Remédios simples e efetivos estão disponíveis para todas essas causas.

Linfedema

Normalmente os tecidos são constantemente irrigados por um líquido incolor que flui através de pequenos canais linfáticos para os nódulos linfáticos, agindo como filtros e ajuda a proteger contra infecções. Esse líquido, conhecido com linfa, eventualmente drena a corrente sangüínea, mas se os canais linfáticos estiverem bloqueados, a linfa pode se acumular e causar linfedema, um inchaço turvo dos tecidos. Isso ocorre mais freqüentemente nos membros e, algumas vezes na mama.

Bloqueio linfático pode ser causado pelo próprio câncer ou, com mais freqüência, pelo tratamento com cirurgia ou radioterapia. Essa é uma outra área onde, recentemente, ocorreram avanços consideráveis no tratamento, incluindo o uso de meias apropriadas para os braços ou pernas e massagens especializadas.
Se você tiver esse problema em particular, deve visitar uma das enfermeiras que cuidam das mamas, que são especialmente treinadas no cuidado do linfedema. À medida que os tecidos afetados pelo linfedema tendem a tornar-se vulneráveis à infecção, você deve tentar evitar qualquer machucado na pele ao redor e certificar-se de fazer o tratamento com antibiótico imediatamente após o primeiro sinal de qualquer inflamação.

Náusea e vômito

Esses sintomas são mais comumente causados por tratamentos com drogas, particularmente analgésicos e quimioterapia. Náuseas resultantes dos analgésicos como morfina geralmente desaparece rapidamente, mesmo que você continue tomando morfina. A radioterapia também pode, às vezes, causar náusea, especialmente quando administrada no abdômen. Náuseas e vômitos resultantes de quimioterapia ou radioterapia podem agora ser prevenidos se você receber drogas antieméticas antes do início do tratamento.

Ocasionalmente, o próprio câncer pode causar esses sintomas, às vezes causando o aumento da concentração de cálcio sangüíneo (hipercalcemia) que podem ser tratados efetivamente com drogas bifosfonadas. Outras causas incluem constipação, obstrução intestinal e doença metastática no fígado. Se você têm náuseas e vômitos, existem muitas drogas disponíveis. Elas podem ser administradas por via oral, injeção, por infusão contínua – através de uma agulha inserida abaixo da pele – usando uma bomba de infusão a bateria (evitando a necessidade de injeções repetidas) ou por supositório. Os esteróides são particularmente efetivos, tais como a dexametasona e drogas antagonistas do receptor HT3, como o ondasetron, granietrom e tropisetrom. Entretanto, essas drogas podem ter seu próprio efeito colateral. Por exemplo, os esteróides podem causar retenção hídrica, calores, dispepsia e insônia e os antagonistas do receptor HT3 podem causar constipação transitória e enxaqueca. Em muitas situações, antieméticos menos potentes, como a metoclopramida (Plasil), domperidone (Motilium), haloperidol ou ciclizina, são suficientes. Muito freqüentemente muitas drogas são usadas em combinação.

Comer pouco e freqüentemente pode ser melhor do que manter os horários de refeição em vez de faze-lo com a comida.

Pontos centrais

  • Existe ajuda disponível para muitos problemas físicos e psicológicos que afetam pessoas com câncer;
  • Pessoas com câncer freqüentemente têm sintomas que não tem relação com o câncer ou seu tratamento;
  • Um bom controle da dor pode ser conseguido pela maioria das pessoas;
  • Drogas analgésicas devem ser tomadas regularmente, não só quando a dor começa

Fonte: Guia da Saúde Familiar - revista ISTOÉ - Volume 11 - 02/2002


A LINCX Sistemas de Saúde possui todos os direitos autorais dos artigos e imagens publicados neste portal