Se os médicos
têm uma razão para suspeitar que você
tenha câncer, é provável que você
seja inicialmente encaminhado a um cirurgião. Em
parte, isso ocorre porque algum procedimento cirúrgico
é freqüentemente necessário para fazer
um diagnóstico definitivo, e, em parte, porque a
cirurgia é o melhor tratamento inicial para vários
tipos de câncer.
Durante a cirurgia,
o câncer pode ser localizado e sua extensão
estabelecida, às vezes, esse é o principal
objetivo do procedimento. Exemplos incluem a remoção
dos nódulos linfáticos das axilas (“dissecção
axiliar” ou “remoção”) para
mulheres que estão se submetendo à cirurgia
para câncer de mama, e uma inspeção
profunda na cavidade abdominal (durante a “laparoscopia
de estadiamento”) para mulheres que se submetem à
remoção do câncer de ovário.
É compreensível
que a maioria das pessoas fique nervosa por ser operada.
No entanto a maior parte das cirurgias para câncer
corre bem. Obviamente, é inevitável que os
resultados não sejam sempre perfeitos, mas não
cabe aqui discutir em detalhes os possíveis efeitos
colaterais a curto e longo prazos de cirurgias em particular,
que podem variar de procedimentos relativamente simples
que duram alguns minutos a grandes tarefas que duram muitas
horas.
Algumas cirurgias
evidentemente, deixam efeitos prolongados na aparência,
função ou ambos. Outras cirurgias apresentam
o risco de efeitos colaterais para alguns pacientes, como,
por exemplo, inchaço no braço (linfedema)
após remoção axilar e impotência
após cirurgia de câncer retal ou de próstata.
Qualquer um desses riscos será normalmente discutido
em detalhes antes de mais nada, mas se você acredita
que precisa de mais informações, não
tenha medo de pedir. Alguns pacientes precisam somente um
curto período no hospital após a cirurgia,
outros, duas a três semanas, às vezes mais.
Alguns são capazes de retornar à vida normal
quase imediatamente, enquanto outros podem nevar alguns
meses para se recuperar totalmente após uma cirurgia
importante. Embora a maioria dos pacientes sinta algum desconforto
no período imediatamente após a cirurgia,
pode receber cuidados pós-operatórios altamente
qualificados, incluindo um excelente controle da dor.
Termos
cirúrgicos
Uma
variedade de termos especiais é utilizada para
de referir a procedimentos cirúrgicos e alguns
deles são encontrados no contexto do tratamento
de câncer. Esses são os principais.
Ressecção
Remoção
de um tumor ou um órgão; palavras que
terminam em “ectomia” significam a mesma
coisa. Por exemplo, remoção de um lobo
pulmonar contendo um câncer pode ser chamada
de lobectomia pulmonar e remoção do
tumor da próstata, prostatectomia.
Radical
Além de retirar
o tumor, envolve a remoção do tecido
próximo ou conectado ao tumor ou órgão
envolvido, com o objetivo de fazer de tudo para se
livrar da última célula cancerosa.
Palavras
que
terminam em
“OSTOMIA”
Quando um dos tubos
do corpo é bloqueado por um tumor ou quando
parte dele é removida, o cirurgião pode
precisar desviar a obstrução e criar
uma entrada ou saída, unindo o tubo a uma abertura
artificial feita na pele (“estoma”; veja
abaixo). Por exemplo, a união da traquéia
à pele excessiva é denominada traqueostomia
e pode ser temporária ou permanente, dependendo
das circunstância. A união do intestino
grosso ou cólon ao estoma na pele abdominal
é denominado colostomia. Essa também
pode ser temporária ou permanente.
Estomia
Uma abertura artificial
na pele para permitir que o conteúdo do tubo
subjacente saia do corpo. Após a colostomia,
por exemplo, uma bolsa será ajustada sobre
o estoma para coletar o conteúdo intestinal.
Estruturas modernas capacitam a maioria das pessoas
que se submetem a esse procedimento a levar vidas
praticamente normas.
Cirurgia
para curar
Na maioria
dos casos, o a maneira mais eficaz de erradicar um câncer
localizado é, quando possível, extirpa-lo
com uma margem adequada de tecido normal ao redor. A cirurgia
não consiste em cura para cânceres que se espalham
para partes distantes do corpo ou não é tecnicamente
possível remover o câncer completamente.
A maioria
das cirurgia para câncer é feita como um planejamento
cuidadoso ou procedimento calculado, com o diagnóstico
feito com certeza absoluta ou quase. No entanto, uma pequena
minoria descobre que têm câncer durante uma
cirurgia de emergência feita por causa das complicações
do câncer, como perfurações ou obstrução
do intestino. Nessa situação, os resultados
da cirurgia, infelizmente tendem a ser piores. Isto porque
estes tumores estão geralmente em estágio
avançado e também porque a pessoa envolvida
pode não estar em um estado muito bom de saúde.
Tem havido
uma tendência nas últimas décadas de
usar cirurgias menos radicais para certos tipos de tumores.
Por exemplo, visto que i tamanho e a posição
do crescimento são favoráveis, é possível
remover o câncer de mama de uma mulher, juntamente
com suficiente tecido circulante (retirada local ampla),
e evitar a remoção de toda mama (mastectomia)
Esse tipo de cirurgia é seguido de radioterapia na
mama para se livrar de qualquer traços microscópicos
de câncer, e as perspectiva de cura são tão
boas quanto a mastectomia. Uma combinação
de cirurgia menos agressiva e radioterapia pode ser usada
para travar sarcomas de tecidos moles muito mais raros.
