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Asma ocupacional

Considera-se asma ocupacional a que se manifesta como conseqüência da exposição a uma substância ou substâncias no local de trabalho. A exposição pode agir como um provador da asma e a substância sensibiliza o paciente de tal maneira que as reações voltam a aparecer cada vez que ocorre uma nova exposição.

Alternativamente, a substância pode agir como desencadeador, induzindo crises em pacientes que já sofrem de asma sendo que esta não se origina, necessariamente, de uma exposição à substâncias.

Causas

Há mais de 200 causas conhecidas de asma ocupacional, muita das quais ainda desconhecidas, mas algumas ocorrem em alguns tipos de trabalho bem comuns. Entre as causa conhecidas estão o isocianato (endurecedor das tintas usadas na pintura de carros), resinas de epóxi e farinha (asma do padeiro).

Uma lista das causas mais conhecidas da asma ocupacional aparece na página ao lado, acompanhada das profissões às quais as substâncias estão comumente associadas.

Causas comuns da asma ocupacional
Algumas das causas mais comuns da asma ocupacional são mostradas neste quadro juntamente com as profissões nas quais, provavelmente, as substâncias são encontradas.
Causas/Substâncias Ocupações
Isocianatos Pintores, envernizadores e pessoas que trabalham com alguns plásticos.
Colofônia Soldadores
Urina animal Pessoas que trabalham em laboratórios, criadores de animais
Resinas de epóxi Ocupações envolvidas com adesivos e vernizes
Farinha Padarias e serviços para festas
Cromo Curtume, galvanoplastia
Enzimas Produção de detergentes, tecnologia de alimentos e de produtos farmacêuticos
Poeira de madeira Fresadores, marceneiros, carpinteiros
Níquel Galvanoplastia
Corantes Fabricação de corantes
Antibióticos Fabricação de produtos farmacêuticos
Ácaros dos grãos Fazendeiros

Uma ocorrência comum

A asma ocupacional pode afetar cerca de 5% dos asmáticos no trabalho. Este dado é aproximado e provavelmente subestima a quantidade real. Muitos pacientes, empregadores e médicos estão desavisados quanto à possibilidade de fatores ocupacionais serem realmente de grande importância. Assim, muitos casos não são diagnosticados, o que, em algumas pessoas, pode se tornar um problema sério, pois a exposição continuada a certas substâncias pode ocasionar mudanças irreversíveis nas vias aéreas.

Diagnóstico

Os primeiros indícios advêm da história do paciente. A melhora nos sintomas nos fins de semanas ou por períodos mais longos, como férias, sugere que alguma coisa na trabalho afeta sua asma. Nem todos com esta história clínica sofrem de asma ocupacional como, do mesmo modo, algumas pessoas com uma história bem diferente acabam com um diagnóstico de asma ocupacional. Entretanto, a história deve levar as pessoas a consultarem um pneumologista para mais investigações

Após ter sido encaminhado a um hospital ou clínica pneumológica, o especialista irá pedir-lhe que registre os fluxos máximos regularmente, às vezes até a cada duas horas, tanto no trabalho como fora dele, para buscar padrões reconhecíveis de mudanças nas leituras do fluxo máximo e assim confirmar o diagnóstico.

História de caso: Alergia ao atomizador de tinta

Marcos tem 32 anos e trabalhou na indústria automobilística por dez anos, após uma temporada no exército, onde começou a aprender sua profissão. Por quadro anos ele executou várias tarefas na fábrica, sendo que aos 26 anos começou a trabalhar no setor de pintura. Apesar de fumar de 10 a 15 cigarros por dia, seu único problema até então havia sido alguns episódios de bronquite no inverso. Durante o inverno de 1990, teve o que pensou ser outra crise de bronquite com tosse e ruído respiratório, só que dessa vez os sintomas persistiram e ele começou a acordar à noite. Ele consultou seu médico que receitou outra série de antibióticos e disse que realmente ele precisava parar de fumar, o que não trouxe resultados. Os chiados de marcos tornaram-se mais intensos até mesmo em exercícios leves. O médico desconfiou que ele estivesse com asma e iniciou um tratamento, com algum resultado, um pouco antes de Marcos sair de férias na Páscoa de 1991.

Enquanto estava fora, Marcos começou a se sentir bem melhor até mesmo parou de usar seus inaladores, mas logo que regressou ao trabalho sua asma voltou, desta vez, com violência. Suspeitando que a melhora de Marcos quando fora do trabalho podia sugerir um aspecto ocupacional de sua asma, seu médico encaminhou-se a uma clínica pneumológica onde uma série de leituras do fluxo máximo indicou o padrão típica de asma relacionada ao trabalho.

Felizmente a firma para a qual Marcos trabalhava era muito conscienciosa e lhe forneceu um capacete protetor bem eficaz. Desde então sua asma ficou bem mais controlável e ele pôde continuar o trabalho para o qual estava bem habilitado e com um bom salário.

Confirmando o diagnóstico

Ocasionalmente, quando ainda houver uma dúvida quanto à origem ocupacional da asma, você pode ser exposto, em laboratório, à substância suspeita, em condições cuidadosamente supervisionadas. Se você piora quando exposto ao agente suspeito, mas não tem reação quando exposto em outro dia a qualquer outra substância insuspeita, isto geralmente confirma o diagnóstico. Este é um processo que toma muito tempo, pois você terá que faltar ao trabalho por uma semana, fazendo uma série de testes de respiração, após as diferentes exposições, num laboratório especial.

O futuro do paciente

Alguns têm de abandonar seu trabalho, face à dificuldade em controlar a asma quando a exposição continua. Em muitos casos, a direção da fábrica não pode ou não quer melhorar as condições do local de trabalho. Alguns pacientes são reposicionados na própria firma em cargos diferentes, onde não há mais exposição à substância que lhe causava problema. Muitos, no entanto, continuam a trabalhar e a serem expostos, o que só é aceitável quando a asma pode ser controlada com medicamentos.

Algumas vezes as reivindicações por indenização torna-se objeto de processo judicial, o que pode levar muito tempo para se resolver, mas que talvez seja o único meio pelo qual um operário especializado que perdeu um emprego bem remunerado possa ser adequadamente compensado.

Pontos centrais

  • Os sintomas de asma que melhoram no fim de semana ou férias sugerem uma causa ocupacional.
  • A história do paciente mostra, geralmente, os pacientes indícios, mas o diagnóstico precisa ser confirmado em laboratório.

Fonte: ISTOÉ - GUIA DA SAÚDE FAMILIAR - volume 4 "ASMA" páginas 68 a 73


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