Em outras
situações, entretanto, a cirurgia é
mais extensiva do que costuma ser. Por exemplo, a maioria
das mulheres com câncer de mama tem agora os nódulos
linfáticos nas axilas retirados, além da cirurgia
de mama. Ocorre freqüentemente uma remoção
completa de todos os nódulos que possam ser identificados,
conhecida como “limpeza axilar”. Esses procedimentos
podem não somente erradicar quaisquer metástases
que possam estar presente nos nódulos , mas também
fornecer informações úteis sobre se
o câncer se espalhou ou não microscopicamente
para outras partes. O risco de que isso aconteça
aumenta se o câncer se espalhou para os nódulos
linfáticos. Esse conhecimento pode ser usado para
aconselhar a paciente sobre qual tratamento adicional ela
deve fazer. Algumas mulheres que têm metástases
de câncer de mama nos nódulos linfáticos
terão uma probabilidade de cura significamente aumentada
com a quimioterapia ou tratamento hormonal.
A muito tempo
a cirurgia tem sido considerada uma cura potencial para
muitas pessoas cujo câncer se espalhou para nódulos
linfáticos próximos, mas tem havido um crescente
entusiasmo para cirurgia em indivíduos cuidadosamente
selecionados cujo câncer se espalhou, pela circulação,
a pequenas e removíveis partes do pulmão ou
fígado. A probabilidade de sucesso tende a ser maior
quando há um longo intervalo entre o tratamento do
crescimento primário e o desenvolvimento de metástases.
Cirurgia
reconstrutiva
Um progresso
considerável também tem sido feito na cirurgia
de restauração da aparência e função
após cirurgias de remoção de câncer.
Por exemplo, muitas mulheres cujas mamas foram removidas
podem ser operadas para criar uma nova mama, tanto pela
inserção de alguma forma artificial de “implante”
sob o músculo abaixo da pele, ou pela construção
de uma nova “mama” usando músculo e tecido
gorduroso (“um retalho”) das costas e parede
do baixo-abdômen. Os resultados, embora imperfeitos,
são geralmente muito satisfatório. Eles podem
fazer uma enorme diferença psicológica para
aquelas mulheres que compreensivelmente acham difícil
conviver com a perda de uma mama.
Esses procedimentos
reconstrutivos geralmente envolvem conhecimento cirúrgico
altamente especializado. Algumas vezes são feitos
por cirurgiões plásticos. Assim como contribuem
para o cuidado de alguns pacientes com câncer, também
tem um papel importante da restauração da
aparência e função após cirurgias
para cânceres envolvendo a boca e garganta e outras
estruturas próximas.
Alguns procedimentos
reconstrutivos são feitos durante a remoção
do tumor, com o cirurgião plástico operando
junto com o cirurgião que remove o tumor. Outros
podem ser feitos algum tempo depois.
O material artificial que é usado em qualquer forma
de cirurgia reconstrutiva é conhecido como prótese.
Algumas pessoas com sarcomas ósseos dos membros podem
se beneficiar com a substituição protética
do osso após a remoção do crescimento,
evitando, assim, a necessidade de amputar o membro.
Cirurgia
paliativa
Procedimentos
cirúrgicos também são realizados para
aliviar sintomas. Algumas vezes isso é feito em conjunto
com outros tratamentos objetivando destruir o câncer.
Tubos protéticos
ou sondas podem ser inseridos para aliviar a obstrução
causada pelo crescimento. Isso é freqüentemente
feito em pessoas com câncer de esôfago. Obstrução
no abdômen são às vezes aliviadas pelas
cirurgias de desvio. Próteses metálicas podem
ser inseridas no osso que oi fraturado ou substancialmente
por uma metástase do tumor. Dessa forma, restaura-se
a força do osso, permitindo um rápido retorno
para o uso normal ou quase normal do membro. Algumas vezes,
lasers são usados para fazer orifícios em
tumores que obstruem o esôfago, ou os brônquios
no pulmão. A traqueostomia pode ser necessária
quando um tumor está obstruindo a laringe causando
dificuldade na respiração.
Um tumor que
pressione a medula espinhal pode causar fraqueza de perna
por interferir com o suprimento nervoso aos músculos.
Esta pode ser aliviada pela remoção do tumor
por um neurocirurgião ou um ortopedista. Algumas
pessoas com câncer de mama ou próstata beneficiam-se
com a remoção cirúrgica de seus ovários
e testículos, cirurgias conhecidas como “ooforectomia”
e “orquidectomia”. Esses cânceres são
geralmente suscetíveis a influências hormonais,
portanto, remover a fonte desses hormônios pode resultar
em encolhimento marcante do tumor que pode durar um longo
tempo. Finalmente, procedimentos cirúrgicos também
são ocasionalmente realizados para controlar sangramento
de um crescimento.
Pontos centrais
A confirmação
do diagnóstico de câncer é geralmente
estabelecida por alguma forma de procedimentos cirúrgicos.
A cirurgia cura mais
cânceres do que qualquer outro tratamento utilizado
individualmente.
Fonte:Guia da Saúde Familiar - revista ISTOÉ - Volume
11 - 02/2002
A LINCX Sistemas de Saúde possui todos os direitos autorais dos artigos e imagens publicados neste portal